Marina Silva pede apoio para aprovar MP que divide Ibama
18 maio, 2007 - 06:31h Délcio Rocha
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu nesta quinta-feira (17), apoio à bancada do PT na Câmara para a aprovação da medida provisória que reestrutura o Ibama, e cria o Instituto Chico Mendes para tratar das unidades de conservação do País. Contrários à MP, funcionários do instituto estão em greve desde a última segunda-feira.
Durante reunião na Câmara, os deputados petistas questionaram o fato de a mudança ter sido por medida provisória e não por projeto de lei. A ministra argumentou que essa questão é debatida "há décadas" por diferentes governos e que é discutida pelas pessoas que acompanham a agenda ambiental do País.
"Existem alguns parlamentares que discordam do instrumento, mas não discordam do mérito, de sorte que eles têm algumas questões quanto a ser medida provisória, mas, no mérito, eles estão favoráveis", reconheceu a ministra.
Marina Silva apresentou números para defender a necessidade de criação do Instituto Chico Mendes.
Segundo a ministra, há 19 anos, quando o Ibama foi criado pelo presidente José Sarney, o País tinha apenas 103 unidades de conservação, totalizando 15 milhões de hectares. Atualmente, são 298 unidades e 60 milhões de hectares e, segundo a ministra, até o final de 2010 serão 90 milhões de hectares.
"Isso equivale a França e a Itália juntos e é impossível cuidar de tudo isso com apenas uma diretoria. A criação da autarquia Instituto Chico Mendes é fundamental para viabilizar a criação e a implementação das unidades de conservação, e o Ibama focado no licenciamento, na fiscalização e nas autorizações para dar cada vez mais eficiência a gestão ambiental no que concerne a fiscalizar, licenciar e autorizar", afirmou.
Paralisação - Desde a última segunda-feira (14), servidores do Ibama protestaram contra a medida do governo e anunciaram greve.Segundo dados do comando de greve, mais de 80% dos servidores do Ibama, em São Paulo, estão aderindo à paralisação da categoria.
A expectativa dos grevistas é de que esse número aumente ainda mais nesta quinta-feira.
A assessoria de imprensa do Ibama de SP informou, no entanto, que apenas 50% trabalhadores estão paralisados. Um pequeno grupo de servidores do instituto ficou próximo ao local da reunião pedindo aos deputados que não apoiassem a MP.
"O que tem mais força, um departamento dentro de um órgão ou um órgão com autonomia financeira para tratar de conservação?", contra argumentava o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) ao grupo.
Fonte: Estadão Online
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