RS discute zoneamento ambiental para silvicultura
29 março, 2007 - 06:44h Délcio Rocha
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), apresentou hoje, em audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, o zoneamento ambiental para a silvicultura no Estado. Segundo o levantamento, 25% do território gaúcho é considerado zona de alta restrição para a plantação comercial de árvores, 25% é avaliado como área de média restrição e 50% do Estado classificado como área de baixa restrição à atividade.
Em uma região considerada de alta restrição, o zoneamento pode impedir o cultivo de florestas comerciais ou permitir o uso em baixa escala. Os percentuais de uso para a silvicultura vão aumentando conforme baixa a recomendação de restrição do zoneamento. Os técnicos estimam que cerca de 30% da área do Estado possa ser aproveitado para o cultivo de florestas comerciais. O porcentual equivale a cerca de 90 mil quilômetros quadrados, conforme estimativas iniciais.
Para produzir o estudo, a Fepam dividiu o Estado em 45 unidades de paisagem natural, ou áreas de vegetação natural semelhantes. Os critérios para as avaliações levaram em conta o grau de proteção legal de terras de preservação, as áreas com potencial de preservação legal, áreas importantes para a biodiversidade, fauna e flora em extinção, a fragilidade do solo e a disponibilidade hídrica para a silvicultura.
A Assembléia gaúcha prevê a realização de mais uma audiência pública para debater o zoneamento ambiental da silvicultura.
O estudo feito pela Fepam, ligada à secretaria de Meio Ambiente, deve ser encaminhado até o dia 31 de março para o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema).
Fonte: Estadão Online
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4 Comentários Adicione o seu
1. Rui gustavo Furquim Meira | 5 maio, 2007 - 21:43h
Devemos verificar se essas empresas precisão de tanta área asim para plantar. E porquê elas compraram terras sem ter em mãos a licensa, não podemos penssar só nos postos de trabalhos mas também na manutenção do meio ambiente. O que decharemos para nossos bisnetos; parques industriais ou um ambiente caótico e totalmente degradado?
2. Rivael Vaz da Silva | 31 maio, 2007 - 13:45h
A preocupação com o meio ambiente é importantícima, mas vale lembrar que a implantação de empresas como essas, além de renda e densenvolvimento, vai introduzir no RS uma considerável área de floresta aumentando a biodiversidade nesses locais, estudos feitos hj, mostram que implantação desse tipo de negócio diminui consideravelmente os danos no meio ambiente, é um tema a ser discutido e sou a favor, mas claro, dentro das leis!!!!
3. Felipe A de Souza | 31 maio, 2007 - 19:46h
Como estratégia importante deveriam aparecer muitas manifestações “a favor da relevância social de criar novas altenativas na matriz produtiva regional”, comprometidas com a preservação ambiental adequada (não fundamentalista) e que tem como objetivo fortalecer a preservação ambiental para auxiliar no nosso desenvolvimento sustentável.
O Diário Popular deveria fazer um encarte especial enfatizando a relevância para a região da silvicultura (celulose, matéria prima para o MDF, matéria prima para serrarias, fabricas de móveis, etc.etc ). Silvicultura não é sinônimo de projetos de plantios de eucaliptos, extremamente importantes, que vão possibilitar a construção de grandes unidades de processamento e produção de celulose, é muito mais.
E a geração de ICMS na região ? E o fortalecimento de todas as prefeituras de municipios que detem áreas próprias ao eucalipto para celulose e madeira ? E o acordo de ICMS, 50% x 50%, municipios produtores x municipio sede da fabrica. E o ICMS de P Altas e o incremento de 67% no seu valor quando iniciarem as operações ?
Como fica a saúde, como fica a educação, como fica os programas municipais de apoio aos necessitados ? Menos recursos, maiores as deficiências.
Como fica o emprego e todos os setores beneficiados pelo aumento de renda na região?
Como fica a preservação das matas nativas hoje fonte da lenha usada em todo o interior ? Proibido é, derrubar arvores nativas, mas os fogões e lareiras estão lá, sem outra alternativa - nem da galhação do eucalipto e da acácia hoje dispomos.
Como fica a melhora da infraestrutura de estradas, principalmente, necessárias ao escoamento da produção de madeira? Como ficamos nós, usuários do transporte coletivo e transporte escolar, que pegariamos carona na infraestrutura indispensável para o transito do transporte de madeira ?
Como ficamos nós diante do norte da Europa, Canadá e EEUU, onde o florestamento é medido em milhões de hectares, muitos de areas continuas, intermináveis, como vi viajando durante horas e horas de carro no sul dos EEUU ?
Ficamos como aqueles que tem opção pela pobreza e as mazelas dai decorrentes. Ficamos como um pais do futuro que tem tudo para ser um lider mundial na produção da celulose e de madeiras em geral, mas que não consegue entender que tudo tem de se subordinar a uma melhora permanente de nossos indices sociais.
Sociedades ricas tem riqueza para todos, tem recursos para programas sociais, tem condiçoes de oferecer saúde, educação e segurança as pessoas, tem condições de preservar melhor sua natureza (procura no Canadá, como exemplo, um saco plastico jogado na beira de uma estrada, um toco de cigarro na cidade de Vancouver, etc.etc.). Vais encontrar uma policia atuante, firme, estruturada, qualificada, impondo aos que desconsideram o interesse das maiorias, o respeito severo e firme das leis.
Ficamos como o bobalhões do terceiro mundo que não ocupam os espaços que se abrem para o seu desenvolvimento, nem mesmo quando isto começa a aparecer como um opção que começou a acontecer e está “brecada” por razões que a razão desconhece.
Ficamos como credores para sempre dos agradecimentos dos grandes produtores de celulose no mundo, unicos que ganham e muito com a colaboração integral da nossa pobre FEPAM, sem recursos ou funcionários para atuar no interior, controlando de fato a execução cuidadosa dos projetos aprovados, com responsabilidade e compromisso efetivo com o desenvolvimento social e preservação da natureza.
Abram os arquivos do projeto de zoneamento da Fepam e avaliem se existe qualquer texto que não seja focado na “natureza intocada”, esquecendo por completo as pessoas que lá vivem e os interesses maiores de nossa região.
Em uma região onde mudas de arvores mais altas que um homem são arrancadas, tudo mais é possivel. A palavra que traduz o sentimento que nos assola quando lembramos que isto foi feito, que isto poderá ser nóvamente feito, é indignação e revolta. Um assentamento que não forma florestas não tem lenha para o inverno, não tem sombra, não tem abrigo para o vento. Não tem planchões, moirões, piques, etc. etc.
Parece exagero mas é a triste realidade.
Sou um inconformado total e tinha de desabafar.
4. Ana Paula Fagundes | 17 junho, 2007 - 16:10h
É lamentável que a ignorância ainda reine triunfante.
É lamentável que o desenvolvimento imediatista importado ainda reine nas mentes de tant@s brasileir@s.
É lamentável que nosso povo se ache “coitadinho” e seja tão submisso ao que as regras e diretrizes impostas pelas grandes corporações e países que se julgam “superiores”.
As plantações em larga escala para celulose e madeira no Rio Grande do Sul não são para abastecer os fogões de assentamentos, ou para construir móveis como coloca o Sr. Felipe A de Souza em seu comentário.
As plantações em larga escala são para produtos de exportação. A celulose não é para os nossos cadernos, tampouco vai ser transformada em papel no Brasil, salvo os 3% de celulose que aqui ficam e são transformados em diversos materiais. A maioria da celulose da Aracruz, por exemplo, vira papel higiênico no exterior. A madeira plantada também não fica aqui, o que é evidente em qualquer loja de móveis. Nossos móveis são feitos de MDF, sub-produto da madeira.
No RS o Zoneamento prevê critérios para as plantações evitando os maciços arbóreos, baseado em análises sócio-ambiental. É justamente por evitar os maciços que as empresas não gostaram do estudo, por não puderem fazer o que bem quiserem.
O Brasil com seu projeto de celulose e “bio”-combustível de exportação mantém a mentalidade colonial de quinhentos anos atrás. Esta monocultura não é a forma de desenvolvimento aceitável para os trópicos. Não é este o desenvolvimento que vai trazer benefícios para todas as pessoas, mas sim aumentar as desigualdades já existentes. Temos uma biodiversidade impressionante que nos possibilita um desenvolvimento diferente. Não basta importar técnicas e aceitar passivamente o que os burocratas das transnacionais dizem.
Ocupar nossas terras, secar nossos rios e arroio, com materiais de exportação, para depois pagar água para transnacionais, importar alimentos, servir de cobaia e aceitar a caridade dos países que enviam transgênicos para acabar com a fome, não é uma boa escolha. As populações atingidas pelas monoculturas crescem por todo o mundo e a resistência as monoculturas também.
www.defesabiogaucha.org
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