Missão da África busca aprendizado sobre agroenergia
28 maio, 2008 - 08:28h Délcio Rocha
O desafio de diversificar a matriz energética tem levado diversos países africanos a buscar conhecimento fora de suas fronteiras. Representantes de ministérios de ciência e tecnologia, da agricultura, de universidades e da iniciativa privada da África do Sul, Moçambique, Zaire, Tanzânia, Camarões e Zâmbia visitaram a Embrapa Cerrados (Planaltina/DF) na manhã desta terça-feira (27/05) para conhecer as pesquisas com fontes alternativas para produção de agroenergia desenvolvidas pela Embrapa.
A comitiva, composta por 15 profissionais, conheceu áreas de produção e instituições de ciência e tecnologia em missão de estudos planejada pela Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas (UNIDO). Segundo o venezuelano Carlos Chanduvi, gerente da UNIDO, o grupo está impressionado com "a magnitude e mecanização da cana-de-açúcar" cultivada no país.
A missão da África iniciou a visita ao Brasil no dia 22 de maio por Foz de Iguaçu (PR). No dia seguinte, o grupo conheceu áreas de cultivo de cana-de-açúcar em Piracicaba (SP). Já em Brasília (DF), a missão esteve no Ministério da Educação, SENAI e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Após as visitas a Embrapa Cerrados e Embrapa Agroenergia (Brasília - DF), o grupo de estudos segue ao Rio de Janeiro, onde estão previstos encontros na Agência Nacional do Petróleo, Inmetro e Petrobrás.
O pesquisador Roberto Teixeira Alves, chefe-geral da Embrapa Cerrados, destacou no início do encontro o papel da Embrapa na busca por soluções ambientalmente corretas para incrementar tanto a produção de alimentos como também a oferta de biodiesel. "A Embrapa não trabalha apenas com a produção de grãos e carne. Também trabalhamos com o meio ambiente, com a busca do desenvolvimento sustentável".
Citando a safra agrícola recorde de 142 milhões de toneladas, prevista para este ano, Teixeira disse que o país tem uma posição única no mundo por ter condições de aumentar ao mesmo tempo as produções de alimento e etanol. "No Brasil, não é correto dizer que a agroenergia está competindo com a produção de alimentos", enfatizou.
A missão da África acompanhou ainda uma palestra do pesquisador Plínio Itamar de Souza sobre a contribuição da Unidade no desenvolvimento da cultura da soja no país. Os pesquisadores Rui Veloso e Thomaz Rein acompanharam o grupo ao campo para apresentar os experimentos com pinhão manso e dendê. A Embrapa Cerrados está selecionando as plantas de pinhão manso mais produtivas para produção de biodiesel através do estudo da variabilidade genética e avaliação em diferentes níveis de fertilidade do solo.
Para o engenheiro químico André Kudlinski, do Ministério da Indústria e Comércio da África do Sul, o crescimento econômico requer maior consumo de energia e não há como alcançar desenvolvimento sem produção de energia renovável. "A metalurgia, setor intenso em uso de energia, está em expansão na África do Sul, e somos um país que produz 92% da energia a partir de carvão mineral", comenta. Segundo Andrew Makenete, presidente da Associação de Biocombustível da África do Sul, o país aposta na cultura da canola, girassol e soja para produção de biodiesel.
Fonte: Embrapa Cerrados
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