Arquivos para julho 30th, 2010
30 julho, 2010 - 18:56h
Para edição do mês de agosto de 2010, a revista Americana Vanity Fair perguntou a 90 especialistas quais seria as "maiores obras arquitetônicas dos últimos 30 anos". Com 28 votos, o Museu Guggenheim Bilbao, de Frank Gehry, foi o grande vencedor, seguido pelo Menil Collection, de Renzo Piano. A lista contou ainda com outras XIX construções tidas como as mais importantes ou memoráveis da arquitetura moderna.
Para o arquiteto e colunista da Architect Magazine, Lance Hosey, a única falha da seleção foi excluir as construções sustentáveis das candidatas. "Até as obra selecionadas de Piano e Norman Foster, arquitetos reconhecidos pela alta performance ambiental, são velhas e das menos ambiciosas. Pelo que eu vi, a sustentabilidade não tem sido o foco da elite da arquitetura", opina.
Para Hosey, embora as construções verdes tenham-se popularizado com mais intensidade nas últimas três décadas, o fosso entre os padrões de excelência em design e desempenho ambiental pode ser cada vez maior. Pensando nisso, ele decidiu criar sua própria lista das "cinco construções verdes mais importantes desde 1980".
Para isso, o arquiteto perguntou a 150 especialistas dos Estados Unidos, Europa e Ásia quais seriam os melhores representantes da área. Os selecionados foram:
- Centro de Estudos Ambientais Adam Joseph Lewis - Inaugurado em 2000, o Centro de Estudos Ambientais Adam Joseph Lewis (AJCES), localizado no campus da Universidade de Oberlin, é um dos mais avançados exemplos de edifício auto-sustentável dos Estados Unidos. O AJCES produz toda energia que consome através de painéis fotovoltaicos, com potências instaladas de 60kW na cobertura e 100kW em área adjacente (estacionamentos).
O Centro Lewis ainda utiliza um sistema de tratamento de água chamado de "A Máquina Viva", que recebe a água de esgoto e a trata e purifica para que ela possa ser reutilizada nos vasos sanitários. O prédio ainda tem janelas posicionadas de maneira apropriada para aproveitar ao máximo a luz do dia e poços geotérmicos, que ajudam a aquecer e a resfriar a área interna da construção.
- Academia das Ciências da Califórnia - Desenhada pelo conceituado arquiteto italiano Renzo Piano, a Academia das Ciências da Califórnia foi inaugurada em 2008 e definida como uma "construção revolucionária".
O telhado verde mantém o interior do edifício sempre fresco e os 13 milhões de litros de água usados por ano na rega das plantas são em grande parte reutilizados para outros fins no museu.
No telhado de vidro, janelas e cortinas controladas por computadores abrem-se e fecham-se para manter a temperatura adequada dentro do ambiente e facilitar a passagem da brisa do Pacífico. Calças jeans velhas foram utilizadas no isolamento das paredes e uma barreira de vedação envidraçada possui células fotovoltaicas integradas que geram 15 % da energia elétrica que o edifício consome.
- Genzyme Center - O Genzyme Center, sede mundial da empresa de biotecnologia Genzyme Corporation inaugurada 2003, recebeu o selo de platina do Green Building Council EUA graças aos seus princípios ambientais. O aproveitamento da luz natural e uso inteligente da água contribuíram para uma redução de 42 % dos gastos anuais em eletricidade e 32% do consumo da água.
- BedZED - Este bairro construído no Reino Unidos em 2002 é considerado um modelo de sustentabilidade urbana. Ele segue uma filosofia de composição heterogênea dos seus residentes, e possui moradores de classe média, alta e baixa vivendo no mesmo local. O empreendimento ainda foi erguido com material de construção comprado na região, uso de materiais reciclados e mão-de-obra local, e possui um Clube do carro exclusivo para os moradores.
- Centro Ambiental Philip Merrill da Fundação Baía de Chesapeake - Inaugurado em 2001, o Centro ocupa uma área construída de quase 3.000 m2 e segue padrões mundiais de conservação de energia, tendo recebido a certificação Platinum Rating do Green Building Council. Materiais reciclados e recicláveis foram usados na sua construção. Além disso, a utilização de um sistema de coleta de água de chuva associado a vasos sanitários compostáveis reduziu o consumo de água em 90%.
Fonte: Portal Terra
30 julho, 2010 - 18:53h
A multa para empresas que causarem danos ambientais poderá subir, admitiu nesta sexta-feira (30) a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente). Atualmente, o teto é de R$ 50 milhões.
A discussão sobre o aumento da punição nos bolsos das empresas será paralela à definição do plano nacional de contingência contra vazamentos de petróleo, explicou a ministra. O texto do plano deverá ser entregue em setembro, segundo Teixeira.
"As empresas continuarão tendo que reparar os danos causados, seja o preço que for. A multa em relação ao desastre poderá ser modificada. Isso vai ser debatido, vamos definir critérios para isso", afirmou, após encontro, no Rio, com o engenheiro Ian Hernadez, diretor da O'Brian, empresa que trabalha na gestão do vazamento de petróleo da plataforma da BP, no golfo do México.
SUGESTÕES
A ministra disse que estão sendo colhidas sugestões e sendo avaliada a experiência do desastre nos Estados Unidos para se delinear o plano de contingência. A ação emergencial extrema englobará a ação de vários órgãos, de forma "unificada", frisou a ministra. O parâmetro para se acionar o plano ainda será definido.
A ideia central do plano é permitir mecanismos que agilizem a tomada de ações, em condições extraordinárias. Um exemplo disso é a possibilidade de se permitir a queima de petróleo que tenha vazado de um poço ou plataforma. As regras atuais não permitem isso, mas o plano deve admitir essa ação.
A importação de equipamentos em condições especiais também deverá constar do plano, assim como autorizações para que estrangeiros trabalhem em casos extremos do porte do vazamento nos Estados Unidos. Izabella Teixeira lembrou que o acidente da BP mobilizou 44.000 pessoas de todas as partes do mundo.
RESPOSTA DOS EUA
"Considero satisfatória a resposta dos Estados Unidos. Temos que avaliar que se trata de um vazamento sem precedentes na história. Nenhum país do mundo, nem os Estados Unidos, estava preparado para isso", observou.
Mecanismos para acelerar o ressarcimento de danos também constarão no plano. A intenção é mapear grandes áreas onde há produção de petróleo e a atividade econômica no entorno.
A ministra destacou que isso é feito nos Estados Unidos, o que acelerou o pagamento de indenizações a quem teve atividades profissionais afetadas pelo vazamento.
Os critérios de riscos na definição de licenciamento ambiental para as atividades de petróleo deverão ser revistos, acrescentou Izabella Teixeira.
Ela disse que somente após a conclusão das investigações do vazamento da BP é que a experiência desse caso poderá ser levada em conta na definição de novas diretrizes acerca dos licenciamentos.
Fonte: Folha.com
30 julho, 2010 - 18:50h
Cientistas afirmam ter descoberto duas colônias de Triops cancriformis, espécie que seria a mais velha viva no planeta, em Caerlaverock, no Reino Unido. Os especialistas acreditam que possam existir mais populações "escondidas" do crustáceo considerado em risco de extinção. A descoberta revelou algumas peculiaridades sobre o estilo de vida de estranho e primitivo ser que pode, segundo os pesquisadores, recriar toda a população a partir de um único animal. As informações são do site do Telegraph.
Fósseis indicam que o Triops continua igual ao que era há 200 milhões de anos. O animal se adaptou para viver em piscinas naturais temporárias. Quando estas secam, os adultos morrem, mas deixam ovos que podem sobreviver por anos até a água reaparecer.
Cientistas da Universidade de Glasgow, que descobriram as colônias, afirmam que encontraram ovos do crustáceo em lama de piscinas na região de Caerlaverock. A lama foi secada, novamente molhada e colocada em pequenos aquários. Em poucas semanas, os pesquisadores se espantaram ao encontrar um pequeno animal nadando em um dos tanques.
Em 2004, o cientista Larry Griffin descobriu uma colônia isolada a centenas de quilômetros em uma piscina natural em Caerlaverock. "Na época, parecia que a colônia de Caerlaverock era vulnerável, isolada do passado e presente da população (do animal). (…) Mas agora nós sabemos como essa curiosa criatura sobrevive, nós percebemos que há uma boa chance de haver uma população maior", diz Griffin sobre a descoberta.
"Triops crescem rapidamente e produzem centenas de ovos em apenas poucas semanas. A água em que eles vivem pode secar, mas os ovos podem sobreviver na lama por muitos anos. (…) Eles têm as partes reprodutivas masculinas e femininas, portanto, apenas um ovo é necessário para regenerar toda a população", diz o cientista.
Fonte: Portal Terra
30 julho, 2010 - 18:48h
Algumas das espécies de tartaruga mais ameaçadas do mundo está sendo vendidas abertamente em uma exposição de plantas e animais no centro de Jacarta, capital da Indonésia, Jacarta, ilustrando o crescimento e ousadia do tráfico ilegal de animais.
O país tornou-se um grande centro de comércio para espécies ameaçadas de tartarugas terrestres e fluviais, incluindo espécies da África, América do Sul e Ásia, diz Chris Shepherd, da rede Traffic, grupo britânico de monitoramente internacional da vida selvagem.
Segundo Shepherd, o governo indonésio tem descumprido suas repetidas promessas de fiscalizar a atividade ilegal.
As espécies, encontradas nesta sexta (30) em Jacarta na exposição anual de fauna e flora (de 2 de julho a 2 de agosto), incluíam a tartaruga de Ploughshare e a tartaruga radiada, ambas de Madagáscar, ambas dentre as mais ameaçadas do planeta, e ambas sendo vendidas por cerca de US$ 150 (R$ 265).
As espécies estão protegidas pela Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas).
Os vendedores disseram à Associated Press que outras espécies ameaçadas poderiam ser facilmente obtidas.
A Indonésia é um dos países com maior biodiversidade do mundo. Ao longo dos anos, a prática de venda de animais, como águias, leopardos e gibões, tem acontecido em mercados e em ruas escondidas da capital.
Fonte: Folha.com
30 julho, 2010 - 18:46h
A reciclagem de resíduos sólidos tem sido uma atividade de destaque na economia colombiana, uma vez que contribui para a geração de emprego e renda. No entanto, o destino final do lixo é considerado crítico na maioria das cidades colombianas: 96,15% do que é jogado fora em 38 cidades acabam em aterros sanitários.
Os dados constam em uma publicação da Rede por Negócios Inclusivos, formada por organizações como a Fundação Avina, Fundes e WRI. O documento integra a série Guias Setoriais, que busca melhorar a eficiência da cadeia de valor do setor de reciclagem, além da situação social e econômica dos atores que o alimentam na Colômbia.
Segundo o estudo, mais de 18 mil pessoas vivem da atividade de reciclagem só na capital Bogotá. O relatório é dividido em cinco capítulos: Contexto da cadeia de reciclagem; Aspectos técnicos e do mercado da cadeia de reciclagem; Principais resultados do estudo; Fatores de sucesso; e Propostas de modelos de negócios inclusivos.
Brasil
De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em maio, o Brasil poderia economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros.
Atualmente, as cidades do país produzem 150 mil toneladas de lixo por dia, das quais 59% são destinadas aos lixões aos lixões e aterros. Em agosto, a Política Nacional de Resíduos Sólidos será sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova lei prevê, entre outros pontos, a participação das cooperativas de catadores no processo de gestão de resíduos.
Fonte: Portal Terra
30 julho, 2010 - 18:42h
O curador do acervo de serpentes do Butantan, Francisco Franco, informou nesta quinta-feira (29) que entre 15% e 20% das 77 mil cobras que estavam no prédio que pegou fogo em 15 de maio em São Paulo foram recuperadas. A coleção, que tinha mais de cem anos, era considerada uma das mais importantes do mundo.
A informação foi divulgada após um encontro de cientistas sobre segurança em acervos biológicos, promovido durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre esta semana em Natal.
"Entre 15% e 20%, com alguma margem de falha, do acervo de serpentes foi resguardado", disse o curador. Segundo Franco, os números são provisórios, já que o instituto ainda não conseguiu fazer o levantamento completo das espécies preservadas por falta de espaço. "Precisamos de uma área grande para trabalhar, para fazer triagem."
O curador calcula que cerca da metade dos mil exemplares mais importantes - chamados de "espécies-tipo" - foi preservada. Essas serpentes foram as usadas por pesquisadores para descrever espécies novas, e servem de referência para futuros trabalhos sobre esses animais.
"Já temos certeza que 370 foram resgatados, mas ainda há muitos tambores para serem abertos e triados", informou Franco.
Segundo o curador, a Secretaria de Saúde de São Paulo já abriu edital para a construção de um novo prédio para abrigar a coleção. "Já temos a planta dele, e será um prédio direcionado, próprio para guardar acervos dentro de rígidos critérios de segurança e funcionalidade."
Para recuperar as informações sobre os animais perdidos após o fogo, Franco tem contatado pesquisadores que fizeram estudos no acervo para pedir fotos e descrições científicas dos animais.
Curto-circuito - O incêndio no acervo do Butantan despertou a preocupação de outros museus científicos sobre suas coleções. Durante a reunião em Natal, curadores concordaram que o ponto fraco desses locais é a rede elétrica, que em geral é velha e não está preparada para funcionar ao lado de milhares de vidros cheios de álcool.
A diretora do Museu Nacional, que fica no Rio de Janeiro, alertou para o fato das pessoas que trabalham nos acervos não estarem treinadas para lidar com incêndios. "Eu mesma não sei usar um extintor", afirmou.
Fonte: Iberê Thenório/ G1
30 julho, 2010 - 18:39h
Enquanto olhos do mundo todo se voltam para o derramamento de petróleo no Golfo do México, uma lenta "poluição" invade silenciosamente ambientes costeiros. São diversos seres, entre eles algas, crustáceos e moluscos, carregados na água dos porões dos navios e que podem causar desastres ambientais quando chegam em portos estrangeiros, onde muitas vezes não encontram predadores naturais e se alastram.
Durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em Natal, cientistas que estudam o mar explicaram que ainda não há solução definitiva para esse problema, e que o Brasil tem vários exemplos de animais que já causaram transtornos ambientais.
A água, em geral captada nos portos onde os navios saem, é utilizada pelas embarcações para dar equilíbrio quando a viagem é feita sem carga. Ao chegar ao porto de destino, a chamada "água de lastro" é liberada, causando uma migração involuntária de milhões de seres vivos.
"O mundo inteiro está preocupado com esse problema, e ainda não há nenhum método eficaz para combatê-lo", afirma a bióloga Rosa Luz de Souza , pesquisadora de Universidade Federal Fluminense (UFF) e organizadora do livro "Água de lastro e bioinvasão".
Segundo a bióloga, um dos piores exemplos de espécie exótica que se alastrou pelo Brasil foi o mexilhão dourado. Ele veio da Ásia nos porões dos navios e se tornou uma praga nos rios brasileiros, chegando até o Pantanal. O animal se espalhou com tanto vigor que agora causa problema para as usinas hidrelétricas, pois se incrusta nos equipamentos e atrapalha a passagem da água.
O cientista Marco Cutrim, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explica que os pesquisadores têm dificuldade para criar mecanismos que controlem esses seres depois que eles foram soltos na natureza, e aponta que faltam pesquisas sobre a biologia marinha. "No Nordeste no Norte nós não conhecemos nem a nossa biota [conjunto de seres que habitam um ambiente]."
Troca de água - No Brasil, a Marinha exige a troca da água de lastro em mar aberto antes que os navios cheguem aos portos. Há também normas específicas para o Rio Amazonas, para que embarcações não soltem água salgada em portos fluviais.
Segundo Flávio da Costa Fernando, pesquisador do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, ligado à Marinha, a substituição da água resolve parte do problema, mas não é totalmente eficaz, já que os navios não foram construídos para isso, e microorganismos invasores podem permanecer nos porões durante a troca.
O pesquisador explica que já foram feitas experiências com substâncias químicas para tratar a água, mas esses elementos podem matar os organismos nativos dos portos quando a água for desembarcada.
Convenção internacional - A grande esperança, segundo ele, é a implantação da Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios. Aprovada pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) em 2004, ela não foi posta em prática ainda porque precisa da assinatura de 30 países, mas até agora conseguiu aprovação de 26, entre eles o Brasil.
"A convenção exige uma densidade máxima de organismos [na água de lastro]", informa Fernandes. Segundo o pesquisador, para eliminar os seres vivos estão sendo desenvolvidos sistemas de tratamento, que ainda passarão pela aprovação da IMO.
Fonte: Iberê Thenório/ G1
30 julho, 2010 - 18:35h
O poderoso terremoto que sacudiu o Chile em fevereiro passado liberou a maior parte da tensão acumulada durante cerca de 200 anos ao longo da falha onde duas placas tectônicas colidiram. Isso torna muito improvável que um novo tremor de intensidade similar ocorra, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (29) na revista Science.
Cientistas chilenos, alemães e franceses, chefiados pelo geólogo Marcelo Farías, da Universidade do Chile, chegaram a esta conclusão após medir quanto se levantou ou deprimiu o terreno em 24 locais ao longo da costa chilena e em nove locais terra adentro.
Ele descobriram que o terremoto de magnitude 8,8 empurrou cerca de 1,5 metros sobre a costa, causando o afundamento de áreas interiores e moveu a linha da costa para o mar, segundo o estudo.
O terremoto de fevereiro foi o quinto mais forte desde que se mede a intensidade destes fenômenos.
Ele provocou uma tsunami que arrasou cidades inteiras e matou 521 pessoas. Calcula-se que os danos que provocou tenham chegado aos US$ 30 bilhões.
Fonte: Folha.com
30 julho, 2010 - 18:33h
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu mais 30 dias para que a administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) comece a apresentar os estudos ambientais para regularização ambiental dos terminais que, no começo de julho, foram fechados pelo órgão ambiental e reabertos por decisão judicial.
Em acordo assinado nesta quinta-feira (29), o órgão estadual que administra os portos se comprometeu a entregar o Plano de Emergência Individual em 30 dias, o Relatório de Controle Ambiental e o Plano de Controle Ambiental em 90 dias, e a Avaliação Ambiental Integrada em 18 meses. A licença de operação para os portos só será concedida se a Appa cumprir os prazos e as condições do acordo.
O termo de compromisso foi assinado pelo presidente do Ibama, Abelardo Bayma, e o superintendente da Appa, Mário Lobo Filho.
No dia 8 de julho, o Ibama fechou o Porto de Paranaguá, o segundo maior do país, por "flagrante descumprimento" da legislação ambiental. O embargo afetou a operação de pelo menos 84 navios, e foi revertido no dia seguinte por uma liminar da Justiça Federal.
Segundo o Ibama, o acordo desta quinta-feira seguiu a decisão judicial, que previa a assinatura de um termo de compromisso em 30 dias.
Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil
30 julho, 2010 - 18:31h
Ao sul de Lima, nos desertos de Sacaco e Ocucaje, fósseis tão estranhos como cartilagens de tubarão, barbas de baleias, penas e escamas florescem após terem permanecido milhões de anos aprisionados entre os sedimentos.
Estas áreas áridas da região de Ica (200 quilômetros ao sul de Lima) são as jazidas fósseis de vertebrados marítimos do Mioceno (entre 23 e 5 milhões de anos de antiguidade) mais ricas do mundo, assegura à Agência Efe o paleontólogo peruano Rodolfo Salas em seu laboratório no Museu de História Natural da capital peruana.
Os amantes da paleontologia têm perante si todo um universo de fósseis raros, incrustados em rochas que contam a evolução de organismos ao longo de um período que remonta em alguns casos a até 40 milhões de anos atrás.
"Ocucaje não é um ‘parque jurássico', é miocénico e cenozóico, mas não por isso menos interessante ou espetacular", afirma Salas, convencido de que o lugar ainda esconde "joias" únicas no mundo.
Entre os restos que já estão catalogados e expostos no museu, destacam-se as mandíbulas e vértebras de cartilagem fossilizadas de um tubarão "muito lindo", porque normalmente só se recuperam seus dentes e seu tecido se deteriora com facilidade, como explica o pesquisador.
Um caso controvertido foi o dos golfinhos com aparência de morsa, que fez os especialistas enfrentarem toda uma "crise de identidade animal": eles encontraram um ser que tinha a anatomia de um golfinho e características de morsa, com presas muito longas, um focinho muito curto e fossas nasais na parte dianteira.
Segundo Salas, este exemplar único foi encontrado nos anos 90 em Sacaco, o mesmo deserto onde também se conservaram penas e escamas, e inclusive carapaças e cascos de tartarugas vinculadas à tartaruga-caixão, um animal enorme.
Estes répteis têm um esqueleto que se solta logo após a morte, por isso não costumam fossilizar, salvo nestas áreas de propriedades tão particulares, explica Salas.
Ambiente superficial - Na opinião do paleontólogo, que trabalhou na região durante 15 anos, o segredo da boa conservação dos fósseis está no ambiente marinho "muito superficial e de águas quentes" no qual viveram aqueles seres, onde não havia muito oxigênio e as partes moles apodreciam lentamente.
Com o tempo, os animais foram conservados sem "perturbações" e quando o mar retrocedeu muitos sedimentos se acumularam sobre as rochas até formar um deserto, em que os paleontólogos lutam para proteger os restos das mudanças de temperatura, dos ventos e da erosão.
Ao longo dos 50 quilômetros de sua parte mais extensa, Ocucaje oferece aos amantes da paleontologia a possibilidade de resgatar seres como uma preguiça aquática, um animal terrestre incomum que "preferiu" viver na água durante um tempo para se alimentar de algas marinhas.
Há semanas o pesquisador publicou junto a outros cientistas um estudo na revista "Nature" sobre o fóssil do "Leviathan melvillei", antecessor das baleias modernas e considerado o maior depredador marinho que percorreu os oceanos há 12 milhões de anos.
No entanto se a ideia é só observar os restos como torcedor, algumas agências de turismo organizam visitas ao deserto de Ocucaje, indica à Efe o diretor de Patrimônio do Instituto Nacional em Ica, Rubén García.
No entanto, adverte, por enquanto a falta de orçamento impede que sejam levados a cabo projetos para valorizar Ocucaje, onde, além disso, há carência do controle e vigilância necessário em uma zona bastante extensa, de difícil acesso e com risco de ser depredada.
A alternativa? Visitar, embora seja na cidade de Lima e em frente às vitrines do Museu de História Natural, os raros fósseis dos desertos do sul peruano.
Fonte: Folha.com
30 julho, 2010 - 18:28h
A pesquisa precisa usar cada vez menos bichos em experimentos, mas nunca será possível abrir mão completamente dos animais no meio científico. Essa é a avaliação do médico Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que falou sobre o tema durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em Natal.
"Vai ser muito difícil, quase impossível [não usar animais em pesquisas]. Quando testamos um medicamento que pode curar uma célula de câncer, é possível fazer um frasquinho com uma célula cancerígena, tratar e ver. Mas será que quando injetado no rato, no camundongo, no ser humano, no porco, no macaco, não vai matar o organismo inteiro?", questionou.
Morales foi um dos grandes incentivadores da Lei Arouca, regulamentada há um ano, que estabelece regras para o uso de animais em pesquisa no Brasil. Apesar de julgar importante utilizar cobaias, ele se considera um ativista em prol dos bichos. "Eu lutei para que fosse criada uma lei que protegesse os animais."
Segundo o cientista, que é membro do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea), a Lei Arouca ainda não foi completamente implantada, pois ainda falta definir qual órgão federal fará a fiscalização do uso de animais em pesquisa, além de ser necessário criar um cadastro das instituições que conduzem esses estudos.
O médico defende, também, que sejam financiadas novas pesquisas para métodos alternativos ao uso de bichos durante os testes. "Ainda há poucos laboratórios que fazem. No exterior, isso é mais avançado."
Conscientização - Depois de conseguir aprovar a lei, pesquisadores agora se esforçam para mostrar às pessoas que precisam usar animais para fazer ciência. "Quando falo que sou pesquisador, cientista, a primeira coisa que vem na cabeça das pessoas é que eu mato ratinhos", diz Morales.
Recentemente, um grupo de acadêmicos, entre eles a SBPC e a Associação Brasileira de Ciências (ABC) conseguiu apoio do governo federal para veicular um comercial de TV dizendo que "hoje, quase todos os medicamentos (..) são resultado de pesquisa com animais de laboratório".
De acordo com o cientista, haverá também campanha nas escolas públicas de ensino médio, com cartilhas e cartazes. "Isso vai incitar o aluno à discussão", defende.
Fonte: Iberê Thenório/ G1
30 julho, 2010 - 18:24h
A extração de madeira e outros produtos da floresta como óleos, sementes e cipós é uma fonte de renda para ribeirinhos, indígenas, quilombolas e agricultores familiares, mas para que a atividade ganhe impulso, há a necessidade de se adequar e criar normas que regulam o manejo.
Foi com o intuito de buscar formas para facilitar o manejo florestal em unidades de conservação e assentamentos que a Comissão de Gestão de Florestas Públicas (CGFLOP), que reúne 23 integrantes do governo, movimentos sociais, setor privado e organizações da sociedade civil, fez uma reunião extraordinária na quarta-feira (28), em Brasília.
"A sociedade exige hoje que as normas sejam simples, transparentes e menos burocratizadas e que os órgãos sejam capazes de atender às demandas dos comunitários em relação ao manejo florestal", diz o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Antônio Carlos Hummel. "Os balcões dos órgãos públicos não podem se transformar em barreiras burocráticas que não ajudem a manter a floresta em pé", afirma.
A importância dos assuntos em discussão se refletiu no número de participantes, cerca de 50 pessoas, o dobro da quantidade média de integrantes e ouvintes presentes. "Esta reunião foi um ponto de referência para consolidarmos políticas públicas eficazes para a implantação do manejo florestal comunitário", diz Hummel.
Entre as questões que requerem debate estão as parcerias entre agricultores familiares da reforma agrária e empresas voltadas à extração de produtos madeireiros dentro de assentamentos, e as regras sobre o uso das unidades de conservação, a exemplo de reservas extrativistas, florestas nacionais e reservas de desenvolvimento sustentável por essas comunidades.
Os dois temas serão objeto de encaminhamentos da CGFLOP aos órgãos que tratam diretamente do assunto. "A revisão [da Instrução Normativa que trata de manejo em assentamentos] é extremamente necessária e oportuna e pode gerar um instrumento mais qualificado para lidar com um processo extremamente delicado", diz o representante do Grupo de Trabalho Amazônico e do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e para o Desenvolvimento, Rubens Gomes.
Médio Juruá - O manejo florestal bem estruturado é capaz de dar outra perspectiva a comunidades na Amazônia. Os moradores da Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas, produzem óleo de copaíba, borracha e farinha de mandioca dentro da unidade de conservação, e os vendem diretamente para os clientes, sem atravessadores, o que melhorou as condições da comunidade.
O fato de estar dentro de unidade de conservação e de cuidar do próprio negócio fez a diferença para quem conheceu outra realidade na extração de borracha. "O sistema que a gente vivia era de escravidão, ninguém tinha a corrente no pé, mas ela estava de forma invisível", diz o presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Manoel Silva da Cunha. "A gente não podia avançar no processo produtivo porque você era limitado a produzir aquilo e vender para aquela pessoa, que pagava o preço que queria."
Cunha diz que hoje a situação é diferente. "A gente só conseguiu melhorar a qualidade de vida a partir desse espaço da gestão e do empoderamento no processo da cadeia produtiva", diz.
Fonte: MMA
30 julho, 2010 - 18:21h
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução afirmando o direito universal à água e ao saneamento, porém mais de 40 países se abstiveram, dizendo que o tema não está contemplado no direito internacional.
Cerca de 884 milhões de pessoas carecem de acesso à água potável no planeta, mais de 2,6 bilhões não têm saneamento básico, e cerca de 1,5 milhão de crianças menores de 5 anos morrem a cada ano por causa de doenças vinculadas à água e ao saneamento, segundo países patrocinadores da resolução.
A medida, que foi apresentada pela Bolívia e não é de cumprimento obrigatório, diz que o direito à água potável e ao saneamento é "um direito humano essencial ao pleno desfrute da vida e de todos os direitos humanos."
E, numa cláusula que parece lançar sobre os países ricos o ônus de corrigir a situação, o texto pede aos governos e organizações internacionais que "intensifiquem os esforços" para fornecer água potável e saneamento a todos.
A resolução foi aprovada por 122 votos a favor, nenhum contra e 41 abstenções, principalmente de países desenvolvidos.
Consultora - Os países que se abstiveram alegaram que uma especialista independente, a advogada portuguesa Catarina de Albuquerque, deve apresentar no ano que vem ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, as obrigações dos países a respeito de água e saneamento.
Eles acusaram os patrocinadores da resolução de tentarem esvaziar as conclusões da especialista.
John Sammis, representante dos EUA, disse que a resolução "fica aquém de obter o apoio unânime dos Estados membros e pode até prejudicar o trabalho em andamento em Genebra." Ele disse que a apresentação da resolução foi precipitada.
A delegada britânica Nicola Freedman afirmou que Londres "não acredita que exista no momento suficiente base legal sob o direito internacional para declarar ou reconhecer a água ou o saneamento como direitos humanos à parte."
Já a entidade norte-americana Food & Water Watch qualificou a resolução como histórica. "É hora de chegar ao consenso de que os pobres do mundo merecem o reconhecimento desse direito humano, sem mais demora ou equívoco", disse o grupo em nota na qual acusou os EUA de "obstruírem o reconhecimento do direito humano à água."
Fonte: Folha.com