A energia e o futuro
24 abril, 2007 - 07:00h Délcio Rocha
A infra-estrutura é de fundamental importância para a formação da renda e do emprego. Entende-se por infra-estrutura econômica a energia elétrica, os transportes, portos, rede fluvial, rodovias, logística etc. Estamos no Brasil num estado de fragilidade nesse campo vital, que se apresenta, infelizmente, como quase ameaça, praticamente direta, ao crescimento do PIB.
De um modo geral, se pode dizer que a nossa infra- consistência e sem a necessária projeção. A energia de origem na biomassa em larga escala é ainda uma promessa futura. A proveniente de fenômenos naturais será sempre, praticamente, de caráter quantitativo marginal.
Com as modificações gerenciais recentes no setor de energia elétrica criaram-se novidades de fundo executivo e programático, prometendo, talvez, a esperança de equacionamento seguro do suprimento de energia elétrica a curto e médio prazos; quem sabe, talvez até mesmo a longo prazo. Mas essa segurança está sendo implicitamente questionada e ainda não se pode ver com clareza a trajetória de qualquer dos segmentos acima. Essa uma realidade madrasta, capaz de trazer-nos dias atrozes e questões bastante intrincadas. Dela deve tomar consciência todo o corpo social.
Há angústias quanto ao desvendamento da problemática que se esboça a médio prazo, cabendo agora ao Executivo uma bem esquematizada proposição quanto à possível evolução estrutural da economia. O quadro atual da energia elétrica é rigorosamente condicionante. Qualquer programa de gestão ficará vulnerável se não contar com satisfatório equacionamento desse importante setor no seu todo. O grau de essencialidade é tal que o campo energético deveria merecer uma cunha específica no processo político, de forma tal que sua evolução e sua administração executiva, ao longo do tempo, não sejam alcançadas por qualquer evento que não de natureza real ou técnica. Essa uma questão absolutamente essencial. Essencial sim, mas tudo leva a crer que um tal sucesso dificilmente ocorrerá. Parece que ainda não temos um grau de maturidade capaz de conceder-nos vivência efetiva em assunto de tal monta.
Esse capítulo da energia elétrica se insere, com predominância, no que chamamos em artigo anterior "Carta de prego, não". A sociedade precisa ser devidamente informada quanto à vulnerabilidade do setor e quanto aos seus rumos a médio e longo prazos. Isso, fora de qualquer questionamento político, ideológico, ou seja, lá o que for.
O Brasil está diante de um grande desafio, que é o de sustentar uma taxa de crescimento do PIB capaz de promover o bem estar econômico e social de sua população, já de quase duzentos milhões de habitantes e uma taxa geométrica de crescimento demográfico da ordem de 1,4% ao ano. Entre outros requisitos, esse desafio exige um esforço significativo de poupança e de investimento; dentro dele, cuidado especial para com a infra-estrutura, que condiciona tudo o mais. Não é excessivo repetir-se abundantemente o caso da fragilidade da nossa infra-estrutura econômica. A repetição pode constituir um longo e penetrante brado de alerta.
Isso eqüivale a dizer, sucintamente, que a execução administrativa tem a braços a necessidade ingente de programar-se tecnicamente, evitando os trancos e barrancos que tanto estigmatizam a ação do poder público.
Um esforço dessa envergadura não pode ser nem tópico, nem improvisado. Tem que se basear na realidade, nas disponibilidades e nas formas de conjuminar setor público e setor privado nacional e estrangeiro. A desdobraçar-se permanentemente, pois que energia elétrica será sempre passado, presente e proposição de futuro. Importante registrar que para esse setor é fundamental a colaboração de poupança externa, dado o vulto dos investimentos respectivos. A captação dessa poupança não é apenas função de investment grade. É, sim, resultado de confiança, de estímulos e de incentivos devidamente exercitados.
Isso posto, releva considerar de modo consistente o que vem a seguir, pois não cabem mais formas anacrônicas de gerir a realidade energética e nem pode, igualmente, sua administração ser prisioneira ou contaminada por questiúnculas de qualquer natureza, nelas incluída a rinha política. Esta verdade, que só é omitida por desavisados tem agora a oportunidade de tornar-se fator de correta administração do talvez mais importante fundamento econômico- a energia elétrica. O governo que se empossa para um mandato de quatro anos deve ter como bandeira nacional a esquematização gerencial da dependência energética, com ênfase na geração e distribuição da energia. É importante salientar que a distribuição é peça fundamental do setor. As programações respectivas são sempre de prazo longo, exigindo percuciente acompanhamento e previsões muito rigorosas, tecnicamente falando. Daqui para frente, energia elétrica será a mais importante supridora, de êxitos, se bem elaborada sua programação; de fracassos e retardos se as programações referidas pecarem pela base. Não é admissível que o setor continue a viver de contingências encapsuladas. A economia nacional está delicadamente presa à boa administração do setor de energia elétrica. De esperar-se o advento de uma nova mentalidade para gerir de modo competente e sem hiatos essa aguda subalternização.
Se isto vier a se tornar realidade o Brasil estará dando um grande salto em matéria de administração de seu futuro, algo que de há muito se espera e anseia.
Por: Jayme Magrassi de Sá, economista, ex-presidente do BNDES
Fonte: Jornal do Comercio
- Categoria: ARTIGOS, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, Artigos Técnicos, Energia, AMBIENTE URBANO
3 Comentários Adicione o seu
1. ricardo | 14 maio, 2007 - 10:39h
ACHEI MUITO INTERESSANTE ESTA INFORMAXAO
2. NUNO--GORDO | 14 maio, 2007 - 10:40h
MTMT FIXE
3. fabiana | 13 junho, 2007 - 18:58h
gostaria de fazer 3 perguntas
1.quais são as principais fondes de energia utilizadas atualmente
2.contrua uma tabela indecando as fontes de energia, suas vantagens e desvantagens
3 quais são as alternatibas apresentada para o suprimento de energia no futuro?
quais são economicamente viavéis?
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