Povos do Baixo São Francisco traçam estratégias para impedir a construção de novas barragens
24 abril, 2007 - 06:55h Délcio Rocha
Com a perspectiva de traçar estratégias dentro da campanha pela revitalização e contra o projeto de transposição do rio São Francisco, mais de 80 pessoas, representantes de organizações, movimentos sociais e povos tradicionais, de 11 municípios, de Alagoas, Sergipe e Bahia, se reuniram, sábado e domingo, em Pão de Açúcar (AL). O grupo pretende organizar ações para impedir a construção de novas barragens.
A campanha popular envolve toda a Bacia hidrográfica e as organizações reunidas traçam novas perspectivas, para os próximos meses. A cidade escolhida para sediar o encontro é estratégica, por figurar como uma possível área para construção de mais uma hidrelétrica.
Os participantes são dos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Palestina e Olho D'água do Casado, em Alagoas, Porto da Folha, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Canindé do São Francisco, em Sergipe, Pedro Alexandre, na Bahia.
Entre os organizadores estão a Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Pão de Açúcar, Colônia de Pescadores de Canindé do São Francisco (SE), grupo Caminhantes do Rio, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica de Sergipe (SINTESE) e Instituto Palmas.
Alternativas e números
As organizações e movimentos sociais defendem melhor distribuição da água existente e a aplicação de tecnologias adequadas e de baixo custo, para solucionar o problema do semi-árido. Apontam, por exemplo, as alternativas apresentadas pela Agência Nacional de Águas do Nordeste (ANA) para abastecimento em áreas urbanas e a as alternativas para o meio rural, de convivência com o semi-árido, organizadas pela Articulação do Semi-Árido (ASA).
As ações apontadas no Atlas da ANA atenderiam 34 milhões de pessoas dos nove estados nordestinos, mais o norte de Minas, ou 1.112 municípios com população acima de 5 mil habitantes, mais 244 municípios com população abaixo de 5 mil pessoas, custaria R$ 3,6 bilhões, no total. Em comparação, o projeto de Transposição, apresentado e defendido pelo governo federal, fala em atingir 12 milhões de pessoas de 4 estados do nordeste ou 391 municípios, com o custo de R$ 6,6 bilhões, apenas nos primeiros quatro anos.
Pão de Açúcar e o projeto do governo federal
Pão de Açúcar foi escolhida para sediar o encontro por estar dentro dos planos para construção de mais uma hidrelétrica, na região do Baixo São Francisco. As cidades da confluência dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia sofreram os impactos irreversíveis após a construção da barragem de Itaparica, o complexo hidrelétrico de Paulo Afonso e a hidrelétrica de Xingó.
A cogitação da construção de nova unidade geradora de energia elétrica na cidade ribeirinha, existe pelo menos desde 2005, quando o projeto inicial fora vetado devido ao alto custo: mais de R$ 1 milhão, segundo dados da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). O projeto teria sido refeito, mas ainda estaria sem perspectiva de ser aprovado e implantado.
A possibilidade de a unidade estar incorporada ao projeto de transposição, do governo federal, existe pela necessidade da construção de duas centrais elétricas para atender a obra. Apresentada como solução para o problema, do chamado nordeste setentrional, prevê a construção de dois canais para verter as águas do rio São Francisco em direção aos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os canais, leste e norte, partiriam das cidades pernambucanas de Petrolândia e Cabrobó, respectivamente.
Teriam que ser construídos 622 km de canais, 09 estações de bombeamento, 27 aquedutos e 08 túneis. Entretanto o rio não possui quantidade de água e não há produção de energia elétrica suficiente para uma obra desse tamanho, de modo que seriam construídos mais 35 pequenos reservatórios, cinco barragens para aumentar o nível da água, além de duas centrais hidrelétricas, uma com capacidade de produzir 40MW e a outra 12 MW.
Todo o investimento no projeto está estimado no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo federal no dia 22 de janeiro, desse ano. Orçado em R$ 6,6 bilhões, apenas para os primeiros quatro anos do projeto.
Fonte: Ascom / Movimento Articulação Popular São Francisco Vivo
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1 Comentário Adicione o seu
1. Josefa Luzitânia R. C. Santos | 27 junho, 2007 - 15:54h
Conheci o Rio São Francisco em 1985, através da minha patroa na época Dra. Antonia Pereira pois tem uma casa com algumas terras e eu sempre ia fazer pagamentos do pessoal que cuidava das terras. Então fiquei muito encantada com o Rio, pois íamos lavar os pratos na beira do Rio e os peixinhos vinham até nossos pés eu achava a coisa mais linda, ao terminar de lavar eu junto com as colegas tomávamos banho, sinceramente era um dia de lazer, barcos que iam e vinham, muitas das vezes eu preferia ir de barco do que de ônibus só pra ficar olhando e apreciando. Ao encontrar com a Dra. me falou que eu não conheço mais, que pena não quero vê-lo, quero ficar com aquela imagem na minha mente, e acho que as pessoas deviam se unir mais em função do Rio tão indefeso, nesse momento estou com vontade de chorar. Aqui fica meu desabafo e a história que fez e faz parte da minha vida, nessa época eu era empregada doméstica, e visitei durante 8 anos em que permaneci trabalhando com a dra. hoje trabalho na SEEl e faço faculdade e estou no 5º período de pedagogia, sou casada e tenho dois filhos maravilhosos. Obrigada SENHOR e ABENÇOE O RIO SÃO FRANCISCO
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