Cultivo da cana para etanol contribui para trabalho escravo, diz Pastoral da Terra
17 abril, 2008 - 07:21h Délcio Rocha
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão ligado à Igreja Católica, denunciou nesta terça-feira, dia 15, que o crescimento do cultivo de espécies agrícolas para produção de etanol e de outros biocombustíveis acentuou as práticas de trabalho escravo no Brasil, com especial ocorrência nas plantações de cana-de-açúcar.
A denúncia consta do relatório Conflitos no Campo Brasil 2007, segundo o qual os casos de trabalho escravo registrados no ano passado chegaram a 8.635, contra os 6.930 de 2006. O aumento foi observado principalmente no Centro-oeste, onde se concentra a maioria dos canaviais, que em geral se voltaram para a produção de biocombustíveis.
O relatório da Comissão Pastoral da Terra, elaborado em função de dados do governo federal, indica que 52% dos trabalhadores libertados de situações semelhantes à escravidão se encontraram em plantações no setor açucareiro dedicadas a produzir álcool combustível.
- Isso se relaciona diretamente com o aumento da exportação de etanol - afirmou o geólogo Carlos Walter Gonçalves, analista da Pastoral da Terra que colaborou com a redação do relatório.
Fonte: Agência EFE
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