Arquivos para dezembro, 2008
25 dezembro, 2008 - 11:15h
Caros amigos visitantes e leitores, É com grande satisfação que venho através desse agradecer-lhes pela colaboração e apoio aos 3 anos do Ambiente em Foco. E aos sites: www.zootecniabrasil.com.br , www.faunabrasil.com.br , www.edubrasil.com.br/ead ,www.brasilatual.com.br ou www.bibliotecasvirtuais.com.br .
Desejo-lhes um Feliz Natal e Próspero Ano Novo repleto de inúmeras realizações… que Deus os ilumine sempre.
Atenciosamente,
Délcio César Cordeiro Rocha
18 dezembro, 2008 - 06:45h
Todos os anos, vemos as taxas de desmatamento na Amazônia sendo amplamente divulgadas. Cientistas proeminentes, cordialmente, trocam críticas de cunho técnico para validar ou não a metodologia pela qual se obteve essa ou aquela taxa. Já os governos trocam acusações sobre esse ou aquele mandato. Para nós, habitantes dos grandes centros urbanos do país, é indiscutível, ouso dizer, uma verdade absoluta: os responsáveis por desmatamentos na Amazônia não passam de bandidos.
Assim tem sido desde o início dos anos 90, com a maior acessibilidade e qualidade das imagens de satélite pelo meio acadêmico, com o paradigma mundial do Desenvolvimento Sustentável em sua melhor fase logo após a Eco-92, e quando se iniciou a transformação das taxas anuais de desmatamento em moeda política.
Todos sabemos que há pouco tempo atrás não era assim. Nas décadas de 60 e 70 era possível abrir um jornal, no Sul do país por exemplo, e encontrar anúncios que prometiam terras gratuitas na Amazônia. A visão dos governos militares da época era taxativa: a Amazônia era um grande vazio demográfico cujo maior entrave ao desenvolvimento era a imensa floresta. Na tentativa de levar um milagre econômico para aquela região, tentou-se instalar um modelo agropecuário composto de grandes empresas no estilo "revolução verde", ou seja, baseado no monocultivo de vastas áreas e com forte acesso a insumos mecânico-químicos. Uma outra frente deste ambicioso plano era a mobilização de pequenos produtores descapitalizados, os quais, assim como os canhões de uma artilharia, amaciariam o terreno antes da ocupação. Os governos militares ofereciam, em alguns casos, terras cujo tamanho era limitado basicamente pela força de trabalho que um colono poderia dispor para desmatar. Ou seja, cada aventureiro que ali chegasse, ao desmatar um hectare de floresta, tinha direito a mais cinco.
Visitando um monumento apelidado de "Pau do Médici", ainda hoje no meio do nada, localizado próximo a cidade de Altamira no Pará, na lendária Rodovia Transamazônica, percebe-se claramente a força do paradigma desenvolvimentista da época. Trata-se de um monumento inaugurado pelo Presidente Médici, composto de três pilares de concreto de cerca de 10 metros de altura cada, erguidos ao lado de uma castanheira abatida pelo próprio presidente-general, e cujo tronco foi propositalmente deixado para simbolizar a chegada do progresso na região. Era a floresta, símbolo do atraso, dando lugar ao concreto, símbolo do urbanismo e do crescimento econômico.
Que pese o fato do calor escaldante e do regime de chuvas quase intermináveis que deve ter assolado os colonos que ali chegaram, a maior dificuldade ainda estava por vir: um solo ácido e infértil cuja produtividade era perdida drasticamente logo nos primeiros anos de estabelecimento dos roçados. À exceção de quem se instalara em alguma mancha de terra roxa existente naquela região, rapidamente ficou claro que, uma vez sem dinheiro para comprar insumos mecânico-químicos, estariam dependentes do sistema de corte e queima, ou seja, derrubar e queimar a vegetação para que os nutrientes componentes da matéria orgânica fossem disponibilizados para o solo. Como é amplamente conhecido, este sistema funciona em uma mesma área apenas nos primeiros ciclos, demandando novas áreas para serem queimadas.
Mas entre idas e vindas, muitos colonos se fixaram e prosperaram por ali. O município de Altamira, e vários outros estabelecidos às margens da Rodovia Transamazônica (entre eles o de Anapu, que o Brasil só veio saber que existia depois do escabroso assassinato da missionária americana Irmã Dorothy Stang), são atualmente um bom exemplo de persistência dos colonos. Porém, a maioria deles é, agora, ilegal aos olhos do Estado, ou imoral para a sociedade.
A ilegalidade lhes veio com uma abrupta mudança em um único aspecto da legislação ambiental brasileira. Trata-se, especificamente, da questão do tamanho da Área de Reserva Legal, ou percentual do imóvel rural onde não é admitido o corte raso ou desmatamento, mas tão somente o extrativismo, desde que composto de um Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente.
A figura da Reserva Legal foi criada por um artigo do Novo Código Florestal, uma Lei Federal de 1965. O código determinou as porcentagens de Reserva Legal que deveriam ser mantidas em imóveis rurais brasileiros, a exceção daqueles imóveis localizados na Amazônia Legal. Para esta região, o código mencionou apenas que tal porcentagem seria determinada pelo poder central no prazo de um ano. Enquanto isso não ocorria, o código limitava o corte raso em toda a Região Norte para 50% da área de cada propriedade, mas não exigia a comprovação jurídica da existência de uma reserva legal. Pois bem, não é de se estranhar que por mais de 15 anos vindouros, até o fim dos governos militares, não se tenha voltado ao aspecto "reserva legal na Amazônia". Afinal a ordem era desbravar, derrubar e ocupar. Foi apenas em 1989 que a Lei nº 7.803 adicionou a averbação da área de reserva legal de 50% de cada propriedade, "à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente". Já em 1996, usando de medida provisória com peso de lei, a era FHC elevou para 80% a reserva legal na Amazônia.
Para atingir esta porcentagem, o proprietário pode simplesmente abandonar a área desmatada para que a regeneração natural cuide da recomposição da reserva legal, e então poderá averbá-la. É uma lei tão "redonda" que parece muito fácil de ser cumprida. Aparentemente não há custos em deixar com que a regeneração natural reponha a cobertura florestal. Mas não é verdade, existem muitos custos envolvidos, entre eles o custo de oportunidade ou renda líquida por hectare de terra que seria gerada na área a ser abandonada.
Outros mecanismos legais possibilitaram a averbação da reserva legal em outro imóvel para compensar a área de reserva faltosa. Neste caso seria necessário comprar uma propriedade com cobertura florestal em quantidade excedente para "emprestar" para o outro imóvel do mesmo dono. A relação entre preço da terra com floresta e os custos de oportunidade é que determina a melhor opção, entre comprar para compensar ou abandonar para recompor. Mas é notório que, em nenhum dos casos, a lei trata de forma diferenciada os pequenos produtores.
Voltando à região da Transamazônica, depois de ter passado um bom tempo divagando sobre a simbologia daquele monumento do Presidente Médici, visitei lotes de pequenos produtores. Ao contrário do que eu esperava encontrar, vi condições bastante favoráveis para o funcionamento da legislação de 80% de reserva legal. É que o cacau está com bom preço por lá, e isto, somado a um ótimo trabalho de apoio e assistência técnica, tanto de ONGs quanto de órgãos do governo, tem estimulado a adoção dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). Os SAFs podem ser averbados como reserva legal, mesmo o monocultivo do cacau pode. Porém, ainda que com condições econômicas e estruturais favoráveis, a existência de lotes com 80% de área com cobertura arbórea, passível de ser reserva legal, é minoria.
Muito produtores possuem pequenos rebanhos bovinos, e vendem bezerros para engorda. A existência destes animais funciona como um sistema de financiamento para suas empreitadas. Por exemplo, para plantar um hectare de cacau, vendem bezerros para custear mudas, diárias etc. Para qualquer imprevisto, os bezerros são também vendidos, e cumprem também o papel de poupança e fundo de garantia, sendo atividade de extrema importância sócio-econômica. Para muitos destes produtores, recompor a área de reserva legal representaria abandonar áreas de pastagem, o que tornaria mais vulnerável a já combalida economia familiar.
No entanto, sem a reserva legal o produtor não pode vender, legalmente, a madeira de seu lote, já que não pode aprovar um plano de manejo no órgão ambiental competente. Assim, vende madeira a baixos preços, a qual é retirada por extratores e atravessadores clandestinos sem o menor planejamento ou cuidado com a área de floresta, aumentando a propensão ao fogo dentro do lote e as chances de incêndios em larga escala. Trata-se de um processo onde a lei estimula não apenas a ilegalidade, mas tem efeito contrário exatamente no objeto de sua regulação: a floresta.
Ao se exigir 80% de reserva de um pequeno agricultor na Amazônia, pressupõe-se que existem, igualmente distribuídas na região, amplas condições para o franco desenvolvimento de Sistemas Agroflorestais e extrativistas. Pressupõe-se, também, que a maioria dos pequenos agricultores está apta, técnica e financeiramente, para a intensificação da agricultura e pecuária em 20% do seu lote.
Neste ponto, vale ressaltar, nem todo pequeno produtor é um agricultor familiar, que por sua vez pode não ser um assentado ou muito menos um proprietário de terra. Mas, devido à diversidade sócio-cultural e produtiva dificultar uma tipificação mais precisa, arrisco, neste momento, optar pelo pragmatismo: um tratamento diferenciado para os pequenos produtores assentados por programas governamentais, e cujo tamanho do lote não seja superior a 100 hectares (tamanho médio dos lotes oficiais em assentamentos na Amazônia). Para os enquadrados nesta categoria a porcentagem exigida como área de reserva legal deve ser reduzida. Para qual porcentagem é assunto para outra discussão, no entanto o valor de 50% poderia ser um ponto de partida.
Tal redução traria para a legalidade milhares de assentados, lhes daria maior poder de barganha na comercialização de seus produtos, especialmente os florestais, madeireiros e não-madeireiros. O aumento da legalidade representaria um aumento na própria perspectiva de construção da sustentabilidade nos assentamentos amazônicos.
É chegada a hora de discutir com responsabilidade essa questão, e não com os tabus que nos impõe o que parece ser o bom senso. O questionamento da viabilidade da reserva de 80% nos assentamentos na Amazônia é legítimo, e não uma desculpa de bandido, como nós, urbanóides, acreditamos.
Por: Kemel Amin Bitencourt Kalif é Doutor em Desenvolvimento Sustentávl do Trópico Úmido e pesquisador post-doc do Instituto de Economia da Unicamp.
Fonte: Correio da Cidadania
18 dezembro, 2008 - 06:41h
Uma equipe de astrônomos alemães da cidade de Bonn detectou a presença de água à maior distância da Terra registrada até o momento, cerca de 11,1 bilhões de anos-luz.
Um porta-voz do Instituto Max Planck de Radioastronomia de Bonn especificou nesta quarta-feira (17) que as partículas de água foram localizadas no quasar (corpo cósmico que emite grandes ondas de radiação) MG-J0414+0534, uma galáxia ativa muito distante de nosso planeta.
Os cientistas alemães assinalaram nesse sentido que os sinais que se recebidos do quasar são de quando o universo só tinha um quinto de sua idade atual.
O grupo de astrônomos, que publicará os resultados de seu estudo na revista Nature, estima que a água detectada faz parte de nuvens de gás e pó que são absorvidas por um buraco negro em massa situado no centro do quasar.
Sublinharam que não se trata de água líquida, mas de moléculas de água muito distantes entre si, que puderam ser detectadas com o radiotelescópio da montanha de Effelsberg, junto a Bonn.
Sua descoberta foi possível também pela situação do quasar no espaço, com outra galáxia em seus arredores que fez de espelho para reforçar a primeira.
Fonte: Estadão Online
18 dezembro, 2008 - 06:39h
A misteriosa energia escura, que provavelmente faz com que o Universo se expanda cada vez mais depressa, parece ter outro efeito: impede que os grandes aglomerados de galáxias cresçam demais.
Usando raios X vindos do espaço para estudar a formação dos aglomerados, astrônomos encontraram evidências que apóiam a idéia de que uma energia escura opera no universo, opondo-se à gravidade. Isso significa, ainda, que a Teoria da Relatividade Geral proposta por Albert Einstein há quase 100 anos passou por mais uma prova no mundo real.
O pesquisador Alexey Vikhlinin, usou o observatório orbital de raios X Chandra, da Nasa, para descobrir que a energia escura impede que os aglomerados de galáxias - com cerca de mil galáxias ou mais - cresçam excessivamente.
Sem a energia escura para se opor à gravidade, os aglomerados continuariam a acumular mais e mais galáxias, tornando-se cada vez maiores e mais densos. Mas isso não aconteceu nos últimos bilhões de anos, disse Vikhlinin, do Observatório Astronômico Harvard Smithsonian.
Ele estudou a formação de 86 desses aglomerados e viu que a desaceleração do ganho de matéria teve início há cerca de 5,5 bilhões de anos. A causa provável: energia escura.
Especialistas que não tomaram parte no estudo elogiaram o trabalho, que será publicado na edição de fevereiro do Astrophysical Journal, como importante para a compreensão de um conceito que é crucial para que se possa entender a evolução do Universo.
A energia escura é uma idéia relativamente nova, que foi adotada há uma década, quando observações de estrelas distantes mostraram que o Universo expandia-se a uma taxa acelerada - o que surpreendeu os cientistas.
Uma hipótese para explicar o fenômeno parte de uma idéia sugerida originalmente por Einstein, de que haveria uma força no Universo que se opõe à gravidade. A descoberta dos efeitos da energia escura em aglomerados de galáxias é a primeira confirmação dessa possibilidade obtida de forma independente da aceleração das estrelas distantes.
À medida que o Universo se expande por conta do impulso da energia escura, os aglomerados vão se afastar cada vez mais. Dentro de algumas dezenas de bilhões de anos, eles sumirão de vista, disse Vikhlinin. "Em algum momento, ficaremos sem nada para observar".
Fonte: Estadão Online
18 dezembro, 2008 - 06:38h
Uma jovem egípcia de 16 anos morreu como conseqüência do vírus da gripe aviária, o que aumenta para 23 o número de mortos desde o surgimento da doença no país em fevereiro de 2006, informou nesta terça-feira (16) a imprensa local.
O porta-voz do Ministério da Saúde, Abdel Rahman Shahin, explicou que a vítima, que morreu na segunda-feira, 15, vivia na localidade de Abu Tig, em Asiut, 380 quilômetros ao sul do Cairo.
A jovem, que pegou a doença por contato com aves domésticas, foi internada no Hospital Universitário de Asiut no último domingo (14).
Pelo menos 53 pessoas pegaram gripe aviária, sendo que 23 morreram, desde que as autoridades anunciaram o primeiro caso no Egito em fevereiro de 2006.
O Egito é o país árabe mais atingido por esta doença e já sacrificou dezenas de milhares de aves de granja para evitar a expansão do vírus H5N1.
Fonte: Estadão Online
18 dezembro, 2008 - 06:37h
As autoridades do Camboja começaram nesta quarta-feira (17) a sacrificar frangos em granjas situadas nas proximidades de Phnom Penh, cinco dias depois de o país registrar seu primeiro contágio de gripe aviária em um ser humano em 2008, informaram fontes oficiais.
O Ministério da Agricultura proibiu durante os próximos três meses o transporte de aves procedentes da província de Kandal, cerca de 50 quilômetros ao sul de Phnom Penh, onde na sexta-feira passada foi confirmado que um homem tinha sido infectado com a variante H5N1, a mais mortífera do vírus.
Trata-se do primeiro caso este ano e o oitavo desde que a doença chegou ao país em 2005, e todos os contágios anteriores ocasionaram a morte da vítima.
O doente, de 19 anos e atualmente internado em um hospital da capital, contraiu o H5N1 em 28 de novembro, segundo a Organização Mundial de Saúde.
As autoridades cambojanas também investigam um suposto caso de mortes de vários frangos e patos na província de Kampong Speu.
Fonte: Estadão Online
18 dezembro, 2008 - 06:35h
Trinta e dois municípios de Minas Gerais decretaram situação de emergência por causa da chuva, segundo relatório divulgado pela Defesa Civil do estado. Mais de 10 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas desde o início do período de chuvas no estado. Neste ano, dez pessoas morreram no estado vítimas da chuva.
Ainda de acordo com a Defesa Civil, 60 cidades sofrem com o mau tempo. Mais de 11 mil casas foram danificadas pela chuva e 67 foram destruídas. No município de Congonhas (MG), a enchente deixou 300 famílias desalojadas. De barco, a Defesa Civil resgata moradores que estão ilhados em casa por causa das enchentes.
Em João Monlevade, um homem morreu soterrado na madrugada desta quarta-feira (17).
Chuva no Espírito Santo - A chuva voltou a causar prejuízos no Espírito Santo, nesta quarta-feira. Em Ibitirama, o afluente do Rio Itapemirim está seis metros acima do nível normal. A água desce com força e já invadiu lavouras e pastos na zona rural do município. Já existem famílias desabrigadas. Não há registro de mortes.
Fonte: G1
18 dezembro, 2008 - 06:33h
Mergulhado até os ombros nas águas escuras do Rio Papuri, o capitão Rogério Silva desfere golpes de martelo sobre uma barra de ferro apontada para o fundo. Alguns minutos depois, está montada uma pequena plataforma fluvial, sobre a qual soldados posicionam um grande triângulo de alumínio. A posição exata da peça é registrada com um aparelho GPS de alta precisão e, por fim, o capitão informa a base que a tropa está pronta.
"Base, aqui é Onça Uno; informo Papa Três em posição; solicito vôo", comunica o capitão pelo rádio, ainda sem sair da água.
"Positivo Onça Uno; aeronave pronta; aguardando decolagem", responde a base. Agora, é só esperar o avião passar.
A cena se passa nas entranhas da selva amazônica, a duas horas de lancha do 1º Pelotão Especial de Fronteira do Exército, em Iauaretê, bem na garganta da Cabeça do Cachorro, norte do Amazonas, onde o Brasil parece prestes a engolir um pedaço da Colômbia. A linha imaginária da fronteira está perdida em algum lugar no meio do rio. Mesmo em época de seca, não há praias. A floresta tropical se ergue como uma muralha sólida em ambas as margens, ocupando cada centímetro possível de terra.
A pirâmide de alumínio que os soldados instalam dentro do rio é um refletor que será usado para aferir a precisão geográfica das imagens de radar feitas pelos aviões do projeto Cartografia da Amazônia, um grande esforço de mapeamento de áreas remotas da floresta, lançado neste ano pelo governo federal. De volta à base, o ponto de GPS marcado no solo será comparado às coordenadas obtidas do ar, usando os refletores como ponto de referência. Para que os mapas tenham a precisão desejada, as coordenadas medidas pelos soldados e pelo avião devem ser iguais, com uma margem de erro de poucos centímetros.
Os refletores precisam estar em terreno aberto para que possam ser detectados com clareza pelo radar - coisa rara em áreas de floresta densa, como o norte do Amazonas. A plataforma fluvial foi desenvolvida pelas equipes de engenharia do Exército para situações como essa, em que não há clareiras ou praias para acomodar os equipamentos. Outras opções incluem armar os refletores em pedras no meio do rio ou em clareiras já abertas por ribeirinhos. A instrução é não derrubar nenhuma árvore.
A demonstração no Rio Papuri, acompanhada pelo Estado e uma comitiva de três generais, dá uma idéia da dificuldade de mapear a Amazônia. Os refletores não podem ser deixados no campo. Por isso, o deslocamento das tropas no solo precisa ser sincronizado com o plano de vôo das aeronaves em áreas super-remotas da floresta. A logística é dificílima, até mesmo para os padrões do Exército. "É uma verdadeira operação de guerra", diz o diretor Marcelo Lopes, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão federal que coordena o projeto.
Estradas não existem ou são intransitáveis. Os aeroportos são algumas poucas pistas de terra abertas junto à fronteira e, seja como for, os pelotões não têm aviões nem helicópteros disponíveis em tempo integral para se locomover. Cada hora de vôo e cada litro de combustível precisa ser rateado entre as Forças Armadas e órgãos ambientais, como o Ibama, para todo tipo de missão - desde treinamento de guerra até combate a incêndios e prestação de serviços a comunidades isoladas.
Os rios, que são as verdadeiras estradas da Amazônia, também não são nenhum passeio. Quase sempre possuem trechos de corredeiras que precisam ser vencidos a pé pela mata, carregando tudo - barco, motor, combustível e equipamentos - nas costas. Em outros casos, são tão cheios de curvas e meandros que o tempo de viagem se torna o dobro ou o triplo do que seria em uma linha reta. O mesmo vale para o consumo de combustível, a fome, o calor e o cansaço. As missões de campo para instalação de refletores levam dez dias, em média. "Nada é fácil na Amazônia", resume o general de brigada Pedro Ronalt Vieira, diretor do Serviço Geográfico do Exército.
A Cabeça do Cachorro foi escolhida como ponto de partida para o projeto de mapeamento, previsto para durar cinco anos. Para entender o apelido da região, basta olhar no mapa: a linha da fronteira entre o Brasil e a Colômbia navega por entre rios e paralelos da Bacia do Alto Rio Negro, formando uma figura que lembra o pescoço, as orelhas, o focinho e a boca de um cachorro. Por suas artérias fluem as águas escuras do Rio Uaupés, do Rio Içana e do próprio Negro, conectados por uma infinidade de igarapés. Nos ombros, leva o Pico da Neblina, o ponto mais alto de Brasil, e sua pele é coberta por uma das florestas mais antigas e bem preservadas da Amazônia.
DESCONHECIDO
Por baixo desse manto verde e rugoso, porém, pouco se sabe sobre a anatomia interna da região. A Cabeça do Cachorro fica no chamado "vazio cartográfico", uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados de floresta que nunca foi devidamente mapeada, formando um "arco de desconhecimento" que se estende do extremo oeste do Acre até o extremo norte do Amapá.
Na prática, isso significa que 35% da Amazônia brasileira (uma área maior do que os sete Estados do Sul e do Sudeste) não possui informações básicas de cartografia, como altimetria de relevo, profundidade de rios e variações de cobertura vegetal - cruciais para o planejamento de defesa, desenvolvimento e pesquisa da região.
No caso de uma hidrelétrica, por exemplo, os engenheiros precisam conhecer em detalhes a topografia para saber como a água vai se espalhar pelo terreno. Da mesma forma, cientistas precisam das informações mais detalhadas possíveis sobre a paisagem para desenvolver modelos ecológicos, estudar a distribuição de espécies e identificar ecossistemas vulneráveis.
"Todo mundo fala em proteger e fazer o desenvolvimento sustentável na Amazônia, mas sem conhecimento não temos como fazer isso", diz o tenente-coronel Clovis Gaboardi, chefe da 4ª Divisão de Levantamento do Exército, em Manaus.
Os mapas produzidos pelo projeto serão os mais detalhados já feitos para a Amazônia. As tecnologias de radar utilizadas nos aviões permitem "enxergar" através das nuvens e das copa das árvores até o chão da floresta - diferentemente das imagens óticas de satélite, que só enxergam superfícies expostas e são bloqueadas por nuvens, o que impede a visualização da floresta durante longos períodos.
"Muita gente olha do alto e acha que a Amazônia é uma planície coberta de floresta. Mas não é. Por baixo das árvores, o relevo varia muito", diz o general Armindo Fernandes, consultor técnico da empresa OrbiSat e gerente geral do projeto. "Quem anda por lá sabe disso."
O ornitólogo Mario Cohn-Raft que o diga. Um experiente pesquisador de pássaros amazônicos, com muitos quilômetros de selva no currículo, ele utiliza rotineiramente mapas e imagens de satélite para planejar seus trabalhos de campo. Mas se dependesse só dos mapas, ele nunca teria chegado a lugares como a Serra do Aracá: uma formação de tabuleiros e montanhas na divisa com a Venezuela, com picos que chegam a quase 2 mil metros de altura. "No Google Earth dá para ver a serra, mas no mapa, ela não aparece. É como se não existisse", conta Cohn-Raft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. "Se eles fizerem mesmo esse mapeamento, será uma ferramenta fantástica."
Por: Herton Escobar
Fonte: O Estado de S. Paulo
18 dezembro, 2008 - 06:32h
Relatório anual das operações de combate ao desmatamento no Amazonas mostra uma queda de mais de 50% nos índices de desmate de áreas primárias (nunca desmatadas) em relação ao ano passado. E mais: segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o índice é o mais baixo dos último cinco anos. "Com essa diminuição acelerada no desmatamento, pode-se fazer uma projeção de um desmate zero em 2015", afirmou o superintendente do Ibama no Amazonas, Henrique Pereira.
Com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os números apontam que o Amazonas, que apresentou uma área de 1.558 quilômetros quadrados desmatados em 2003, este ano apresentou 479 quilômetros quadrados desmatados, segundo imagens registradas por satélites. No ano passado, foram desmatados 610,64 quilômetros quadrados.
Além da redução do desmatamento, o Amazonas também apresentou este ano o menor índice de focos de calor dos últimos cinco anos. Foram detectados 1.081 focos de calor contra 1.138 no ano passado, diminuindo assim as queimadas associadas às atividades agropecuárias.
Para o superintendente do Ibama, o fato de o Amazonas ter diminuído o índice de desmatamentos progressivamente, apresentar uma tendência matemática de diminuição desses índices e ser o Estado amazônico menos desmatado pode ser explicado por dois fatores. O principal é a falta de acesso rodoviário às matas. "Quem desmata no Amazonas tem de desbravar mata virgem porque não há estradas", destaca.
Outro motivo destacado por Pereira é a atuação conjunta dos governos estaduais e federal de fiscalização e autuação, a qual tem se mostrado eficiente, além da criação de Unidades de Conservação. Este ano foram arrecadados R$ 382,1 milhões em multas no Amazonas por desmatamento ou extração, transporte e comercialização ilegal de madeira.
Uma novidade que, para o superintendente, também deverá contribuir com uma mudança de atitude do empresário que faz o desmate ilegal foi a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais, pelo decreto 6.514 de 2008. Pelo decreto, madeira, produtos derivados e gado encontrados em áreas desmatadas ilegalmente ficam em poder do Estado até que o dono pague a multa. Se não pagar, o material é leiloado. Há 981 bois apreendidos numa área desmatada no sul de Lábrea, município a 703 quilômetros de Manaus.
Fonte: Estadão Online
18 dezembro, 2008 - 06:30h
Em busca de uma sonoridade diferente, os músicos do grupo Imbaúba foram buscar inspiração na Floresta Amazônica para compor o repertório inaugural. O trabalho, conhecido como música orgânica, usa o trinado de pássaros, o farfalhar das folhas, as batidas de sapopembas e outros ruídos da vegetação para integrar as canções. Todos os sons são reproduzidos por instrumentos acústicos.
O poeta e músico Celdo Braga, que coordena o grupo, já tinha referências instrumentais em 26 anos de atuação no Grupo Raízes Caboclas, de onde saiu em maio deste ano para criar o Imbaúba. Braga disse ao G1 que usa instrumentos da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, feitos de madeira certificada da floresta.
"Queria desenvolver um trabalho bem regional, que pudesse mostrar um pouco dos encantos da nossa Amazônia. Além disso, queremos chamar a atenção para a preservação do meio ambiente, para os cuidados com a água, com a terra, com o ar e o fogo. Queremos mostrar um novo referencial artístico", afirmou o músico.
Apesar de a sonoridade ser tipicamente amazônica, a primeira apresentação do grupo ocorreu em solo estrangeiro. "Revelamos esse trabalho na Ilha da Reunião, no Oceano Índico, em agosto de 2007. De lá pra cá, a nossa música se desenvolveu e trilhamos o Brasil com apresentações no Rio de Janeiro, São Luís, Boa Vista, Palmas e Cuiabá", disse Braga.
A fidelidade dos sons reproduzidos pelo grupo vem de uma imersão na mata amazônica. "Eu nasci na floresta, em Benjamin Constant. Cresci ouvindo os sons produzidos pela Amazônia. O próximo passo é gravar ao vivo na floresta."
O grupo Imbaúba é formado por Cláudio Nunes (violonista), João Paulo Ribeiro (percussionista), Rosivaldo Cordeiro (arranjador), Roberto Lima e Sofia Amoedo (vocalistas), além de Celdo Braga. Eles lançaram o CD "Mãe da Terra" em outubro deste ano.
Fonte: G1
18 dezembro, 2008 - 06:29h
O aterro sanitário de Boa Vista (RR), que recebe mais de 600 toneladas de lixo produzidas diariamente por seus 250 mil moradores, é o destino de índios e garimpeiros que deixaram as reservas indígenas de Roraima, como a Raposa Serra do Sol, e hoje precisam do detrito para sobreviver na cidade. A Folha esteve no descampado de mais de 500 metros de extensão, na periferia da capital. Viu ao menos 30 pessoas com feições indígenas trabalhando em meio ao chorume (resíduo formado a partir da decomposição de matéria orgânica) e aos urubus.
Eles não quiseram falar. "O pessoal tem medo que seja a polícia, que aparece para tirar a gente daqui", afirma Magson Pinto Azevedo, 28, um dos não-índios da área que perambula pelo aterro há seis anos, buscando alumínio, cobre ou algo para comer. Segundo outros catadores, ex-moradores das reservas aparecem periodicamente. Usam o que pegam no aterro para vender e comprar roupas. Também trocam farinha com outros freqüentadores do aterro pela gordura das carnes apodrecidas. "Eles vendem o sebo para as fábricas de sabão."
Sentada sobre uma lata, uma mulher abaixa a cabeça quando percebe a chegada da reportagem. Ao seu lado, outra, mais velha, esconde o rosto com uma das mãos. Com alguma insistência, a primeira diz que elas são da etnia macuxi. Está grávida de cinco meses. "Venho só de sábado aqui", diz, perto do trator que esmaga a carga deixada por outro caminhão. Mas se cala quando perguntada sobre sua terra de origem.
Apesar de não ser indígena, Luís Almir Ferreira, 52, conhece bem a Raposa Serra do Sol. Durante dez anos, morou nela, onde buscava, ilegalmente, ouro e diamante. Foi expulso depois da homologação da reserva, em 2005. Agora vasculha o lixo, com a ajuda de uma espécie de espeto de ferro, ferramenta de quase todos no aterro. "Lá era muito melhor, bonito. Demora para se acostumar com o cheiro."
Como boa parte dos catadores, ele trabalha cinco dias por semana, das 9h às 17h. Consegue R$ 400 por mês, o que "dá só para o gênero (comida)".
"Tem muito garimpeiro aqui. Eles saíram (das reservas), foram botados para fora. Quando chegam à cidade, não têm o que fazer", diz José Procópio de Souza, 65, que há 20 sobrevive dos detritos de Boa Vista.
Um agente da Funai (Fundação Nacional do Índio) na região disse que, quando os índios saem de suas comunidades, ficam com vergonha de voltar e têm de sobreviver na cidade. Alguns, afirmou, acabam cometendo suicídio. Para Erotéia Mota, macuxi e candidata derrotada a vice-prefeita do arrozeiro Paulo César Quartiero, o número de egressos da Raposa no aterro deve aumentar se o Supremo Tribunal Federal confirmar a demarcação contínua da reserva.
Fonte: Folha Online
18 dezembro, 2008 - 06:27h
O povo tupi-guarani já vivia na região de Araruama (RJ) há 2.920 anos (a margem de erro é de 70 anos) - aproximadamente 1.180 anos antes do que as evidências científicas indicavam até hoje. A descoberta publicada nos "Anais da Academia Brasileira de Ciências" embaralha as teorias que tentam explicar a dispersão dessa cultura indígena, que teria começado na Amazônia.
A "nova" datação, deduzida a partir dos carvões de uma fogueira (provavelmente usada na queima de cerâmica), na verdade foi feita no final dos anos 1990. Justamente pelo fato de ser antiga demais, porém, a autora do estudo, Rita Schell-Ybert, do Museu Nacional, não acreditou que a fogueira pudesse ser obra de humanos, e acabou engavetando a análise.
O panorama só começou a mudar recentemente, quando surgiu um outro dado. A datação de uma outra fogueira, desta vez de origem funerária, no mesmo sítio arqueológico de Morro Grande, município de Araruama, mostrou que ela havia sido feita 2.600 anos atrás.
Os tupis-guaranis, diz Schell-Ybert à Folha, enterram seus mortos em urnas, mas ao lado eles fazem fogueiras - tanto para "espantar espíritos ruins" quanto para "aquecer a alma" do morto e prepará-la para entrar no Guajupiá (o Paraíso da mitologia tupi-guarani).
"Com essa nova datação resolvi voltar ao estudo do final dos anos 1990", diz a cientista, que contou com recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro). A hipótese de que aqueles carvões não tinham sido queimados por humanos acabou descartada.
Uma das pistas que levaram a essa conclusão, explica a antropóloga, é a quantidade de cascas observadas nas amostras. "Quando a queima é de origem antrópica [humana], existe muito mais casca do que lenha, como foi visto", afirma.
Com as duas informações em mãos: a fogueira funerária de 2.600 anos e a fogueira doméstica de 2.920 anos, as evidências antropológicas de que os tupis-guaranis habitaram aquela região dos lagos fluminenses ficou mais robusta. "Nesta área, provavelmente, houve um ciclo de ocupação e desocupação", explica.
Mas se os tupis-guaranis chegaram ao atual Sudeste do país faz tempo, como eles poderiam ter deixado a Amazônia quase na mesma época, como mostram as evidências científicas disponíveis atualmente?
Migração antecipada - "Os resultados são bem surpreendentes. Eles complicam um pouco as coisas, talvez até nos levando a rejeitar uma origem amazônica dos tupis-guaranis", afirma Eduardo Neves, antropólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.
Neves trabalha em Porto Velho (RO) tentando descobrir se o centro a partir do qual os tupis-guaranis se dispersaram era naquela região. Segundo ele, as datas potencialmente candidatas para as ocupações da Amazônia são as mesmas que as divulgadas agora para o norte do Rio de Janeiro, "ou até mais recentes". Mas essas datações, diz o pesquisador da USP, são baseadas em dados lingüísticos e não arqueológicos.
Para a pesquisadora do Museu Nacional, essa ocupação antiga dos tupis-guaranis no Rio, se não tira a importância da Amazônia como centro de origem desse grupo indígena, ajuda a mostrar, talvez, que a saída do norte do país começou bem antes do que se imaginava.
Por: Eduardo Geraque
Fonte: Folha Online
18 dezembro, 2008 - 06:25h
O índice de desmatamento em floresta primária no Amazonas foi reduzido de 1.558,16 km2 em 2003 para 479 km2 neste ano, anunciou na terça-feira (16) o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), com base em estimativas feitas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Em Lábrea, o único dos 62 municípios do Amazonas incluído na lista dos 36 campeões de desmates na Amazônia, a marca de 471,91 km2 de floresta derrubada em 2003 caiu para 54,16 km2 neste ano.
Os números são do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), do Inpe.
O gerente-executivo do instituto no Amazonas, Henrique Pereira, credita a queda nos índices de desmatamento à política federal de combate à exploração ilegal de madeira e também à criação de unidades de conservação como as reservas extrativistas do Médio Xingu e Ituxi e o parque nacional do Mapinguari, que eram alvo da ação tanto de madeireiros como de grileiros.
"O trabalho que decorre dessas ações tem dado um sinal muito claro à sociedade amazonense de que o desmatamento ilegal no Amazonas é um crime que não compensa economicamente", disse Pereira.
Nas ações de campo, o Ibama no Amazonas também executou operações que resultaram em multas totais de R$ 382,1 milhões neste ano.
Por: Kátia Brasil
Fonte: Folha Online
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