E Se Morrermos de Frio?
30 julho, 2008 - 08:44h Délcio Rocha
Uma breve análise sobre a pauta da mídia revela que o aquecimento global é consenso. Num futuro próximo, apontam os textos, todos estaremos à mercê de grandes catástrofes causadas pela irresponsabilidade do homem, que joga toneladas de dióxido de carbono na atmosfera sem pensar nos danos causados ao ambiente. Porém, conceitos contrários a essa tese também existem e tendem a colocar nossas cabeças para refletir: são verdadeiros os dados a respeito das mudanças climáticas? A sobrevivência do homem na Terra está comprometida pelo aumento da temperatura? Essa reflexão foi colocada em discussão durante o simpósio Aquecimento Global: da Incerteza à Necessidade de Agir, que aconteceu na tarde da quinta-feira (17), no Centro de Convenções da Unicamp.
Sônia Barros de Oliveira, doutora em geociências da USP, expôs as bases científicas que são utilizadas pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) para entender as mudanças climáticas que estariam acontecendo em decorrência do aquecimento global. O IPCC foi criado em 1988 pela Organização Metereológica Mundial e o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), com a função de reunir informações científicas de todo o mundo a respeito das mudanças climáticas.
Através de gráficos, diagramas e teorias científicas, Oliveira demonstrou em sua apresentação que existem muitos fatores que influenciam as alterações de temperatura no planeta, como a variação da radiação solar incidente sobre a Terra. Além disso, ela afirmou que nem sempre é possível medir essas variações com a precisão necessária exigida pelos estudos científicos. Segundo a pesquisadora, termômetros passaram a existir somente a partir de 1760, as temperaturas marinhas só começaram a ser medidas a partir da metade do século XX e as medições na troposfera e na estratosfera são ainda mais recentes. "Sem falar que essas medições nem sempre foram padronizadas, o que pode gerar anomalias", avaliou. "A incerteza com relação ao aumento da temperatura apenas diminui quando se avaliam as mudanças mais próximas do momento presente".
A apresentação da geóloga também enfatizou conceitos de paleoclima, que é o estudo do clima em eras passadas. Segundo estudos apresentados pela pesquisadora, em 800 milhões de anos já aconteceram inúmeras variações no clima do planeta, e essas variações não estiveram relacionadas às emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Ela finalizou a palestra afirmando que o IPCC trabalha com os piores cenários possíveis, quando projeta o futuro do clima da Terra utilizando modelagem climática.
Já Luís Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, numa apresentação divertida e empolgante, questionou os dados do IPCC com referências históricas e bom humor. "O Protocolo de Kyoto não serve para nada, pois a contribuição do homem para o efeito estufa é infinitamente pequena", afirmou. Segundo ele, as emissões de CO2 nada têm a ver com as grandes catástrofes, porque elas sempre existiram na história do planeta. Ele citou uma grande seca no Nordeste, que aconteceu entre 1877 e 1879 e que matou mais de 500 mil pessoas; e um furacão que matou 10 mil pessoas nos Estados Unidos em 1900. "As mudanças que ocorrem na Terra são comandadas pelo movimento das placas tectônicas, vulcões e terremotos. A temperatura nada tem a ver com isso".
Molion concluiu sua apresentação com uma indagação polêmica: se não há base científica nos dados do IPCC, a quem interessa esse aquecimento global? E ainda soltou uma piada: "Se o aquecimento global continuar do jeito que está, daqui a 20 anos vamos todos morrer de frio".
Fonte: Unicamp
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, Aquecimento global
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