Longo percurso rumo às metas de conservação
Enviar comentário 23 julho, 2010 - 09:38h
Na Convenção sobre Diversidade Biológica, o Brasil assumiu o compromisso de proteger em unidades de conservação (UCs) 30% da Amazônia e 10% de cada um dos outros biomas – Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Pampa. Para a Mata Atlântica, outro objetivo é não desmatar mais nenhuma área remanescente.
Por ser o detentor da maior biodiversidade do mundo, o Brasil possui uma responsabilidade especial e experimenta diariamente o desafio da conservação e do uso sustentável deste legado.
No bioma Mata Atlântica, até junho de 2010, foram criadas quatro novas unidades de conservação e uma já existente teve sua extensão ampliada. Ao todo, a Mata Atlântica teve um aumento de cerca de 65 mil hectares em unidades de conservação, só no estado da Bahia. Porém, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA), de 30 de junho de 2010, isso representa apenas 0,06% do total do bioma incluído em unidades de conservação. Com esse número, o Brasil chega aos 9,0%, mas continua abaixo da meta estabelecida.
As áreas criadas em junho, todas na Bahia, foram o Refúgio de Vida Silvestre Boa Nova e o Parque Nacional de Boa Nova, localizados entre os municípios de Boa Nova, Dario Meira e Manuel Vitório, região centro-sul; o Parque Nacional Serra das Lontras, que abrange os municípios de Una e Arataca, no sul do estado; o Parque Nacional Alto do Cariri, na região de Guaratinga, também no sul; além da ampliação em pouco mais de 7 mil hectares do Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro.
Apenas para a porção baiana da Mata Atlântica, isso representa um aumento de cerca de 60% de Mata Atlântica protegida em unidades de conservação integral, e um aumento de 5% no total de unidades de conservação. É uma iniciativa do governo estadual, que coloca a Bahia como o estado que mais protegeu o bioma no ano de 2010, até o momento.
Mesmo com esses avanços, para o coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica e membro do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), Renato Cunha, as metas da CDB ainda estão longe de serem alcançadas. “A criação do sistema contribuiu para isso, inclusive com a criação de unidades de conservação integral. Mas ainda há muito o que fazer. Na Bahia, por exemplo, existem muitas Áreas de Preservação Ambiental (APAs), mas elas não entram nas estatísticas para atingir a meta”, afirmou.
Fonte: http://www.agrosoft.org.br