Arquivos para junho, 2008
13 junho, 2008 - 22:26h
Números do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostram que estrangeiros são donos de mais de 3,8 milhões de hectares de terra no Brasil. Somente em Mato Grosso, os investidores internacionais têm aproximadamente 754 mil hectares, divididos em 1.377 propriedades rurais. Seguem na lista São Paulo e Mato Grosso do Sul, Estados em que os estrangeiros têm, respectivamente, 504 mil e 423 mil hectares.
Diante do quadro, a Advocacia-Geral da União (AGU) já trabalha na elaboração de um parecer para limitar a compra de terras brasileiras por estrangeiros, como estratégia de defesa da soberania do País.
A lei federal existente é pouco restritiva e movimentos sociais consideram a concentração estrangeira inadmissível em um país com demandas camponesas não atendidas. "É um incoerência, uma injustiça e uma imoralidade. Como se não bastasse a concentração de terras nas mãos de poucos brasileiros, outra parte que poderia ser destinada à reforma agrária está com não-brasileiros", criticou, em entrevista à Agência Brasil, o padre Dirceu Fumagalli, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Favorável ao endurecimento da legislação, o padre Fumagalli avalia que a presença crescente de estrangeiros no meio rural pode ter conseqüências mais graves na região amazônica. "A Amazônia, por estar no foco do embate da questão ambiental, tem uma propensão maior à ampliação de grandes territórios nas mãos de estrangeiros". Para ele, a preocupação é porque o primeiro impacto se dá sobre as comunidades tradicionais.
Quem também defende providências imediatas do governo para conter a ocupação de terras nacionais por estrangeiros é o deputado federal Anselmo de Jesus (PT-RO), coordenador da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar. "Temos que colocar regras mais duras, como existem em outros países, e isso tem que ser para já", afirmou o deputado.
Natural da Amazônia, o parlamentar diz que o governo e a sociedade brasileira precisam se conscientizar da necessidade de atuar juntos para proteger a região, superando um descaso histórico: "Muitas vezes, a Amazônia não recebeu o tratamento devido e agora temos que sair batendo no peito para dizer que ela é nossa. Precisamos de políticas mais voltadas para atender as necessidades de quem vive na região e assim ela ficará protegida".
Fonte: Estadão Online
13 junho, 2008 - 22:24h
Índios surdos, que vivem em 20 municípios de Mato Grosso do Sul, serão os atores para uma platéia composta por mestres, professores e técnicos em lingüística, durante dois dias na cidade de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande. Estarão reunidos na sexta-feira (13) e no sábado (14) na "1ª Roda de Conversa: Índio Surdo e sua Língua de Sinais". Segundo a coordenadora de Educação Especial da Prefeitura de Dourados, Elza Corrêa Pedrozo, um dos objetivos do encontro é saber se os sinais dos kaiowás são idênticos aos dos terenas, por exemplo.
Ela explicou, o fato de que os índios desconhecem a Libras (Língua Brasileira de Sinais), motivou estudos sobre o assunto. De acordo com as pesquisas que estão sendo realizadas desde 2006, alguns gestos são iguais. "Notamos por exemplo, que a palavra mãe é entendida com o mesmo gesto, ou seja com as mãos no peito, como se estivessem protegendo os seios. Já anotamos vários gestos iguais entre as etnias, mas não ainda o suficiente para alguma conclusão".
"Queremos chegar a ponto de elaborar uma linguagem única de sinais entre as tribos, mas antes precisamos saber se ela já não existe. Sabíamos que os índios surdos utilizavam a chamada linguagem caseira, aqueles sinais que os pais utilizam em casa para falar com os filhos, mas as pesquisas estão mostrando outra direção, pode ser que eles já têm essa linguagem com gestos que todas aldeias da região sul do Estado, entendem".
No local, entre outras programações, os índios estarão explicando como é o convívio com a surdez, nos relatos que acontecerão dentro do tema "Eu Índio Surdo". Haverá entre eles diálogos através de sinais, que serão interpretados para a para os não índios, como membros da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e da Universidade Federal de Santa Catarina.
O evento será realizado na Escola Municipal Tengatuí Marangatu, aldeia Jaguapiru, dentro da Reserva Indígena de Dourados.
Fonte: Estadão Online
13 junho, 2008 - 22:23h
O chamado mofo branco voltou a ser encontrado em lavouras de soja pelo Brasil. A praga foi considerada erradicada há pelo menos 15 anos, mas tem atacado propriedades com toda a força na safra 2007/2008.
O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Iwao Miyamoto, acredita que o problema está no uso de sementes piratas. Em entrevista ao Mercado e Companhia, nesta quarta-feira, dia 11, ele disse que o mofo branco voltou às plantações há cerca de 10 anos. A perda na produção pode ser de até 30%.
- Quem usa semente pirata, imprópria não passa pela classificação. Os produtores de semente legal, registrada no Ministério da Agricultura, passam. Então, a semente legal não tem como ser contaminada - garantiu.
Miyamoto cobrou mais fiscalização pelo Ministério da Agricultura e mais ação das entidades representativas do setor agrícola para conscientizar os produtores sobre os riscos do uso de sementes ilegais.
Sobre a doença
O mofo branco é causado por um fungo que, segundo a Embrapa, está distribuído por todas as regiões produtoras. Pode atingir diversas espécies de plantas. Na soja, os principais sintomas ocorrem, geralmente, durante o terço médio das plantas, atingindo a haste principal, pecíolos, folhas e vagens. A maior parte das infecções ocorre no início da floração ou depois da polinização das flores. O caule e os ganhos são invadidos pelo fungo, a planta murcha e morre.
O presidente da Abrasem acrescentou que, depois de contaminar uma lavoura, o causador do mofo branco permanece por cerca de 15 anos, o que dificulta o controle da doença e compromete também as plantações seguintes. Mas ressaltou que, ao contrário de outras pragas, como a ferrugem asiática, não há risco de contágio de uma propriedade para outra.
- Só a lavoura de quem comprou a semente ilegal será contaminada. O vizinho que comprar semente certificada está livre - reforçou.
Fonte: Canal Rural
13 junho, 2008 - 22:21h
Uma fazenda produtora de café da cidade de Patrocínio, em Minas Gerais, inovou em benefício ao meio ambiente: o visitante da propriedade só sai se plantar uma árvore. A iniciativa já mostra os primeiros resultados, pois o cerrado ressurge sem queimadas e o produtor rural ainda aumenta a rentabilidade do negócio.
Metade da produção de café do país está concentrada no Estado de Minas Gerais. Entre as exigências para a produção, vem a chamada sustentabilidade, em que o Brasil é referência. Os certificados que garantem os compromissos sociais e ambientais são a chave da mudança de conceito no campo. Um deles é o Utzkapeh, que na língua maia significa "bom café" e pertence a uma certificadora holandesa.
As propriedades certificadas com reconhecimento internacional sofrem auditorias todos os anos para verificar principalmente a preservação do meio ambiente. E o mercado cobra uma produção ecologicamente correta. Em uma fazenda do Estado, por exemplo, o visitante não sai sem plantar uma árvore.
Trata-se da "floresta do visitante", em que as futuras gerações são as primeiras a dar o bom exemplo. Na Mata da Consciência Ecológica, as placas revelam o nome de quem plantou e seu país de origem. O cafeicultor Cláudio Alvarez é o proprietário da fazenda. Paraplégico há 25 anos, ele adaptou uma charrete para circular entre os cafezais e conferir de perto a produção, destinada em maior parte para exportação.
O produtor também fornece frutas à vontade para atrair os pássaros e eles parecem agradecer, formando uma variedade de espécies e cores. A fazenda também outras produções além do café, mas a única fruta que tem destino comercial é a uva.
- A uva é comercial, mas temos uma "parceria" com a fauna do cerrado, que são os pássaros. É um ganho: você perde na uva, mas ganha na beleza da natureza e na multiplicação dos pássaros.
São 1,7 mil hectares plantados com 1,3 milhão de pés de café. Outros 450 hectares são de reserva legal, de mata fechada. Se nas áreas de produção o café segue aumentando a produtividade, no alto do morro, o cerrado vem re-surgindo. Após 10 anos sem queimada, a vegetação recupera espaço e protege córregos.
- Na realidade, ao contrário do que muita gente pensa, a preservação ambiental é barata. No caso aqui foi só uma construção de uma cerca e a natureza se encarregou de fazer o restante do trabalho. A evolução da vegetação do cerrado, voltando aos poucos - comenta o administrador da fazenda, Clesio Barragan Urtado.
Por: Marcelo Lara
Fonte: Canal Rural
13 junho, 2008 - 22:19h
Uma alternativa para conter a inflação mundial, puxada pela alta nos preços dos alimentos, é o investimento na agricultura familiar, de acordo com o diretor para América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano.
- Os agricultores familiares têm capacidade de resposta rápida aos incentivos de aumento de preços - disse Graziano ao participar da Reunião Interamericana em Nível Ministerial de Saúde e Agricultura, no Rio de Janeiro.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, fechou maio em 0,79%, a maior inflação para o mês desde o início do Plano Real. O índice foi puxado pela alta de 1,25% no preço dos alimentos, que tinham registrado aumento de 1,23% em abril.
Para Graziano, a subida no preço dos alimentos deve se estender pelos próximos cinco anos, mas pode ser contornada com o aumento da produção da agricultura familiar, o que exigiria controle de preços para os fertilizantes e sementes, além de investimentos em infra-estrutura.
- Quando falamos em dar prioridade à agricultura não é só dar crédito aos agricultores, há uma situação de infra-estrutura que foi abandonada. Na América Latina existe a necessidade de recursos como energia elétrica para a área rural - criticou Graziano.
O diretor lembra que a principal conclusão da Conferência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, realizada ao final de maio, em Roma, foi a necessidade de desenvolvimento do setor rural como saída para o combate a fome e a pobreza no campo.
A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) Mirta Roses, presente ao mesmo evento, também defendeu mais investimentos no campo. Para ela, saneamento, educação e saúde se refletem na qualidade de vida e no desenvolvimento regional, reduzindo também os custos da produção.
- A agricultura familiar promove o desenvolvimento sustentável local e tem menos custo agregado, principalmente, no transporte, uma das causas da inflação devido a alta no preço dos combustíveis como a gasolina. Isso reduz ainda os custos com preservação e armazenamento dos produtos - disse.
Fonte: Agência Brasil
13 junho, 2008 - 22:17h
A sonda solar Ulysses vai terminar suas operações perto do dia 1º de julho, após mais de 17 anos no espaço em missão conjunta da Nasa e da Agência Espacial Européia (ESA), anunciou a Nasa nesta quinta-feira (12).
Segundo a Nasa, Ulysses irá finalizar suas operações pois vem sofrendo um declínio em sua fonte de energia, baseada em plutônio, há algum tempo. Apesar das medidas de economia tomadas pelos controladores em solo, a energia diminuiu ao ponto de, ser possível que, em pouco tempo, o combustível da sonda venha a congelar.
Ulysses já superou sua expectativa de vida em quase quatro vezes, viajando 8,69 bilhões de quilômetros desde seu lançamento a bordo do ônibus espacial Discovery, em 1990.
"Quando os 'bits' finais de dados finalmente chegarem, certamente será difícil de dizer adeus", disse o gerente de operações da ESA, Nigel Angold.
A sonda de US$ 250 milhões (R$ 408 milhões) estudou o Sol, em particular seus pólos e a heliosfera, região ao redor do Sol marcada pelos ventos solares.
Fonte: Estadão Online
13 junho, 2008 - 22:15h
Região Sul
A frente fria ainda causa chuvas fortes no norte de Santa Catarina e em todo o Estado do Paraná. O acumulado chega a 40 mm no centro e leste do Paraná. No Rio Grande do Sul e no oeste e sul de Santa Catarina, o tempo permanece seco. A temperatura mínima volta a cair, com formação de geadas na Serra Geral e em boa parte do Rio Grande do Sul. A máxima permanece baixa em toda a região.
Região Sudeste
A frente fria avança lentamente por São Paulo, onde causa chuvas em todo o centro, oeste e sul do Estado. Há previsão de chuvas fortes no sul paulista. No Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, o tempo permanece seco. A temperatura máxima permanece baixa em toda a região de divisa de São Paulo com o Paraná.
Região Centro-Oeste
A frente fria permanece praticamente parada, provocando chuvas no centro e sul de Mato Grosso do Sul. Há previsão de chuvas fortes e o acumulado chega a 30 mm no sul do Estado. A temperatura máxima permanece baixa, gerando sensação de frio. Em Goiás e Mato Grosso, o tempo permanece seco e com temperaturas máximas elevadas.
Região Nordeste
As áreas de instabilidade perdem força e há previsão de baixo acumulado nesta sexta-feira ao longo do litoral da Região. Já no interior, o tempo permanece seco e quente.
Região Norte
Áreas de instabilidade associadas com a Zona de Convergência Intertropical causam chuvas fortes no Amapá e norte e nordeste do Pará. Mesmo com a previsão de chuvas, a temperatura máxima permanece elevada. Entre Rondônia e Tocantins, o tempo permanece seco e quente.
Previsão dos próximos dias
Região Sul
Entre os dias 15 e 16 de junho, espera-se tempo completamente seco na Região Sul. A partir do dia 18 de junho, uma nova frente fria volta a provocar chuvas. O acumulado até o dia 21 de junho passa dos 100 mm no interior do Paraná. Na maior parte do Rio Grande do Sul, o tempo permanece seco.
Região Sudeste
No domingo, finalmente a frente fria avança pelo Sudeste e causa chuvas fracas no Rio de Janeiro, sul do Espírito Santo, sul do Espírito Santo e norte de São Paulo. Na segunda-feira, a frente fria causa chuvas fracas no norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo e zona da mata de Minas Gerais. Até o dia 21 de junho, uma nova frente fria volta a causar chuvas fortes no sul de São Paulo.
Região Centro-Oeste
No domingo, a frente fria causa chuvas fracas no oeste e centro de Mato Grosso do Sul. Já a partir da segunda-feira, há previsão de tempo seco em toda a Região Centro-Oeste. Até o dia 21 de junho, uma nova frente fria volta a causar chuvas no centro e sul de Mato Grosso do Sul, com acumulado de mais de 50 mm.
Região Nordeste
Até o dia 21 de junho, há previsão de chuvas fracas ao longo do litoral da Região Nordeste. No interior, o tempo permanece seco e quente.
Região Norte
Até o dia 21 de junho, há previsão de chuvas no centro, oeste e norte da Região. Há previsão de chuvas fortes no centro e norte do Amazonas, Roraima, norte do Pará e Amapá. Entre Rondônia e Tocantins, o tempo permanece seco e quente.
Fonte: Central de Meteorologia
13 junho, 2008 - 22:13h
Com pouco mais de 3 anos de idade e 1 metro de altura, Matusalém está crescendo saudável. "É linda", diz a cientista Sarah Sallon, referindo-se à tamareira cujos pais podem ter ajudado a alimentar judeus revoltados contra o Império Romano, 2.000 anos atrás.
A pequena árvore brotou de uma semente recuperada de Massada, onde judeus rebelados cometeram suicídio para evitar a captura pelas tropas de Roma. Datação de carbono 14 de outras sementes e de fragmentos de raízes encontrados perto da semente que brotou indicam que ela tinha 2.000 anos, sendo a mais antiga semente conhecida a gerar uma árvore.
Sarah, diretora de um centro de pesquisas médicas em Israel, narra a saga de Matusalém na edição desta semana da revista Science.
Uma coisa que ainda não se sabe é se a árvore é menino ou menina. Tamareiras têm diferenças sexuais, mas os especialistas não conseguem identificá-las em árvores com menos de seis ou sete anos.
A pesquisadora espera que exista uma chance de restaurar a tamareira da Judéia, uma espécie extinta e que no passado era valorizada pelos frutos e por supostas propriedades medicinais.
Pesquisadores analisaram o DNA da planta e descobriram que ela tem apenas metade dos genes em comum com as tamareiras modernas.
Fonte: Estadão Online
13 junho, 2008 - 22:12h
Os sinais de aquecimento da economia, ilustrados pela "aceleração de certos preços no atacado", alta de preços de produtos no varejo e a rápida elevação das expectativas dos índices são considerados riscos para a inflação. A conclusão está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidiu nos dias 3 e 4 deste mês aumentar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,75% para 12,25%, como mecanismo para conter a inflação.
"De fato, a deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária".
Por isso, o comitê considerou necessário elevar os juros, para "por um lado, contribuir para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação".
Na ata, o Copom diz ainda que, ao aumentar os juros, está contribuindo para a sustentação do crescimento da economia, o que requer estabilidade e previsibilidade, permitindo o planejamento das empresas e famílias, "bem como para resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados nos últimos anos".
Fonte: Agência Brasil
13 junho, 2008 - 22:09h
Ao mesmo tempo em que apóia a intenção manifestada pelo governo federal de criar regras para controlar a venda de terras nacionais para estrangeiros, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) entende que o país precisaria também da imposição de limites ao tamanho das propriedades nas mãos dos próprios brasileiros.
- Nesse mundo, se limita número de filhos na China e na Índia, se limita o poder da pesquisa na ciência, o poder dos veículos de comunicação, e não se limita o tamanho da propriedade da terra. Temos que ter regulamentações de acesso à terra para reduzir o poder do latifúndio - afirmou o padre Dirceu Fumagalli, coordenador nacional da CPT.
O indicador defendido pela CPT prevê que uma propriedade rural brasileira tenha no máximo tamanho equivalente a 35 módulos fiscais, que variam conforme a região. Em Mato Grosso, por exemplo, um módulo é formado de 100 hectares.
- Não dá para um único proprietário ter centenas de milhares ou milhões de hectares. Se um módulo é suficiente para uma família viver no campo, permitiríamos ainda que alguém tenha 35 vezes o necessário - argumentou Fumagall.
Segundo o representante da CPT, o modelo de incentivo ao agronegócio adotado pelo governo brasileiro é incompatível com a reforma agrária:
- O presidente Lula diz que o objetivo é conciliável, mas não é. Ou você destina a terra para função social, produção de alimentos, para relações de quem nela convive em harmonia com a natureza, ou destina para gerar mercadoria. Os grandes latifúndios produzem commodities para o mercado externo.
A política de reforma agrária no Brasil ainda é tímida, conforme Fumagalli, porque "está sucumbida ao poder econômico" dos latifundiários. Dirceu Fumagalli disse que os movimentos sociais precisam dialogar com sociedade, "que é maior do que o Estado", a fim de que ela exija a distribuição das terras nacionais em pequenas propriedades:
- É só olhar no nosso café da manhã, almoço e jantar. Do que tem em cima das nossas mesas, 75% a 85% são oriundos da agricultura familiar camponesa, que produz com qualidade, não degrada o ambiente e não super explora mão-de-obra - declarou o padre.
Fonte: Agência Brasil
13 junho, 2008 - 22:07h
Alguma coisa ocorreu no Amapá há 4.700 anos que alterou bastante a vegetação nos arredores do lago Márcio, perto de Macapá. Para variar, conforme sugere um estudo da UFF (Universidade Federal Fluminense), essa mudança está relacionada com a chegada do seres humanos à região.
A pesquisa, feita a partir de fósseis de pólen e amostras de carvão coletadas na região, mostra que a floresta que existia naquela área começou a desaparecer de forma acelerada a partir de 5.300 anos atrás.
Após mais de 500 anos, uma formação savânica - a mesma que existe até os dias de hoje - surgiu em definitivo no local.
"Não é possível dizer que a ocupação humana tenha causado a mudança, mas com certeza, a grande quantidade de queimadas que ocorreram na área - identificadas pela alta presença de carvão nas amostras - impediu que a floresta, após alguns séculos, voltasse a ocupar aquele terreno", diz Mauro Toledo, autor do estudo.
Os resultados obtidos pelo cientista no Amapá, no lago Márcio e em outro lago próximo, estão descritos em artigo na última edição da revista "Anais da Academia Brasileira de Ciências", disponível no site da biblioteca eletrônica gratuita Scielo (www.scielo.br).
A conhecida cronologia da ocupação da Amazônia, segundo Toledo, coincide com os dados apresentados agora.
Procura-se - O que ainda não sabe, no entanto, é a real causa da mudança brusca na vegetação local. Se os antigos índios amazônicos não desencadearam o processo que deu origem às savanas amapaenses, mas apenas ajudaram na transformação da vegetação, ainda está faltando uma peça no quebra-cabeça.
"O processo ocorreu de forma muito brusca. Não existem muitos registros sobre isso na região", diz Toledo. Mas o pesquisador tende a apontar o homem com o maior suspeito.
"Os registros de microcarvão mostram concentrações até cinco vezes maiores do que o esperado", diz Toledo. Segundo ele, essa quantidade de carvão nos sedimentos analisados é marca registrada das queimadas de origem humana.
Ao mesmo tempo em que a floresta cedia lugar ao cerrado, os lagos secavam no local. Ainda não se sabe se a seca está relacionada com a mudança na vegetação local. Mas o mistério do sumiço dos lagos é um pouco mais fácil de explicar. E, pelo menos aqui, os seres humanos aparentemente são inocentes.
Os cientistas sabem que a seca aconteceu ao analisarem uma coluna de sedimentos do local. Num período de 500 anos, não há sedimentos característicos desse ambiente -eles só reaparecem depois.
Na época em que ocorreu a seca nos lagos, o mar estava bastante alto no litoral do país. E ainda, segundo Toledo, não existe nenhum registro de mudanças climáticas significativas na região. Ou seja, a floresta amazônica, como sempre, estava úmida, com a sua tradicional alta incidência de chuvas, como ainda é registrado nos dias atuais pelos cientistas.
O aparente conjunto de dados desconexos, é rapidamente organizado por Toledo. "Como o mar estava muito alto, em seu pico, o processo de sedimentação dos rios da região deve ter sido alterado". De alguma forma, explica o cientista, o fluxo de água que alimentava os lagos, a partir do rio Amazonas (que é bastante próximo) ficou interrompido pelo monte de sedimentos novos.
"Isso, teria secado o lago por 500 anos. É como se o rio tivesse entupido". Depois desse período, com a chegada dos índios - provavelmente facilitada pelas novas savanas- nada mais seria como antes.
O estudo da UFF detectou, no passado, um efeito que os cientistas temem para o futuro da Amazônia. Modelos de clima e vegetação feitos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sugerem que o desmatamento, somado à mudança climática, possa transformar até 60% da floresta em cerrado. Caso essa conversão ocorra, o chamado "equilíbrio" da vegetação muda, e a floresta não mais consegue retornar.
Fonte: Folha Online
13 junho, 2008 - 22:06h
Uma pesquisa do Laboratório de Virologia, da Faculdade de Medicina (FM), da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, traz perspectivas para a criação de um medicamento capaz de controlar a infecção pelo vírus da dengue. O estudo foi iniciado há quatro anos e conseguiu inibir a replicação do vírus, protegendo as células contra a infecção, com a aplicação do RNA de Interferência (RNAi).
O estudo já foi realizado com o sorotipo 2 da doença, que ainda não tem vacina nem droga antiviral - a meta é chegar a uma droga antiviral que poderá impedir a progressão da doença para as formas mais graves. Nos próximos passos, a pesquisa será feita com os sorotipos 1, 3 e 4 do vírus e, possivelmente até o final deste ano, iniciar a experiência com macacos.
A bióloga Alessandra Cristina Gomes Ruiz, responsável pela pesquisa e orientada por Benedito Antônio Lopes da Fonseca, em trabalho de doutorado, acredita que agora as pesquisas serão mais rápidas, pois já tem a molécula "desenhada" (sintetizada) quimicamente em laboratório. "Demoramos quatro anos para construir esse mecanismo, e isso torna a seqüência do estudo mais rápida", comenta Alessandra. Essa molécula interferente foi desenhada para três diferentes regiões do genoma viral e clonadas num vetor, para que pudessem ser expressas dentro das células.
Na pesquisa, as células usadas foram as hepáticas (devido à importância do fígado na patogênese da doença) e as monocíticas (alvos da infecção pelo vírus da dengue).
Os resultados com as células estudadas com as diferentes moléculas interferentes desenhadas e testadas mostraram a capacidade de inibição da replicação do vírus, protegendo as células contra a infecção. Ou seja, a metodologia usada não previne a doença, mas poderá ser usada para controlar a dengue, impedindo a sua progressão para as formas mais graves, como o tipo hemorrágico, que pode levar a pessoa à morte. Hoje, para tentar amenizar os sintomas da dengue são usados antitérmicos para diminuir a febre e analgésicos, além da hidratação com soro.
Mas, para a aplicação em humanos, ainda são necessários muitos estudos. Alessandra diz que, em 2004, houve um primeiro estudo com essa metodologia em humanos para uma doença chamada degeneração macular relacionada à idade (AMD), com resultados promissores. "Para doenças virais, alguns estudos estão sendo realizados em pacientes com hepatite aguda e também em pacientes com HIV, e para os vírus da dengue existem pouquíssimos estudos ainda, sendo que na maioria foi com uso de mosquitos", diz a bióloga. "Assim, nossos resultados são bastante promissores e inéditos no Brasil", comemora ela.
Fonte: Estadão Online
13 junho, 2008 - 22:03h
A conferência climática da ONU em Bonn discute propostas para ajudar os países em desenvolvimento a construírem usinas nucleares, o que lhes permitiria emitir menos gases do efeito estufa.
A energia nuclear é uma opção polêmica dentro do mecanismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que estimula investimentos de países ricos em energias "limpas" no exterior e lhes dá crédito pela redução doméstica dos gases do efeito estufa.
Na conferência que vai de 2 a 13 de julho, Índia, Canadá e outros propuseram mais ajuda ao desenvolvimento nuclear nos países pobres. "É uma das questões que precisam ser consideradas", disse na quinta-feira Yvo de Boer, diretor do Secretariado de Mudança Climática da ONU, responsável pelo evento.
Também estão em discussão a adoção de um sistema que permita capturar e enterrar o dióxido de carbono emitido por usinas termoelétricas, por exemplo, e mecanismos de estímulo para o reflorestamento global.
Muitos países e ambientalistas são contra a inclusão da energia nuclear no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, parte do Protocolo de Kyoto, tratado climático da ONU que expira em 2012).
"A energia nuclear não é a energia do futuro", disse Martin Hiller, da ONG WWF. "Ela não deveria estar no MDL. O MDL deveria tratar de energia renovável."
Ele disse que a energia nuclear é perigosa demais, apesar de praticamente não emitir carbono, como os combustíveis fósseis.
A conferência de Bonn não tomará nenhuma decisão sobre mudanças no MDL. O evento é parte de uma série de negociações destinada a criar até o final de 2009 um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto.
"Acho que a energia nuclear no MDL não será nem levada em conta pela maioria das delegações", disse um delegado europeu.
O debate reflete a polêmica sobre a conveniência de tratar as usinas nucleares como alternativas aos combustíveis fósseis, principais "vilões" do aquecimento.
De Boer estimou que o MDL poderia canalizar até 100 bilhões de dólares por ano para os países em desenvolvimento nas próximas décadas, desde que os países industrializados aceitem reduções expressivas nas suas emissões e façam metade dos cortes no exterior.
O cálculo também se baseia no pressuposto de que os créditos por evitar emissões de gases do efeito estufa serão cotados a uma média de 10 dólares por tonelada.
Até agora, o MDL tem projetos aprovados ou sob avaliação que iriam evitar uma emissão total de 2,7 milhões de toneladas até 2012, mais ou menos o equivalente a um ano de emissões conjuntas de Japão, Alemanha e Grã-Bretanha.
Fonte: Estadão Online
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