Representantes de órgãos públicos e movimentos sociais criam grupo de trabalho pela revitalização
26 abril, 2007 - 06:37h Délcio Rocha
Como desdobramento da ocupação realizada por 600 pessoas, na sede da Segunda Superintendência Regional da Codevasf, em Bom Jesus da Lapa (BA), na semana passada, mais uma audiência aconteceu, durante todo o dia de ontem. Foi formado um Grupo de Trabalho (GT), na região do médio São Francisco, com reunião marcada para a próxima sexta-feira (27), e houve debate sobre a falta de diálogo com o governo e a morosidade na ação dos órgãos públicos.
O GT foi formado pelas organizações que participaram da reunião e pretende apontar alternativas para o problema da falta de investimentos em ações que garantam a revitalização, na bacia do rio São Francisco. Os movimentos aproveitaram para repudiar o comportamento do ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, em audiência que deveria ter acontecido anteontem de manhã. O ministro teve atitudes que as lideranças classificaram de arrogante e descomprometida com as organizações e movimentos sociais.
Os trabalhos começaram pela manhã e seguiram até o final da tarde, com a presença do Incra (BA), Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU), Coordenação de Desenvolvimento Agrário da Bahia (CDA), Fundação Palmares e o coordenador da área de revitalização de bacias, da Codevasf, Jonas Paulo. Eles tentaram justificar o problema da demora das ações, falta de fiscalização em projetos com impactos ambientais e a falta de investimento em ações pela revitalização.
Participaram das negociações representantes do Movimento Estadual dos Trabalhadores Assentados Acampados e Quilombolas da Bahia (CETA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), comunidades quilombolas da região, reserva extrativista Serra do Ramalho, Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs), Rede de Organizações em Defesa da Água (RODA), Escola Familiar Agrícola de Correntina (Efacor), com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Organizações pressionam pela revitalização
Em meio a ampla campanha popular, povos e organizações da bacia hidrográfica do São Francisco intensificam ações pela revitalização e contra o projeto de transposição. Mesmo com a recusa do governo federal em dialogar com a sociedade, a estratégia é continuar com a apresentação de alternativas de convivência com o semi-árido.
Em fevereiro teve início a chamada jornada de lutas que culminou com o acampamento em Brasília, de 12 a 16 de março. Nesse período foi desencadeada a ampla campanha baseada nas ações organizadas e executadas pelas organizações e movimentos que dão corpo à articulação popular. Concilia ações de luta organizada com a mobilização da sociedade. Desencadeou as ocupações das sedes da Codevasf, em Petrolina (PE) e Bom Jesus da Lapa (BA) - a entidade é considerara a principal executora do Ministério da Integração, responsável pelo projeto de transposição.
Ainda, foram fechadas pontes em Juazeiro e Paulo Afonso, na Bahia; aconteceram debates, apresentações e entregas de panfletos em escolas, Organizações Não Governamentais (ONGs), reuniões religiosas, assembléias de trabalhadores públicos, universidades; programas de rádio em mais de 30 emissoras comerciais e comunitárias; audiências públicas; ação popular; entre outras.
Em toda a Bacia do rio São Francisco a pressão é para que a revitalização aconteça, com respeito às comunidades que ali vivem e aos biomas presentes, não como moeda de troca pelo projeto de transposição.
Por: Clarice Maia
Fonte: Comunicação Articulação São Francisco
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, POLÍTICA, QUE PAÍS É ESSE???, Recursos Hidricos
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