Indústria biotecnológica chinesa é ‘dragão em crescimento’, diz estudo
10 janeiro, 2008 - 06:38h Délcio Rocha
A indústria biotecnológica chinesa é um dragão que cresce na Ásia e só necessita de um ambiente propício ao investimento para se transformar em produtora mundial de remédios e tratamentos, segundo um estudo divulgado na segunda-feira (7) pela revista "Nature Biotechnology".
A publicação assinala que o rápido avanço da China no campo da biotecnologia foi resultado da intenção de Pequim em promover o aperfeiçoamento, e do retorno ao país de cientistas e empresários de talento.
O estudo expressa que o retorno desses estudiosos chineses, a quem chama de "tartarugas marinhas", agregou conhecimento, experiência e prestígio à indústria biotecnológica do país asiático.
A China, considerada até pouco tempo um sagaz plagiador de produtos, tomou agora a iniciativa na indústria e obteve avanços considerados "assombrosos".
Destacam-se, entre eles, a comercialização do primeiro tratamento genético - o "Gendicine", uma injeção utilizada no tratamento de câncer de cabeça e pescoço e desenvolvida pela empresa Shenzhen SiBiono Genetech - além de uma vacina contra o cólera aplicada mediante uma pastilha.
O "Gendicine" já foi utilizado em mais de cinco mil pacientes, com 400 deles estrangeiros. O remédio é ainda alvo de testes clínicos na China para sua administração em casos de câncer hepático, abdominal e de pâncreas.
Além disso, várias empresas chinesas estão trabalhando ativamente na pesquisa de células-tronco humanas e animais, assinala o estudo.
Uma dessas companhias, a Beike Biotech, organizou uma rede de hospitais-satélites, clínicas e laboratórios de pesquisa para comercializar seus tratamentos com células-tronco, incluindo a coleta desse tipo de células dos cordões umbilicais e membranas amnióticas, e sua administração a pacientes por via intravenosa ou por injeção direta na medula espinhal.
Além disso, o Governo chinês promoveu o desenvolvimento de novos tratamentos para problemas nacionais de saúde, incluindo a fibrose pulmonar, a cirrose hepática e outros males que se originam em virtude do crescente envelhecimento da população, causado em parte pela política nacional de controle de natalidade.
Essa política começou ser aplicada há mais de uma década para deter o explosivo crescimento demográfico de um país com 1,3 bilhão de habitantes (20% da população mundial).
Como prova desses avanços, o estudo retoma uma pesquisa realizada pelo Instituto de Informação Científica e Tecnológica do país que indica que em 2006 a China ocupou o segundo lugar - atrás dos Estados Unidos - na publicação de pesquisas científicas.
No entanto, o estudo, que incluiu conferências com autoridades de 22 empresas de biotecnologia chinesa, acrescenta que estas apontam para um caminho acima de seus esforços na tarefa de atrair os capitais necessários para financiar seus projetos de pesquisa.
Isso se deve ao fato de que os interessados em investir na China sentem-se inseguros devido à existência de um sistema financeiro incerto, com restrições rígidas à exportação de capitais que limitam as opções de recuperação dos recursos investidos.
A isso se somam as persistentes dúvidas sobre a atitude de Pequim diante dos controles de qualidade e os direitos de propriedade intelectual, diz o estudo.
Segundo Peter Singer, do centro especializado em saúde internacional da Universidade de Toronto (Canadá), "a indústria biotecnológica chinesa é como um dragão em fraldas que crescerá rapidamente e muito em breve será difícil de ignorar".
Mas, por outra parte, acrescenta que apesar de seu surgimento como potência industrial e econômica, a China ainda tem um pé em uma sociedade com bases fincadas no passado.
"Pelo bem da saúde nacional e mundial, esperamos que a China aplique as reformas financeiras e regulatórias que são necessárias para atrair os capitais que sustentem o avanço do setor biotecnológico", acrescentou.
Fonte: Globo Online
- Categoria: NOTÍCIAS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, INTERNACIONAL, Biotecnologia, AMBIENTE URBANO
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