Centro Cultural une tradição, modernidade e meio ambiente
28 julho, 2010 - 17:07h Délcio Rocha
Apesar de terem ganhado destaque nos últimos anos, as construções sustentáveis não são tão recentes assim. Uma prova disso é o Centro Cultural Jean Marie Tjibaou, localizado na Nova Caledônia. O local foi construído em 1998 e já trazia em sua base os conceitos da sustentabilidade.
Desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Pian, o centro é composto por 10 unidades de diferentes tamanhos e funções, com a forma de concha posicionada verticalmente, assemelhando-se às tendas tradicionais da Nova Caledônia.
No seu interior, o programa cultural desenvolve-se como uma espécie de ritual, passando pelas exposições dos espaços naturais da ilha, da arte, da história e da religião da civilização kanak. Para isso, o edifício foi organizado como um conjunto de três povoados que abrigam exposições, performances ao ar livre, anfiteatros, escritórios.
Ligações culturais
Segundo o arquiteto, o formato do Centro tem fortes ligações com a cultura local, já que a construção foi erguida para representar um símbolo da civilização kanak.
Marcada por muitas controvérsias políticas, a ilha foi sujeita à ocupação francesa por mais de 100 anos e viu seu líder, Jean-Marie Tjibaou, ser assassinado por um extremista enquanto lutava pela independência do local. Uma das grandes preocupações de Tjibaou era assegurar que sua comunidade valorizasse suas raízes, ao mesmo tempo em que fosse aberta para a cultura mundial.
Pensando nisso, Pian buscou nas tradições kanak os valores que realmente importavam para esse povo e desenvolveu o projeto com consultas à população local, aprendendo com a cultura e a natureza.
Por fim, ele desenhou um espaço que representasse um conjunto de edificações, vias e espaços abertos unidos por um núcleo central: a alameda do povoado tradicional.
Antigo e moderno
Apesar da inspiração ancestral, o Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou foi construído com tecnologia moderna, em madeira laminada colada, estruturada por tubos de aço inoxidável. A estrutura foi feita para resistir a furacões e terremotos, chegando a passar imune pelo ciclone Erika.
Outra característica da arquitetura moderna inserida no projeto foi o aproveitamento do vento local para melhorar o clima dentro dos espaços. O Centro Cultural está exposto por um lado a fortes ventos e por outro a brisas suaves.
Assim, o arquiteto desenhou as estruturas verticais e horizontais de uma forma que elas pudessem modificar o efeito dos ventos e as condições internas, adaptando as grelhas conforme a direção e velocidade deles e expelindo o ar interno pela parte mais alta do teto. Esse movimento ainda produz um som que representa os mesmos da floresta e das vilas kanaks.
Para a doutora em Arquitetura pela Universidade de Valladolid e professora e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Ana Rosa de Oliveira, o local é um marco na arquitetura mundial.
"O Centro Cultural é a materialização de um cuidadoso esforço para encontrar, em confronto com diversos ritmos (espaço, tempo, cultura e clima), o justo equilíbrio entre artefato e natureza, tradição e tecnologia, memória e modernidade", conclui.
Fonte: Ecodesenvolvimento
- Categoria: AGRONEGÓCIOS, ECOLOGIA, NOTÍCIAS, Educação Ambiental, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, INTERNACIONAL, Arquitetura e Paisagismo, AMBIENTE URBANO, Educação
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