Arquivos para fevereiro, 2010
19 fevereiro, 2010 - 15:56h
Astrônomos que há muito tempo utilizam as supernovas como marcos históricos cósmicos para ajudar a medir a expansão do universo, têm agora uma resposta à pergunta sobre o que provoca essas explosões massivas, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista "Nature".
As supernovas, estrelas que explodem no fim de suas vidas, "são objetos cruciais para compreender o universo", explicou o principal autor do estudo, Marat Gilfanov, do Instituto Astrofísico Max Planck da Alemanha, durante a apresentação da pesquisa realizada por sua equipe.
"O fato de não conhecermos seu funcionamento era um aborrecimento. Agora começamos a compreender o que acende o pavio que provoca essas explosões", disse.
Segundo a maioria dos cientistas, algumas supernovas, conhecidas como as de tipo 1a, se formam quando uma anã branca - o coração degenerado de uma estrela vermelha gigante - fica instável após superar sua massa máxima.
Motivos - A instabilidade pode ser resultado da fusão de duas anãs brancas ou do "acréscimo", um processo pelo qual a gravidade de uma estrela absorve uma parte da matéria da outra.
Graças ao telescópio espacial norte-americano Chandra X-Ray Observatory da Nasa, Marat Gilfanov e seus amigos estudaram as supernovas de cinco galáxias elípticas, assim como a da região central da galáxia Andrômeda.
"Nossos resultados permitem pensar que quase todas as supernovas das galáxias que temos estudado são resultados de fusões de duas anãs brancas", destaca Akos Bogdan, do Instituto Max Planck, co-autor do estudo.
"Se as supernovas fossem produzidas por acréscimo, as galáxias seriam cerca de 50 vezes mais brilhantes sob o efeito dos raios-x, que é o que na realidade observamos", acrescentou.
Serão necessários mais estudos para determinar se a fusão é também a primeira causa do surgimento das supernovas em galáxias espirais.
Fonte: Folha Online
19 fevereiro, 2010 - 15:54h
A descoberta de Plutão completa 80 anos nesta quinta-feira (18) sem que os cientistas tenham descoberto exatamente o que ele é. Até 2006, Plutão era considerado um planeta, assim como os outros oito do Sistema Solar, mas naquele ano a IAU (União Astronômica Internacional) o "rebaixou" para a categoria de "planeta-anão", já que ele era um "estranho no ninho".
Até hoje os cientistas não têm muita certeza a respeito do que Plutão é formado e quais são suas origens. O "ex-planeta" também tem uma órbita esquisita na comparação com os demais, em um ângulo diferente em relação ao Sol.
Desde a decisão da IAU, há muitas campanhas propondo uma espécie de "tapetão" para fazer com que ele volte a ser planeta, mas não há indicação de que isso possa acontecer tão cedo.
Plutão foi descoberto em 18 de fevereiro de 1930 pelo astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, que morreu em 1997. Ele achou o planeta anão ao analisar imagens do céu produzidas pelo Observatório Lowell, que fica no Arizona (EUA). Ao ver fotos feitas em duas noites de janeiro daquele ano, ele identificou o corpo se mexendo de modo diferente das estrelas ao fundo.
A descoberta foi anunciada em 13 de março de 1930, dia do nascimento de Percival Lowell, astrônomo que também fez buscas por um novo planeta no Sistema Solar, mas não viveu o suficiente para fazer a descoberta.
A classificação de Plutão foi muito debatida durante anos, mas o desenvolvimento de telescópios mais potentes permitiu a descoberta de corpos celestes parecidos com Plutão - com isso, ou os astrônomos reconheciam a existência de outros planetas ou rebaixavam o nono do Sistema Solar. A IAU optou pela segunda opção.
Um dos "algozes" de Plutão foi Eris, um planeta-anão localizado no cinturão de Kuiper, uma zona que fica além de Netuno, abriga milhares de corpos celestes e é berço de alguns cometas - o "ex-planeta" também fica nessa área. Eris é maior que Plutão, o que deu fôlego para a discussão sobre o rebaixamento do planeta.
Apesar de ter perdido status, Plutão ainda é interessante do ponto de vista científico. A sonda New Horizons, da Nasa (agência espacial dos EUA), deve chegar ao local em 2015 para fazer imagens mais próximas. No começo deste mês a agência divulgou um estudo que revela detalhes das mudanças que aconteceram em Plutão nos últimos anos: o "ex-planeta" está mais avermelhado, com mais brilho em seu hemisfério Norte e com o Sul mais escuro.
Fonte: Portal R7
19 fevereiro, 2010 - 15:53h
Uma aurora boreal coloriu o céu do fiorde Grotfjord, norte da Noruega, nesta quinta-feira (18).
O fenômento é um processo óptico em que se vê um brilho no céu noturno em região próxima de zonas polares.
A aurora acontece com o impacto de partículas de vento solar com a atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético do planeta.
Quando a aurora ocorre no hemisfério norte, é chamada boreal; quando no hemisfério sul, de austral.
Em setembro, outra imagem de aurora polar boreal, mas no Canadá, foi divulgada pelo projeto Twan (O Mundo à Noite, na sigla em inglês).
Fonte: Folha Online
19 fevereiro, 2010 - 15:47h
A inesperada renúncia de Yvo de Boer como principal responsável da ONU para a Mudança Climática representou um forte revés para as negociações sobre a redução das emissões de gases poluentes, em um momento em que, após o fracasso da cúpula de Copenhague, as esperanças estão postas na reunião de Cancún.
"Foi uma decisão difícil, mas acho que chegou o momento de assumir um novo desafio, trabalhando sobre o clima e a sustentabilidade no setor privado e acadêmico", explicou De Boer por meio de um comunicado nesta quinta-feira (18).
Em princípio, seu cargo não expirava até setembro e ele não tinha dado sinais de que não estivesse disposto a permanecer.
O secretário-executivo afirmou que a partir de julho trabalhará como assessor para a empresa de consultoria alemã KPMG e para algumas universidades.
"Sempre defendi que, embora os governos devam apresentar o marco político necessário, as soluções reais devem provir das empresas", disse em comunicado.
Antes de sua escolha como secretário-executivo da Convenção da ONU para a Mudança Climática, De Boer tinha trabalhado nas políticas ambientais da União Europeia como diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente holandês.
Também foi vice-presidente da Comissão da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, onde foi assessor do Governo chinês e do Banco Mundial e trabalhou muito perto do Conselho Mundial Empresarial de Desenvolvimento Sustentável.
Em seu comunicado de despedida, De Boer evita toda crítica ao processo de negociações. Pelo contrário, ele ressalta que, embora não se tenha conseguido na cúpula de Copenhague um compromisso vinculativo, houve uma clara aposta política para um mundo com poucas emissões.
"Copenhague não nos deu um claro acordo em termos legais, mas o compromisso político de buscar um mundo de baixas emissões é irreversível. Isso exige novas cooperações com o setor empresarial e eu devo ajudar nisso", acrescentou.
No entanto, é praticamente impossível não associar sua retirada ao fracasso da cúpula, na qual De Boer ficou relegado a um segundo plano no conflito entre China e Estados Unidos, países que mais obstáculos impuseram.
Fracasso? - De Boer tinha apostado em um acordo ambicioso, mas conseguiu apenas a vontade de continuar negociando e alguns sucessos pontuais.
Entre estes modestos resultados, está o compromisso de a comunidade internacional limitar o aquecimento global a 2ºC com relação aos níveis pré-industriais. No entanto, não há um claro objetivo de redução das emissões.
O acordo de Copenhague estabeleceu, além disso, um fundo total de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para os países mais vulneráveis a enfrentar os efeitos da mudança climática, e de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para redução das emissões e adaptação.
Por enquanto, no entanto, os países ainda não definiram como, quanto e quando devem destinar suas respectivas verbas.
Há cerca de um mês, De Boer pediu aos países industrializados a reservar suas respectivas verbas orçamentárias para este fim, destacou a Comissão Europeia.
O secretário-executivo prometeu hoje que, até abandonar o cargo, continuará com os preparativos para a próxima cúpula de Cancún, no México, no final de novembro, reunião que será precedida por uma conferência ministerial em Bonn (Alemanha) no final de maio.
O fato de que restem apenas cinco meses a seu sucessor para dar impulso final às negociações não aumenta precisamente as expectativas para Cancún. Antes mesmo de começar, a cúpula já tem poucas promessas de êxito, a julgar pelo próprio De Boer, que recentemente previu poucas chances de um tratado vinculativo.
Fonte: Folha Online
19 fevereiro, 2010 - 12:22h
Pesquisadores do Cria, da USP e do Inpe concluem projeto de desenvolvimento do openModeller, ambiente computacional que permite modelar a distribuição de espécies biológicas em diferentes cenários
Depois de quatro anos de trabalho, um grupo de cientistas brasileiros concluiu o desenvolvimento de um ambiente computacional que, por meio de softwares livres de código aberto, permite modelar e estudar a distribuição de espécies biológicas em diferentes cenários.
Denominado openModeller, a novidade foi desenvolvida pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP. O trabalho foi feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com Vanderlei Perez Canhos, coordenador do Temático e diretor-presidente do Cria, o openModeller foi concebido inicialmente para facilitar o acesso aos dados da rede Species Link – um sistema distribuído de informação que integra, em tempo real, dados primários de coleções científicas e conta com cerca de 180 coleções e 3,5 milhões de registros.
O Species Link foi desenvolvido pelo Cria entre 2001 e 2005, no âmbito do Biota-FAPESP, e se comunica com outras redes do Programa, como o Sistema de Informação Ambiental (SinBiota). Isso permite que o openModeller realize modelagens integrando o conjunto de dados disponíveis em diferentes redes.
“É um ambiente computacional de acesso gratuito, com interface amigável, que possibilita a modelagem da distribuição de espécies e dados ambientais com uso de diferentes algoritmos, projetando os modelos em diversos cenários e utilizando diferentes plataformas”, disse Canhos à Agência FAPESP.
O conceito por trás do openModeller é a disponibilização de um ambiente computacional que permita selecionar diferentes camadas de dados e algoritmos e, por meio desse ambiente, obter acesso a mecanismos capazes de analisar dados antes e depois do processamento. “A partir daí, podemos construir modelos e visualizá-los em uma escala espacial”, explicou.
Os resultados do projeto, incluindo todos os detalhes do desenvolvimento do openModeller, foram publicados em agosto de 2009 na revista GeoInformatica, em artigo de autoria de pesquisadores do Cria e de parceiros internacionais. O projeto temático foi concluído no início de fevereiro de 2010.
Segundo Canhos, a modelagem de distribuição potencial consiste em definir os pré-requisitos ecológicos fundamentais para a ocorrência de uma espécie, extrapolando-os para uma região geográfica. Os dados sobre ocorrências de espécies são fundamentais não só para construir cenários voltados para a conservação da biodiversidade, mas também para desenhar estratégias para o controle de doenças infecciosas, por exemplo.
“Se quisermos analisar como se espalha a leishmaniose em função da perda de cobertura vegetal, precisamos de dados de ocorrência do vetor e do hospedeiro, além de dados abióticos como pluviosidade e mudanças climáticas. A partir daí, é preciso que toda essa infraestrutura de dados possa ser acessada de forma transparente, com ferramentas que permitam sua visualização e análise. Essa é a proposta do openModeller”, disse.
Além de indicar estratégias para a conservação da biodiversidade – apontando áreas prioritárias com ocorrência de espécies raras, por exemplo – e de controle de doenças infecciosas, a modelagem pode ser útil também para previsão de impactos das mudanças climáticas globais e das atividades humanas sobre a biodiversidade e para a prevenção e controle de espécies invasoras.
De acordo com Canhos, enquanto o Cria contribuiu com a experiência no desenvolvimento de sistemas on-line e na concepção da infraestrutura computacional, o Inpe trabalhou no desenvolvimento das camadas de dados ambientais e na integração do openModeller ao sistema TerraLib – tecnologia que pode ser usada para acessar e armazenar dados geoespaciais.
Já a Escola Politécnica (Poli) da USP atendeu à demanda de construção simultânea de modelos para várias espécies com uso de diferentes camadas ambientais e contribuiu com tecnologia adaptativa, computação paralela e desenvolvimento de algoritmos.
“O ambiente computacional que desenvolvemos tem uma computação muito pesada. Foi preciso comprar um cluster de computadores de alto desempenho, que ficou alocado na Poli”, disse Canhos.
Species Link
O diretor-presidente do Cria destaca que, além do desenvolvimento do ambiente computacional, o projeto gerou grande retorno acadêmico, envolvendo expressivo número de pós-graduandos tanto na USP como no Inpe. O projeto gerou, até o momento, 12 artigos científicos e 49 apresentações em conferências.
“Tivemos nove doutorandos, cinco mestrandos e sete estudantes de graduação, além de seis bolsistas de treinamento técnico envolvidos com o projeto. Muitos pesquisadores do Cria, da Poli e do Inpe também tiveram envolvimento direto. O resultado é que o projeto rendeu um programa de capacitação muito abrangente, gerando várias teses e dissertações”, disse.
O projeto do openModeller nasceu no contexto da contínua expansão da rede Species Link. “Concluída em novembro de 2005, a rede continuou evoluindo e aumentando não apenas no número de provedores, mas também na melhor qualidade de dados. Quando concluímos o projeto, a rede contava com 700 mil registros de cerca de 40 coleções biológicas brasileiras. Agora, temos cerca de 3,5 milhões de registros em 180 coleções”, disse.
A rede Species Link é fundamentada na concepção de acesso livre e aberto. O openModeller herdou essa premissa e, além disso, roda em sistemas operacionais Linux, Windows e Mac OS.
“Tudo foi desenvolvido em código aberto: os algoritmos e as ferramentas para verificar qualidade dos dados, integrá-los e visualizá-los. Tudo está disponível para que o usuário possa modificar da maneira que lhe for mais conveniente. Essa estratégia foi muito importante para que pudéssemos contar com a colaboração de especialistas estrangeiros, além do pessoal do Cria, da Poli e do Inpe”, explicou.
Agora que o projeto foi concluído, de acordo com Canhos, o Cria continuará focado em trabalhos relacionados à infraestrutura de dados. “Apesar da grande quantidade de coleções incluída no Species Link, essa dimensão ainda é minúscula em relação à megadiversidade brasileira. Essa infraestrutura ainda deverá crescer muito, com o desenvolvimento de várias sub-redes temáticas, como na área de coleções zoológicas”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
19 fevereiro, 2010 - 12:12h
Os produtores independentes de petróleo da Bahia passarão a contar com uma nova refinaria para entregar seu produto a partir de abril deste ano. Com investimentos de R$ 20 milhões, a Dax Oil, empresa fabricante de solventes, vai entrar na área de refino, com expectativa de processar em média 2,5 mil barris por dia.
Segundo um dos sócios do projeto, Cyro Valentini, esse volume nem sequer é produzido atualmente no recôncavo baiano, apesar de haver capacidade produtiva para isso nos campos exploratórios sob concessão na região. “Os investidores nos pequenos campos de produção andaram um pouco desanimados com as dificuldades de venda de seu petróleo e acabaram reduzindo o ritmo. Acreditamos que, com a nossa entrada no mercado, esse cenário deve mudar”, disse.
Junto com a refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e da Univen, em Itupeva (SP), a Dax Oil será a terceira refinaria privada existente no Brasil, num mercado dominado pela Petrobras com suas 14 unidades. “Não há a menor intenção de chegar perto de uma concorrência, mas agregar valor ao nosso produto e atender a uma parte do mercado industrial local”, disse Valentini.
Segundo ele, dos 2,5 mil barris processados, 50% serão destinados a produzir um tipo de óleo combustível usado nas indústrias. Outros 30% serão usados para fabricar um subproduto entre o querosene e o diesel, também usado na indústria. E ainda serão usados 20% para a fabricação da nafta destinada ao solvente. Hoje a Dax produz em média 1,5 milhão de litros de solvente por dia.
Fonte: Gazeta do Povo
19 fevereiro, 2010 - 11:59h
Ofensiva serve para recuperar a economia norte-americana, mas Brasil pode ter mais dificuldade no acesso a mercados importantes, como o chinês e o russo.
Os Estados Unidos anunciaram ontem o que promete ser a maior ofensiva do país no comércio internacional do agronegócio. Em cinco anos, o governo norte-americano quer dobrar as exportações do setor, que devem alcançar US$ 100 bilhões neste ano. A meta foi apresentada na abertura do Agricultural Outlook Forum 2010, em Arlington, cidade nos arredores de Washington que tradicionalmente é sede do evento organizado pela Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês). Caso se concretize, ela ameaça o desempenho das exportações agrícolas do Brasil, que no ano passado atingiram US$ 64 bilhões. O Paraná, maior produtor nacional de grãos, também sentirá com força os efeitos do avanço da agricultura dos EUA.
“Essa é a hora de fortalecer o comércio global de commodities agrícolas”,
afirmou o analista do USDA Jim Miller, durante a cerimônia de abertura da conferência. “As estatísticas da agricultura norte-americana preocupam. A ‘América Rural’ representa apenas um sexto da população do país, mas é o setor que mantém a nação unida. Precisamos fortalecer o agronegócio através da abertura de novos mercados dentro e fora do país”, disse Tom Vilsack, secretário de Agricultura dos EUA. Sem maiores detalhes, o secretário deixou claro que para atingir a meta o país não deve medir esforços, inclusive com o aumento dos subsídios ao segmento.
Outra estratégia norte-americana para ampliar a participação no mercado mundial será intensificar os acordos bilaterais com os países onde cresce o consumo, como a China. Responsável por 54% do comércio global do complexo soja, o país asiático é a principal aposta norte-americana para alavancar as exportações do setor. Os chineses, vale lembrar, compram atualmente metade das exportações brasileiras do grão. Os EUA também querem participar do mercado de valor agregado. Um exemplo é a exportação de carne suína para Rússia, onde fatalmente fica estabelecida outra disputa com o Brasil.
Discurso diferente
A mudança no discurso em relação aos subsídios se justifica no esforço do governo pela recuperação econômica, abalada com a crise financeira deflagrada no segundo semestre de 2008. No ano passado o presidente Barack Obama tentou, sem sucesso, cortar progressivamente parte da ajuda do governo à agricultura. A proposta gerou polêmica e foi barrada no Congresso, onde o agronegócio sustenta um dos maiores lobbies. Agora, o novo posicionamento vai mexer com o mercado e com as relações internacionais, avaliam os analistas brasileiros que participam do Outlook 2010.
A ousadia preocupa o Brasil, que busca mais espaço para sua crescente produção. “Não vai ser fácil para os Estados Unidos dobrarem suas exportações. Não podemos subestimar a capacidade dos norte-americanos, mas é preciso considerar algumas variáveis para que isso possa ocorrer, como estrutura portuária, negociações internacionais e reciprocidade do mercado, além da reação dos outros países exportadores”, diz Thomé Guth, técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que acompanha as discussões do fórum.
Marco Olívio Morato de Oliveira, analista de mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) que está no fórum, reforça que a estratégia dos Estados Unidos na busca de novos mercados vai explorar o tripé da sustentabilidade. “Eles estão se preparando e organizando a base desse processo, que passa pela recuperação do mercado, do produtor à exportação. O projeto é econômico, mas o apelo será o da produção sustentável”, alerta Morato de Oliveira.
O Agriculture Outlook Forum prossegue hoje com as discussões sobre a modernização da economia agrícola da China, o maior comprador mundial de soja.
Fonte: Gazeta do Povo
10 fevereiro, 2010 - 21:03h
Após 15 anos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) divide opiniões, os envolvidos concordam que os resultados aparecem de maneira mais tímida do que era de se esperar. Mas eles também superam obstáculos que vão da burocracia ao desvio de verbas.
"A baía sofre pela posição estratégica, pelo tamanho e pela profundidade", resume José Maria Pugas, presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro (Feperj). "São cinco mil indústrias potencialmente poluidoras, e mais de 70% não têm tratamento de resíduos de qualquer ordem".
São 16 os municípios ao redor da Baía de Guanabara e até há bem pouco tempo todos despejavam resíduos líquidos e sólidos em suas águas, por meio dos rios que nascem no interior do Estado, sobretudo nas áreas industriais da zona Norte e da baixada Fluminense.
De acordo com os órgãos oficiais, a despoluição caminha na proporção dos recursos. As estações de tratamento de esgoto (ETE) de Paquetá, da Ilha do Governador, de Icaraí (Niterói) e da Alegria, no bairro do Caju, operam em toda a capacidade ou de maneira ainda parcial.
Políticos
As objeções feitas aos dados oficiais sobretudo por ambientalistas é que algumas das ETEs foram instaladas no governo Rosinha Garotinho (2003/2007) sem a rede de dutos para conduzir o esgoto à estação.
"A classe política que se apossou do dinheiro para a despoluição da Baía de Guanabara não estava preparada para a missão", diagnostica a vereadora Aspásia Camargo (PV).
Na sua opinião, os políticos não tinham noção da importância econômica e social da baía, por isto "fragmentaram os recursos em ações desorganizadas e desarticuladas –e o resultado foi pífio".
Os recursos a que se refere a vereadora são cerca de US$ 800 milhões da parceria do Estado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Japonês de Cooperação Internacional (JBIC, em inglês).
"Foi um programa de socorro a um Estado falido", disse a vereadora, endossando o que denuncia a Feperj (Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro) sobre a aquisição de viaturas policiais e outros gastos não relacionados com a Baía de Guanabara.
"Para dar uma ideia, nós executamos um trabalho de limpeza do leito da baía, feito com redes desenhadas pelos próprios pescadores, e em um ano já retiramos mais de mil toneladas de lixo", revela Pugas, em referência a todo tipo de material plástico capturado na operação.
O geógrafo Alberto Toledo Resende, coordenador do projeto Baía Limpa da federação, reclama da falta de uma política de governo para a despoluição da Baía de Guanabara, com o monitoramento dos rios e a fiscalização permanente. "Em dez minutos de trabalho, recolhemos 30 quilos de plástico", disse Resende.
Maior obra
A Secretaria do Ambiente afirma que o PDBG representa o maior conjunto de obras de saneamento básico realizado no Rio de Janeiro nos últimos 30 anos.
"As obras de sua primeira fase, contudo, devido às irregularidades, sofreram atrasos e parte foi malfeita. Com a posse do novo governo estadual, tornou-se prioridade o término de sua primeira fase", informa a secretaria.
Dos investimentos de US$ 1,2 bilhão na primeira fase, a secretaria diz que já foram gastos US$ 989,3 milhões.
"Mas ainda há uma série de obras por terminar, como a construção de troncos e redes coletoras de esgotos nas bacias dos rios Alegria, Pavuna e Sarapuí, a implantação de redes de abastecimento de água na baixada Fluminense e a instalação do sistema de tratamento secundário da ETE Alegria", completa a secretaria do Ambiente.
Mais tempo
Tanto quanto a vereadora Aspásia Camargo e o presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro, a secretaria também reconhece que a despoluição da Baía de Guanabara é trabalho para muito mais tempo do que previa originalmente o PDBG.
A diferença é que, do lado de fora da administração estadual, o que se pede é uma política de governo para enfrentar a questão.
"É preciso fazer da despoluição da Baía de Guanabara uma ação conhecida pela sociedade, mostrar na televisão a determinação do governador, do prefeito, criar mastros dentro da água da baía mostrando o quanto se está recuperando, o que está se despoluindo", diz Aspásia.
"A população precisa acompanhar de perto, se sensibilizar com o programa de despoluição", completa ela, reportando ações semelhantes desenvolvidas em países europeus e norte-americanos, apresentadas há algum tempo no Rio.
Fonte: FOLHA ONLINE
10 fevereiro, 2010 - 20:56h
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o da Justiça, Tarso Genro, assinaram nesta terça-feira (9) um projeto de lei que criaria o Fundo de Proteção Ambiental.
Com recursos de multas e de outros fundos (como o de mudança climática e de segurança pública), ele será usado para apoiar polícias estaduais e órgãos ambientais no combate ao desmatamento na Amazônia, cerrado e caatinga.
Minc estima que, por ano, o fundo disponibilize cerca de R$ 500 milhões.
O objetivo, segundo Minc, é aprovar o projeto no Congresso "o mais breve possível" para "institucionalizar" o financiamento a ações de combate ao desmatamento.
O projeto consolida também a Comissão Interministerial aos Crimes e Infrações Ambientais.
Trata-se de um grupo composto por representantes dos ministérios da Justiça e Meio Ambiente, polícias Federal e Rodoviária Federal, Ibama e Instituto Chico Mendes para traçar políticas e planos para aplicação do fundo.
"Como é que podemos ter uma meta oficial com a ONU se não tivermos recursos firmes e forças policiais [para combater o desmatamento]?", questionou Minc.
Fonte: FOLHA ONLINE
10 fevereiro, 2010 - 20:49h
Um tubarão-de-pontas-brancas-de-recife (Triaenodon obesus, também conhecido por tubarão galha branca de recife) é preparado pela veterinária Genevieve Dumonceaux para a primeira ressonância magnética do mundo de um tubarão vivo.
O animal, batizado de Número 3, vive no Aquário da Flórida, em Tampa. O procedimento pioneiro, realizado por sete especialistas, tem o objetivo de pavimentar o caminho para diagnósticos mais precisos de espécies marinhas no futuro.
Número 3 já está há meses gravemente doente, e os veterinários não conseguem determinar a causa. Os resultados do exame ainda estão sendo analisados, mas suspeita-se que ele tenha um objeto em forma de ficha de pôquer alojado em seu esôfago.
A espécie pode medir cerca de 1,5 metro (o galha branca oceânico é bem maior, chegando a cerca de 4,5 metros).
Fonte: G1
10 fevereiro, 2010 - 20:45h
O grafeno parece mesmo decidido a dominar o mundo. Em poucos meses, essa "tela de galinheiro" da era nanotecnológica alcançou a escala industrial, virou padrão de referência da eletrônica e gerou um transístor que supera seus rivais de silício.
Não satisfeito, o grafeno - uma folha de carbono com apenas um átomo de espessura - agora chegou aos dispositivos sólidos emissores de luz, um campo até hoje dominado pelos LEDs tradicionais e pelos LEDs orgânicos (OLEDs).
Papéis luminosos e telas de enrolar - Pesquisadores suecos e norte-americanos conseguiram produzir o primeiro dispositivo emissor de luz orgânico com grafeno - o grafeno substitui um metal raro e caro e de difícil reciclagem.
A invenção, que abre caminho para papéis de parede que se acendem e telas que podem ser enroladas, tudo feito inteiramente de plástico, foi fabricado por cientistas das universidades de Linköping e Umeå, na Suécia, e da Universidade do Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Os OLEDs - LEDs orgânicos, que possuem carbono em sua composição, também chamados de LEDs de plástico - foram recentemente introduzidos comercialmente em celulares, câmeras digitais e TVs super finas.
Um OLED consiste de uma camada de plástico, contendo compostos emissores de luz, colocada entre dois eletrodos, um dos quais deve ser transparente, para que a luz passe.
Apesar de terem vantagens suficientes para já estarem no mercado, os OLEDs têm uma desvantagem - o eletrodo transparente é feito com a liga metálica óxido de estanho-índio. O índio é um metal raro e caro e, além disso é muito difícil de ser reciclado.
LEC - O que os pesquisadores conseguiram agora foi construir uma alternativa aos OLEDs, que eles chamaram de LEC - Light-emitting Electrochemical Cell, células eletroquímicas emissoras de luz.
A nova célula usa um eletrodo de grafeno quase totalmente transparente em substituição ao índio. Por decorrência, o novo componente emissor de luz fica muito mais barato e pode ser facilmente reciclado.
Por usar carbono, o LEC também é orgânico, assemelhando-se mais aos OLEDs do que aos LEDs. OLEC certamente seria uma sigla mais adequada, ainda que é de se esperar que outros pesquisadores questionem a criação de uma categoria nova para os "OLEDs de grafeno".
Iluminação orgânica - "Este é um grande passo no desenvolvimento de componentes orgânicos para iluminação, tanto do ponto de vista tecnológico quanto ambiental. Espera-se que os componentes eletrônicos orgânicos tornem-se extremamente comuns em novas aplicações no futuro, mas isto pode criar problemas sérios de reciclagem. Usando o grafeno, em vez dos eletrodos de metal convencional, os componentes do futuro serão muito mais fáceis de reciclar," diz Nathaniel Robinson, um dos criadores do OLEC.
Pesquisadores de todo o mundo têm tentado substituir o óxido de índio e estanho dos LEDs há anos. O índio está cada vez mais escasso e a liga tem um ciclo de vida complicado. A matéria-prima para os LECs, por outro lado, essencialmente carbono, é inesgotável e pode ser totalmente reciclada.
Impressão de componentes eletrônicos - Todas as partes dos LECs podem ser produzidas a partir de soluções líquidas, como já acontece com os OLEDs, tornando possível fabricá-los também pelo processo industrial contínuo conhecido como roll-to- roll, um processo parecido com a impressão, que torna os componentes individuais muito baratos.
"Isso permitirá a produção de componentes de iluminação inteiramente de plástico, de baixo custo e sob a forma de grandes folhas flexíveis. Esse tipo de iluminação, ou de tela, poderá ser enrolada ou ser aplicada como papel de parede ou nos tetos," diz Ludvig Edman, outro membro da equipe.
No processo de fabricação dos LECs, o grafeno é depositado na forma de uma solução de óxido de grafeno.
Fonte: Site Inovação Tecnológica
10 fevereiro, 2010 - 20:43h
O ônibus espacial Endeavour foi lançado com sucesso na madrugada de segunda-feira (8), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A missão STS-130, de 13 dias, tem como objetivo instalar dois novos módulos na Estação Espacial Internacional (ISS).
Após a instalação, a ISS estará, segundo a agência espacial norte-americana (Nasa), 90% completa. O restante será terminado com as quatro missões restantes do programa do ônibus espacial, que está próximo da aposentadoria - o último vôo do space shuttle está previsto para setembro deste ano.
Os dois módulos foram construídos na Europa. Na atual missão, a tripulação da Endeavour instalará o módulo Node 3 - Tranquility ("tranquilidade"), que fornecerá espaço adicional para os tripulantes da ISS e também para os sistemas de suporte à vida.
Ligado a esse módulo será instalado outro, o Cupola, que consiste em uma estação de controle robotizada com seis janelas nos lados e outra no centro, que permitirá uma visão panorâmica da Terra e de outros objetos no espaço.
De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), o Cupola será usado como um ponto de observação privilegiado para estudar, entre outros, fenômenos atmosféricos que afetam as mudanças climáticas na Terra.
O módulo Tranquility será o centro dos equipamentos de suporte à vida dos tripulantes da ISS, atuando na remoção de dióxido de carbono, na geração de oxigênio e na reciclagem da água. Também tem um banheiro adicional e aparelhos para exercícios físicos.
Segundo a ESA, os dois novos módulos marcam o fim do programa europeu de construção da Estação Espacial Internacional.
Fonte: Agência Fapesp
10 fevereiro, 2010 - 20:41h
A sonda Cassini enviou mais dados que reforçam as suspeitas de que a lua Enceladus, de Saturno, abriga um mar subterrâneo sob o solo gelado, segundo um estudo publicado na revista científica Icarus.
Na última passagem pela Enceladus, a sonda detectou moléculas de água com carga negativa na atmosfera do satélite. Esse seria um forte indício da presença de água já que, na Terra, esses íons são encontrados em lugares onde existe água em movimento, como cachoeiras ou arrebentações de ondas no mar.
Não há ondas em Enceladus, mas o satélite possui uma região de grande atividade perto do seu pólo sul, onde vapor de água e partículas de gelo espirram por rachaduras na superfície.
Anteriormente, já foram identificados hidrocarbonetos carregados positivamente em Enceladus pelo espectrômetro Ion and Neutral Mass Spectrometer (INMS).
Fonte: JB Online
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