Planeta sobrevive a catástrofe em estrela semelhante ao Sol
15 setembro, 2007 - 08:05h Délcio Rocha
Um planeta que orbitava sua estrela à mesma distância que separa a Terra do Sol, 150 milhões de quilômetros, sobreviveu a um processo catastrófico que também afetará o Sol dentro de bilhões de anos, informa uma equipe internacional de cientistas. Essa descoberta, a primeira do tipo, pode ter implicações para o destino do nosso Sistema Solar.
"A estrela presumivelmente não era muito diferente do nosso Sol, provavelmente com 80% ou 90% da massa", antes de entrar na fase de gigante vermelha, diz o astrônomo italiano Roberto Silvotti, principal autor do artigo que descreve o sistema, publicado na revista Nature.
Quando esgotam o hidrogênio que têm no núcleo, estrelas semelhantes ao Sol sofrem um processo de expansão, transformando-se em gigantes vermelhas. Ao crescer, elas podem engolir planetas próximos - no nosso Sistema Solar, seriam devorados Mercúrio e Vênus. A Terra, um pouco mais longe, ainda estaria numa zona de perigo. Além disso, processos gravitacionais podem fazer com que mesmo os mundos não engolidos de imediato entrem em uma espiral que acaba por levá-los para o interior do astro.
Surpreendentemente, o planeta V391 Pegasi b não só escapou desses dois destinos como acabou se afastando da estrela, V391 Pegasi, para uma distância 70% maior que a original.
Provavelmente, sugerem os autores do artigo, isso se deu por causa da perda de massa sofrida por V391 Pegasi logo após a expansão, o que teria enfraquecido sua gravidade: atualmente, a estrela é uma sub-anã quente B, que perdeu boa parte de seu material externo e, por isso, é extremamente quente, com uma temperatura, na superfície, de mais de 30.000º C, contra cerca de 6.000º C do Sol.
"Ela está queimando hélio no núcleo, neste caso específico já deve estar perto de exaurir o hélio ou já ter acabado com ele, e vai se tornar uma anã branca", explica Silvotti. Converter-se em anã branca também é o destino esperado do Sol. O sistema de V391 Pegasi tem cerca de 10 bilhões de anos. O Sistema Solar, 4,5 bilhões.
Mas, se a estrela, antes de entrar em sua fase gigante vermelha, era parecida com o Sol, V391 Pegasi b é um planeta muito diferente da Terra, com massa estimada em mais de três vezes a de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. "A Terra é um planeta muito diferente, principalmente porque tem uma massa muito menor", diz o pesquisador.
Portanto, reconhece, as implicações diretas da sobrevivência de V391 Pegasi b para o destino concreto da Terra não são tão grandes. "Depois desta descoberta, sabemos que planetas com uma distância orbital semelhante à da Terra podem sobreviver à expansão em gigantes vermelhas de suas estrelas, mas isso não significa que a Terra, muito menor e mais vulnerável, irá sobreviver" à expansão do Sol, prevista para dentro de cerca de 5 bilhões de anos.
Silvotti especula ainda que qualquer forma de vida que pudesse existir em V391 Pegasi b teria sido "completamente destruída" pelo inchaço da estrela, independentemente do destino do planeta em si.
Mas, pondera, nós terráqueos não deveríamos nos preocupar muito com isso: "Com certeza, temos problemas bem mais urgentes por ora".
Fonte: Estadão Online
- Categoria: ECOLOGIA, CURIOSIDADES, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, INTERNACIONAL
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