Governo quer aumentar produção de trigo em 50%
15 abril, 2008 - 08:14h Délcio Rocha
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, garantiu queo governo quer baixar ao máximo as taxas de juros no Plano Safra 2008/2009. Mas disse não acreditar na possibilidade de se chegar à faixa dos 4%, como reivindica o setor produtivo.
Em entrevista ao programa Agrocapitais, direto de Londrina (PR), Stephanes informou que nos próximos 10 ou 15 dias, deverão ser lançadas as diretrizes para o plantio de trigo, com o objetivo de reduzir a dependência externa, especialmente da Argentina.
- O preço do trigo está bom no mercado interno e nós vamos lançar as diretrizes com o objetivo de aumentar a produção em 50%.
Os três pontos básicos para estimular o produtor, de acordo com o ministro da Agricultura, são a melhoria do preço mínimo, o seguro e o financiamento.
Na avaliação do ministro, os preços dos produtos agrícolas vão se manter em bons níveis, por causa dos baixos estoques e da demanda aquecida. Para Reinhold Stephanes, o Brasil pode se aproveitar bem desse cenário.
- Os próximos anos serão promissores, salvo se tivermos uma recessão mundial puxada pelos Estados Unidos ou problemas de clima.
Dívida agrícola
O ministro reafirmou que a proposta deve atender a pelo menos 70% dos produtores rurais. Ele explicou que a base das negociações é o que chama de "desengordurar" o endividamento e parcelá-lo de acordo com a renda dos produtores.
- É difícil, porque há agricultures com produtos diferentes, de regiões diferentes e situações diferentes. Como compatibilizar o Mato Grosso, que tem um grande custo de escoamento da produção, e o Rio Grande do Sul, que tem áreas onde há sete anos há perdas por questões climáticas? - questionou
Na avaliação de Stephanes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está sensibilizado com a atual situação. Ele disse também acreditar que o produtor rural não se endividou, mas foi endividado pelo clima, que causou perdas de safra e pelos restos de planos econômicos anteriores ao Real.
Carne
Para o ministro, a seriedade é a chave para que o Brasil resolva as pendências relacionadas à rastreabilidade da carne bovina. O tema é o ponto central de discussões com a União Européia, que levaram o bloco até a bloquear a importação do produto brasileiro.
- Temos que mostrar aos nossos compradores que o que nós afirmamos nós cumprimos e o que nós não podemos cumprir, íamos negociar - defendeu o ministro, que voltou a reconhecer erros ou até fraudes no cumprimento de normas de rastreabilidade.
Ainda de acordo com Stephanes, o diálogo com representantes da União Européia tem ocorrido em um ambiente de confiança. Otimista, ele informou que deve se reunir com representantes do bloco na próxima segunda-feira, dia 14.
O ministro da Agricultura justificou também o fato do Brasil não romper relações comerciais com os europeus nem questionar as exigências do bloco na Organização Mundial do Comércio.
- Levaríamos anos discutindo, fecharia as portas e poderia passar a imagem de que a União Européia cortou a importação do Brasil por questões sanitárias, o que traria repercussão em outros mercados.
Fonte: Canal Rural
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