Chuva estanca estiagem, mas desabriga 1,4 mil no Rio Grande do Sul
14 abril, 2008 - 08:17h Délcio Rocha
A chuva intensa e persistente que provocou prejuízos para muitos gaúchos no fim de semana foi recebida como uma bênção por outros.
A precipitação, que em alguns pontos ultrapassou os 100 milímetros, trouxe alívio a municípios assolados pela estiagem e perspectiva de dias melhores a agricultores.
De sexta-feira, dia 11, até esse domingo, dia 14, pela manhã, choveu em algumas áreas mais de 50% do que é normal para todo o mês de abril. Por sorte, o fenômeno ocorreu do centro para o norte do Rio Grande do Sul, a área mais atingida pela seca.
- A chuva conseguiu estancar a estiagem. Dificilmente ela vai piorar daqui para frente. Agora, dependemos do tempo bom para fazer a colheita - avaliou o secretário estadual de Agricultura, João Carlos Machado.
Há 91 municípios em situação de emergência em razão da estiagem. A chuvarada do fim de semana garantiu o retorno do abastecimento nos reservatórios e recuperou pastagens. Mas não conseguiu reverter os prejuízos na produtividade de culturas como a soja e o milho, que já somam perdas de 20% e 11%, respectivamente, em relação ao ano passado.
- As perdas nas culturas de grãos são irreversíveis. A chuva iniciou um processo de recuperação para os municípios atingidos pela estiagem, mas os agricultores só voltam a comemorar se chover de forma regular - disse o presidente da Emater/Ascar, Mário do Nascimento.
Essa é a torcida do produtor Inésio Páris, 57 anos, de Centenário. Nesse domingo, ele mudou a expressão de tristeza para a de esperança ao rever o açude que fora fotografado na tarde de sexta-feira pela equipe de Zero Hora. A terra rachada foi substituída por uma lâmina de mais de 30cm de água no local de onde o produtor precisou tirar os peixes há duas semanas, para impedir que morressem. A chuva fraca, mas constante, somou perto de 100mm.
- Vou fazer a reforma que tinha começado no açude e, se Deus quiser, vou encher de peixes de novo - disse.
Chuvas devem se tornar esparsas ao longo do mês
Avistar o solo encharcado também foi motivo de comemoração para o agricultor Vitório Klos, 66 anos, no interior de Centenário. Os seis hectares de feijão cultivados na esperança de recuperar os prejuízos tidos com a safra de milho estavam ameaçados pela estiagem. Na época de floração e formação de vagens, a cultura dependia da umidade. Do milho cultivado neste ano, o produtor perdeu mais de 50%. Com sete filhos dependendo do sustento que a terra dá, Klos relaxou ao ver a chuva sobre os 25 hectares de sua propriedade desde a sexta-feira:
- Tenho de olhar para o céu e agradecer, porque a polenta tem de ser grande para alimentar a família.
A má notícia para agricultores como Páris, Klos e outras centenas que vivem no norte e noroeste do Rio Grande do Sul é que as chuvas devem se tornar esparsas a partir de agora. Segundo a meteorologista Cátia Valente, da Central de Meteorologia, a expectativa é que o mês de abril se comporte como os outros três primeiros meses do ano: com o maior volume de chuva concentrado em apenas dois ou três dias.
- Esse é o efeito do fenômeno La Niña. Chove muito em pouco tempo. Depois, o tempo volta a ficar seco, com chuvas esparsas distribuídas ao longo do mês. Esse deve ser o padrão que vai se estender até o inverno - afirmou.
A intensidade da chuva no final de semana deve provocar inversão no tipo de ajuda buscada por parte dos municípios. O subchefe da Defesa Civil no Rio Grande do Sul, coronel Joel Prates Pedroso, prevê que novas cidades devem decretar situação de emergência, mas pelos prejuízos deixados pelo temporal.
Por: Sâmia Frantz E Marielise Ferreira
Fonte: Zero Hora
- Categoria: AGRONEGÓCIOS, ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, AGRICULTURA, culturas, Recursos Hidricos
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