Funasa e Forças Armadas iniciam operação de atendimento a índios no Amazonas
15 abril, 2008 - 08:25h Délcio Rocha
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) inicia nesta semana uma articulação entre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para prestar atendimento médico-hospitalar aos índios do Vale do Javari, no noroeste do Amazonas. Participam da Operação Javari 60 pessoas, entre militares e profissionais de saúde da Funasa, que estarão a bordo do Navio de Assistência Hospitalar Oswaldo Cruz, da Marinha.
A maior parte dos atendimentos deverá ser realizada no próprio navio, até o início de maio, quando o Oswaldo Cruz retorna a Manaus. A Operação Javari inclui ainda imunização contra diversas doenças. O Oswaldo Cruz, um dos três navios de assistência hospitalar da Marinha, que deixou Manaus na segunda-feira (14), dispõe de sala de cirurgia, enfermarias, laboratório de análises clínicas, equipamentos de raio X, gabinetes médicos e odontológicos e farmácia.
Segundo a direção da Funasa no Amazonas, a Operação Javari permitirá colocar em prática o aprimoramento do atendimento e da assistência à saúde indígena na região, sobretudo no que diz respeito a doenças como malária, tuberculose, hepatites, sarampo e gripe.
O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Wanderley Guenka, informou que o navio chega no dia 21 a Tabatinga, no noroeste do Amazonas. No dia 23, estará no pólo-base de São Luís, já no Vale do Javari. De acordo com Guenka, um helicóptero e duas lanchas serão usados para facilitar o contato da equipe médica com as populações indígenas, mesmo as mais afastadas.
No próximo sábado (19), será lançada campanha de vacinação contra doenças diversas. A campanha vai durar 15 dias, período em que os índios poderão contar com outros tipos de atendimentos voltados ao pré-natal, saúde da mulher, da criança e do idoso.
Wanderley Guenka disse que a situação epidemiológica da população indígena do Vale do Javari justifica a soma de esforços dos envolvidos na operação. "Trata-se de um território muito grande, extenso, e com determinadas áreas onde o acesso é mais complicado. Os rios não são navegáveis o ano todo, e a dispersão dos povos indígenas nessa área é de forma irregular." Segundo ele, por conta desses fatores, a Funasa enfrenta dificuldades para prestar assistência aos índios e por isso buscou parceria com o Ministério da Defesa.
O presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral, destacou que a mobilização de forças na Operação Javari é um passo importante para garantir proteção e atenção à saúde indígena na região. Ele ressaltou, porém, que a região precisa de mais atenção do governo federal. A Operação Javari é um reconhecimento público de que até mesmo a Funasa necessita de ajuda quando se trata das ações de saúde voltadas para essa área, disse ele.
"É claro que a ajuda é bem-vinda, apesar de ser assistencial. É preciso que o governo brasileiro entenda que a região do Javari merece atenção especial e que outras operaçòes já foram realizadas, o que não significou enfrentar o problema de forma mais consistente e estruturante. É isso que nós questionamos", afirmou. Jecinaldo espera que a operação resulte num planejamento de ações permanentes, indo além do que foi previsto para o mês de abril.
A região do Vale do Javari tem área equivalente à do estado de Santa Catarina - 8,5 milhões de hectares. Aproximadamente 3,7 mil indígenas vivem no local, incluindo as 48 aldeias das etnias Marubo, Mayoruna, Kanamari, Matis, Kulina e Korubo, catalogadas pela Funasa, e outros povos de pouco contato. "Ainda há indícios e evidência de índios isolados nessa região. Proteger a saúde dos povos indígenas já conhecidos é, de forma indireta, proteger também os povos isolados", concluiu Guenka.
Fonte: Agência Brasil
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, VIDA E SAÚDE, Índigenas, Humana, POLÍTICA
1 Comentário Adicione o seu
1. Joana Darc | 29 abril, 2008 - 19:59h
Artigo epatite E
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