Arquivos para abril, 2009
30 abril, 2009 - 15:56h
Já se sabe que a poluição atmosférica pode causar problemas respiratórios e cardiovasculares. Agora, novos estudos têm apontado que partículas poluentes também aumentam riscos de doenças autoimunes –distúrbios que aparecem quando as células de defesa agem contra o organismo.
Um estudo recente da Escola de Saúde Pública de Harvard observou que a exposição a poluentes de rodovias eleva a incidência de artrite reumatoide.
Os pesquisadores usaram dados do Nurses Health Study, um estudo com 200 mil enfermeiras, que teve início em 1976 e levanta dados sobre a saúde e a incidência de doenças nas participantes.
Para esse trabalho, foram consideradas informações de 90.297 mulheres. Após avaliar as informações, constatou-se que viver a menos de 50 metros de vias de tráfego intenso aumentou de 31% a 63% as chances de as mulheres desenvolverem artrite reumatoide.
Foram excluídas variáveis como tabagismo, uso de hormônios, índice de massa corporal e sedentarismo.
A artrite reumatoide desencadeia inflamações nas articulações, principalmente nos pés e nas mãos. Isso pode causar deformações e perda de movimentos na região atingida.
Pesquisadores acreditam que os poluentes ajam como agressores, e o organismo não os reconhece como uma substância própria. Dessa forma, o corpo reage, produzindo anticorpos para combatê-los. Quando o faz de maneira descontrolada, acaba combatendo células do próprio corpo.
"Há editoriais de revistas científicas de muito prestígio com evidências de que a poluição pode influenciar no sistema imune. Isso ocorre especialmente no caso de solventes e de exaustão de diesel", diz o patologista Paulo Saldiva, coordenador do Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental da USP (Universidade de São Paulo).
Além da artrite reumatoide, é possível associar a inalação de poluentes a outras doenças autoimunes, como tireoidite crônica autoimune, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren, vitiligo e esclerose múltipla, acrescenta a endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli Marino, professora da Faculdade de Medicina do ABC.
Poluição industrial
Marino realiza pesquisas no Polo Petroquímico do Capoava, que fica entre as cidades de Santo André e Mauá e o parque São Rafael (zona leste de São Paulo). A área reúne fabricantes de produtos químicos derivados do petróleo, que são a matéria-prima de resinas, borrachas, tintas e plásticos. "Estudamos poluição de indústria. As doenças autoimunes são muito frequentes perto das indústrias: quanto mais perto a pessoa mora, maiores são os riscos de problemas", afirma.
Os trabalhos foram realizados com 2.004 moradores da região. Foi verificado que quem mora na área poluída tem cinco vezes mais chances de sofrer de tireoidite crônica autoimune.
A doença surge quanto os anticorpos agem contra a tireoide, o que pode levar a uma inflamação da glândula e à queda na produção de hormônios (hipotireoidismo).
Ainda não é possível definir, no entanto, quais partículas poluentes são responsáveis por desencadear tais problemas.
"Vamos começar a estudar agora os agentes que provocam essas doenças, para haver conscientização. Podemos escolher a água, o alimento, mas não o ar que respiramos. O ar precisa ser filtrado para evitar novos casos", afirma Marino.
Fonte: JULLIANE SILVEIRA/ Folha Online
30 abril, 2009 - 15:53h
Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que alguns planetas descobertos fora do nosso sistema solar "caem" dentro de seus próprios sóis e desaparecem.
Segundo o astrônomo Rory Barnes, da Universidade de Washington, trata-se da primeira prova de um fenômeno já previsto por modelos computacionais no ano passado, que mostravam que a força da gravidade é capaz de "puxar" um planeta para dentro de seu sol.
"Quando examinamos as propriedades de planetas extra-solares, podemos ver que esse fenômeno já ocorreu com alguns deles", afirmou Barnes.
Os modelos computacionais apontam a localização dos planetas em um determinado sistema solar, mas a observação direta mostrou que, em alguns desses sistemas, os planetas que deveriam estar mais próximos de seu sol não existem mais.
Segundo os cientistas, a proximidade entre esses astros faz com que um "puxe" o outro com uma força gravitacional cada vez mais intensa, que causa uma deformação na superfície do sol, provocando ondas na sua superfície gasosa.
"As ondas distorcem a forma dessas estrelas, e quanto maior essa distorção, mais rapidamente as ondas 'puxam' o planeta para dentro", explicou Brian Jackson, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, e chefe da equipe de pesquisadores.
Massas gasosas - A maioria dos planetas descobertos fora do nosso sistema solar são gigantes massas gasosas, como Júpiter, mas ainda maiores que este planeta.
Entretanto, no início deste ano, astrônomos detectaram um planeta extra-solar mais parecido com a Terra do que qualquer outro encontrado até o momento.
Batizado de CoRoT-7 B, o astro tem uma órbita a cerca de 2,4 milhões de quilômetros de seu sol - uma distância menor do que Mercúrio está do nosso Sol. Com isso, o planeta estaria em vias de ser 'absorvido'.
"A destruição deste planeta é lenta, mas inevitável", decretou Jackson.
"As órbitas desses planetas mudam em uma ordem de dezenas de milhões de anos. Em um certo momento, o planeta fica tão perto de seu sol que, começa a ser desmantelado por ele", disse o cientista.
"Ou o planeta é destruído antes de atingir a superfície do sol, ou, no processo de destruição, sua órbita acaba entrando em intersecção com a atmosfera desse sol e o calor dele faz o planeta desaparecer."
Os cientistas esperam que o estudo, a ser publicado no Astrophysical Journal, facilite a compreensão de como as estrelas destroem planetas e como esse processo afeta as órbitas planetárias.
Fonte: Estadão Online
30 abril, 2009 - 15:50h
Representantes de vários setores da sociedade participam hoje (30), de uma reunião que vai definir a política de educação ambiental do Rio Grande do Norte.
Participam do encontro em Mossoró, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Secretaria de Estado da Educação e da Cultura e pelo Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema).
Outros oito municípios vão realizar reuniões como esta: Mossoró, Pau dos Ferros, Santa Cruz, Caicó, Currais Novos, João Câmara, Assu e Natal.
As sugestões serão reunidas em um documento que será entregue à Assembleia Legislativa no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
Bahia
Na Bahia, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (Ciea), procura identificar conflitos socioambientais e potencialidades dos 26 Territórios de Identidade do estado, realizando o Seminário de Consulta Pública da Minuta do Projeto da Lei de Educação Ambiental. No início do mês a consulta foi realizada no território de Itapetinga, que abrange 13 municípios da região de Ilhéus.
Nos dias 15 e 16 o evento foi realizado nos territórios Litoral Sul, que abrange 27 municípios e Vale do Jiquiriçá, com 21 municípios.
Fonte: Danielle Jordan / AmbienteBrasil
30 abril, 2009 - 15:47h
Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) se mostraram mais otimistas em relação ao alcance de um acordo global sobre a mudança climática em Copenhague (Dinamarca), apesar de terem dito que as negociações não serão fáceis.
O enviado especial dos EUA para a mudança climática, Todd Stern, afirmou nesta quarta-feira (29) que, após dois dias de reuniões entre representantes da ONU, da União Europeia (UE), da Dinamarca e das 16 maiores economias do planeta, está "um pouco mais otimista" quanto a um pacto que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.
No entanto, destacou que não quer "subestimar as dificuldades para o alcance de um acordo em Copenhague" em dezembro deste ano.
"Foi uma boa reunião, mas isso não muda o fato de que não será fácil chegar a um acordo", disse Stern ao término de uma sessão do fórum, preparatório para o encontro de presidentes que acontecerá em julho, na Itália, no âmbito da reunião semestral do G8 (os sete países mais desenvolvidos e a Rússia).
O assessor adjunto do Conselho de Segurança dos Estados Unidos para Assuntos Econômicos Internacionais, Michael Forman, classificou o diálogo entre as delegações como "muito construtivo".
O fórum, que reuniu os países responsáveis por 80% das emissões mais a Dinamarca - na condição de país-sede da conferência de Copenhague -, quer ajudar na construção de um consenso com vistas às negociações de dezembro.
"Este fórum pode ser um forte apoio para o marco da ONU e um instrumento para a cooperação entre as 16 maiores economias" e a Dinamarca, afirmou Forman.
A reunião da terça foi aberta pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que tentou mostrar à comunidade que a política de seu país para a mudança climática mudou, ao assegurar que o novo Governo está decidido a recuperar o tempo perdido, a se envolver totalmente na luta contra o aquecimento global e a exercer uma liderança ativa.
Outros representantes do Governo americano que participaram das sessões foram o secretário de Energia, Steven Chu, e o assessor da Casa Branca para a Ciência, John Holdren. Já o presidente Barack Obama reservou parte da sua tarde para se reunir com os líderes das delegações convidadas.
O enviado da Comissão Europeia (CE), João Vale de Almeida, disse em entrevista coletiva que a UE "avalia" a mudança na política anunciada pelo Governo de Obama. Na opinião dele, os EUA mostraram um "firme compromisso" com a luta contra a mudança climática.
A UE considera a contribuição dos EUA "crucial" para que o combate às alterações do clima tenha sucesso. Mas as diferenças entre ambas as partes em assuntos-chave, como a redução nas emissões de gases tóxicos, ainda são evidentes.
Até 2020, Obama quer a liberação de gases estufa na atmosfera seja reduzida em 20%. A UE quer uma diminuição de 20% até o mesmo ano, mas está disposta a promover um corte de 30% "se outros países desenvolvidos demonstrarem o mesmo compromisso", disse Vale de Almeida.
A próxima reunião preparatória para a reunião de dezembro será em maio, na França, e a última, em junho. Mas o mais provável é que o fórum continue se reunindo mesmo depois do encontro presidencial de julho.
Fonte: Folha Online
30 abril, 2009 - 15:45h
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que também é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse na quarta-feira (29), em audiência pública de todas as comissões permanentes do Senado, que a insegurança jurídica gerada por sucessivas mudanças no Código Florestal Brasileiro "jogou os produtores na ilegalidade". Segundo ela, o código "já foi alterado em 11 legislações, em 60 itens diferentes", argumentou.
A par da discussão sobre o código, na audiência pública, realizada no plenário do Senado, também foi discutida a regularização fundiária dos agricultores, especialmente os que estão na região Amazônica, pois, além desses agricultores não terem a posse da terra, muitos deles não cumprem atualmente a porcentagem de reserva legal exigida - que na região é de 80% da propriedade.
Um estudo apresentado pelo pesquisador Gustavo Curcio, da Embrapa, mostrou que existem divergências até sobre as definições de relevo e que os topos de morro, onde atualmente é proibido ter agricultura, são variáveis e precisam ser analisados caso a caso. Segundo ele, a legislação ambiental deveria ser definida por biomas, inclusive as Áreas de Preservação Permanentes (APP) - que hoje são as margens de rios e topos de morro - e as áreas de Reserva Legal. "Eu tendo mais a achar que a divisão sobre isso deve ser feita por biomas, e não por estados", explicou Curcio.
Ainda segundo o estudo apresentado pelo pesquisador da Embrapa, caso o atual Código Florestal Brasileiro estivesse realmente sendo aplicado, cerca de 71% da área do país deveria estar preservada com cobertura florestal.
Já o assessor de Floresta e Clima do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, apresentou os números reais sobre a divisão dos cerca de 850 milhões de hectares que formam o território brasileiro. Segundo ele, atualmente, aproximadamente 500 milhões de hectares são de florestas e outros biomas como o Pantanal. Dos 350 milhões de hectares de área desmatada restantes, 260 milhões são destinados à agricultura e pecuária. De acordo com Azevedo, esta área é mais que suficiente para ser explorada. Segundo ele, "o que há no Brasil é uma má gestão do espaço rural".
"Esses 260 milhões de hectares estão divididos em cerca de 70 milhões para a agricultura e 190 milhões para a pecuária. O que acontece é que nós temos o equivalente a um boi por hectare, quando na verdade cabem quatro. E, para isso, bastam adaptações simples e que não custam caro", explicou Tasso Azevedo.
Ainda de acordo com Azevedo, se a produção pecuária no Brasil dobrasse em número de animais, ainda assim seriam necessários apenas 100 milhões de hectares para essa produção.
Fonte: Mariana Jungmann/ Agência Brasil
30 abril, 2009 - 15:43h
O Código Florestal brasileiro ganhará destaque nesta quarta-feira (29) no plenário do Senado. Pela primeira vez será realizada uma audiência pública conjunta das 11 comissões permanentes da casa para discutir o assunto. Os parlamentares se reunirão a partir das 9h30 e foram convidados para o debate os pesquisadores Gustavo Ribas Curcio e Evaristo Eduardo de Miranda, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A audiência conjunta foi requerida pela senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que também pediu a participação dos pesquisadores. A Embrapa fez um estudo mostrando que, aplicando a legislação ambiental em vigor, apenas cerca de 30% do território nacional está autorizado para a exploração agropecuária. Além de ser considerado um percentual pequeno pelo setor produtivo, existem áreas importantes, como as plantações de café no sul de Minas Gerais, que são consideradas ilegais pelo código, por estarem em topos de morros.
Os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente concordam sobre a necessidade de mudança na legislação, que entrou em vigor em 1965. Entretanto, a partir do fim do ano passado, depois de três rodadas de negociação e alguns acordos, as discordâncias se tornaram maiores e o diálogo foi interrompido.
Segundo o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Assuero Veronez, a situação dos produtores é "desesperadora".
"Estamos apresentando ao Congresso uma proposta para discussão, que muda conceitualmente essa questão. Precisamos de apoio para que possa prosperar. Queremos que os produtores trabalhem na legalidade, mas com leis que sejam racionais, passíveis de serem cumpridas", afirmou. Ele acredita que, com a audiência de amanhã, reunindo todas as comissões permanentes, o número de parlamentares que apóia a mudança aumente.
De acordo com Veronez, dois pontos são mais urgentes. "O alcance das mudanças dependem das forças políticas dentro do Congresso. Esperamos que pelo menos os pontos mais críticos sejam resolvidos, como a questão das APPs (Áreas de Preservação Permanente), que devem ser prerrogativa dos estados, e a Reserva Legal, que deve ser flexibilizada".
Ele disse que o Brasil é o único país onde a Reserva Legal é exigida. "Nenhum outro país segue esse modelo. Na verdade, a propriedade rural não é unidade ambiental, mas sim a bacia hidrográfica. Essa deve merecer a atenção quanto à proteção dos recursos hídricos."
Fonte: Danilo Macedo/ Agência Brasil
30 abril, 2009 - 15:41h
O governo de São Paulo não afasta a possibilidade de criar uma legislação florestal própria, seguindo o exemplo de Santa Catarina. A afirmação foi feita na terça-feira (28) pelo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João de Almeida Sampaio Filho. De Ribeirão Preto, onde participa da feira de agronegócios Agrishow, Sampaio disse que ele e o secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano, têm acompanhado de perto as negociações sobre a mudança do código florestal em Brasília. "Achamos que esse é o caminho mais sensato nesse momento. Mas a aprovação em Santa Catarina foi um fato novo e importantíssimo, que precisa ser bem avaliado. Se, eventualmente, a questão não evoluir em Brasília, pode ser uma opção a se negociar também em São Paulo". As mudanças em Santa Catarina, defendidas pelos ruralistas, foram duramente contestadas pelas entidades de proteção do meio ambiente.
Entre outras alterações, Sampaio defende que a soma das Áreas de Proteção Permanente (APP) e de Reserva Legal não ultrapassem 20% da propriedade rural. "Hoje, o produtor tem a obrigação de preservar 20% da propriedade como área de reserva legal. Fazendas que possuem, por exemplo, mais 10% de Área de Proteção Permanente ficam com 30% do espaço inviável para a produção." O Secretário de Agricultura também disse que a legislação ambiental tem de preservar o "direito adquirido". "Em Barretos, que é a minha região, os produtores se estabeleceram no início do século passado. A lei não pode retroagir. Não faz sentido forçá-los a perder 20%, 30% da área se, quando começaram a produzir, eles estavam dentro da lei."
Sampaio disse que a expansão agropecuária em São Paulo praticamente terminou nos anos 1970 e que a área de florestas até cresceu nos últimos anos. "Mas temos de ter bom senso. Se fôssemos cumprir o que está na Medida Provisória 2.166, que hoje rege a questão ambiental e florestal, São Paulo perderia 3,5 milhões de hectares de produção. Não sei nem quantos bilhões de reais e quantas centenas de milhares de empregos seriam perdidos. Não podemos nos dar esse luxo", afirmou. "A questão ambiental deve ser priorizada, mas com racionalidade."
Fonte: Estadão Online
30 abril, 2009 - 15:38h
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, descartou na quinta-feira (29) a idéia de substituir a Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária na Amazônia, por um projeto de lei. A mudança é uma das reivindicações apresentadas na quinta-feira por dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a entidade, um projeto de lei possibilitaria maior discussão sobre o assunto.
Após o encontro, o ministro afirmou que a regularização fundiária na Amazônia é uma emergência e "não pode espera por anos". "Temos que começar a fazer já", ressaltou Cassel. Segundo ele, haverá uma reunião nesta tarde com representantes da Contag para "esclarecer as divergências" em relação à medida provisória. "O que há é pouca definição e muita desinformação", acrescentou o ministro.
A substituição da MP 458 por projeto de lei faz parte da pauta de reivindicações do Grito da Terra Brasil 2009, entregue na quinta-feira ao presidente Lula por dirigentes da Contag nos 26 estados e no Distrito Federal. O evento será realizado no final de maio, em Brasília.
Entre as reivindicações também está o pedido para que o próximo Plano Safra, destinado a 2009 e 2010, garanta R$ 22 bilhões para a agricultura familiar. A pauta defende ainda mais debate antes da votação da proposta do novo Código Florestal e revisão dos índices de produtividades da terra. Para Cassel, os limites de finaciamento precisam ser discutidos com outros ministérios, como o do Planejamento e o da Fazenda.
Fonte: Ivan Richard/ Agência Brasil
30 abril, 2009 - 15:35h
O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse na terça-feira (28), na Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que a companhia está a procura de um sócio para explorar potássio em sua mina na Amazônia.
O objetivo é atender ao mercado brasileiro já que o fertilizante não é produzido no país em volume suficiente conforme a demanda.
A mina sobre a qual a Petrobras detém os direitos de exploração na região amazônica fica no município de Nova Olinda. A necessidade de ter um sócio para a exploração da jazida decorre do fato de que a estatal não detém a tecnologia para explorar o fertilizante. Por isso, a empresa vai encaminhar dentro de dez dias convites a empresas que possam estar interessadas em participar da sociedade.
O diretor admitiu que a Petrobras já vem "conversando" com algumas empresas e que as companhias que receberem a carta convite terão um prazo de 60 dias para responder à estatal.
Costa não deu maiores detalhes sobre os planos da empresa para a região, mas adiantou que a Petrobras será majoritária no empreendimento. Segundo ele, a estatal vai construir mais uma fábrica de fertilizantes com investimento estimado de US$ 2 bilhões e que terá participação de 100% no empreendimento.
Atualmente, a Petrobras tem duas unidades produtoras de fertilizantes nitrogenados, que colocam no mercado 1,1 milhão de toneladas/ano de amônia e uréia.
A demanda do país pelos fertilizantes é de 2,5 milhões de toneladas. A intenção da Petrobras é de que a nova fábrica entre em operação até 2013. Quando estiver a plena carga, a fábrica terá capacidade de produzir mais 1 milhão de toneladas.
Ele informou, ainda, que o projeto básico da nova unidade deverá estar concluído em um prazo de 20 dias, com as opções de localização do empreendimento.
Ainda na Onip, Costa disse que a empresa está em concluindo uma nova fórmula de ajuste mensal do preço da nafta, que deverá estar pronta já na primeira quinzena de maio. Atualmente, o preço da nafta (também um fertilizante) tem como parâmetro o mercado europeu.
Fonte: Nielmar de Oliveira/ Agência Brasil
30 abril, 2009 - 15:33h
A Agência Nacional de Águas (ANA) informou na terça-feira (28) que concedeu outorga de uso de recursos hídricos para a construção da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. É com base nesta outorga e na licença de instalação, que ainda não foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá aprovar o projeto básico para a construção da usina.
Segundo a ANA, o consórcio Energia Sustentável Brasil (Enersus), liderado pela empresa franco-belga Suez Energy, responsável pela usina, tem prazo de 120 dias para apresentar o projeto básico da eclusa e o programa de monitoramento da hidrelétrica sobre vazão, níveis de água, qualidade da água e sedimentos.
A ANA também fixou prazo de 12 meses para que o consórcio apresente um detalhamento do efeito do assoreamento, provocado pelo acúmulo de areia e argila no fundo do reservatório. O consórcio terá o mesmo prazo para apresentar estudos sobre o remanso, que é a elevação do nível da água dentro do reservatório.
Segundo a agência, as condições impostas vão garantir o uso múltiplo do Rio Madeira. A ANA informa também que analisou a alteração de local de instalação da hidrelétrica, nove quilômetros distante do previsto originalmente. A agência diz que a mudança "não provoca impacto sobre os usos múltiplos do rio, seja na produção de energia, na navegação, irrigação ou abastecimento".
Fonte: Gerusa Marques/ Estadão Online
30 abril, 2009 - 15:13h
Expedição científica realizada na pequena Ilha de Ipomonga (12 km²) no município de Curuçá, no nordeste do Pará, encontrou vegetação com características de mata atlântica em plena Amazônia.
Segundo o chefe da expedição, o pesquisador Samuel Almeida, do Museu Paraense Emílio Goeldi, embora as espécies do local sejam todas encontradas na Amazônia, a aparência é de mata atlântica por causa da grande quantidade de epífitas (plantas que crescem sobre outras plantas, como as bromélias) e por causa das árvores com troncos cobertos de musgo.
Outra característica comum à mata atlântica encontrada na Ilha de Ipomonga é a forte presença de plantas caducifólias (que perdem suas folhas na época menos chuvosa do ano). "No bioma amazônico são mais comuns as plantas que mantêm suas folhas durante todo o ano. É uma floresta sempre verde", explica o pesquisador.
Almeida se surpreendeu com os achados na ilha. "Já tinha estado lá, mas não tinha reparado nessas características", conta. Segundo ele, o principal fator que permitiu que a ilha tivesse esse aspecto único dentro da Amazônia é a proximidade com o mar - ela fica a apenas 5 km do Oceano Atlântico e é banhada por água salgada.
Fonte: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia
30 abril, 2009 - 13:48h
Nos últimos cinco meses, duas notícias deram novo alento à conservação da Amazônia brasileira. Em julho, foi inaugurado o Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, um megaprojeto de 1,4 bilhão de dólares que permitirá ao governo ver o que acontece em 5,2 milhões de quilômetros quadrados de terra, área equivalente a mais da metade da Europa. Até então, toda essa vastidão estava relegada à própria sorte. Com o sistema composto por aviões, plataformas de coleta de dados por satélite, postos de coleta e análise de água, radares fixos e móveis, tudo interligado por satélites, acredita-se que será possível, até o fim do ano que vem, ouvir cada árvore que cai na floresta. A outra boa novidade veio no mês passado com a inclusão do mogno entre as espécies protegidas pela Convenção Internacional Sobre Comércio de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagem (Cites), o que exigirá maior fiscalização sobre a extração dessa árvore de madeira nobre e dificultará a comercialização internacional de madeira cortada de forma irregular. Os ecologistas esperam que as duas medidas tornem coisa do passado o corte irregular de árvores e as queimadas clandestinas na Amazônia.
O ritual de desmatamento da Floresta Amazônica segue uma lógica que tem por objetivo arrancar o máximo de lucro da natureza e do solo. As primeiras a ser cortadas são as árvores nobres. Esgotadas estas, vêm as mais comuns, ou a chamada madeira branca, útil para a fabricação de compensado e tábuas para a construção civil. O que sobra não interessa economicamente e é destruído pelo fogo para que a terra possa receber alguma atividade que renda mais dinheiro, como a agricultura ou a pecuária. Em todo esse processo, apenas a retirada de madeira nobre já é um negócio milionário. Cada metro cúbico de mogno – raro, bonito e resistente – valoriza-se 300 000% desde a extração na mata até a venda no exterior.
Na floresta, cada metro cúbico recém-extraído vale 3 reais, contra os 9 000 reais cobrados por um revendedor europeu. A demanda atual é 36% maior do que trinta anos atrás. Isso não significa que a retirada de madeira seja sempre sinônimo de devastação. Os Estados Unidos, o país campeão mundial na exploração de madeira, com 500 milhões de metros cúbicos por ano, conseguem fazer com que suas florestas cresçam 0,3% ao ano. O governo brasileiro tem tentado contornar o extrativismo desenfreado com alguns projetos de reflorestamento. No caso do mogno, a situação é complexa e os programas para exploração comercial têm enfrentado problemas, mas há alguns avanços. Crescem também os projetos de exploração sustentada. Neles, parte-se do princípio de que é possível retirar madeira da mata sem destruir o ambiente e ainda deixar exemplares para exploração futura. Basta escolher bem a árvore a ser abatida e não avançar sobre exemplares jovens. Calcula-se que, se os madeireiros cumprissem as recomendações do governo para extração, seria possível retirar 1 bilhão de metros cúbicos de madeira por ano, cerca de sete vezes a demanda mundial, sem esgotar a floresta. Nos últimos anos, foram demarcados 2,1 milhões de hectares de reservas extrativistas, de onde se retira a madeira seguindo regras rigorosas. Essa madeira extraída pode ser encontrada em lojas de móveis caros de São Paulo e do Rio de Janeiro que exibem mais um chamariz para os clientes: a consciência tranqüila de que não se está contribuindo para a destruição da floresta.
Fonte :Revista Veja online
30 abril, 2009 - 13:43h
Existem dezessete países no mundo considerados "megadiversos" pela comunidade ambiental. São nações que reúnem em seu território imensas variedades de espécies animais e vegetais. Sozinhas, detêm 70% de toda a biodiversidade global. Normalmente, a "megadiversidade" aparece em regiões de florestas tropicais úmidas. É o caso de países como Colômbia, Peru, Indonésia e Malásia. Nenhum deles, porém, chega perto do Brasil. O país abriga aproximadamente 20% de todas as espécies animais do planeta. A variedade da flora também é impressionante. De cada cinco espécies vegetais do mundo, uma está por aqui. A explicação para tamanha abundância é simples. Os 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro englobam várias zonas climáticas, entre elas a equatorial do Norte, a semi-árida do Nordeste e a subtropical do Sul. A variação de climas é a principal mola para as diferenças ecológicas. O Brasil é dono de sete biomas (zonas biogeográficas distintas), entre eles a maior planície inundável (o Pantanal) e a maior floresta tropical úmida do mundo (a Amazônia).
A Floresta Amazônica é a grande responsável por boa parte da riqueza natural do país. Com 5,5 milhões de quilômetros quadrados, possui nada menos que um terço de todas as espécies vivas do planeta. No Rio Amazonas e em seus mais de 1 000 afluentes, estima-se que haja quinze vezes mais peixes que em todo o continente europeu. Apenas 1 hectare da floresta pode trazer até 300 tipos de árvore. A floresta temperada dos Estados Unidos possui 13% do número de espécies de árvores da Amazônia. A Floresta Amazônica é considerada a grande "caixa-preta" da biodiversidade mundial. Há estimativas que indicam existir mais de 10 milhões de espécies vivas em toda a floresta, mas o número real é incalculável.
Para se ter uma idéia do grau do desconhecimento sobre a Amazônia, sua região mais rica em biodiversidade foi descoberta recentemente. O Alto Juruá, no Acre, ostenta o saldo invejável de 616 espécies de ave, cinqüenta de réptil, 300 de aranha, 140 de sapo, dezesseis de macaco, além de 1 620 tipos de borboleta. Tudo isso num ambiente já alterado pelo homem. O curioso é que, segundo os cientistas, foi exatamente a ocupação humana (em baixa escala, é claro) que deu ao Alto Juruá a exuberância que exibe hoje. O desmatamento moderado para a criação de roçados e clareiras nos seringais é semelhante à ação de pequenas devastações naturais, como as tempestades. Espécies já estabelecidas e dominantes são abaladas e cedem espaço a outras mais frágeis, que sem esses minicataclismos não teriam condição de se impor e florescer. O termo "biodiversidade", ou "diversidade biológica", é usado para descrever a variedade da vida em uma região. Quanto mais vida presente, mais biodiversa a região se torna. O cálculo da biodiversidade é feito através da quantidade de ecossistemas, espécies vivas, patrimônio genético e endemismo, ou seja, ocorrências biológicas exclusivas de uma região. O Brasil é o país com maior quantidade de espécies endêmicas: 68 mamíferos, 191 aves, 172 répteis e 294 anfíbios. As atuais estatísticas sobre biodiversidade, tanto no Brasil como no mundo, são baseadas apenas nas espécies conhecidas até hoje. Cálculos da Universidade Harvard feitos em 1987 estimavam a existência de algo em torno de 5 milhões de espécies de organismos vivos no planeta. Estudos mais recentes mostram que a biodiversidade global deve se estender a até 100 milhões de espécies. Destas, apenas 1,7 milhão já foram catalogadas. "A disparidade entre o que se conhece e o que se acredita existir mostra como sabemos pouco sobre a biodiversidade mundial", afirma Lidio Coradin, do Programa Nacional de Biodiversidade e Florestas e Recursos Genéticos da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. Novas espécies são descobertas todos os dias e outras desaparecem sem que se tome conhecimento de sua existência.
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No Brasil, milhares de animais, plantas e microrganismos ainda estão para ser descobertos, graças à variedade climática e de ecossistemas do país. Na própria Amazônia, há uma diversidade enorme de ambientes, que vão das áreas de mata fechada aos cerrados. Calcula-se que hoje no Brasil a exploração da biodiversidade responda por cerca de 5% do PIB do país, 4% dos quais vêm da exploração florestal e 1% do setor pesqueiro. Uma pesquisa publicada recentemente na revista Nature mostra que o valor dos serviços proporcionados pela biodiversidade mundial pode atingir 33 trilhões de dólares por ano. É um patrimônio mal explorado. Pesquisas sobre o potencial farmacêutico de espécies da Amazônia praticamente não existem no país. Também é grande o contrabando de espécies na chamada biopirataria. São problemas que só serão resolvidos quando o país perceber que é mais vantajoso tirar dinheiro da floresta viva do que devastá-la.
Fonte: Revista Veja online.
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