Pesquisadores avaliam formulação à base de flocos de abóbora para suprir carências de vitamina A
7 setembro, 2008 - 16:59h Délcio Rocha
Bebida à base de flocos de abóbora com inulina para suprir carências de vitamina A em crianças em idade pré-escolar é a alternativa estudada no Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A inulina (frutoligossacarídeo) é um açúcar que, diferentemente dos demais, não é digerido no estômago. De baixa contribuição calórica, seu uso é, em muitos casos, recomendado para diabéticos, uma vez que os frutoligossacarídeos não são aproveitados pelo organismo e, portanto, não aumentam o nível de açúcar no sangue.
Além de apresentar indícios de efeitos prebióticos (de fibras não digeríveis), o estudo revela também que as formulações testadas são adequadas para pequenas refeições de crianças entre quatro e seis anos. A pesquisa tinha como objetivo testar a bebida e caracterizá-la quanto ao valor nutricional, à aceitação e ao efeito prebiótico nessa faixa etária.
Karina Correia da Silveira, do Departamento de Nutrição da UFPE, destaca que grande parte da população infantil e pré-escolar apresenta níveis de vitamina A circulante abaixo do normal.
- A abóbora é um vegetal considerado boa fonte de várias frações de carotenóides, especialmente betacaroteno, que podem ser biologicamente transformados em vitamina A. E a inulina é considerada uma fibra dietética solúvel com comprovado efeito bifidogênico. Ela atua no crescimento e na manutenção da população bacteriana saudável e ainda melhora a biodisponibilidade de minerais como cálcio, magnésio e ferro.
A abóbora ou jerimum é a sétima na lista de vegetais mais consumidos no Nordeste e ocupa o quinto lugar em volume de comercialização em Pernambuco. A espécie testada (C. moschata) apresenta mais de 80% de sua composição de carotenóides da fração beta-caroteno além de alfacaroteno, luteína, licopeno, criptoxantina e cis-betacaroteno, precursoras de provitamina A.
O estudo concluiu que as formulações são nutricionalmente adequadas para os lanches das crianças. Pode-se afirmar que a bebida, segundo os autores, supera as recomendações para o lanche em idade pré-escolar. Os resultados do trabalho foram publicados na Revista de Nutrição, em artigo assinado por Karina e outras cinco pesquisadoras da UFPE.
- A bebida tem muita proteína e alto valor biológico, pois é proveniente do leite integral. E é fonte de fibra, devido à contribuição da inulina, que favorece a melhor absorção de minerais e de vitamina A proveniente do betacaroteno na abóbora - explicou Karina.
Aceitação por crianças
O estudo utilizou três formulações, a partir de uma fórmula-base que consistiu de 6% de flocos de abóbora, 12% de leite em pó integral, 3% de açúcar refinado e 79% de água. Outras duas formulações experimentais (B e C) foram acrescidas, respectivamente, de 0,5 % e 1% de inulina.
Os testes físico-químicos demonstraram que as formulações pouco diferiram quanto à composição centesimal e que a ingestão 200 ml/dia das formulações contribuiu, em média, com 10,8%, 36%, 10,2%, 12,6%, 37,1% e 126,4% da recomendação de ingestão diária de energia, proteínas, carboidratos, lipídios, fibra alimentar e carotenóides, respectivamente.
Os testes de aceitação sensorial, realizados com 49 crianças de duas creches no Recife, com idade entre 4 e 6 anos, apontaram que não houve diferenças significativas. As formulações, segundo o estudo, tiveram a mesma aceitação nas duas creches analisadas, mas a aceitação das formulações na segunda foi superior à primeira.
- Esses resultados podem ser atribuídos às diferentes condições socioeconômicas das creches. Na segunda creche, o cardápio é menos diversificado e, assim, poderia contribuir para uma melhor aceitação de novos produtos - disse Silveira.
A pesquisadora destaca a viabilidade econômica do produto, "embora falte interesse da empresas de produtos infantis, por ser um produto regional". Para produzir 200 ml da bebida, o custo da matéria não excede R$ 0,55. Com 40 kg de abóbora pode-se produzir 8 kg de flocos. Karina conta que a pesquisa continua em andamento no grupo da UFPE.
- Nesta primeira etapa, abordamos os efeitos prebióticos in vitro e a aceitação da bebida. Atualmente, estamos finalizando outra etapa com a avaliação do potencial prebiótico em animais. Posteriormente, pretendemos pesquisar melhor a embalagem e a forma de armazenamento do pó para bebida de modo a monitorar o conteúdo de betacaroteno - disse.
Fonte: Agência Fapesp
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, VIDA E SAÚDE, Biotecnologia, AGRICULTURA, Humana, culturas, Terapias Alternativas
1 Comentário Adicione o seu
1. isadora | 19 setembro, 2008 - 15:24h
bobo esse comentario é bobo
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