Stephanes diz a alemães que etanol terá certificação socioambiental
18 maio, 2007 - 06:27h Délcio Rocha
O Brasil pretende instituir a certificação socioambiental para o etanol num prazo de três a quatro anos, informou hoje (17/05) o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, a um grupo de parlamentares da Baviera, na Alemanha, que veio conhecer a cadeia produtiva sucroalcooleira. No encontro, ele também revelou que a meta do País para os próximos 10 anos é aumentar a área plantada de cana-de-açúcar destinada à produção de álcool combustível de 3 milhões de hectares para 9 milhões de hectares.
"Temos condições de conduzir esse processo (de expansão da área de cultivo de cana) respeitando as questões ambientais e sociais, além de produzir um produto de qualidade", disse o ministro. A adoção da certificação socioambiental, acrescentou, é uma das medidas a serem adotadas pelo Governo Federal para atestar ao mercado consumidor, interno e externo, que o álcool combustível foi processado a partir de cana procedente de canaviais onde os proprietários obedecem as normas ambientais e cumprem a legislação trabalhista.
A agropecuária brasileira, destacou Stephanes, ocupa hoje cerca de 300 milhões de hectares. Do total, quase 180 milhões são destinados a pastagens, onde há ao redor de 40 milhões de hectares degradados. "Vamos recuperar as áreas improdutivas e nelas expandiremos o cultivo de cana." O ministro lembrou que atualmente as lavouras da cultura totalizam 6 milhões de hectares. "Só metade disso é usada para obtenção de etanol, ou seja, apenas 1% de toda área agrícola e pecuária do País." O restante atende a indústria de açúcar , cachaça etc.
Stephanes reiterou ainda a intenção do Governo Federal de transferir tecnologia para instalar usinas na América Central e na África, que têm condições climáticas semelhantes às do Brasil. "Queremos que o plantio de cana também cresça nessas regiões. É preciso evitar que o mercado fique dependente de um ou dois fornecedores." O desenvolvimento da cultura em outros países, enfatizou, dará mais segurança às nações interessas em consumir etanol, uma energia limpa.
O ministro disse também que o Brasil está negociando com o Japão um acordo para fornecimento de álcool combustível. "No futuro, provavelmente a União Européia se interesse em importar o nosso etanol." Ao mesmo tempo, Stephanes afirmou que não entende por que os Estados Unidos não cobram taxas das importações de petróleo - matriz energética altamente poluente -, mas fixaram tributos elevadíssimos para entrada do etanol brasileiro naquele mercado. "Esperamos que isso não se repita em outros países."
A delegação de parlamentares da Baviera informou que a Alemanha está interessada em conhecer melhor a cadeia produtiva de etanol do Brasil e as tecnologias usadas na industrialização do produto. Além de Brasília, o grupo de deputados alemães visitou plantações de cana e usinas na região de Ribeirão Preto (SP), um dos principais pólos nacionais do setor sucroalcooleiro.
Além do ministro, participaram do encontro o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, o diretor do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agronergia, Ângelo Bressan, o coordenador da área de biossegurança do Mapa, Marcus Vinicius Coelho, o diretor de Promoção Internacional do Agronegócio, Eduardo Sampaio Marques, e o coordenador-geral de Assuntos Multilaterais, Luiz Cláudio Carmona.
Fonte: MAPA
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1 Comentário Adicione o seu
1. Hélio | 17 dezembro, 2008 - 20:49h
Produzir mais alcool significa poluir ainda mais a nossa atmosfera.
Ainda mais num país em que minoria rica não se preocupa com o meio ambiente, apenas com o capital.
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