Mundo precisa reduzir emissão de CO2 em 80% até 2050, diz estudo
25 abril, 2007 - 07:37h Délcio Rocha
O mundo terá de cortar em 80% suas emissões de gases do efeito estufa até 2050, uma meta superior à prevista, para ter chance razoável de conter o aquecimento global, disseram os pesquisadores.
Mesmo as metas ambiciosas de longo prazo adotadas pela União Européia, ou pela Califórnia, ficam aquém do necessário para evitar um aumento de 2º Celsius nas temperaturas médias do planeta em relação à era pré-industrial, taxa que a UE considera o limiar das "mudanças perigosas" no clima terrestre, segundo os cientistas.
"Se quisermos ter 50% de chance de cumprir a meta dos 2º C, temos de cortar as emissões globais em 80% até 2050", disse Nathan Rive, do Centro para Pesquisas Climáticas e Ambientais Internacionais, em Oslo.
"Qualquer atraso na implementação das reduções das emissões tornará a meta dos 2º C praticamente inalcançável", escreveram ele e seu colega Steffen Kallbekken, em artigo na revista Climatic Change.
A UE considera que haveria alterações perigosas no clima, como mais secas, ondas de calor, enchentes e aumento do nível dos mares, caso o aquecimento médio supere os 2º C. Ao longo do século 20, a temperatura média subiu 0,7º C.
Para que haja uma redução de 80% nas emissões de gases do efeito estufa, os países ricos, responsáveis pela maior parte das emissões em usinas, fábricas e veículos, teriam de cortar suas emissões em cerca de 95% até 2050, em relação aos níveis de 2000.
Já os países em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia e Indonésia, onde as emissões crescem mais, poderiam fazer cortes menos ambiciosos, levando em conta que precisam de energia para alimentar suas economias e retirar milhões de pessoas da pobreza.
"Mesmo as propostas mais ambiciosas para reduções de emissões em 2050, como o projeto de lei climática no Reino Unido, que estabelece um corte de 60%, ou a meta da Califórnia de reduzir as emissões em 80% até 2050, ficam aquém do necessário", disseram os autores do artigo.
O texto preliminar de um relatório da ONU, a ser divulgado no dia 4 de maio, em Bangcoc, também conclui que será difícil conseguir que o aquecimento não passe dos 2º C. Restrições nas emissões consistentes com essa meta custariam até 3% do PIB mundial.
Pelo Protocolo de Kyoto, 35 países industrializados teriam de reduzir suas emissões, até 2012, para um nível 5% inferior ao de 1990. Os Estados Unidos, maiores poluidores mundiais, abandonaram o plano, alegando que ele seria nocivo à sua economia e que não deveria excluir os países em desenvolvimento.
As negociações na ONU para prorrogar o Protocolo de Kyoto após 2012 estão paralisadas. Os países em desenvolvimento dizem que não podem limitar suas emissões, já que o uso da energia foi essencial para o crescimento econômico das nações ricas desde a Revolução Industrial.
Fonte: Reuters/ Estadão Online
- Categoria: ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, INTERNACIONAL, Aquecimento global
4 Comentários Adicione o seu
1. viviane | 10 junho, 2007 - 10:38h
isso ñ presta
2. Rogerio Moreira | 26 junho, 2007 - 08:27h
O homem enquanto ele em sua sanidade mental n se conscientizar de que é dependente da natureza vamos ter insanidades como estas dos países ricos em não participar da contenção de emissão de CO2, algo prejudicial para todo o planeta.
3. Marcos Rodrigues | 23 janeiro, 2008 - 11:15h
Deixar de exportar para os EUA seria uma ótima saída, ao invés de vender produtos pra eles, venda para outros países, dê preferência para outras nações, compre de outras nações, assim os EUA, terão baixa na sua economia, quando se derem por conta, estarão com necessidades, com certeza eles voltarão atrás e assinarão o Protocolo de Kyoto. O começo deste processo será muito difícil, mas vale qualquer sacrifício, ao meu ponto de vista, para tentar salvar o NOSSO PLANETA, para NOS SALVAR!!!!!!!!!
4. Fabiano | 6 junho, 2008 - 01:55h
Lamentável.
Diante de tamanha falta de sensibilidade e incapacidade das grandes potências industrializadas compreenderem que já passou da hora de pararem de poluir, a única conclusão possível, é que o mundo vai piorar. A conclusão é que viver no mundo daqui à algumas décadas, significará conviver diáriamente com toda a sorte de intempéries climáticas, fomes, doenças causadas por vetores, guerrilhas por água e territórios e, claro… morte.
E quando o mundo estiver à beira do caos, algum doido do Oriente Médio vai armar uma bomba nuclear e disparar na cabeça de milhares de inocentes, dando início à última grande guerra.
Somente depois disso, somente depois de voltarmos à agir como “macacos” pré-industrializados, é que o planeta Terra tera a possibilidade de se recuperar de todo o mau que já causamos e ainda iremos causar.
“E viveram felizes para sempre…”
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