Falta de água é tão crítica quanto a mudança climática
7 abril, 2008 - 09:17h Délcio Rocha
As crises globais geradas pela crescente demanda de água doce combinada com a falta de oferta são tão urgentes quanto as tarefas para enfrentar as mudanças climáticas, embora mais problemáticas e complicadas. Essa realidade foi constatada e amplamente analisada pelos delegados reunidos em Davos, Suíça, no primeiro painel da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial 2008.
Um painel que contou com a presença do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, informou aos CEOs e líderes da sociedade civil em Davos que o estresse causado pela falta de água representa um risco para o crescimento econômico, para os direitos humanos, para a saúde e para a segurança nacional.
"Assegurar água potável e em quantidades suficientes para todos é um dos maiores desafios que o mundo terá de enfrentar", afirma o Secretário-Geral, "A solução para falta de água é mais complexa do que a discutida para as mudanças climáticas", destacou Peter Brabeck-Letmathe, Presidente da Nestlé Suíça.
Os membros do painel concordaram que o desafio pode ser solucionado por meio de abordagens cooperativas, vontade política, estratégias de marketing e tecnologias inovadoras como algumas das encontradas para diminuir o aquecimento global. As forças de mercado podem funcionar bem dentro de um sistema de limites e comércio, semelhante ao utilizado para o dióxido de carbono dentro das regras do Protocolo de Kyoto.
"A tragédia começou com a remoção de uma grande quantidade de água dos rios. Se não cuidarmos do aquecimento global e continuarmos a jogar gases poluentes na atmosfera sem filtrá-los, vamos enfrentar uma gigantesca falta de água", afirmou Fred Krupp, Presidente do Environmental Defense, EUA
Os membros do painel concordaram que nenhum indivíduo, empresa ou nação consegue se subtrair das conseqüências da falta de água. Enquanto isso, os esforços para extrair mais fontes de energia alternativa, como petróleo de xisto ou biocombustíveis, aceleram as necessidades de abastecimento. Este recurso também é desperdiçado, porque não possui valor econômico, apesar de ser o mais escasso e precioso de todos, destaca Brabeck-Letmathe. "Se permitirmos que o mercado defina um valor comercial para a água, podemos dar um grande passo", afirma.
O painel concluiu que um volume determinado de água potável para todos os indivíduos deve ser visto como parte dos direitos humanos. A África do Sul e o Omã mostraram algumas maneiras originais e antigas de garantir a disponibilidade de água. Os palestrantes também discutiram que a água utilizada por fazendeiros, indústrias, piscinas ou jardins deve ser comprada para evitar desperdício e o uso inadequado.
Ban Ki-Moon apontou como exemplo a luta armada em Darfur, no Sudão, que resultou em falta de água. "As lutas começaram entre fazendeiros e agropecuaristas depois da falta de chuva, e, então, a água se tornou escassa". Morreram aproximadamente 200 mil pessoas, alguns milhões fugiram de suas casas. "Porém quase sempre nos esquecemos do evento que deu início a tudo: a seca. A falta do recurso mais precioso do mundo: a água".
Por: Mark Adams, jornalista do Fórum Econômico Mundial
Fonte: Revista Eco21
- Categoria: ECOLOGIA, ARTIGOS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, Artigos Técnicos, Recursos Hidricos, Aquecimento global
2 Comentários Adicione o seu
1. vinicius | 11 junho, 2008 - 09:13h
eu sou + eu
2. graça | 24 setembro, 2008 - 21:36h
de mais essa materia resolvi meu trabalho… valeu
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