Brasil propõe eliminar antes gás poluente
27 março, 2007 - 06:52h Délcio Rocha
Quando o Protocolo de Montreal entrou em vigor, em 1989, os 180 países signatários começaram uma corrida para substituir o CFC (clorofluorcarbono) - gás prejudicial à camada de ozônio e que deve ser eliminado até 2010. Usado principalmente em geladeiras e condicionadores de ar, ele passou a ser trocado pelo HCFC (hidroclorofluorcarbono) - menos prejudicial e com prazo de eliminação um pouco mais longo: para os países em desenvolvimento, em 2040. Mas, na época, não se sabia que esse gás também agrava o aquecimento global.
"O consumo do HCFC tem crescido muito. E ele trás um risco em dobro: é prejudicial para a camada de ozônio e contribui para aumentar o aquecimento global", diz o secretário interino de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Rui de Góes Leite de Barros. Para remediar a situação, o Brasil e a Argentina apresentaram uma proposta ao Secretariado do Protocolo de Montreal, sugerindo que se antecipe o prazo para os países emergentes eliminarem o hidroclorofluorcarbono.
O protocolo estabelece que o consumo do HCFC se estabilize em 2016 e seja erradicado em 2040. Brasil e Argentina propõem que a estabilização ocorra em 2012: nesse ano, o consumo do gás não poderia superar o de 2010. Eles sugerem também um cronograma de redução gradativa do consumo dos sete diferentes tipos de HCFC, até a eliminação completa, entre 2030 e 2040. "O objetivo é acelerar o phase-out (fim do consumo), colocar datas intermediárias (para diminuir gradativamente o uso) e separar por famílias (de gases)", destaca o secretário. "Queremos priorizar os mais usados e deixar para o fim os menos prejudiciais tanto para o clima quanto para a camada de ozônio", reforça.
Para o hidroclorofluorcarbono mais usado no mundo, o HCFC 22 (que serve, principalmente, para compor espumas de isolamento térmico de geladeiras), o cronograma proposto prevê que o consumo seja reduzido em 20% até 2015, em 40% até 2020, em 65% até 2025 e em 100% até 2030.
A proposta foi registrada junto ao Secretariado na quinta-feira. Ela será encaminhada para os países signatários e analisada para que, na próxima reunião - em 17 de setembro, em Montreal - ela possa ser votada. A sugestão ainda prevê o financiamento de iniciativas em prol da substituição do HCFC, por meio do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal, que é administrado pelo PNUD e outros parceiros. (Talita Bedinelli/ PimaPagina)
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