A Empresa e o Ambiente frente à teoria contingencial
24 abril, 2007 - 06:52h Délcio Rocha
O homem é um ser complexo e sua relação com o mundo depende de fatores subjetivos (visão de mundo, cultura, crenças, valores, emoções, preferências, conceitos, etc..) que dificilmente são captados em modelos matemáticos. A teoria econômica atual baseia-se fortemente em modelos matemáticos, simplificados e inadequados para tratamento destes fatores qualitativos e subjetivos.
Dado que existem limitados recursos e ilimitadas necessidades, o problema econômico é de alocação de recursos e consiste em "maximizar o bem estar da sociedade". As clássicas teorias e práticas de administração de empresas, micro-componentes da economia, nem de longe levam em conta os componentes e necessidades sócioeconômicos do ser humano, senão em nível mínimo. Ao que tudo indica estas teorias já estão condenadas ao mesmo destino das empresas que as seguirem rigidamente. Daí a surgência de teorias de evolução, adaptação, contingenciais e outras que vislumbram mudanças necessárias para aproximar dos objetivos sociais e macroeconômicos.
O problema da empresa tem sido apresentado como de "maximizar o lucro dos proprietários", o que implica em minimizar todos os demais fatores.
Há uma contradição insuperável entre o objetivo social e o objetivo das empresas, tal como hoje proposto pelas teorias administrativas.
O excessivo afastamento dos preceitos sociais, éticos e morais tem gerado a reação da sociedade e a criação de algumas restrições de caráter regulatório, visando aproximar a equação dos atores da microeconomia com os objetivos sociais e macroeconômicos. Um dos fatores é Ambiental. Considerado de forma ampla, compreende todos os fatores socioeconômicos relacionado com a qualidade de vida do ser humano, sua organização e a realização de suas necessidades. Em sentido restrito, poderíamos aqui limitar ao Meio-ambiente, ou seja, aos aspectos relacionados com a terra e sua biodiversidade.
Recentes estudos, a partir da teoria contingencial sugerem respeitar o ambiente externo, especialmente o meio-ambiente como requisitos de sobrevivência no longo prazo, no conceito de perpetuidade ou sustentabilidade, consideradas como atuação socialmente justa (genérica) e sem comprometer o acesso e uso dos recursos do planeta para gerações futuras (restrita).
Não deve a empresa usar poder de pressão sobre os fornecedores e empregados, o poder político, o domínio de mercado, causar dano ambiental e todos os fatores que determinam a redução dos custos ou o aumento da receita em níveis superiores aos socialmente justos, que se transformam em geradores de lucros "espúrios", no dizer de Fajnzylber. A empresa que baseia sua estratégia nestes componentes não será perpétua, sustentável e não está pensando no social e nem em sua sobrevivência a longo prazo.
Bacic,J. resumiu: "Nos casos de competitividade "espúria", o resultado liquido para a sociedade de atuação da empresa é zero ou até negativo. Uma empresa competitiva cria e recria vantagens competitivas sustentáveis numa atuação que, do ponto de vista sistêmico, é de soma positiva para a sociedade". Uma das recomendações é "aprender a avaliar, no presente, os custos futuros dos rumos estratégicos que destroem fatores internos, estruturais e sistêmicos de competitividade". e também "criar metodologia para analisar custos com visão de longo prazo".
Assim, as empresas agora têm mais uma variável limitadora de seus lucros nestes fatores sistêmicos ou externos e nas regulamentações de controle social,como a Lei 8884 (abuso econômico, domínio de mercado, lucros abusivos ) e a Agenda 21 (sustentabilidade ambiental).
Marina e Silva, Ministra do Meio Ambiente, assim posicionou: "A Agenda 21 reúne o conjunto mais amplo de premissas e recomendações sobre como as nações devem agir para alterar seu vetor de desenvolvimento em favor de modelos sustentáveis e a iniciarem seus programas de sustentabilidade".
Constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada de orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, perpassando em todas as suas ações propostas.
É hora dos administradores repensarem o futuro de suas empresas, identificando fatores sistêmicos ou estruturais que interferem no seu destino, especialmente o respeito social e ambiental, abrindo mão do lucro imediato e investindo em ações de longo prazo que permitam a sustentabilidade e perpetuidade do mundo e, consequentemente, a sua.
* É pós-graduado em Auditoria (URFGS/Bacen/Iaib); pós-graduado em Finanças (UFRGS) e professor universitário aposentado (UFRGS).
Fonte: AmbienteBrasil
- Categoria: ECOLOGIA, ARTIGOS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, Artigos Técnicos, AMBIENTE URBANO
32 Comentários Adicione o seu
1. Reni Macedo | 8 maio, 2007 - 21:20h
Muito legal esta pagina gostei muito, parabéns
2. vivian | 21 junho, 2007 - 13:28h
muito bom ver esse lado da teoria contingencialista. muitos autores só falam d como a empresa deve se “defender” do ambiente, ou usa-lo como meio d obter lucros. gostei.
3. ADILSON | 22 junho, 2007 - 23:03h
Gostei muito, parabens! Estou fazendo Pós graduação em Executivo de negócios, e os artigos e escritas de Taylor,Ford, Fayol,etc, estão ultrapassados em laguns fatores ou teorias por eles descritos visto a competividade e baixa rentabilidade existente no pais. Gostaria de saber mais sobre Como resolver problemas gerencias,como produtividadexrentabilidade qaulificaçãoxtarefas e satisfação, com foco nas teorias contigencial
4. Juliana Masson Prediger | 14 novembro, 2007 - 10:49h
Muito interessante esta visão emergente a cerca do mundo empresarial… Transformar recursos escassos em bens e serviços para as necessidades humanas que são ilimitadas sem agredir o ambiente externo é que será o difícil… mas é importante ressaltar que não é impossível!!! Para que isso ocorra há a necessidade de não só os empresários, mas também os consumidores mudem habitos de vida. Portanto, as mudanças dependem de mim, de você… De nós…
A reflexão é muito importante!
5. dalila costa | 28 novembro, 2007 - 16:24h
gostei muito!parabens!foi o primeiro artigo que leio que coloca o foco do assunto no “ambiente”,mostrado um pouco da realidade!
6. MARIO DANIEL | 7 março, 2008 - 14:34h
Ola gostei muito desta pagina pois eu estou a fazer comtablida e gestao emtao em comtrei quaz tudo do trabalho, gostaria que publica-sem mas materia.
E gostaria que nao punhao muita privasida pois sao muita pessoas que gostarom do vosso e nosso sath pois eu vou voltar mas vezes, e gostaria tambem se mem mamde-se materia.
Tchau um braco para esta e quepa tao maravilhosa equepa que sabe mesmo fazer bom, que fasam mas em riquere o nosso saith.
7. danisley | 18 março, 2008 - 18:37h
Ótimo, muito bom e bem estruturado o texto, consistente assim como o assunto abordado,
PARABÉNS,,
8. edileuza oliveira da silva | 17 maio, 2008 - 22:24h
muito bom
9. Feliio Honorio Da Silva | 19 maio, 2008 - 22:09h
É louvável que vários artigos conclamem o empresariado a investir em sustentabilidade e responsabilidade social, espero que a sociedade brasileira acorde para a nova realidade e exija do empresariado maior responsabilidade e comprometimento com as questões socias e ambientais, nos somo o cliente, podmos traçar o modelo de desenvolvimento que queremos, qual tipo de empresa queremos em nosso país, qual produto consumimos, precisamos ter essa conciência e fazermos pressâo, para que não ocorra mais o que vem ocorrendo de destruirem nossas montanhas, florestas e rios, e se enriquecerem às custas das geraões futuras!
10. edileuza oliveira da silva | 26 maio, 2008 - 22:33h
que legal , mmmmmmmmmmmmmmuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitooooooooooooooo booooooooooooooooooooooooooom
11. cleber francisco | 29 setembro, 2008 - 18:25h
Espero um dia ser inteligente assim.
Porque o mundo nessecita disso, pessoas que pensem nele.
12. silvana | 29 setembro, 2008 - 22:35h
Gostaria de saber, do ponto de vista econômico, como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
13. silmara Gonçalves | 1 outubro, 2008 - 12:38h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
14. marcyele | 1 outubro, 2008 - 21:14h
descreva quais os pontos que voce concora com o autor e quais os pontos em que voce discorda. justifique sua resposta
15. Gi | 2 outubro, 2008 - 15:11h
Tudo q foi dito está correto,pois o lado econômiso só pensa em lucros imediatos…….Não penda no meio em que nós memos vivemos
16. Gilvânia | 3 outubro, 2008 - 15:35h
Gostei muito do assunto que foi abordado no texto e lendo os comentários que seguem eu vi uma pergunta que chamou a minha atenção e gostaria de saber a sua opinião ou a resposta para a pergunta que segue.
“Gostaria de saber, do ponto de vista econômico, como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto?” (Silvana)
17. Barbosa | 5 outubro, 2008 - 10:58h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
18. LEILANE SALES | 6 outubro, 2008 - 19:57h
ow…
maior doidera isso ai
muito bom o assunto inclusive por ele asta sendo um dos textos assunto de uma atividade que estou a concluir..
19. Edcley Nery | 7 outubro, 2008 - 08:35h
adorei.bem estruturado esse texto ……..
20. luciana | 7 outubro, 2008 - 14:22h
gostaria de saber no ponto de vista economico hoje como os empresarios devem se posicionar diante da afirmação do texto.
21. Ronaldo | 7 outubro, 2008 - 15:06h
O texto é muito interessante deve ser mais exposto para que todos possam refletir.
Ex: Em todos os canais de comunicação.
22. leidiane | 7 outubro, 2008 - 16:36h
Gostaria de saber, do ponto de vista econômico, como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
23. juliane | 7 outubro, 2008 - 18:42h
oi gostaria do ponto de vista econômico , como o empresário devem se posicionar da afirmação do texto.
e quais os pontos que você não concorda com o autor e quais q concorda.
abraço
24. TAMIRES | 7 outubro, 2008 - 22:20h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
25. vanessa | 8 outubro, 2008 - 00:09h
Gostei muito deste artigo afinal é assunto do meu trabalho na faculdade faço administraçao e foi o assunto mais debatido na sala de aula!!!
Parabéns.
26. Flavia | 8 outubro, 2008 - 22:09h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto???? E quais os pontos que você não concorda com o autor e quais q concorda.
27. cristiane | 9 outubro, 2008 - 13:21h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto???? E quais os pontos que você não concorda com o autor e quais q concorda.
28. jeferson | 9 outubro, 2008 - 13:24h
Como os empresários devem se posicionar diante da afirmação que está no texto????
29. Wagner | 10 outubro, 2008 - 16:56h
Isso tem lá p/ cima ..uhsauhsahu…vai dá problema meuu…eh coisa da Unopar neh?!uhsahusa
30. daniela vila verde | 12 dezembro, 2008 - 02:49h
gostei muito do conteúdo.Me ajudou bastante .
31. Rita Oliveira | 8 maio, 2009 - 11:38h
Bom dia,
Parabéns pela matéria,a concientização é um dever de todos. Se todos agir pensando no meio ambiente talvés ainda de tempo de salvar o nosso planeta.
Atenciosamente,Rita.
32. Patricia Diana Alves | 10 maio, 2009 - 12:17h
Muito bom .
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