Britânicos poderão pesquisar com embriões híbridos
18 janeiro, 2008 - 10:31h Délcio Rocha
Autoridades de saúde britânicas deram permissão para que cientistas criem embriões híbridos de células humanas com óvulos de animais para pesquisa.
A Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia da Grã-Bretanha (HFEA, na sigla em inglês) autorizou o processo depois de uma consulta que indicou que a população do país aceita a idéia.
Dois centros de pesquisa, o King's College de Londres e a Universidade de Newcastle, poderão iniciar os trabalhos sob uma licença com validade de um ano para o estudo.
Especialistas afirmam que o uso destes embriões é muito importante para a pesquisa de várias doenças.
A equipe do pesquisador Stephen Minger, do King's College de Londres, quer criar híbridos para estudar doenças conhecidas por suas causas genéticas, como o mal de Alzheimer e o mal de Parkinson.
Células-tronco - Cientistas querem criar embriões híbridos fundindo células humanas com óvulos de animais para a extração de células-tronco. Os embriões híbridos resultantes seriam destruídos depois de 14 dias.
As células-tronco podem ser descritos como os blocos mais básicos de construção do corpo e têm a capacidade de se transformarem em qualquer tipo de tecido.
A equipe do cientista Lile Armstrong, da Universidade de Newcastle, espera usar a técnica para compreender como as células-tronco se desenvolvem e se transformam em tecidos diferentes.
No futuro, esta informação poderá levar os cientistas a desenvolverem novos tecidos em laboratório.
"Agora que temos a licença, podemos começar o trabalho o mais rápido possível. Já trabalhamos muito transferindo células animais para óvulos de bovinos então esperamos um progresso rápido", disse Armstrong.
Óvulos - Atualmente, os cientistas que pesquisam esta área precisam usar óvulos humanos deixados em clínicas, sobras de tratamentos de fertilização. Mas estes óvulos estão em falta e nem sempre são de boa qualidade.
Críticos desta linha de pesquisa com embriões híbridos afirmam que não deve haver a criação de um híbrido de humanos e animais a partir destes embriões e acrescentam que esta pesquisa altera a natureza e não é ética.
A lei britânica já proíbe a implantação de embriões híbridos de humanos com animais em um útero.
"A decisão da JFEA representa um retrocesso desastroso para a dignidade humana na Grã-Bretanha. A falta de distinção das fronteiras entre humanos e outras espécies é errada e vai contra o cerne do que nos faz humanos", disse John Smeaton, diretor nacional da Sociedade Britânica de Proteção das Crianças que ainda não Nasceram (SPUC, na sigla em inglês).
Fonte: Estadão Online
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