Arquivos para janeiro, 2009
27 janeiro, 2009 - 18:01h
Técnicas como a ioga e a terapia cognitivo-comportamental serão testadas pela primeira vez em crianças brasileiras como forma de prevenir doenças mentais no futuro. A novidade faz parte de um instituto recém-criado, que envolve 11 universidades e que pretende desenvolver ações para detectar e tratar na infância transtornos psiquiátricos que só são diagnosticados na vida adulta.
Estudos internacionais apontam que a maioria dos transtornos mentais começa na infância. Em 2011, as novas edições da CID (Classificação Internacional de Doenças) e do DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), a "bíblia" dos psiquiatras americanos, devem incluir o transtorno bipolar e a esquizofrenia, por exemplo, no rol de doenças infantis.
Ainda há muita polêmica envolvendo o tema. Psiquiatras infantis avaliam que, diagnosticando precocemente esses transtornos, as crianças terão melhor qualidade de vida.
Outros profissionais, como o psiquiatra Theodor Lowenkron, um dos diretores da Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP), entendem que certos transtornos mentais, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar, são "diagnósticos precoces e inadequados para serem feitos na infância".
A ideia do novo instituto é, primeiramente, mapear, por meio de estudo epidemiológico, os transtornos infanto-juvenis em mil municípios brasileiros. Levantamento da SBP constatou que 5 milhões de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos têm sintomas de transtornos psiquiátricos.
Intervenção precoce - A partir do estudo, crianças que já apresentem sintomas sugestivos de transtornos serão acompanhadas pelo instituto. "A ideia é intervir antes de a doença aparecer. Testaremos, em estudos controlados, várias intervenções para verificar se elas podem impedir a progressão da doença", explica o psiquiatra Eurípedes Constantino Miguel, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do instituto.
Entre elas estão a terapia cognitivo-comportamental, com ênfase no treinamento de pais, e a kundalini ioga, prática que já vem sendo utilizada na psiquiatria e na oncologia como forma de diminuir sintomas como ansiedade e medo.
"Vamos ver se ela consegue controlar pensamentos exagerados de crianças (com sintomas de transtorno obsessivo compulsivo, por exemplo) em comparação com outras que não usarão a técnica."
Na avaliação do psiquiatra infantil Fábio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro, o instituto terá um papel muito importante na desmistificação dos transtornos infantis. 'É importante diagnosticar e tratar essas crianças para oferecer qualidade de vida. Ninguém está querendo abusar.'
Segundo o psiquiatra infantil Luis Augusto Rohde, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, existem hoje no país em torno de 1,5 milhão de crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos com déficit de atenção, mas apenas 68 mil estão medicadas. "Em termos de saúde pública, temos no Brasil um subdiagnóstico e não um superdiagnóstico", diz.
Por: Claudia Collucci
Fonte: Folha Online
27 janeiro, 2009 - 17:59h
Será que a cor de seus olhos pode afetar mais que apenas sua vida amorosa?
É fato conhecido que pessoas com olhos mais claros tendem a ser mais sensíveis à luz, resultado de menos pigmentação na íris para protegê-las da luz do sol. Isso pode colocá-las sob um risco maior de degeneração macular e outros problemas relacionados aos olhos. Porém, não está claro se isso se estende à visão.
Se há diferenças, elas parecem ser sutis. Há muito poucas evidências - ou nenhuma - de que um olho mais escuro significa maior acuidade visual, mas uma teoria sugere melhores tempos de reação nessas pessoas.
Estudos examinaram esse fato analisando o desempenho em esportes. Um estudo, da Universidade de Louisville, descobriu que pessoas com olhos escuros desempenhavam melhor "tarefas de reação", como atingir bolas, jogar na defesa num jogo de futebol americano e lutar boxe. Mas pessoas com olhos claros se saíam melhor em "tarefas de maior precisão", como dar uma tacada numa bola de golfe, lançar bolas de beisebol ou jogar boliche. Um estudo similar com estudantes de universitários descobriu que os participantes com olhos mais escuros eram melhores em bater bolas de squash.
No entanto, outros estudos contestaram essas descobertas, incluindo um que analisava jogadores de rúgbi. Cientistas afirmam serem necessários mais estudos.
Conclusão: há evidências limitadas de que a cor dos olhos pode ter um leve efeito na visão.
Fonte: G1
27 janeiro, 2009 - 17:57h
A obesidade pode ser contraída por meio de um vírus igual ao de um resfriado comum, afirmam cientistas americanos citados hoje pela "BBC", embora analistas britânicos ponham em xeque essa correlação.
Uma equipe de especialistas do Pennington Biomedical Research Center acredita que o adenovírus, altamente infeccioso, que pode se espalhar através da tosse ou de mãos sujas, faz com que se multipliquem as células adiposas. Os cientistas americanos descobriram que os frangos e ratos de laboratório infectados por esse vírus engordavam muito mais rapidamente que os animais não contagiados, embora ingerissem a mesma quantidade de comida. Os estudos realizados em humanos indicam que quase um terço dos adultos obesos tem esse vírus, contra 11% dos indivíduos que não sofrem sobrepeso.
"O vírus entra nos pulmões e se propaga rapidamente pelo corpo. Viaja para vários órgãos e tecidos, como o fígado, os rins, o cérebro e o tecido adiposo", declarou o diretor da equipe, Mikhil Dhurandhar à "BBC". "Quando o vírus chega ao tecido adiposo, ele se replica, produz mais cópias de si mesmo, um processo que por sua vez aumenta o número de novas células adiposas, o que pode explicar a expansão desse tecido" no corpo, assinalou o professor Dhurandhar.
Segundo o cientista, esse tipo de efeito do vírus continua muito tempo após os infectados se recuperarem do resfriado. Ele reconheceu que há outras razões pelas quais as pessoas podem sofrer sobrepeso, motivo pelo qual "não faz sentido evitar os gordos para prevenir a infecção" de obesidade. Dhurandhar prevê que em cinco a dez anos pode haver uma vacina contra esse vírus.
Contraponto - No entanto, segundo Ian Campbell, diretor médico da organização contra a obesidade Weight Concern, "um vírus não pode ser razão suficiente para que tenhamos uma epidemia de obesidade".
"Há muitos outros fatores, como ingerirmos muito mais calorias do que gastamos, ou vivermos vidas sedentárias. Não acho que nossos hábitos alimentares sejam consequência de uma infecção viral: tudo é consequência da expansão das empresas que produzem alimentos doentios", acusou.
Fonte: G1
27 janeiro, 2009 - 17:55h
Populações quilombolas do Pará e de outros estados começam a chegar à capital paraense para participar do nono Fórum Social Mundial (FSM). Para abrigar os cerca de 700 quilombolas esperados para o encontro, foram montados dois grandes galpões de lona. Cerca de 50 já estão no local, onde foram montadas estruturas de ferro onde eles poderão pendurar as redes onde vão dormir até domingo (1º). Quem não tiver redes dormirá em colchonetes.
Segundo Idália Teles, uma das coordenadoras do espaço, os quilombolas virão majoritariamente de comunidades do Amazonas, Maranhão e Bahia. O acampamento é organizado por entidades que defendem os direitos quilombolas, como o Centro de Estudos e Defesa do Negro, no Pará, e o Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso.
Daniel Souza, do Quilombo do Trombeta, no oeste do Pará, disse que, durante o fórum, sua comunidade pretende mostrar ao mundo que são os índios e os quilombolas que de fato cuidam da Amazônia. Para ele, as comunidades dos quilombos foram esquecidas pelo governo e pela sociedade.
"Queremos mostrar ao mundo a história esquecida dos quilombolas - só fomos lembrados a partir de 1995, quando foi titulada a primeira terra coletiva no Pará e no Brasil. Queremos mostrar ao mundo que existimos e que, se a Amazônia é preservada em algumas áreas do Pará, é graças aos quilombolas e índios. Por isso, fizemos questão de ser lembrados", disse.
Durante o FSM, os quilombolas participarão de mesas de debate e terão uma tenda específica para discutir a questão do negro. A demora nos processos de titulação das terras deve ser a principal revindicação. "Queremos que o governo do estado nos veja como prioridade dentro da questão fundiária. Porque a lei pela lei não é quase nada, a gente tem que trabalhar para que eles (governantes) cumpram", afirmou Daniel.
O acampamento dos quilombolas conta com banheiros e uma cozinha com um chefe, Otaviano Roma, que vai preparar todas as refeições. "Tive que estudar quais são as comidas que eles (quilombolas) consomem para preparar um cardápio que seja de seu agrado e nutricionalmente equilibrado. Inclui, por exemplo, maniçoba (prato típico paraense) e jerimum com leite", contou o chefe.
Por: Amanda Cieglinski
Fonte: Agência Brasil
27 janeiro, 2009 - 17:52h
Um golpe milionário ligado à exploração irregular de madeira foi descoberto no Pará. O esquema começou no fim do ano passado, quando a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Pará concedeu autorizações para a retirada de madeira de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A atividade é permitida desde que a área tenha muitas árvores para que haja o menor dano possível à floresta. É o chamado manejo florestal sustentável.
Mas, de acordo com um empresário que não quer ser identificado, funcionários da secretaria receberam propina para conceder as autorizações. E não foi só isso: "São projetos piratas. São projetos de manejo que não existem. Acabam criando manejo num lugar que não tem floresta para dar cobertura em outro lugar onde a madeira foi extraída de forma ilegal", diz o empresário.
Segundo ele, o golpe funciona com um madeireiro que derruba árvores em áreas distantes dos assentamentos. Com a conivência dos funcionários da Sema, essa madeira passa a constar da papelada oficial, como se tivesse sido extraída, legalmente, nos assentamentos.
Para verificar a denúncia, areportagem do Jornal Nacional foi a dois lugares indicados nas autorizações. O assentamento Rio Itacoroa fica no município de Baião. Nesta área, a Secretaria de Meio Ambiente do Pará autorizou a retirada do equivalente a 2,6 mil carretas de toras, mas quem anda pelo local encontra muitas áreas já desmatadas e pouca floresta. Nas estradas do assentamento não havia um único caminhão transportando toras.
De acordo com uma autorização, no assentamento vizinho, chamado Boa Sorte, há grandes quantidades de jatobá, maçaranduba e angelim, madeiras de alto valor comercial. Mas, de acordo com um morador do local, não esse tipo de madeira ali.
Sem floresta, sem manejo - Para o pesquisador Paulo Amaral, da ONG Imazon, os manejos não poderiam mesmo ter sido aprovados nesses locais. "Tem que ter floresta para ter plano de manejo. Onde não tem floresta, não se faz manejo", diz Amaral.
Ao todo, estava prevista a retirada de 109 mil m³ de madeira dos assentamentos. São cerca de 20 mil árvores, que, depois de serradas, renderiam R$ 30 milhões.
O secretário de Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, reconheceu que a documentação foi fraudada. "Houve uma manipulação dos dados do projeto, o que nos levou a bloquear o projeto, e agora estamos buscando colher provas em campo para que a gente possa, de fato, fazer a apuração de forma a responsabilizar engenheiros e responsáveis pelo projeto", diz o secretário.
Ortega confirmou que várias empresas já conseguiram movimentar ilegalmente pouco mais de 10% do total autorizado. O secretário, que assinou as autorizações, negou envolvimento no esquema. "Pela minha mesa passam aproximadamente oito mil processos por ano, portanto é absolutamente impossível que o secretário revise na sua mesa todos os processos que são assinados durante o ano".
Fonte: G1
27 janeiro, 2009 - 17:50h
Cerca de 2 mil índios do Brasil e de outros países d região amazônica deverão participar da nona edição do Fórum Social Mundial, quae começa nesta terça-feira (27), em Belém, no Pará. Eles terão uma posição de destaque na marcha de abertura do evento e, nos dias seguintes, tentarão definir uma agenda comum de ações. Na Tenda dos Povos Indígenas, que funcionará na Universidade Federal do Pará, discutirão temas como a demarcação de terras, grandes projetos econômicos que afetam suas comunidades e preservação ambiental.
Pelo planejamento inicial do fórum, discutido dois anos atrás, a questão da Amazônia e os efeitos do desmatamento no equilíbrio ambiental do planeta seriam os principais eixos das discussões do evento. Naquele contexto, previu-se que a participação dos índios, ribeirinhos e quilombolas teria enorme importância. Foi organizado até um esquema especial de doações, para financiar suas viagens.
De lá para cá, porém, o cenário mudou. Com a eclosão da crise financeira e econômica internacional, a questão amazônica deve ficar em segundo plano. O principal eixo passará a ser o debate de propostas alternativas ao modelo neoliberal que regeu a globalização e acabou resultando na crise atual.
Fonte: Estadão Online
27 janeiro, 2009 - 17:11h
Considerado Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2000, o parque nacional do Jaú, no Amazonas, virou motivo de discórdia entre ambientalistas e quilombolas. E, por isso, acabou colocando dois órgãos federais em disputa.
Atualmente, o parque é um dos maiores do Brasil, com 2,3 milhões de hectares - mais que o Estado de Sergipe. Enquanto o ICMBio (Instituto Chico Mendes) bate o pé para manter sua área, uma comunidade quilombola que habita o local, apoiada pelo Incra, reivindica 30% de sua extensão.
São 700 mil hectares para um grupo de 96 pessoas, o que dá uma área equivalente à de 45 parques do Ibirapuera por pessoa. Para comparação, cada um dos 19 mil índios na polêmica terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, dispõe para si de meio Ibirapuera.
Na tentativa de resolver o impasse, já foi feita uma reunião na AGU (Advocacia-Geral da União) no final do ano passado. E, em março, deve ocorrer mais um encontro entre as partes.
Além de abrigar espécies em extinção como a onça-pintada e a ariranha, o parque protege toda a bacia de um rio de água preta, o rio Jaú, que possui aproximadamente 450 km.
O parque tem amostras dos ecossistemas amazônicos, como matas de igapós que margeiam os cursos de água preta, inundados periodicamente durante o ano, e matas de terra firme, em terrenos mais elevados.
Na opinião do chefe do parque, Alessandro Marcuzzi, seria danoso para a biodiversidade local perder parte do habitat. "O fato de ter uma grande área de mata preservada é uma boa condição para manter a biodiversidade no longo prazo, diferentemente do que ocorre em áreas já fragmentadas", diz.
Além disso, avalia ele, a manutenção das pessoas ali não trará benefícios sociais. "É uma região extremamente isolada. A melhor solução seria indenizar as famílias e realocá-las."
Quando o parque foi criado, em 1980, havia diferentes comunidades dentro do perímetro. Juntando todas as comunidades (só a do Tambor reivindica terra no Incra), há cerca de mil habitantes no Jaú.
De acordo com Sebastião Ferreira de Almeida, 48, presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Tambor, quando o Incra fez a delimitação da área o grupo era de 17 famílias e, agora, estão em 23. "Os rapazes e as moças foram casando", explica.
Almeida diz que as pessoas querem continuar vivendo ali e que as famílias não teriam condições de se manterem dignamente na cidade. "O parque foi criado de cima para baixo. Não consultaram quem vivia aqui. Fomos muito pressionados, ameaçados. Mas agora, pelo menos, não há ameaças (por parte do ICMBio)", diz.
Briga no governo - Segundo a assessoria de imprensa do Incra, "não existe 'briga" entre o órgão e o ICMBio. "Já estão sendo estudadas alternativas no sentido de garantir os direitos quilombolas e a preservação do parque. Isso está sendo feito no âmbito da Câmara de Conciliação e Arbitragem da AGU", diz o órgão.
"O que há é uma sobreposição de área de interesse das comunidades quilombolas e do ICMBio/Ibama que está sendo tratada na instância mencionada", afirma o Incra.
Marcuzzi não tem o mesmo tom "pacifista". Para ele, chamou a atenção "o Incra, mesmo antes de publicar o Relatório de Identificação de Terras e discutir com as partes, já fazer constar em seus mapas oficiais em meados de 2008 os 'limites' do referido território". "Tal fato revela o intuito de tentar 'legitimar' a qualquer custo a área."
A reportagem solicitou à Fundação Palmares informações sobre a história da comunidade, mas não teve resposta.
Proteção integral - Os moradores plantam (têm mandioca, banana, melancia, abacaxi, cará), caçam e pescam no local, como sempre fizeram para sobreviver.
Na verdade, isso não deveria ocorrer em parques nacionais, que são unidades de conservação de proteção integral - isso significa que seu objetivo é preservar a natureza e que se deve evitar ao máximo a interferência humana. Mas é permitido que sejam feitas pesquisas científicas e turismo ecológico, por exemplo.
Porém, o turismo ainda não deslanchou no Jaú. O parque recebe, em média, somente 800 visitantes por ano. A maioria (70%) são estrangeiros. Eles só conseguem chegar de barco. Se veem em embarcações menores, tipo voadeira, levam em média cinco horas da cidade de Manaus e duas horas e meia de Novo Airão. Em barcos maiores, levam aproximadamente dezoito horas de Manaus e cerca de nove horas de Novo Airão.
A maioria dos turistas dorme nos barcos - os de operadores de turismo têm infraestrutura para permitir refeições a bordo e pernoites. "Em média, os turistas ficam de dois a três dias no parque", diz Marcuzzi.
O Ministério do Meio Ambiente quer incentivar o ecoturismo em alguns parques nacionais e o Jaú foi escolhido para receber recursos. Serão R$ 3 milhões nos próximos dois anos para construir um centro de visitantes e erguer uma pousada flutuante no local.
Por: Afra Balazina
Fonte: Folha Online
21 janeiro, 2009 - 07:47h
Se dependesse apenas da tecnologia, o desmatamento na floresta amazônica poderia ser facilmente controlado. Um dos maiores exemplos disso é o sistema de monitoramento que está sendo aos poucos implantado no Acre.
Utilizando imagens do satélite Formosat-2, que consegue captar derrubada de áreas de apenas 4 metros quadrados, os dados de desmatamento podem ser sobrepostos aos mapas digitais das propriedades rurais. Assim, é possível saber quem é o responsável pela derrubada de cada pequeno pedaço da mata.
Segundo o secretário de Meio Ambiente do Acre, Eufram Amaral, o estado utiliza um sistema de alta resolução (que capta imagens muito ricas em detalhes) porque a maior parte da devastação ocorrida no estado acontece em pequena escala. "Oitenta por cento do desmatamento ocorre em derrubadas de até 5 hectares", informa.
Em teoria, o estado teria o controle absoluto de qualquer destruição de floresta ocorrida em seu território. Na prática isso não ocorre porque a maior parte das propriedades ainda não está georreferenciada (seus limites não foram medidos com a ajuda de satélites). "Temos cerca de 40 mil propriedades. Dessas, cerca de 40% está georreferenciada", contabiliza Amaral.
Outra barreira para o controle absoluto é o alto custo das imagens e do trabalho de acompanhamento, feito por técnicos especializados. "A gente não está monitorando todo o estado. Cerca de 80% do processo de ocupação está no leste, e são essas áreas que estamos cobrindo", explica o assessor técnico da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), William Flores.
Para baratear o custo de monitoramento, o estado optou por usar imagens do satélite Spot 4 para vigiar a fronteira com o Peru e a região noroeste do estado. As fotos tiradas com esse equipamento permitem a detecção de desmatamentos de 20 x 20 m.
Incentivo a produtores - Além de acompanhar os níveis de desmatamento estaduais, o sistema de satélites do Acre também está sendo utilizado para ajudar na concessão de licenças ambientais. Se um produtor rural quer uma autorização para desmatar 20% da sua propriedade (percentual máximo permitido por lei na Amazônia), por exemplo, a Sema tem condições de verificar, por satélite, se a área realmente tem mata.
Uma outra finalidade das fotografias tiradas do espaço é conseguir verificar quem está cumprindo os acordos ambientais firmados com o estado. Hoje, o Acre dá incentivos para os produtores que recuperam suas áreas de proteção ambiental. Para conseguir os benefícios, contudo, o dono das terras tem que informar ao governo a localização exata (georreferenciada) da sua propriedade, para que a fiscalização possa ser feita por satélite. "Temos cerca de 230 propriedades inseridas nesse programa", informa o secretário de Meio Ambiente.
Para o futuro, os técnicos da Sema prevêem um uso mais intenso das fotografias espaciais. Um exemplo disso pode ser a fiscalização de um futuro "pagamento por serviços ambientais" no estado, por meio do qual proprietários que mantivessem a floresta em pé além do exigido por lei receberiam pagamento por isso. A fiscalização - que precisa ser rígida - seria feita por satélites.
Por: Iberê Thenório
Fonte: Globo Amazônia
21 janeiro, 2009 - 07:45h
O cérebro do homem tem mais "força de vontade" que o da mulher para controlar o desejo de comida, indica estudo com voluntários que ficaram 17 horas em jejum e depois foram estimulados com imagens de seus alimentos preferidos.
O experimento, realizado nos EUA, tem seu resultado publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Para o estudo, os cientistas pediam aos participantes do teste que tentassem inibir a fome, ignorando o estímulo visual e pensando em outras coisas. Tanto homens como mulheres conseguiam diminuir a fome. O cérebro masculino, porém, revelou uma atividade menor nas áreas envolvidas com regulação de emoções. O cérebro feminino, aparentemente, continuava "ligadão" no desejo de alimento.
"Nosso estudo era sobre comparar a diferença de gênero na capacidade de inibição do desejo de comida durante estimulação. É sobre controle cognitivo", disse à Folha o principal autor, Gene-Jack Wang, do Laboratório Nacional Brookhaven, de Upton (EUA).
O estudo foi feito com 13 mulheres e 10 homens de peso normal, com média de IMC (Índice de Massa Corporal) de 24,8, considerado normal.
Depois de estimulados, os cérebros dos participantes eram examinados através de PET (tomografia por emissão de pósitrons). Os cérebros dos homens que adotavam a técnica de "inibição cognitiva" desligavam várias áreas associadas à regulação da emoção, como a amígdala, o hipocampo, a ínsula e o córtex orbitofrontal.
O estudo do grupo de Wang lembra que a capacidade de controlar emoções é fundamental, e que danos nesse sistema de inibição podem levar a distúrbios alimentares.
A interação entre genética e ambiente tem levado a uma epidemia de obesidade nos EUA, dizem os médicos. A predisposição nos genes se alia à maior facilidade de obtenção de alimentos calóricos demais.
"Nossa descoberta de uma falta de reação à inibição em mulheres é consistente com estudos comportamentais", escreveram os cientistas.
Bacon, pizza e chocolate - Os alimentos escolhidos para o teste vieram de uma lista apresentada pelos pesquisadores. Havia legumes e vegetais na lista. Mas os favoritos eram "bombas calóricas": pizza, lasanha, cheeseburger, sanduíche de bacon, queijo e ovo, sorvete ou bolo de chocolate.
"Gordura e açúcar provêm um monte de calorias. Levou milhares de anos para os nossos ancestrais descobrirem isso para nós. Não tínhamos o "luxo" disso até os últimos quarenta anos, quando pudemos produzir grande quantidade de comida a preço barato", diz Wang.
"Vários estudos recentes provaram que roedores que recebem açúcar intermitentemente se tornam tão viciados nele como se fosse álcool", diz Wang. Ele cita também uma pesquisa que monitorou centenas de homens e mulheres por 20 anos e mostrou várias diferenças no histórico de peso.
Homens ganharam em média 4,5 kg por década; mulheres tiveram ganho de 2,3 kg entre 1982 e 1992, e de 4,1 kg de 1992 a 2002. Em 1982, 90% das mulheres tinham peso normal, número que caiu para 74% duas décadas depois. Entre homens, 79% tinham peso normal em 1982 e apenas 43% em 2002.
Entre os obesos (IMC acima de 30), os números foram parecidos. Havia só 1% de homens ou mulheres obesos quando adolescentes, mas o valor subiu para 8% entre mulheres e 9% entre homens 20 anos depois.
Por: Ricardo Bonalume Neto
21 janeiro, 2009 - 07:43h
No litoral brasileiro é comum encontrar montes formados por conchas, areias ou terra. Os cientistas em geral formaram a idéia de que esses montes seriam uma espécie de depósito de lixo composto, principalmente, por restos de comida dos povos antigos, como as conchas dos mariscos. Mas uma pesquisadora agora sugere que esses chamados sambaquis representavam uma cultura muito mais complexa.
Além de meros "lixões", os pesquisadores afirmavam que os sambaquis deveriam ser um espaço de moradia mais seco e arejado, livre de insetos e com uma visão estratégica da redondeza. "Durante muito tempo se estudou esses sítios arqueológicos de maneira simplista, com uma perspectiva teórica muito pobre", diz a antropóloga Tania Andrade Lima, professora no Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A pesquisadora sugere que esses habitantes, que viveram até oito mil anos atrás, eram mais do que caçadores e coletores de conchas. "Eles eram mais sedentarizados, o que proporcionou um grande crescimento populacional e possibilitou o emergir de uma sociedade diferenciada", afirma.
Isso significa que eles foram capazes de criar redes de difusão ideológicas de longo alcance. "Algumas peças, chamadas zoólitos, construídas em Santa Catarina, foram encontradas no Uruguai e vice-versa", explica Lima. Isso mostrava que eles viajavam e levavam consigo objetos simbólicos. "Não é qualquer sociedade que faz isso".
De acordo com a pesquisadora, os sambaquis também poderiam ser símbolo de demonstração de poder. "Eram grandes monumentos como as pirâmides no Egito ou o World Trade Center nos Estados Unidos. A verticalidade de edifícios sugere que o homem que quer se tornar maior e mais forte", diz.
No interior dos sambaquis já foram encontrados vestígios de fogueiras; armas de caça e de pesca; ferramentas; restos alimentares; ossos de peixes, mamíferos, aves e répteis; e vegetais como coquinhos.
Alguns sambaquis poderiam ser usados como moradia, grandes cemitérios, locais para rituais ou como habitação e sepultamento ao mesmo tempo. Todas essas são características exclusivas de sociedades agrícolas capazes de produzir excedentes.
Pesquisadores recuperaram evidências de práticas rituais, como sepultamentos e oferendas. Em alguns deles, são encontradas esculturas feitas de pedra e de osso que, provavelmente, eram usadas em rituais. Contrastam com a simplicidade dos demais objetos.
Onde estão - Segundo a pesquisadora, os sambaquis são a base para entender a cultura e os hábitos das primeiras populações que povoaram a costa brasileira. Eles se localizam, principalmente, na região Sul do país. Tratam-se de sítios arqueológicos pré-históricos que podem alcançar 30 metros.
O apogeu desses habitantes pode ter ocorrido em torno de quatro mil e três mil anos atrás, de acordo com datações radiocarbônicas. O declínio gradativo desse povo deve resultar de uma combinação de fatores. Entre eles está a coleta exagerada dos mariscos apreciados e consumidos com intensidade, o que inviabilizou sua reposição em número necessário.
"Mas populações do interior do atual Brasil já dominavam a agricultura", explica Lima. Elas poderiam ter alcançado a costa, no início da Era Cristã. Como eram economicamente mais fortes e organizadas - por produzir o próprio alimento - mudaram o modo de vida ou dizimaram quem vivia no litoral. Quando os europeus chegaram ao Brasil, há 500 anos, os povos que erguiam sambaquis não existiam mais.
Peças de rituais - Os zoólitos aparecem com mais freqüência nos sambaquis localizados em Santa Catarina. São esculturas de animais feitas de pedra e osso. A cientista acredita que se trata de uma arte elaborada que requer indivíduos talentosos para a sua execução. Os zoólitos provavelmente não foram feitos por caçadores ou coletores.
A distribuição de zoólitos sugere a existência de centros de produção no norte do estado de Santa Catarina, na região de Joinville e de Laguna. Ambas são áreas com alta concentração de sambaquis. Inclusive onde estão situados os montes de maior porte.
Por: Isis Nóbile Diniz
Fonte: G1
21 janeiro, 2009 - 07:41h
Uma equipe internacional de pesquisadores datou de 2 milhões de anos atrás uma série de artefatos encontrados na caverna Wonderwek, na África do Sul. Essa datação faz dos artefatos os mais antigos vestígios de ocupação de uma caverna por ancestrais do homem - no caso, o Homo habilis.
A caverna havia sido descoberta por fazendeiros em 1940. Peter Beaumont, do Museu McGregor - uma das instituições patrocinadoras do novo estudo - realizou escavações arqueológicas no local entre 1978 e 1993, recuperando um pequeno número de ferramentas de pedra.
Segundo a Universidade de Toronto, outra instituição envolvida na pesquisa, o conjunto de ferramentas encontrado indica a ocupação intencional da caverna por ancestrais humanos. As ferramentas de pedra mais antigas conhecidas foram descobertas na Etiópia e datam de 2,4 milhões de anos atrás.
Os cientistas tiveram que utilizar uma combinação de técnicas para datar o material encontrado na caverna, incluindo a comparação da orientação magnética das rochas com as mudanças conhecidas no campo magnético terrestre, e a datação pelo decaimento radioativo de componentes do material.
Fonte: Estadão Online
21 janeiro, 2009 - 07:39h
Uma mudança ambiental radical - com terremotos e inundações - é o que provavelmente aniquilou a cultura de Caral-Supe, no Peru, uma das primeiras grandes civilizações sul-americanas. Um estudo mostra como esse povo, que ocupou o norte do país por 2.000 anos, abandonou a região de forma abrupta, em apenas 200 anos.
O principal fator foi uma alteração natural no ciclo climático ocorrida há 3.600 anos, com intensos El Ninõs, diz um estudo publicado hoje na revista "PNAS", liderado pelo antropólogo Daniel Sandweiis, da Universidade do Maine (EUA).
O trabalho se baseou em uma série de evidências geológicas nos sítios arqueológicos de Caral (localizado no interior, 182 km ao norte de Lima) e de Áspero, no litoral.
O cenário descrito por Michael Moseley, cientista da Universidade da Flórida que também participou do estudo, é desolador. "No final do período analisado (entre 3.600 e 3.800 anos atrás) alguns templos foram reconstruídos, mas outros não."
Em Áspero, diz Moseley, o povo chegou a viver entre os templos danificados, perto de terras férteis que tinham sofrido depósitos de sedimentos e virado arenais. "Houve até rejeição aos deuses, algo que aumentou quando a invasão da areia ficou maior."
O aumento de sedimentos no local foi resultado de uma sequência de eventos. Terremotos, primeiro, alteraram a configuração geológica local. Ao mesmo tempo, inundações afetarem diretamente as cidades e carregaram mais areia para a região.
O depósito de sedimento perto da costa, então, fez com que o rio Supe - eixo do vale que abrigava a civilização- fosse modificado. A pesca e a irrigação que sustentavam a economia local ruíram.
Segundo os cientistas, o desfecho foi quase imediato. A sociedade de Caral-Supe, que prosperou no norte do Peru 4.000 anos antes dos incas, acabou sucumbindo às intempéries da natureza.
Os povos que passaram a habitar a região depois mudaram seu modo de agir, afirmam os cientistas envolvidos na pesquisa. "Essas novas pessoas usavam cerâmica, uma espécie de tecelagem e uma maior diversidade agrícola", diz Moseley.
Por: Eduardo Geraque
Fonte: Folha Online
20 janeiro, 2009 - 07:11h
Anteriores