Cientistas descobrem origem dos gêiseres de lua de Saturno
17 maio, 2007 - 07:03h Délcio Rocha
Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que as fricções produzidas na camada de gelo de Encélado originam os vapores que emanam como um gêiser através das várias falhas na superfície do pólo sul desta pequena e fria lua de Saturno.
A revista científica britânica Nature dedica dois artigos sobre o assunto em sua mais recente edição. A descoberta explica as colunas de gás que a sonda Cassini fotografou há dois anos. A sonda foi enviada ao espaço em 1997 pela Nasa, pela Agência Espacial Européia e pela Agência Espacial Italiana.
Nestes gêiseres, o espectrômetro da Cassini detectou a presença de água em formato líquido e sólido, assim como de pequenas quantidades de nitrogênio, metano, dióxido de carbono, propano e acetileno, que emanam à superfície, cuja temperatura é de menos 200º Celsius. Como os cientistas descobriram, os compostos gasosos conseguem escapar graças à energia derivada da fricção do gelo através de algumas falhas que, com um mecanismo parecido com uma sanfona, abrem e fecham com o influxo das forças da maré de Saturno.
"O vapor produzido por esta energia escapa em forma de coluna de gás através das fendas que se abrem pela pressão da maré. A espessura da crosta de gelo necessária para gerar o fluxo energético observado deve ser de, pelo menos, cinco quilômetros", afirmam os pesquisadores.
A influência de Saturno sobre suas sete luas está por trás do contínuo ato de abrir e fechar das fendas na superfície de Encélado e da fricção no gelo do satélite que gera a energia necessária para originar os gêiseres.
"As falhas passam quase a metade do tempo da trajetória de uma órbita completa em tensão, o que permite que o solo se abra e que sejam liberadas as erupções. Em processo complementar, essa tensão sobre as falhas produz a energia necessária para que se produzam as emanações", explicaram os cientistas.
A atividade dos gêiseres, segundo eles, variará com o tempo, o que afetará a introdução de materiais e, em conseqüência, a formação, evolução e estrutura do anel E de Saturno, por cujo interior orbita Encélado a 237.948 quilômetros do centro do planeta.
O anel E de Saturno, que se estende de 180 mil a 480 mil quilômetros do centro do planeta, se nutre principalmente das partículas que escapam da atmosfera de Encélado pela grande velocidade à qual se movimentam.
De acordo com a Nasa, Encélado formou-se há 4,5 bilhões de anos como resultado da mistura de gelo e rochas que continham isótopos radioativos de alumínio e ferro.
Fonte: Efe/ Estadão Online
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, Fênomenos
Deixe um comentário
Você pode usar as tags:<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>