FIAM: negócios amazônicos
13 outubro, 2008 - 21:05h Délcio Rocha
Mais de 10 milhões de dólares gerados na Rodada de Negócios, cerca de 2 mil participantes nos seminários, mais de 300 expositores do Pólo Industrial de Manaus (PIM) e dos Estados da Amazônia brasileira, seis projetos com negócios fechados com investidores no Salão de Projetos para Investimentos em Negócios Sustentáveis e um público estimado em 100 mil visitantes entre 10 e 13 de setembro último. Esse foi o balanço da quarta edição da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2008), divulgado por Flávia Skrobot Grosso, Superintendente da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA)
A FIAM 2008, realizada em Manaus é, sem dúvida, o evento bienal de maior destaque da região amazônica. A abertura contou com a presença do Presidente Lula e dos Ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Edison Lobão (Minas e Energia), Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), além dos Governadores do Amazonas, Roraima, Tocantins e do Pará.
Esta iniciativa tem sido primordial para o sucesso do modelo Zona Franca de Manaus ao propiciar maior visibilidade a esse modelo de desenvolvimento e à própria região, assim como contribui para atrair investimentos nacionais e estrangeiros.
"A FIAM 2008 superou todas as expectativas. Todo ano trabalhamos para que a feira seja melhor do que a anterior. Os negócios gerados tendem a duplicar ou triplicar em médio prazo. Contamos com a participação dos Estados da região amazônica, mais São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de representantes de Portugal, Japão, EUA e Canadá", disse a Flávia S. Grosso.
Aproveitando a sua estada na FIAM, o Presidente Lula deu a partida na construção do último furo direcional do gasoduto Urucu-Coari-Manaus e do Linhão Tucuruí-Manaus, que deve entrar em operação já em Fevereiro do próximo ano, de acordo com o Ministro Edison Lobão.
O Presidente Lula também lançou um projeto de cartografia da Amazônia em companhia da Governadora do Pará, Ana Júlia Carepa. Por sua vez, a Ministra Dilma Rousseff destacou que existe uma tomada de consciência do significado da Amazônia para o Brasil e do seu papel estratégico regional. A Ministra comentou que é impossível um país crescer mantendo o desequilíbrio entre as regiões, como ocorre com o Norte em relação ao Centro/Sul. Por isso, enfatizou que o Governo Federal está fazendo grandes investimentos em infra-estrutura na região.
O Pólo Industrial de Manaus (PIM) contribuiu para reduzir em pelo menos 70% o desmatamento no Estado do Amazonas no período de 2000 a 2006, segundo o estudo "Impacto Virtuoso do Pólo Industrial de Manaus sobre a proteção da floresta amazônica: discurso ou fato?", apresentado no evento. O relatório estima que o valor das emissões de carbono evitadas no período analisado chega a US$ 10 bilhões. Se considerados os serviços ambientais proporcionados pela preservação, o valor estimado é da ordem de US$ 158 bilhões também no mesmo período.
O estudo, que pela primeira vez comprova cientificamente a influência do PIM na preservação da floresta amazônica, foi feito por pesquisadores das Universidades Federais do Amazonas e Pará, do Instituto Piatam e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Financiado pela Nokia do Brasil, com investimento de R$ 600 mil, contou ainda com o apoio da SUFRAMA. Os resultados desse estudo, também passaram por avaliação de pesquisadores dos Estados Unidos, Europa e da América Latina.
Para medir o impacto do PIM na preservação da floresta, os pesquisadores utilizaram variáveis que podem influenciar ou não no desmatamento e analisaram seus impactos em mais de 400 municípios de toda a Região Norte. Essas variáveis incluíram o impacto de atividades econômicas diversas, como a pecuária e a exploração madeireira, dados demográficos, a variação do Produto Interno Bruto (PIB) geral e per capita, a densidade de estradas, e os investimentos públicos realizados nestes municípios, sobretudo em educação, entre outras.
Em uma segunda fase, os pesquisadores selecionaram as variáveis que indicaram maior índice de desmatamento e as aplicaram para medir o impacto do PIM no Amazonas. Nessa fase, foi incluída a análise dos incentivos econômicos associados ao pólo.
O Ministro Edison Lobão, ressaltou que a FIAM mostra como o modelo da ZFM, levado à frente pela SUFRAMA, deu certo e influencia também na preservação da floresta Amazônica, em especial no Amazonas.
"Nenhum país do mundo conserva melhor as suas riquezas naturais do que o Brasil; o resultado disso é que hoje o Amazonas tem a sua economia fortalecida, com respeito ao meio ambiente". E em outras declarações sobre a FIAM, a Ministra Dilma Rousseff afirmou que, "o futuro próspero do País terá participação efetiva dos povos e Estados da Amazônia, e a Amazônia terá para o Brasil, nos próximos anos, um papel estratégico. A forma com a qual a economia brasileira se desenvolve cria um mercado de massa interno onde haverá um lugar para que os produtos da ZFM possam desaguar. O desenvolvimento da Amazônia é um dos focos desse Governo".
No seu discurso de abertura da FIAM, o Presidente Lula foi enfático e claro ao afirmar que "o que foi feito até agora pelo Estado do Amazonas se deve não apenas ao mérito do Governo Federal, mas também à parceria civilizada e republicana que foi construída com a presença do Governador Eduardo Braga do Estado do Amazonas; deve-se também à sensibilidade dos empresários, que tiveram sempre a disposição para discutir com o Governo Federal, também de forma republicana, enfrentando adversidades, enfrentando Estados e pessoas que não gostam da Zona Franca de Manaus.
Em nenhum momento aumentamos o tom da nossa voz para fazer com que prevalecesse o direito de ser diferente o processo de industrialização e desenvolvimento desta região".
No campo do ecoturismo, o seminário "Turismo na Amazônia: dinâmicas em curso para sua alavancagem" destacou as potencialidades da região. Para o professor de gestão do turismo na Universidade de São Paulo, Virgílio Nelson da Silva Carvalho, o turismo deixou de ser um bem de consumo supérfluo e se transformou numa das principais ferramentas de desenvolvimento, gerador de emprego e renda; o setor de turismo, em especial na Amazônia, "exige planos bem elaborados de venda, marketing e incentivos".
Também informou que, "na participação das regiões brasileiras que emitem visitantes para a Amazônia, o Norte do País representa absoluta maioria: 62,9%. A Amazônia é destino de seu próprio mercado". O principal Estado emissor de turismo para o Amazonas é o Pará, segundo estatísticas apresentadas pelo professor: "esse público é importante para o turismo local, e é preciso ter uma boa base para manter um empreendimento 365 dias ao ano". Segundo os organizadores do encontro, a realização do "1° Salão de Projetos para Investimentos em Negócios Sustentáveis", uma das novidades da Feira, superou todas as expectativas com a realização de mais de 50 reuniões realizadas entre investidores, idealizadores de projetos, empresas, institutos tecnológicos, instituições de ensino e de pesquisa, e pesquisadores.
"A FIAM já se incorporou definitivamente na agenda dos mais importantes eventos para efetivação de negócios no País", destacou o Ministro Miguel Jorge. "A Feira contribui enormemente para divulgar o potencial econômico da Amazônia brasileira; a cada edição as expectativas são superadas, assim como o número de participantes, de expositores, de visitantes e o volume de negócios", finalizou. Em 2009 teremos a próxima FIAM, que continuará bienal, em anos ímpares.
Por: Lúcia Chayb, diretora da Revista Eco 21
- Categoria: AGRONEGÓCIOS, ECOLOGIA, ARTIGOS, Educação Ambiental, FLORA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, POLÍTICA, QUE PAÍS É ESSE???, Artigos Técnicos, Aquecimento global, Questões Agrárias
1 Comentário Adicione o seu
1. LAURA | 12 novembro, 2008 - 19:05h
POR QUE VCS Ñ RESUMIRAM, FICA M+ FACIL PARA OS ALUNOS
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