Ativistas querem Brasil mais agressivo na luta contra mudanças climáticas
8 junho, 2007 - 07:35h Délcio Rocha
Ativistas ambientais defendem que o Brasil, um dos maiores emissores de dióxido de carbono (CO2) do mundo, adote políticas mais agressivas para a mitigação global das mudanças climáticas. O país é o quarto maior emissor mundial de carbono por conta principalmente do desmatamento da floresta Amazônica.
No encontro do G8 (grupos dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), que acontece esta semana na Alemanha, o presidente Lula irá focar seu discurso no comércio e na promoção de energias renováveis, especialmente os biocombustíveis - área em que o Brasil se destaca como um dos maiores produtores com baixo custo.
Os ambientalistas dizem que Lula deseja ser visto no exterior como um "líder verde", mas não está sendo em seu próprio país, pois se recusa a adotar metas de redução do desmatamento e das emissões de CO2. "O Brasil não está só deixando de fazer a sua parte, está perdendo a oportunidade de ser líder mundial em relação ao meio ambiente", afirma Eduardpo Viola, especialista climático da Universidade de Brasília.
De todos os grandes emissores, o Brasil é o que poderia reduzir as suas emissões com o menor custo, defende Viola. Com cerca de 2 bilhões de dólares por ano poderia incentivar melhoria das políticas e projetos de desenvolvimento alternativos para reduzir a taxa de desmatamento e as emissões, explica.
Alguns grupos ambientalistas pressionaram nesta terça-feira legisladores brasileiros a aprovar uma lei que garanta redução das taxas para investimentos "limpos". A proposta será votada na semana que vem. Fora do Congresso, 6 mil balões brancos trazidos pelo grupo ambientalista WWF serviram como lembrete das 6 milhões de toneladas de gases do efeito estufa, que de acordo com o grupo, o Brasil emite diariamente.
A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, libera o dióxido de carbono estocado quando as árvores são queimadas ou durante o processo de decomposição, contribuindo para o aquecimento global. O avanço de fazendeiros e madeireiras acabam com fragmentos de floresta do tamanho de países inteiros a cada ano, principalmente quando o preço dos grãos, carne ou madeira estão altos, diminuindo quando eles caem.
Culpando os países ricos - Lula culpa os países ricos pelo aquecimento global, e diz que eles não têm autoridade para dizer ao Brasil o que fazer com a Amazônia, pois eles acabaram com todas as próprias árvores. Críticos argumentam que isso é apenas uma desculpa.
"Vender etanol no exterior não é uma estratégia para reduzir as emissões daqui, mas sim o contrário", afirma a representante de mudanças climáticas da WWF, Karen Suassuna, ao se referir às acusações de que a crescente produção de cana de açúcar, principal matéria prima para o etanol, incentiva o desmatamento. "Se Lula estiver falando sério em relação às mudanças climáticas, ele deveria assumir metas de desmatamento", acrescenta.
A WWF também espera que o governo suspenda vários projetos de grande escala na Amazônia, aumente o número de reservas naturais e melhore a efetiva proteção desses locais. Por outro lado, grupos industriais e de fazendeiros, que ambicionam mais terras, estradas e energia, se opõem a políticas mais agressivas, dizem analistas.
"Eles controlam o Ministério da Agricultura e da Indústria", diz Paulo Moutinho, coordenador no Instituo de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). "Além disso, tem os nacionalistas do Ministério de Relações Exteriores, que consideram as mudanças climáticas como um assunto de países ricos contra pobres".
Fonte: Reuters/ CarbonoBrasil
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, INTERNACIONAL, POLÍTICA
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