Avanços no ecoturismo
29 março, 2007 - 07:20h Délcio Rocha
A certificação do turismo sustentável ocupa posições cada vez mais importantes no âmbito nacional, sintonizando o Brasil com as iniciativas mundiais e até servindo como referência para os países da AL. Fóruns, simpósios, feiras internacionais e congressos têm sido extremamente alavancadores do processo da normalização, dando visibilidade para as ações das diversas entidades empenhadas neste trabalho. Nesse sentido, recentemente, uma dezena de entidades e representantes do setor se reuniu em São Paulo durante o Fórum Interamericano de Turismo Sustentável, o III FITS, realizado paralelamente à Adventure Fair, para debater com seriedade e ética os benefícios da certificação e os princípios da sustentabilidade. Uma das boas notícias evidenciadas na ocasião foi a atuação das ONGs, órgãos do governo, empresas e sociedade civil nas iniciativas interamericanas de turismo.
Com o objetivo de informar pessoas sobre o que há de mais relevante no assunto e os players desse cenário, eventos como este apresentam fatos cada vez mais elucidativos para as negociações sobre o turismo sustentável. Novas iniciativas, parcerias entre associações, criação de conselhos e entidades, enfim, tudo isso vem ocorrendo a cada ano, dando fôlego maior à questão e envolvendo cada vez mais profissionais. Todos vêm trabalhando com os princípios de que os empreendimentos de turismo têm de oferecer melhoria de renda, cultura, educação e qualidade de vida para as comunidades em que se encontram.
Em termos de benefícios, percebe-se que a certificação confere credibilidade para esta indústria. Especificamente, os clientes têm uma garantia padronizada e os operadores de turismo aderem a certo nível de gerenciamento sustentável.
No foco das comunidades locais e do contexto ambiental, os problemas mais recorrentes quando o turismo não é sustentável - no caso de um pólo turístico novo ou de uma temporada mal projetada - são a exploração sexual, a degradação ambiental decorrente do grande volume de lixo gerado, lançamento de esgotos nos rios e o fomento à corrupção, ao comércio e às práticas ilegais.
É para evitar estes conflitos que o Programa de Certificação em Turismo Sustentável(PCTS) surge como uma iniciativa voluntária que conta com o envolvimento e o apoio de diversas entidades e organizações do setor do turismo, assim como de outros interessados, entre os quais ambientalistas, representantes dos trabalhadores, das organizações sociais e do fomento e educação.
Sua concepção contempla o desenvolvimento de um conjunto de normas voluntárias e o estabelecimento de um processo de certificação segundo essas normas, também voluntário.
O programa usa a abordagem da normalização e certificação voluntárias como ferramentas positivas que incentivam a adoção de boas práticas pelas empresas, distinguindo-as e destacando-as no contexto do mercado cada vez mais competitivo, aprimorando a qualidade e a competitividade das empresas de turismo, estimulando seu melhor desempenho nas áreas econômica, ambiental, cultural e social, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do País e a melhoria da imagem do destino Brasil no exterior.
Após todos esses avanços e por meio do Programa de Certificação em Turismo Sustentável, a norma "Meios de Hospedagem - Requisitos para a Sustentabilidade" está concluída e foi encaminhada para o CB-54 da ABNT para ser implementada e se converter em Norma Brasileira (NBR) voluntária, assim como as NBR ISO 9001 e a NBR ISO 14001, só para mencionar duas das certificações do nosso País e que os meios de hospedagem vêm utilizando.
Muitas situações de conflito no segmento turístico nacional, bem como a banalização no emprego do termo "ecoturismo" ocorrida nos últimos anos, levaram a todas essas iniciativas e a criação do CBTS (Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável), foi um passo nessa direção e pensamos que, assim, começa a se desenvolver uma cultura de certificação para a valorização do turismo. A sustentabilidade ganha amplitude e, nesse momento especial de crescimento, nos interessa buscar ainda mais parceiros - num desafio que envolve diretamente governo, empresários, estudantes, profissionais do trade de turismo e ambientalistas, além de todos os outros setores compreendidos por esta indústria que reúne, sabidamente, mais de 50 segmentos econômicos no País.
Finalmente, é importante ressaltar que, diante dos desafios de certificar e aplicar da melhor maneira possível os princípios da sustentabilidade no turismo, agora, o País parece encontrar seu rumo nesta pauta. Em posição de vanguarda nas discussões do assunto na América Latina, o Brasil conquistou um trunfo especial. Tornou-se o primeiro país no mundo a ter a iniciativa de submeter o processo da certificação voluntária a um programa nacional de metrologia, no caso, o INMETRO. Com a boa notícia, fica a esperança que a medida não perca o ritmo e se torne efetiva numa evolução rápida e crescente.
Por: Mario Mantovani Diretor da Fundação SOS Mata Atlântica
Fonte: Revista Eco21 nº 124
- Categoria: ECOLOGIA, ARTIGOS, Educação Ambiental, TURISMO RURAL, Artigos Técnicos
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