Embrapa divulga informações sobre secagem e armazenagem de trigo
15 agosto, 2007 - 08:15h Délcio Rocha
Industriais entraram em contato com a Embrapa Trigo para esclarecimentos sobre fatos que vem ocorrendo neste ano: o recebimento de trigo queimado (cheiro forte) e alta incidência de insetos mortos. Eles acreditam que tal fato esteja ligado ao processo de secagem e armazenamento mal conduzidos. Para ajudá-los, Casiane Tibola e Irineu Lorini, pesquisadores da Embrapa Trigo, que já desenvolvem estudos relacionados ao tema, reuniram material para auxílio pontual.
Secagem O pesquisador alerta ainda, que os resíduos depositados nos grãos, gerados pela combustão em fornalhas de fogo direto são vinculados à emissão da fumaça na queima da lenha, ao tipo de secador, a corrente de ar aquecido e ao tipo de grão. Para tanto, a fim de minimizar efeitos desse processo, Martins lembra que é importante manter limpos os cinzeiros abaixo da grelha, o abastecimento da fornalha deve ser feito sem altas variações de temperatura e a lenha deve ser homogênea mantendo temperatura na cama de combustão por volta de 600o C. De acordo com Lorini, o conhecimento do hábito alimentar de cada praga constitui elemento importante para definir o manejo a ser implementado na massa de grãos. Segundo ele, por esse hábito, as pragas podem ser classificadas em primárias ou secundárias. Autoras: Casiane Salete Tibola é pesquisadora da Embrapa Trigo e Samara Kalil é assessoria de imprensa Embrapa Trigo
A secagem artificial dos produtos agrícolas, particularmente os cereais, consiste na rápida eliminação do conteúdo de água, visando a adequada conservabilidade. Os parâmetros que mais influenciam na velocidade de secagem são o fluxo de ar e a temperatura que atinge o grão no secador.
Segundo as Informações Técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale de 2005, a secagem artificial de grãos caracteriza-se pela movimentação de grandes massas de ar aquecidas, resultando em diferentes gradientes de umidade entre a superfície do grão e o interior desse, propiciando a secagem.
A secagem de trigo é uma operação crítica na seqüência do processo de pós-colheita. Como conseqüência da secagem, podem ocorrer alterações significativas na qualidade do grão, como trincamento e quebra. A possibilidade de secagem propicia um melhor planejamento da colheita e o emprego mais eficiente de equipamentos e mão-de-obra, mantendo a qualidade do trigo colhido.
De acordo com Ricardo Ramos Martins, da Emater/RS Ascar, um dos principais pesquisadores nacionais na área de secagem de grãos, vários secadores comerciais apresentam incorreções no dimensionamento das fornalhas à lenha, principalmente no tocante ao volume e à área da grelha. Além do dimensionamento incorreto, destacam-se também problemas associados a operação inadequada, uso de lenha verde ou úmida e a insuficiência de vazão do ventilador. Martins, em capítulo publicado no livro Armazenagem de Grãos (2002), descreve que estes fatores ocasionam contaminações nos grãos com fumaça, tendo sido detectada inclusive a rejeição por suínos, aves e gado leiteiro de rações produzidas com grãos contaminados.
A lenha é o combustível mais usado na secagem de grãos. Mas, recentemente, está sendo difundindo o uso de gás liqüefeito de petróleo (GLP), em secadores cujas condições de queima são mais controladas, em relação ao uso da lenha.
A preocupação com a contaminação e os problemas com produtos agrícolas tem estimulado o desenvolvimento de pesquisas em secagem de trigo pela Embrapa Trigo e a Emater/RS. Um exemplo é o uso de substitutos à lenha, como gás liqüefeito de petróleo (GLP), que é mais indicado para a secagem, considerando as desvantagens que a lenha apresenta: combustão descontínua e irregular, formação de fumaça que se impregna no grão, alta demanda de mão-de-obra e de espaço próprio para cultivo de espécies florestais.
Insetos e pragas
Irineu Lorini, da Embrapa Trigo, descreve que dois tipos de perdas são relacionadas às pragas de grãos armazenados: as perdas quantitativas e qualitativas, sendo esta última a mais danosa por ser, de certa forma, difícil de perceber, e acima de tudo de conscientizar.
a) Quantitativas: as perdas médias brasileiras, estimadas pela FAO e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (MAPA), indicam que perdemos, aproximadamente, 10 % do total produzido anualmente. Isto representa uma grande quantidade de grãos desperdiçados após a colheita quando os custos de produção são muito representativos
b) Qualitativas: estas perdas são até de maior importância, uma vez que comprometem o uso de todo o grão produzido, ou o classificam para outro uso de menor valor agregado. Exemplificando, o trigo, é desclassificado, para panificação, se for encontrado um inseto vivo em lote de grãos, conforme instrução normativa do MAPA. Os moinhos não aceitam lotes de trigo com insetos, pois fatalmente comprometem a qualidade da farinha que, certamente, terá fragmentos de insetos, indesejáveis na indústria de panificação e outros subprodutos do trigo.
A presença de insetos nos grãos abre caminho para o desenvolvimento de fungos produtores de micotoxinas nocivas aos animais e ao homem. Estas, hoje são barreiras para a exportação de subprodutos brasileiros que tem os grãos como base. (Vários outros fatores relativos à qualidade do grão são afetados quando se deixam insetos colonizarem a massa de grãos.).
a) Pragas primárias: são aquelas que atacam grãos inteiros e sadios e, dependendo da parte do grão que atacam, podem ser denominadas pragas primárias internas ou externas. As primárias internas perfuram os grãos e neles penetram para completar seu desenvolvimento. Alimentam-se de todo o interior do grão e possibilitam o desenvolvimento de outros agentes de deterioração dos grãos. Exemplos dessas pragas são as espécies Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae e S. zeamais. As pragas primárias externas destroem a parte exterior do grão (casca) e, posteriormente, alimentam-se da parte interna sem, no entanto, se desenvolverem no interior do grão. Há destruição do grão apenas para fins de alimentação. Exemplo desta praga é a traça Plodia interpunctella.
b) Pragas secundárias: são aquelas que não conseguem atacar grãos inteiros, pois requerem que os grãos estejam danificados ou quebrados para deles se alimentarem. Essas pragas ocorrem na massa de grãos quando estes estão trincados, quebrados ou mesmo danificados por pragas primárias. Multiplicam-se rapidamente e causam prejuízos elevados. Como exemplo, citam-se as espécies Cryptolestes ferrugineus, Oryzaephilus surinamensis e Tribolium castaneum.
As medidas de controle das pragas devem seguir o Manejo Integrado de Pragas de Grãos Armazenados (MIPGrãos), que preconiza o uso de várias práticas de limpeza, monitoramento econtrole visando a eliminação das pragas no produto armazenado. A integração das práticas preconizadas pelo MIPGrãos é essencial para que o produto armazenado permaneça isento de pragas. Os diferentes métodos de controle disponíveis para o armazenador brasileiro, método preventivo químico, método preventivo físico e método curativo, devem ser integrados e usados dentro do contexto do manejo integrado para evitar, ou no mínimo reduzir, o principal problema advindo de seu uso que é a resistência genética das pragas aos inseticidas empregados.
Fonte: Embrapa Embrapa Trigo
REFERÊNCIAS:
Informações Técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale para a safra de 2005. Londrina: Embrapa Soja, 2005.
LORINI, Irineu. Artigo Integração de Métodos de Controle de Pragas de Grãos e Subprodutos Armazenados. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2007.
LORINI, Irineu; MIIKE, Lincoln Hiroshi; SCUSSEL, Vildes Maria. Armazenagem de Grãos. Campinas: IBR, 2002.
MARTINS, Ricardo Ramos (et al.). Secagem de Grãos para Propriedade Familiar. IN: LORINI, Irineu; MIIKE, Lincoln Hiroshi; SCUSSEL, Vildes Maria. Armazenagem de Grãos. Campinas: IBR, 2002.
- Categoria: AGRONEGÓCIOS, ARTIGOS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, AGRICULTURA, Pragas e doenças, culturas, Artigos Técnicos
2 Comentários Adicione o seu
1. Milena Cristo Martins | 17 março, 2008 - 18:40h
Isso não me ajudou em nada!
Esse site é uma ´porcaria !
2. Fábio Luiz Schimanko | 15 agosto, 2008 - 22:04h
costaria de saber se é viavel um secador de produto para uma propriedade rural que trabalha com suinocultura e produz 6000 sacas de milho por ano.
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