Arquivos para setembro, 2009
25 setembro, 2009 - 12:58h
Um grupo de arqueólogos descobriu 2.344 utensílios domésticos do século 19 soterrados em plena cracolândia, a área mais degradada do centro de São Paulo.
Foram encontrados pratos, xícaras, moringas, vasos, potes e até penicos, entre muitos outros objetos, feitos de materiais como porcelana, cerâmica, louça e vidro e que ajudam a contar a história da cidade. A maior parte está despedaçada e será reconstruída.
"Foi uma grande surpresa. Normalmente não passa pela cabeça de um arqueólogo encontrar tantos vestígios tão bem preservados numa cidade como São Paulo", afirma Paulo Bava Camargo, do grupo Zanettini Arqueologia.
Localizada no meio de uma região onde hoje vagueiam viciados em crack - daí o apelido cracolândia -, a quadra em questão é delimitada pelas ruas Timbiras, Andradas, Aurora e General Couto de Magalhães e tem 7.000 metros quadrados. No local funcionou um estacionamento até o ano passado, quando o quarteirão foi desapropriado pelo Estado.
Ali serão erguidas uma escola técnica e a nova sede do Centro Paula Souza (entidade responsável pelas escolas técnicas e pelas faculdades de tecnologia estaduais). O governo de São Paulo quer os edifícios prontos até o fim do ano que vem.
Por exigência da legislação, o Centro Paula Souza teve de realizar uma avaliação arqueológica no terreno. Os arqueólogos foram à cracolândia em junho passado e viram vestígios de 150 anos atrás brotar logo nas primeiras escavações.
20 réis - Entre os achados há objetos nacionais e importados. Alguns são finos, cuidadosamente pintados a mão. Outros são rústicos e até mesmo defeituosos. Isso sugere que naquela quadra conviviam ricos e pobres.
"No final do século 19, São Paulo estava dividida. Havia os Campos Elíseos e a República, áreas de ocupação mais nobre, e o Bom Retiro, onde viviam os imigrantes, os trabalhadores. Era no meio delas que se dava o encontro [das classes sociais]", explica Bava Camargo.
Essa região era o coração de São Paulo. A poucos passos estão as estações ferroviárias da Luz e Júlio Prestes, construídas justamente naquela época.
No quarteirão escavado também foram encontradas pás, machadinhas, ferraduras e moedas - uma é de 20 réis, em cobre, e circulou entre 1886 e 1871. Isso mostra que, além de residencial, a área também tinha comércio. Os arqueólogos creem na existência, por exemplo, de uma estrebaria.
Segundo o arqueólogo Bava Camargo, o fato de não haver um sistema organizado de coleta do lixo - São Paulo só contou com esse serviço na virada para o século 20, em resposta a uma epidemia de febre amarela-, as famílias enterravam ou simplesmente atiravam os entulhos no quintal de casa.
O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) analisará o relatório redigido pelos arqueólogos para decidir o destino dos objetos históricos. Paulo Zanettini, o líder do grupo que fez as escavações, gostaria de vê-los expostos na própria região da Luz.
"Descobertas desse tipo mostram que o passado de São Paulo é muito mais rico do que se imagina", diz Bava Camargo.
Fonte: Ricardo Westin/ Folha Online
25 setembro, 2009 - 12:56h
Trata-se de uma descoberta sem precedentes, que poderá revolucionar o pensamento acerca dos governantes germânicos da Inglaterra medieval. Um caçador de tesouros amador, trabalhando com um detector de metais numa fazenda, encontrou uma enorme coleção de artefatos de ouro e prata dos anglo-saxões.
A descoberta causou um surto de entusiasmo na comunidade arqueológica britânica, que disse, nesta quinta-feira, 24, que o tesouro oferece um novo olhar sobre o mundo dos anglo-saxões, que governaram a Inglaterra entre a queda do Império Romano e a invasão normanda de 1066.
"É uma descoberta fantástica e que caiu do céu", disse o administrador da escavação, Roger Bland. "Vai nos fazer repensar a Idade Média".
O tesouro inclui elmos com adornos intricados, como cristas entalhadas com animais correndo, espadas enfeitadas e uma peça de jogo de damas incrustada com ouro. Um bracelete de ouro traz uma inscrição em latim pedindo a Deus que afaste os inimigos do usuário.
Os anglo-saxões eram um grupo de tribos germânicas que invadiu a Inglaterra em meio ao colapso de Roma. Seus artesãos criaram objetos notáveis, e sua língua, o velho inglês, é uma precursora do inglês atual.
O tesouro foi descoberto onde antigamente ficava Mércia, um dos cinco grandes reinos anglo-saxões, e deve datar de entre 675 e 725.
Para Terry Herbert, o desempregado que fez a descoberta na fazenda de um amigo, o ocorrido foi "mais divertido que ganhar na loteria".
O homem de 55 anos passou cinco dias explorando o campo sozinho antes de se dar conta de que precisaria de ajuda e chamar as autoridades. Arqueólogos profissionais assumiram a partir daí.
Só o ouro encontrado pesa 5 quilos, e indica que a Inglaterra medieval era mais rica do que se imaginava, disse Leslie Webster, ex-curadora de arqueologia anglo-saxã do Museu Britânico.
Ela disse que cruzes e outros artefatos religiosos misturados com o material militar podem lançar nova luz sobre a relação entre cristianismo e os belicosos anglo-saxões. Uma grande cruz pode ter sido levada aos campos de batalha.
O achado foi declarado oficialmente um "tesouro" por peritos nesta quinta-feira, o que significa que será avaliado por especialistas e oferecido a museus que se interessem em comprá-lo. O dinheiro da venda será dividido entre Herbert e o dono da fazenda.
Bland não ofereceu um valor para o achado, mas disse que os dois podem estar a caminho de receber "uma soma de sete dígitos".
Kevin Leahy, o arqueólogo que catalogou o achado, disse que o conjunto inclui dezenas de coberturas de pomo - elementos decorativos que se prendiam ao cabo da espada - e parece composto do saque que se segue a uma batalha. Beowulf, o poema épico anglo-saxão, descreve guerreiros retirando os adornos do pomo das espadas dos inimigos, como souvenirs.
Fonte: Estadão Online
25 setembro, 2009 - 12:54h
O Departamento de Educação Ambiental (DEA) do Ministério do Meio Ambiente vai elaborar uma proposta de estratégias para ampliar a participação da educação ambiental no Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que terá sua primeira revisão em 2010.
O documento terá como base os resultados dos debates da oficina Educação Ambiental no contexto das Mudanças Climáticas, realizada pelo DEA nos dias 23 e 24, em Brasília. O evento contou com a participação de mais de 60 pessoas, entre representantes do governo, dos setores empresarial, educacional, pesquisa, comunicação, da sociedade civil organizada, de tradições religiosas e populações tradicionais.
Além do debate aberto, foram criados, para a oficina, três grupo de trabalho para elaborar proposta para comunicação e informação, Educação Ambiental formal e Educação Ambiental não-formal.
O objetivo do evento foi reunir esforços e recursos para elaborar políticas públicas que contribuam para a geração de comunidades sustentáveis. Segundo Renata Maranhão, gerente de projetos do DEA, a proposta agora é sistematizar as discussões realizadas e elaborar um documento com ações que devem ser desenvolvidas pelo Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental.
A análise terá como base as deliberações da III Conferência Nacional de Educação Ambiental, que teve como tema as mudanças climáticas, e em documentos já produzidos sobre o tema, elaborar um material com diretrizes e definições de ações que devem ser desenvolvidas pelo Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental.
O representante da sociedade civil, Rubens Born (FBOMS), disse durante sua apresentação que "o estado brasileiro deve reconhecer o universo de expectativas da sociedade para dialogar sobre o tema mudanças climáticas". Na oportunidade, Born questionou se o PNMC é suficiente e sugere que seu componente de Educação Ambiental incorpore o senso de urgência e de responsabilidade.
De acordo com os participantes, dentre as contribuições da Oficina para a temática clima, o envolvimento de representantes de diferentes setores e governo contribuiu para o fortalecimento das relações servindo de combustível para outras ações conjuntas.
Fonte: MMA
25 setembro, 2009 - 12:53h
Para combater o desmatamento do Cerrado, que já teve cerca de 48% de sua cobertura vegetal original destruída, foi desmontada nesta quinta-feira (24) mais uma carvoaria ilegal, na Fazenda Buritizal, região de Cristalina (GO), a cerca de 100 km de Brasília.
A operação, realizada pelo Ibama, MMA e Polícia Militar Ambiental de Goiás, destruiu 19 fornos que utilizavam vegetação nativa do bioma, e contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e do assessor especial do MMA, José Maurício de Brito Padrone. A ação foi organizada pelo coordenador de operações do Ibama, Roberto Cabral, e contou com o apoio de vinte e dois policiais ambientais.
Houve ainda apreensão do trator utilizado na produção clandestina, aplicação de multa e embargo da área. A carvoaria funcionava desde 2005 e estava com a licença vencida há dois anos. O responsável, Sebastião Brandão, foi encaminhado à delegacia para ser indiciado por crime ambiental e pode pegar uma pena de um a seis meses de prisão.
No local, eram produzidos cerca de quatro caminhões de carvão por semana. O desmatamento observado na área chegava a cem hectares por ano, o equivalente a cem estádios de futebol. Árvores importantes da vegetação nativa, como aroeira, sucupira, pau-ferro e barbatimão foram encontradas nos fornos.
Carlos Minc disse que a partir de agora serão realizadas e intensificadas operações semelhantes às que ocorrem na região amazônica. "Precisamos defender o Cerrado, que tem a mesma importância da Amazônia, pois este bioma é o berço das águas, e para isso vamos combater a impunidade ambiental", acrescentou.
Ele afirmou que haverá a implementação de barreiras e entrocamentos para fiscalização de caminhões e cargas, bem como o corte de crédito para os produtores que estiverem em situação ilegal, tanto na questão fundiária como ambiental.
O ministro explicou a dinâmica de devastação que vem acontecendo no bioma. Primeiro são retiradas as madeiras de lei, depois as outras espécies são utilizadas para fazer carvão e, em seguida, há as queimadas para a formação de pasto e criação ilegal de gado.
"A partir de agora vamos fazer um planejamento com órgãos ambientais estaduais para começar a exigir a certificação ambiental do carvão, bem como promoção de campanhas para que os varejistas e consumidores comprem um produto de origem conhecida", completou.
Minc afirmou ainda que, em parceria com a Embrapa, o MMA vai investir cerca de U$10 milhões de dólares - doados por outros países em prol da conservação da biodiversidade brasileira - na recuperação de solos em áreas degradadas.
Ele também defendeu a implementação de alternativas econômicas ao desmatamento no Cerrado, como o pagamento por serviços ambientais e plano de manejo florestal adequado nas propriedades.
Recentemente foi divulgada pelo MMA uma lista com os estados que mais desmatam o cerrado, dentre eles o Maranhão, Mato Grosso e Bahia. O ministro disse que nos 60 municípios onde há maior incidência de desmatamento haverá o controle do crédito e barreiras de fiscalização.
Esta foi a terceira operação de fiscalização e combate ao desmatamento realizada no bioma. A primeira foi em uma fazenda de soja na Bahia e a outra em assentamento no estado de Goiás. As multas por crime ambiental podem chegar a R$ 50 mil, e em alguns casos a 10 milhões de reais. A pena aplicada pode ser de até 3 anos de prisão.
Fonte: Carine Corrêa/ MMA
25 setembro, 2009 - 12:52h
A chuva que atingiu o Sul do país mudou a paisagem em um dos principais pontos turísticos da região. Em Foz do Iguaçu (PR), a vazão das águas está acima do normal. São mais de sete milhões de litros de água por segundo.
O Rio Iguaçu, que forma as cataratas, cruza todo o Paraná, até chegar à cidade. Como choveu muito neste mês, no estado, o volume de água aumentou.
Tempo seco e quente - Já no Nordeste brasileiro, 169 municípios decretaram estado de emergência por causa da seca. Em algumas áreas, a estiagem já dura dois meses.
O decreto de emergência permite que os municípios recebam ajuda mais eficaz dos governos federal e estadual. As administrações municipais recebem dinheiro e mão de obra qualificada, como engenheiros que mapeiam a região e tentam soluções imediatas. E o calor deve continuar nos próximos dias.
Fonte: G1
25 setembro, 2009 - 12:51h
A proposta do Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia deve ser apresentado ao Itamaraty para que faça parte da agenda de viagem do presidente Lula ao Peru no mês de dezembro. O instrumento de ordenamento territorial foi recebido pelos países andino/amazônicos como a ferramenta ideal para articular e integrar a região amazônica por meio de uma mesa de diálogo entre os países.
Essas foram as principais decisões tomadas pelos participantes do Seminário Internacional Andino/Amazônico, ocorrido em Iquitos (Peru) entre os dias 15 e 17 de setembro. Além de representantes dos países andinos e amazônicos e do Ministério do Meio Ambiente, participaram do evento técnicos do Ministério da Agricultura, da Embrapa/Unicamp e da Funai.
Tomaram parte da reunião internacional representantes do Brasil, Bolívia, Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.
Segundo Roberto Vizentin, coordenador de Zoneamento Territorial da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, o Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia foi apresentado como o caminho mais curto para implementar o processo de desenvolvimento em bases sustentáveis na região.
"Foi discutida a necessidade de um ordenamento integrado entre os países que compõem a região andina e o ZEE apareceu como a alternativa mais viável", disse Vizentin.
O coordenador do MMA justificou a necessidade de um ordenamento integrado como forma de pensar a Amazônia para além das fronteiras. "Ela é uma nova fronteira de recursos naturais, daí sua importância para o equilíbrio ecológico global no fornecimento de serviços ambientais como a biodiversidade, recursos hídricos, regulação de regime de chuvas e sequestro de carbono", explicou o coordenador.
Fonte: Suelene Gusmão/ MMA
25 setembro, 2009 - 12:49h
O delegado da Polícia Federal Alcir Teixeira, comandante da Operação Arco de Fogo, disse nesta quinta-feira (24) que 93.936 metros cúbicos de madeira já foram apreendidos desde o começo da ação, deflagrada em março do ano passado para combater o desmatamento na Amazônia.
Segundo ele, os números mostram que o total de apreensões chega, em média, a 4.690 caminhões carregados de madeira, pois cada veículo transporta 20 metros cúbicos do produto. Já o Ibama diz ter apreendido mais de 100 mil metros quadrados, o que totaliza cerca de 200 mil metros cúbicos ou 10 mil caminhões de madeira.
De acordo com os dados apresentados pelo delegado, 198 pessoas envolvidas com o desmatamento foram presas nesse perído de um ano e meio e 214 inquéritos policiais foram instaurados para apurar crimes diversos, que vão desde práticas diretas contra o meio ambiente até falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha.
Desde então, segundo Alcir Teixeira, foram lavrados 520 termos circunstanciados, sendo que 921 fornos de carvão acabaram destruídos. Além disso, foram apreendidas 42 armas, 234 veículos e 55 moto-serras.
"Estamos trabalhando com inteligência, fazendo investigação em cima desses grupos organizados. Nesta semana, foram apreendidos 8.664 metros cúbicos de madeira em duas serrarias de Santarém (PA)", contou o delegado. Segundo ele, a PF detectou inúmeros casos de criminosos que "esquentam notas fiscais frias e usam guias florestais falsos".
Multas - A operação é realizada por 100 policiais federais nos estados do Pará, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso. O Ibama, que também tem atuado na área, com 1,2 mil agentes, aplicou desde o começo do ano R$ 1,6 bilhão em multas.
"Sempre tem um senador, um deputado federal, um prefeito fazendo pressão terrível, dizendo que estamos tentando acabar com a economia, nos pressionando, muitas vezes insultando", acusou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sem citar nomes. "Estava muito mole. O crime estava compensando. Agora, com a atuação forte do governo, o crime está deixando de compensar", acrescentou o ministro.
Levantamento - Nesta quinta-feira (24), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou os dados referentes ao desmatamento da floresta amazônica no mês de agosto. O Inpe detectou desmatamento de 498,1 km², área equivale a um terço do município de São Paulo. Na comparação com o mês de agosto do ano passado, houve queda de 34% no total da área desmatada. Na comparação entre agosto e o mês anterior, julho, a redução do desmatamento chegou a 40%.
Deste total, 301 km² foram registrados no Pará, 105 km² em Mato Grosso e 51 km² em Rondônia. Somado, o desmatamento nos outros estados da Amazônia não passou de 41 km². O bom tempo ajudou na observação via satélite, pois apenas 17% da região estava coberta por nuvens. "Há dois anos que não tínhamos um céu tão aberto como ocorreu em agosto", disse Minc.
A expectativa do ministro para 2009 é de fechar o ano com o menor índice de desmatamento desde 1991. "Vamos ter o menor desmatamento. Um índice abaixo de 9 mil Km², o menor desde 1991, quando foi registrado 11.100 mil km². Agora, o menor ainda é muito grande e então eu não comemoro", comparou.
Fonte: Diego Abreu/ G1
25 setembro, 2009 - 12:48h
Entre 2000 e 2008, os parques e reservas da Amazônia sofreram um desmatamento de 22,5 mil quilômetros quadrados - área equivalente à metade do estado do Rio de Janeiro, que tem 43,7 mil km². O levantamento, feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) levou em consideração as leituras de imagens de satélites feitas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) durante esse período.
Os dados foram publicados junto com um estudo do instituto em que são analisadas as infrações ambientais cometidas dentro de unidades de conservação - como são chamados tecnicamente os parques, reservas e áreas de proteção.
Segundo o Imazon, entre 1998 e 2008 houve pelo menos 1.286 autos de infração registrados pelo Ibama dentro desses locais protegidos. A maioria dos casos é de queimada, desmatamento ou exploração ilegal de madeira. Esses autos teriam gerado cerca de R$ 21 milhões em multas, mas apenas uma pequena parte deles foi paga.
Para medir a efetividade das multas aplicadas pelo Ibama, os pesquisadores Paulo Barreto e Marília Mesquita fizeram uma análise detalhada de 34 casos ocorridos no Pará nesse período. Juntos, eles corresponderam a 87% do total de multas em áreas protegidas nesse estado.
De acordo com o Imazon, apenas 3% dos casos analisados haviam sido encerrados (a multa paga ou o infrator absolvido). O restante estava empacado em alguma esfera administrativa ou na Justiça, mesmo após vários anos da infração cometida.
Soluções - Uma das principais sugestões do Imazon para inibir crimes ambientais dentro de parques e reservas é a prevenção. "A maioria das reservas está no papel. Não tem planos de manejo, não tem uma vigilância permanente", afirma Barreto.
"Na ausência de vigilância, teríamos que ter uma responsabilização (pelos crimes ambientais) muito rápida. Não seria necessário vigiar tanto se a pena fosse aplicada rapidamente, mas hoje a pena praticamente não é aplicada", defende o pesquisador.
Fonte: Iberê Thenório/ Globo Amazônia
25 setembro, 2009 - 12:47h
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou desmatamento de 498 km² da floresta amazônica no mês de agosto. A área equivale a cerca de um terço do município de São Paulo. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (24).
Deste total, 301 km² foram registrados no Pará, 105 km² no Mato Grosso e 51 km² em Rondônia. Somado, o desmatamento nos outros estados da Amazônia não passou de 41 km². O bom tempo ajudou na observação via satélite, pois apenas 17% da região estava coberta por nuvens.
Em relação ao mês anterior, quando houve 836 km² de desmatamento, há uma redução de 40% do desmatamento. Quando comparado a agosto de 2008, quando foram registrados 756 km² devastados, a diminuição é de 34%.
Como ressalta o Inpe, uma comparação entre meses subsequentes não pode ser feita de forma precisa, pois, com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), a cobertura de nuvens sempre impede que parte da região seja monitorada pelas imagens de satélite.
Em breve, os focos de desmatamento poderão ser vistos de forma simples e amigável no mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra os pontos de destruição da floresta e possibilita aos internautas protestar contra queimadas e desmatamentos. Saiba como utilizar o mapa.
O sistema Deter identifica apenas focos de devastação com área maior que 250.000 m² (25 hectares). Para o cálculo das áreas desmatadas, são consideradas tanto as matas que foram completamente destruídas - que sofreram o chamado ‘corte raso' - quanto os locais em que houve degradação parcial da floresta.
Fonte: G1
25 setembro, 2009 - 12:45h
O Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na qinta-feira (24) uma resolução a fim de conter a disseminação das armas nucleares no mundo. O Conselho, com cinco membros permanentes e dez rotativos, passou a medida por unanimidade. Pela primeira vez um encontro do CS foi comandado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
A Resolução 1887 pede aos Estados que não firmaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) que "cumpram totalmente com suas obrigações". O TNP deve ser revisto em uma conferência no ano que vem. O texto aprovado não estabelece uma diferença direta para países como Irã e Coreia do Norte, mas aponta para outras resoluções do Conselho que pedem que Teerã interrompa suas ações com combustíveis nucleares e que Pyongyang desmantele todo seu programa nuclear.
A resolução pede que as nações cooperem, com o intuito de que a conferência de revisão do TNP possa de fato fortalecer o tratado e "estabelecer metas realistas e factíveis" em temas como não-proliferação, usos pacíficos da energia nuclear e desarmamento. O texto pede ainda que os países que não fazem parte do TNP revejam sua posição, a fim de que o tratado possa em breve servir para todos.
O encontro desta quinta-feira ocorre uma semana antes de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França - mais a Alemanha, reunirem-se com o principal negociador nuclear do Irã, Saeed Jalili, em 1º de outubro.
Diversas nações, entre elas EUA e Israel, afirmam que Teerã possui um programa secreto para produção de armas nucleares. O governo iraniano, porém, diz que apenas tem fins pacíficos, como a produção de energia. O país já foi alvo de sanções do CS por se recusar a interromper as atividades consideradas suspeitas e atrapalhar o trabalho internacional de monitoramento. As informações são da Dow Jones.
Fonte: Estadão Online
25 setembro, 2009 - 12:44h
Identificar e quantificar os limites da Terra que não podem ser transgredidos ajudaria a evitar que as atividades humanas continuem causando mudanças ambientais inaceitáveis. A afirmação, de um grupo internacional de cientistas, está em artigo destacado na edição desta quinta-feira (24) da revista Nature.
Segundo eles, a humanidade deve permanecer dentro dessas fronteiras para os processos essenciais do sistema terrestre se quiser evitar alterações ambientais de dimensões catastróficas. Esses limites representariam os espaços seguros para a ação e para a vida humana.
O conceito de limites (ou fronteiras) planetários representa um novo modelo para medir as agressões ao planeta e define espaços seguros para a existência humana. Seguros tanto para o sistema terrestre como para o próprio homem, por consequência.
Johan Rockström, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e colegas sugerem nove processos sistêmicos principais para esses limites: mudanças climáticas; acidificação dos oceanos; interferência nos ciclos globais de nitrogênio e de fósforo; uso de água potável; alterações no uso do solo; carga de aerossóis atmosféricos; poluição química; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha.
Para três desses limites da ação humana - ciclo do nitrogênio, perda da biodiversidade e mudanças climáticas -, os autores do artigo argumentam que a fronteira aceitável já foi atravessada. Afirmam também que a humanidade está rapidamente se aproximando dos limites no uso de água, na conversão de florestas e de outros ecossistemas naturais para uso agropecuário, na acidificação oceânica e no ciclo de fósforo.
O estudo dá números para esses limites. Para o ciclo do nitrogênio, por exemplo, antes da Revolução Industrial a quantidade de nitrogênio removido da atmosfera para uso humano era zero. O limite estabelecido pelo estudo é de 35 milhões de toneladas por ano. Parece muito, mas os valores atuais são de 121 milhões, mais de três vezes além do limite aceitável.
A taxa de perda de biodiversidade, calculada em número de espécies extintas por milhão de espécies por ano era de 0,1 a 1 até o início da era industrial. O limite proposto pelo estudo é de 35, mas o valor atual passou de 100.
O consumo de água potável por humanos era de 415 quilômetros cúbicos por ano antes da Revolução Industrial. Hoje, chegou a 2.600, perigosamente próximo ao limite sugerido de 4.000 quilômetros cúbicos por ano.
Os pesquisadores destacam a necessidade de se estabelecer os limites também para a emissão de aerossóis atmosféricos e de poluição química, apesar de não haver, atualmente, dados suficientes para tal definição.
Transgredir uma única dessas fronteiras planetárias por um tempo demasiadamente longo é o suficiente, argumentam, para promover alterações ambientais "abruptas e inaceitáveis que serão muito danosas ou até mesmo catastróficas à sociedade". Além disso, quando um limite é derrubado, os níveis de segurança dos outros processos acabam sendo seriamente afetados.
"Embora a Terra tenha passado por muitos períodos de alterações ambientais importantes, o ambiente planetário tem se mantido estável pelos últimos 10 mil anos. Esse período de estabilidade - que os geólogos chamam de Holoceno - viu civilizações surgirem, se desenvolverem e florescerem. Mas tal estabilidade pode estar em risco", descrevem os autores.
"Desde a Revolução Industrial, um novo período surgiu, o Antropoceno, no qual as ações humanas se tornaram o principal condutor das mudanças ambientais globais", destacam. Segundo os pesquisadores, se não fosse a pressão promovida pelo homem, o Holoceno continuaria ainda por muitos milhares de anos.
O artigo A safe operating space for humanity, de Johan Rockström e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência Fapesp
25 setembro, 2009 - 12:41h
Secas da Austrália ao sudoeste americano, águas mais ácidas nos oceanos e geleiras derretendo-se são sinais de que o ritmo da mudança climática está superando até mesmo os cenários mais pessimistas traçados há alguns anos por cientistas, diz um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira (24).
Glaciares das montanhas da Ásia derretem-se a uma taxa que poderá vir a ameaçar o suprimento de água, irrigação e energia hidrelétrica para até 25% da população mundial, disse o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
"Estamos nos dirigindo para mudanças muito graves em nosso planeta, e precisamos nos conscientizar da seriedade disso, para apoiarmos as medidas que precisam ser adotadas", disse o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.
O Compêndio de Ciência da Mudança Climática 2009 avalia 400 estudos científicos publicados em periódicos com revisão pelos pares ou por instituições de pesquisa desde a publicação do mais recente relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) em 2007.
Líderes mundiais como o presidente chinês Hu Jintao e o americano, Barack Obama, discursaram em uma conferência sobre mudança climática realizada na ONU no início da semana. Cerca de 190 países tentam chegar a um acordo sobre o combate ao fenômeno. Um novo tratado internacional deve ser assinado em Copenhague em dezembro.
O aumento nas concentrações de gases causadores do efeito estufa elevou a preocupação dos cientistas de que um aumento nas temperaturas globais de 1,4º C a 4,3º C, acima dos níveis pré-industriais, é provável, diz o relatório.
Isto está acima da faixa de 1º C a 3º C que muitos pesquisadores veem como o nível capaz de levar ao derretimento total do Oceano Ártico no verão, e ao desaparecimento das geleiras do Himalaia e da Groenlândia.
Além disso, o aumento na absorção do dióxido de carbono pelos oceanos está levando a uma acidificação dos mares mais veloz que o esperado. Por exemplo, águas capazes de corroer substâncias nas conchas de animais marinhos "já aparecem ao longo da costa californiana, décadas antes da previsão dos modelos existentes", disse o relatório.
A acidificação dos oceanos poderia ameaçar os animais marinhos que têm conchas e os recifes de coral, que por sua vez têm um importante papel ecológico para várias outras espécies.
Fonte: Estadão Online
25 setembro, 2009 - 12:39h
O aquecimento global tem grandes chances de mudar a dinâmica do El Niño, um dos fenômenos periódicos mais importantes para o clima da Terra. A forma mais atípica do fenômeno pode se tornar cinco vezes mais comum, trazendo consequências como secas no Sudeste e no Sul do Brasil.
O declínio do El Niño convencional e a ascensão do chamado El Niño Modoki (palavra japonesa que significa "parecido, mas diferente") foi previsto em simulações de computador, detalhadas em artigo na revista científica "Nature" de quinta-feira (24).
Sang-Wook Yeh e seus colegas do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Oceânico da Coreia do Sul assinam a pesquisa, que usou os dados históricos sobre o El Niño (de 1850 até hoje) e as projeções sobre o aquecimento para avaliar como será o fenômeno neste século.
"Desde os anos 1980, o El Niño Modoki já está aparecendo com mais frequência. Yeh e seus colegas mostram que é viável associar isso com o aumento da temperatura que vem acontecendo desde então", explica Karumuri Ashok, do Centro Apec do Clima, na Coreia do Sul, que comentou a pesquisa a pedido da "Nature".
Mudança de estilo - A diferença entre os dois tipos de El Niño tem a ver principalmente com a região do oceano Pacífico que passa por um aquecimento anormal de suas águas, desencadeando os efeitos do fenômeno. Enquanto o El Niño tradicional está ligado às águas relativamente quentes no leste do Pacífico, perto da costa peruana, o Modoki aparece na região central do oceano - daí outro de seus apelidos, "El Niño da Linha Internacional da Data", por estar perto da linha imaginária usada para marcar a mudança de um dia para outro nos fusos horários.
Por enquanto, o El Niño Modoki fica muito atrás da forma normal do evento em número de ocorrências - apenas sete contra 32 casos nos últimos 150 anos. O aumento projetado na nova pesquisa indica que o Modoki poderia se tornar tão comum quanto a forma normal do El Niño. "O Nordeste do Brasil vai receber mais chuva do que o normal, impacto que é o contrário do que ocorre no El Niño tradicional", diz Ashok.
Já o Sul e o Sudeste terão menos chuva do que o normal, outra inversão da forma típica do fenômeno. Isso, é claro, se mais pesquisas confirmarem as simulações. "Lembre-se de que os modelos ainda não são perfeitos", afirma o pesquisador.
Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha Online
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