Brasil não quer monopolizar biocombustível, diz Lula
6 junho, 2007 - 07:31h Délcio Rocha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (04), que o Brasil não pretende monopolizar a oferta de biocombustíveis ao restante do mundo. Em linha com a sua conexão entre o estímulo à produção de combustíveis renováveis e o discurso social em favor a redução da pobreza, o presidente insistiu que o País prefere "incentivar" as nações mais pobres a plantar cana-de-açúcar e transformá-la em etanol ou biodiesel.
"O Brasil não quer fornecer para todo o mundo", afirmou. "Imagina: se o mundo inteiro começar a utilizar 10% de álcool junto com o biodiesel, o que você não vai produzir em Minas, na terrinha", afirmou, dirigindo-se a um repórter mineiro. "Se depender do meu entusiasmo, todo mundo vai entrar na era do biocombustível", completou.
Apesar desse entusiasmo, a visita do presidente Lula à Índia será encerrada na terça-feira sem nenhum acerto bilateral de cooperação na área de biocombustível, como havia sido previamente anunciado. O tema, entretanto, ingressou formalmente na pauta de discussão entre os dois países durante o encontro nesta segunda entre o presidente Lula e o ministro de Petróleo e Gás da Índia, Murli Deora, que foi acompanhado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
Segundo Gabrielli, o Brasil pleiteia que a Índia expanda a atual mistura de 5% de álcool na gasolina para todos os seus Estados ou que eleve esse nível para 10% nos Estados que já a aplicam. Nessa primeira conversa, a Índia deixou claro que qualquer decisão nessa área dependerá de três fatores: a disponibilidade de oferta de etanol, a criação de uma logística de transporte e o acesso ao mercado consumidor.
"Esse é um processo demorado. Do ponto de vista mundial, só haverá mudança substancial com a definição de uma regulamentação internacional do setor e com a consolidação de várias fontes supridoras", afirmou Gabrielli. Conforme explicou, a Índia produz cana-de-açúcar em uma área similar à do Brasil, mas com 2/3 da produtividade brasileira. Nessa primeira reunião, o ministro indiano apontou o interesse na elevação desse patamar, a partir da cooperação técnica do Brasil.
Investimentos - Gabrielli informou também que a Petrobras deverá investir US$ 1 bilhão no processo de identificação e de prospecção dos três blocos petrolíferos na Índia. Esse investimento abarcará apenas a etapa inicial, que permitirá identificar o potencial desses blocos e viabilidade dessa extração em águas profundas.
A companhia indiana Oil and Natural Gás Company (ONGC) comprometeu-se com a injeção de igual soma para o mesmo trabalho em três blocos brasileiros - no Maranhão, na divisa entre Sergipe e Alagoas e na Bacia de Santos (SP).
O acordo entre as companhias foi firmado também nesta segunda. O presidente da Petrobras informou ainda que a companhia enviará em breve uma equipe técnica para a Índia com o objetivo de traçar o plano de investimento nos três blocos.
Por: Denise Chrispim Marin
Fonte: Estadão Online
- Categoria: NOTÍCIAS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, INTERNACIONAL, Biotecnologia, POLÍTICA
1 Comentário Adicione o seu
1. marinete crispinho da silva | 16 junho, 2008 - 21:22h
Se cada um tomar conciência dos seus atos o Brasil será melhor.
Deixe um comentário
Você pode usar as tags:<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>