Médico critica no STF o aborto de anencéfalos e diz que o “sofrimento purifica”
7 setembro, 2008 - 16:51h Délcio Rocha
O médico Dernival da Silva Brandão, da Academia Fluminense de Medicina, disse nesta quinta-feira (4) que o sofrimento purifica. A declaração foi dada em resposta a questionamento feito pelo ministro Marco Aurélio Mello durante audiência no STF (Supremo Tribunal Federal). Mello se disse perplexo com a afirmação.
"Continuamos até mesmo perplexos com a resposta que nos foi dada hoje (quinta-feira) no sentido de que o sofrimento purifica. (Perguntei porque) costumo presumir o que ocorre", afirmou Mello, após a audiência.
Brandão criticou a interrupção da gravidez em caso de anencéfalos e disse que, mesmo que a criança não sobreviva por muito tempo, há vida.
"Em geral as mulheres que fazem o aborto têm sempre a sensação de culpa, a sensação de perda é comum, até quando (o aborto) é voluntária", disse. O ministro Mello marcou nova audiência pública para o dia 16.
Três dias - Na quinta-feira (3) aconteceu a terceira audiência pública sobre o aborto de fetos anencéfalos. Os STF começou a ouvir os dois lados do caso no dia 26. Nas audiências, representantes de diversas entidades travaram um debate centrado principalmente em argumentos religiosos e científicos.
Rodolfo Nunes, representante da Sociedade Pró-Vida, por exemplo, afirmou que o fato de as crianças com anencefalia conseguirem respirar e interagir com os pais indica que há vida e, portanto, o aborto seria um crime. "A criança que está respirando certamente não está em morte encefálica", afirmou.
Já o advogado Luís Roberto Barroso, que representa a CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde), autora da ação que originou a audiência pública, diz que a continuidade da gravidez após o diagnóstico de anencefalia pode trazer riscos à mãe. "Qualquer sofrimento inútil e inevitável viola o princípio da dignidade da pessoa humana", concluiu.
Por: Lorenna Rodrigues
Fonte: Folha Online
- Categoria: NOTÍCIAS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, VIDA E SAÚDE, Humana, Genética
1 Comentário Adicione o seu
1. Antonio Joião | 13 setembro, 2008 - 10:28h
Purificação de quem: da mãe (gestante)?, do pai?, dos avós?, da familia como um todo?. Acho a afirmação intempestiva e sem propósito. Alguém pode se manifestar como devo me “purificar”? Não se está definindo como obrigatório o aborto apenas tornando-o possivel. A escolha, em uma democracia, deve ser preservada.Porque não permitir para os que optarem pela interrupção da gravidez?
Sou médico, psicanalista e pertenço a Academia de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul.
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