Arquivos para setembro, 2007
30 setembro, 2007 - 08:12h
Quando a crise ambiental da atualidade ganhou grande visibilidade, nos anos de 1970, ensaiei uma tipologia de atitudes diante dela. Identifiquei cinco posturas. A primeira, dos exponencialistas, continuava considerando a natureza como um estoque de recursos para a economia e como lixeira para descartes de dejetos. Seus adeptos estavam entre os governantes e empresários. No máximo, eles propuseram o zerismo, que consistia em congelar as taxas de crescimento econômico dos países, mantendo as desigualdades entre eles, mas sem mexer estruturalmente no sistema. Defendiam também, cinicamente, combater a crise social para, no futuro, se fosse o caso, atacar a crise ambiental com tecnologia mais desenvolvida, mas sempre mantendo intactos os estilos de vida criados pela revolução industrial.
Denominei a segunda corrente compatibilismo. Para ela, tratava-se de conciliar o capitalismo e o socialismo com proteção da natureza de imediato. O bravo José Lutzenberger imputou-lhe a ilusão de tentar demolir uma casa sem tocar nos móveis de seu interior. Ela encontrou seus defensores dentro dos órgãos governamentais de meio ambiente. Aliás, a legislação ambiental brasileira é compatibilista.
A terceira vinha de uma longa tradição na História do Brasil, e desembocou na Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, criada em 1958. Era o conservacionismo. Cientistas e estudiosos sérios desejavam a conservação de amostras representativas e funcionais de ecossistemas em unidades de conservação, bem como o uso judicioso dos recursos naturais. Faltava-lhe, porém, uma visão mais ampla de filosofia e de política.
O preservacionismo era a quarta, expressando tardiamente o ideal de uma natureza pura e intocada e buscando uma relação espiritual com ela. Foi a mais extremista de todas as tendências. Por isto, não conseguiu muitos adeptos.
A quinta, finalmente, denominava-se ecologismo. Na década de 1970, não era comum falar em ambientalismo. Ecologia e ecologismo eram palavras bem mais correntes. A ecologia era e é a ciência dos ecossistemas. O ecologismo era um movimento filosófico que empreendeu uma crítica radical da civilização industrial em suas versões capitalista e socialista por julgá-la o mais insustentável modo de vida construído pelo ser humano. Ao mesmo tempo, formulou um projeto novo de civilização com forte embasamento filosófico e aguçada percepção política.
O ecologismo foi construí¬do por um grupo vigoroso de intelectuais, tais como Michel Bosquet, Rudolph Bahro, Ivan Illich, Jean-Pierre Dupuy, Dominique Simmonet, Laura Conti, entre outros. Na década de 1980, com o agravamento da crise, era de se esperar uma reação do capitalismo e do socialismo, embora este último estivesse em seus estertores. O compatibilismo passou, então, a se fortalecer com um novo nome: desenvolvimento sustentável. Em 1987, foi lançado no Brasil, com o título de Nosso Futuro Comum, o Relatório da Comissão Brundtland, constituída pela ONU para apontar rumos à civilização industrial. A proposta do desenvolvimento sustentável norteou a Conferência RIO'92 e as que se seguiram, tanto quanto o Protocolo de Kyoto. O exponencialismo adotou a linguagem da sustentabilidade à exaustão, banalizando o conceito. O conservacionismo adquiriu um sentido meramente técnico. O preservacionismo mergulhou na chamada ecologia profunda. O lugar do ecologismo foi sendo ocupado pelos marxistas, que, num primeiro momento, consideraram o ecologismo como um movimento da pequena burguesia e da classe média. Não podendo, entretanto, ignorar mais a crise ambiental, eles fizeram uma adaptação do marxismo à nova questão. Nasceu, assim, a "justiça ambiental", que trabalha criticamente colada aos movimentos sociais, entendendo que os problemas sociais atingem mais os pobres do que os ricos.
Atualmente, uma nova identificação de correntes se impõe. A proposta de um ambientalismo multissetorial, formulada por Eduardo Viola, Héctor Leis e Sérgio Boeira, escondia correntes mais amplas, apenas adaptadas a grupos sociais distintos. Continuo percebendo a hegemonia do exponencialismo velho de guerra, agora camuflado com a banalizada expressão sustentabilidade. O compatibilismo chama-se agora desenvolvimento sustentável. O preservacionismo transformou-se em ecologia profunda. O conservacionismo passou a ser uma mera expressão técnica. A esquerda reuniu-se em torno da justiça ambiental. Surgiu, por outro lado, outra corrente, que podemos denominar de ecociência. Os ecocientistas deixaram de lado seu ceticismo tradicional e hoje são os principais atores da luta. Com a confirmação de que o aquecimento global origina-se de atividades humanas, os ecocientistas propiciam o ressurgir do ecologismo, que sempre tratou das questões locais de olho na crise global e lutando pela construção de uma ecocivilização. Vale a pena reler os clássicos e valorizar os autores que apostam nesta linha.
Por: Arthur Soffiati Ambientalista
Fonte: Revista Eco21 nº129
30 setembro, 2007 - 08:03h
A participação da soja na produção do biocombustível deve decrescer nos próximos anos. A previsão é do presidente do Conselho de Administração da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Juan Diego Ferrés. Segundo estimativa da Ubrabio, atualmente 80% do biodiesel é produzido a partir da soja, 10% da gordura animal, 5% do algodão e 5% de outras matérias-primas, como mamona (entre 2% e 3%), por exemplo.
Ferrés afirmou que quando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) foi criado, em dezembro de 2004, a participação da soja era marcante porque era um cultivo mais resistente aos ciclos de preços altos e baixos. "Porque a soja tem 80% de farelo que é a proteína que também agrega valor à produção. Porque quando o óleo cai de preço a soja não sofre tanto como amendoim, o girassol." O farelo da soja é muito utilizado na alimentação animal.
"Quando o governo brasileiro deixou de manter uma políticas de preços mínimos, houve uma concentração na produção da soja e do milho, porque são as culturas que menos dependem de preço de teor de óleo". Na opinião de Ferrés, o PNPB reverte essa lógica e cria um patamar de preços para as matérias-primas com teores de óleo mais elevados, como girassol, amendoim e mamona.
Segundo Ferrés, antes da mamona ser incluída no PNPB, as oscilações dos preços traziam prejuízos aos produtores. "Hoje a mamona é vinculada ao programa, o que garante um preço mínimo. E pelas aplicações mais nobres [como produção de lubrificantes, por exemplo], às vezes é valorizada mais que o dobro do que de outros setores".
Ferrés espera ainda que o biodiesel torne-se cada vez mais competitivo no mercado. Ele defendeu que seja ampliada o porcentagem de adição de biodiesel de 2% ao diesel, obrigatoriamente a partir de janeiro de 2008, para 4%. Hoje, está prevista reunião com representantes dos produtores de biodiesel com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir sobre o mercado de biocombustíveis.
A segunda reunião do governo federal com as empresas de biodiesel que detêm o Selo Combustível Social foi realizada dia 26, em Brasília. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o objetivo do encontro foi apresentar e debater os resultados alcançados e os desafios a serem enfrentados para a inserção da agricultura familiar na cadeia produtiva do biodiesel.
Fonte: Agência Brasil
30 setembro, 2007 - 08:02h
Dois dos principais ecologistas da Grã-Bretanha acreditam que é hora de desenvolver uma solução técnica rápida para mudanças climáticas.
Em artigo na revista Nature, o diretor do Museu de Ciência em Londres, Chris Rapley, e James Lovelock, criador da teoria de Gaia (que vê a Terra como um organismo vivo capaz de se auto-regular), sugerem que se procure aumentar a absorção de CO2 pelos oceanos.
Com o uso de tubos verticais gigantescos, a água da superfície e das profundezas do mar seriam misturadas para fertilizar algas, que absorveriam CO2 da atmosfera.
As águas frias do fundo do mar são ricas em nutrientes. Para promover a mistura da água, os canos flutuariam livremente, criando um fluxo de água de 100 a 200 metros de profundidade para a superfície. A Atmocean acredita que uma das formas de vida que podem se beneficiar do uso dos canos é o salp, um microorganismo que excreta carbono em fezes que se depositam no fundo do mar, talvez armazenando carbono lá por milênios.
A idéia já está sendo testada pela companhia americana Atmocean. Seu diretor, Phil Kithil, calcula que a instalação de 134 milhões de canos pode, potencialmente, retirar cerca de um terço do dióxido de carbono produzido por atividades humanas a cada ano. Mas ele admite que as pesquisas ainda estão apenas começando.
"O problema que nos preocupa mais é a acidificação. Nós estamos trazendo para a superfície níveis mais altos de CO2 junto com os nutrientes - diz Kithil. A empresa afirma que uma outra vantagem de diminuir a temperatura das águas na superfície em regiões como o Golfo do México poderia ser uma redução do número de furacões, que precisam de águas mais aquecidas para se formar.
Lovelock e Rapley sugerem ainda que os canos no oceano podem estimular também o crescimento de microorganismos que produzem sulfureto de dimetilo, uma substância que contribui para a formação de nuvens sobre o oceano, refletindo a luz do sol para fora da superfície da terra e ajudando na refrigeração do planeta.
Rapley e Lovelock dizem que duvidam que os planos existentes para reduzir as emissões de carbono sejam suficientemente rápidos para combater as mudanças climáticas.
"Nós não vamos salvar o planeta por abordagens usuais como o Protocolo de Kyoto ou energia renovável", disse Lovelock à BBC.
Fonte: JB Online
30 setembro, 2007 - 08:01h
Os preços mais atrativos pagos pela indústria resino-química, que fabrica lubrificantes e perfumaria, por exemplo, têm estimulado agricultores familiares produtores de mamona do Nordeste a não cumprir contratos com as empresas produtoras de biodiesel. A informação é do diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo Anacleto de Campos, que participou da segunda reunião do governo federal com as empresas de biodiesel que detêm o Selo Combustível Social.
Segundo Campos, quando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) foi criado, em dezembro de 2004, o preço pago ao produtor estava entre R$ 0,25 e R$ 0,30. Atualmente o valor está em cerca de R$ 1. "A mamona vai ser pouco utilizada na produção de biodiesel nesse período", disse à Agência Brasil. "Hoje o que está a acontecendo é que os produtores estão preferindo vender a mamona para indústrias químicas que estão podendo pagar mais do que a indústria de biodiesel que tem contratos fixos com a Petrobras e não reajustar os preços aos produtores. Então está ocorrendo uma migração daqueles que tinham contratos com as indústrias de biodiesel para as indústrias químicas."
Campos lembrou que esses contratos são firmados para o período de uma safra e podem ser renovados a critério dos agricultores e produtores de biodiesel.Segundo ele, esse cenário pode permanecer até que a área plantada de mamona cresça o suficiente para atender tanto a demanda de biocombustível quanto da indústria resino-química. Segundo ele, atualmente há 1 milhão de hectares plantados, que pode aumentar em até cinco vezes. A principal região produtora é o o semi-árido com 500 municípios com capacidade produtora.
Não há um levantamento específico de quantos produtores estão descumprindo o contrato com as empresas. Além disso, segundo Campos, não há previsão de multa para este caso. Os contratos com os agricultores familiares são feitos com empresas que recebem o Selo Combustível Social. Esse selo só é concedido aos produtores de biodiesel que compram parte de sua matéria-prima de produtores da agricultura familiar e, em troca, recebem benefícios fiscais e acesso facilitado a financiamentos.
O secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antoninho Rovaris, afirmou o descumprimento dos contratos está concentrado em Irecê, na Bahia, onde a indústria química atua há cerca de 50 anos. "As empresas da resino-química entraram tentando garantir estoques de mamona como forma de garantir sua permanecia em termos de produção. Com isso os preços foram além dos limites, o que para os agricultores é muito bom, mas para efeito da política nacional de biodiesel se tornou incompatível com o preços que foram praticados nos leilões do Selo Combustível Social", afirmou.
Fonte: Agência Brasil
30 setembro, 2007 - 07:59h
O papel de liderança que os Estados Unidos buscam exercer no combate à emissão de gases poluentes depende de ações concretas nesse sentido por parte do governo americano.
É essa a opinião do embaixador Everton Vargas, subsecretário-geral para Assuntos Políticos do Itamaraty, que comandou a delegação brasileira na conferência sobre ambiente realizada em Washington nestas quinta-feira e sexta-feira.
O encontro, realizado na sede do Departamento de Estado americano, contou com a participação de 16 dos maiores poluentes mundiais, entre eles o Brasil.
'"Você tem liderança quando você tem ações. O desafio é global. Isso não significa que alguns façam e outros não. A maioria no mundo ainda espera dos Estados Unidos um compromisso", afirmou Vargas.'
Histórico - Os americanos não ratificaram o Protocolo de Kyoto da Convenção da Organização das Nações Unidas em Mudanças Climáticas. O protocolo impõe às nações signatárias limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa e já foi ratificado por 169 países.
O documento estipula que os países que o ratificaram reduzam seu nível de emissões a um índice inferior ao de 1990. Em 2012, vence o prazo que impõe índices compulsórios para a redução de emissões.
"Os Estados Unidos defendem uma postura voluntária em relação à fixação de metas para a redução de gases poluentes. Nós pensamos de forma distinta a esse respeito", disse Vargas. "As metas compulsórias contidas no Protocolo de Kyoto significam que você tem alvos específicos e eles não cumpriram esse compromisso", afirmou." Por isso, afirma o embaixador, é preciso ver como os americanos irão se posicionar após 2012.
Reunião - Segundo Vargas, a reunião realizada em Washington não chegou a quaisquer conclusões definitivas e foi basicamente uma preparação com vistas à Conferência da ONU de Mudanças Climáticas, que será realizada em Bali, na Indonésia.
"O evento foi organizado pelo governo americano, que montou toda a sua agenda. O governo não trouxe novas propostas em termos das posições americanas. O que vimos foi uma reiteração do que já foi apresentado antes", afirmou o brasileiro.
No entanto, Vargas disse que o presidente dos EUA, George W. Bush, surgiu com novas idéias em seu discurso para os participantes do evento, realizado nesta sexta-feira (28).
"O presidente Bush apontou duas coisas novas. Uma delas foi a proposta de criar um novo fundo para tecnologias limpas, que seria mantido com contribuições dos governos mundiais e ajudaria a financiar projetos energéticos em diferentes partes do mundo. A outra proposta é a de promover livre comércio global com tecnologias energéticas, pela eliminação de tarifas em bens energéticos e serviços", disse Vargas.
Ao mesmo tempo em que propõe um comércio livre em termos de tecnologias de energia, Vargas vê certa contradição por parte do governo americano.
"O presidente Bush enfatizou a importância do etanol, mas não mencionou as tarifas de US$ 0,54 cobradas sobre o etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos. E isso é algo bem importante", afirmou o brasileiro.
Preservação florestal - De acordo com Vargas, o Brasil voltou a marcar posição em temas que tem apresentado em outros fóruns internacionais, como o de obter compensação por promover preservação florestal em seu território - proposta que foi apresentada no ano passado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na reunião sobre mudanças ambientais realizada em Nairóbi, a capital do Quênia.
"É uma proposta de incentivos econômicos, que seriam oferecidos aos países que conseguiram reduzir suas emissões através da preservação florestal. Para assegurar a preservação, seria criado um fundo que permitiria a essas nações receber algum tipo de ajuda financeira. Seria uma forma de recompensá-los", afirmou.
O embaixador também defendeu a necessidade de promover a transferência de tecnologias limpas para países em desenvolvimento.
"É um tema essencial para lidar com mudanças climáticas. Mas não podemos apenas dizer que iremos cooperar que tudo será resolvido. Porque é preciso investimento e amadurecimento, em termos de pesquisa, para que possamos chegar ao setor privado, que irá disseminar essa tecnologia", disse Vargas.
De acordo com Vargas, não é possível '"ficar esperando para que as tecnologias mais apropriadas cheguem até nós, enquanto as emissões continuam aumentando".
O embaixador citou o exemplo da China e da Índia. "Os dois países precisam gerar eletricidade para suas regiões rurais e mais pobres. Os chineses e indianos atualmente têm de recorrer ao carvão para gerar energia para estas áreas. E, por isso, vão precisar imediatamente da melhor tecnologia disponível", afirmou.
Vargas acrescentou que não é possível que estes países '"sacrifiquem suas regiões mais pobres em prol daqueles que querem simplesmente seguir guiando seus SUVs, que emitem mais de 50% de poluentes do que outros carros".
Fonte: Folha Online
30 setembro, 2007 - 07:57h
Não importa onde for, Lula prega sobre o etanol brasileiro. Na Europa, o discurso é preparado para acalmar os temores sobre a invasão da Amazônia. Na América Latina e na África, o objetivo é conquistar novos produtores. Em qualquer latitude, os biocombustíveis se transformaram em pauta irremovível das viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Exterior.
Para abrir as fronteiras a produtos com potencial para transformar o Brasil numa espécie de Oriente Médio dos combustíveis renováveis, discursos têm importância, mas ações são fundamentais. Embora a velocidade seja lenta, há sinais positivos, avalia Suzana Kahn Ribeiro, professora de engenharia de transporte da Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).
- O Brasil tem uma vantagem competitiva grande nos biocombustíveis. Produzimos álcool há mais de três décadas e isso nos dá um diferencial. Esse é um momento crucial, porque está se abrindo uma oportunidade para a qual o mundo todo está olhando. Daqui a pouco, todos estarão produzindo - adverte.
Com participação nos debates do grupo da ONU que discute soluções para o aquecimento global, Suzana ressalta que para obter mais vantagens do que as já conquistadas com o consumo interno, é fundamental desenvolver o mercado internacional.
Dividir o discurso entre a defesa dos biocombustíveis como opção ambientalmente correta e a busca por novos produtores é uma estratégia correta do país, na opinião de Suzana, porque o mundo não quer repetir o erro do petróleo - depender de um pequeno grupo de fornecedores:
- Ninguém mais vai apostar em novas tecnologias ou alternativas energéticas com base em poucos produtores. Se o Brasil mostrar que não pretende ser um monopólio, começa a dar segurança para a criação de um mercado comprador.
Essa também é a avaliação de Carlos Eduardo Vaz Rossell, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade de Campinas (Nipe/Unicamp).
- É preciso mais participantes para que outros potenciais compradores ganhem confiança da disponibilidade da produção, de que os preços não vão se tornar muito especulativos.
Apetite de estrangeiros traduz potencial do biocombustível
Hoje, explica, o mercado de etanol é formado por dois produtores e dois consumidores: Brasil e Estados Unidos. Com duas diferenças cruciais: o custo e a capacidade de expansão.
- O Brasil pode multiplicar a atual produção por 10 sem criar impactos desfavoráveis, seja na área ambiental seja na produção de alimentos. A lógica de expandir a produção e criar infra-estrutura para vender no Exterior é acertada - pondera Rossell.
Isso significa sair de cerca de 20 bilhões para ao redor de 200 bilhões de litros ao ano. O apetite por investimentos estrangeiros no Brasil, pondera o especialista, é mais um sinal do potencial dos biocombustíveis.
- Essa movimentação vai ter efeitos positivos, como dinamizar a produção, criar melhores condições de trabalho, facilitar a exportação. É claro que precisa ser monitorado.
Além de vender álcool, destaca Rossell, o Brasil está no caminho certo ao disseminar a tecnologia de produção. Associadas, as iniciativas podem render mais entrada de divisas e grande reforço à economia verde-amarela.
Fonte: Canal Rural
30 setembro, 2007 - 07:55h
Um aumento na temperatura dos mares e não uma acumulação de dióxido de carbono (CO2) provocou o último aquecimento sofrido pelo planeta, diz um estudo divulgado pela revista "Science".
Segundo a pesquisa, o aumento da temperatura marítima teve origem nas águas da Antártida.
De acordo com os cientistas da Universidade da Califórnia, o dióxido de carbono não causou o fim da última glaciação, ao contrário do que se acreditava.
"Já não podemos dizer que apenas o dióxido de carbono gerou o fim da glaciação", declarou Lowell Stott, geólogo e principal autor do estudo.
As temperaturas do fundo dos mares aumentaram 1,3 mil anos antes que as da superfície tropical. O tempo foi maior em relação ao aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, afirmou Stott.
O autor do estudo diz que o relatório sugere que o acúmulo do gás foi resultado do aquecimento e que acelerou o degelo, mas não foi a causa principal.
No entanto, Stott não coloca em xeque o fato de que o CO2 influencia no aquecimento que o planeta está passando nos últimos anos, segundo as teorias científicas.
"Não quero que ninguém pense que isto é uma prova de que o CO2 não afeta ao clima. Ele afeta, mas o importante é que o dióxido de carbono não é o começo nem o fim da mudança climática", declarou.
Segundo os cientistas, o estudo da salinidade e das temperaturas dos oceanos são fatores que podem ser usados para determinar a origem.
O deslocamento lento destas águas parece ter começado no oceano antártico há 19 mil anos.
Os pesquisadores explicam que isto acontece porque o aumento da temperatura acelera o degelo e expõe as águas dos mares que refletem menos luz e absorvem mais calor.
O modelo dos autores do estudo também diz que quando as condições térmicas do oceano se alteraram possivelmente acabaram gerando a liberação do CO2 dos mares, o que acelerou o aquecimento global. Os cientistas analisaram a sedimentação marítima para calcularem as mudanças na temperatura.
"Este é um exemplo da forma como um clima regional se apresenta em uma mudança climática global", declarou Stott.
Segundo os cientistas da Universidade da Califórnia, a dinâmica climática é muito mais complexa. Por isto, não se pode simplesmente afirmar que o aumento nos níveis de CO2 provoca o mesmo com a temperatura.
Estas complexidades têm que ser bem explicadas para se determinar como o clima mudou no passado e de que forma será modificado no futuro, diz Stott. Fonte: Yahoo Brasil
30 setembro, 2007 - 07:53h
O presidente-executivo da União dos Produtores de Bionergia (UDOP), entidade que reúne usinas e destilarias do centro-sul brasileiro, Antonio Cesar Salibe, esteve na Sede da Embrapa, em Brasília-DF, para apresentar o projeto do Centro de Tecnologia e Excelência em Bioenergia (CTBio), a ser instalado até janeiro de 2009 em Araçatuba, São Paulo, estado com maior produção mundial de cana e álcool, e convidar a Embrapa a ocupar a área especialmente reservada para os seus trabalhos de pesquisa: 300 mil metros quadrados.
"Esse espaço está disponível gratuitamente para a Embrapa, porque queremos a Empresa nesse projeto. Acreditamos que o biodiesel integra nossa cadeia produtiva e a tecnologia tem e terá cada vez mais um papel importante nesse processo. Seria uma honra ter a expertisse da Embrapa em ciência e tecnologia nesse projeto de pesquisa. Mais do que isso: a Embrapa é parte fundamental dele", disse Salibe.
Ele acrescentou, ainda, que o modelo do projeto é mundialmente inédito e com plena capacidade de atender ao crescimento gradual do setor. "Até 2012, temos projetado uma nova fronteira para a produção de bionergia: duplicar o consumo de etanol e aumentar consideravelmente a de cana-de-açúcar, mas não seremos capazes disso se não investirmos em Pesquisa & Desenvolvimento". São Paulo é o maior produtor mundial de cana e álcool, daí a importância atribuída ao CTBio. "Ter um centro de tecnologia e de excelência em região estratégica para a logística será fundamental para o aperfeiçoamento da agroindústria canavieira", justificou.
O principal objetivo do projeto será formar mão-de-obra qualificada para o setor sucroalcooleiro, sendo 50 mil trabalhadores nos próximos cinco anos, para suprir a demanda de mão-de-obra que já está sendo criada pela expansão do setor. A falta de trabalhadores capacitados é tida por muitos especialistas como um dos principais gargalos do setor. Segundo estimativas, o setor da bioenergia deve abrir, nos próximos cinco anos, pelo menos 1,2 milhão de vagas de emprego com os cerca de 100 novos projetos de usinas no País, sendo 300 mil de forma direta, nas mais de 100 novas usinas que deverão ser instaladas no Brasil, a maior parte delas na região centro-sul do País, abrangendo o oeste do Estado de São Paulo, leste do Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e sul de Minas Gerais e Goiás.
O centro, batizado de CTBio, será administrado por Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e terá a UDOP como gestora, que contará com o apoio de empresas do setor. Ele será instalado num complexo que terá ampla área de preservação ambiental, com lagos, ciclovia, trilhas ecológicas e áreas de lazer; espaço para exposições agroindustriais; 19 terrenos de aproximadamente 8 mil metros quadrados cada para que empresas fornecedoras deste segmento instalem unidades de capacitação de mão-de-obra; centro de convenções com auditório para mais de 1,5 mil pessoas; hotel com capacidade para 400 leitos; centro empresarial com salas a partir de 40 metros quadrados; sede da UDOP; parque industrial com 300 mil metros para 50 lotes; prédio para universidades; seis terrenos de 50 mil metros quadrados cada para pesquisa de uso do solo, por empresas do setor; área para o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) com 1 milhão de metros; dentre outras destinações técnico-científicas.
O diretor-presidente elogiou a iniciativa e ficou bastante entusiasmado com as possibilidades de pesquisa em agroenergia a partir da criação do CTBio. "Estamos muito interessados em interagir com as demais instituições participantes desse projeto, que também possibilitará atuação transversal de todas as Unidades da Embrapa, promover mais avanços em P&D do que se estivéssemos todos separados. A minha pergunta é: qual é o melhor arranjo para se trabalhar esse projeto de forma integrada, juntar as forças para fazer as mudanças necessárias, inclusive tirando as amarras jurídicas que nos impede de buscar parcerias que viabilizem nosso trabalho. Esse é um desafio que deixo para a equipe da Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília-DF) e Assessoria de Inovação Tecnológica (AIT).
Representantes das duas áreas irão viajar para São Paulo para discutir o projeto e analisar in loco as potencialidades de atuação da Embrapa.
Por: Flávia Bessa
Fonte: Embrapa
30 setembro, 2007 - 07:51h
Organizações da sociedade civil fazem esta semana em Washington (EUA) uma série de atos contra a política ambiental norte-americana e o Encontro das Maiores Economias sobre Segurança Energética e Mudança Climática, evento promovido pela Casa Branca entre quinta (27) e sexta-feira (28). Os protestos se concentram na porta do Departamento de Estado, sede do encontro. Para evitar a entrada no prédio, a polícia foi acionada e chegou a retirar ativistas a força do local.
Com faixas e cartazes, os manifestantes dizem que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está levando o debate sobre mudanças climáticas para o caminho errado. Além disso, pedem o cumprimento do Protocolo de Kyoto e metas para a redução nas emissões de gases apontados como causadores do efeito estufa.
"Bush fala pós-Kyoto como se o protocolo ainda não estivesse em vigor. Não há como esse encontro resultar em soluções. É uma forma de bloquear o debate", classifica o diretor-executivo do Greenpeace nos Estados Unidos, John Passacontanda.
Para o diretor do Conselho Norte-Americano de Emergências Climáticas, Gordan Clark, o encontro em Washington é uma "farsa" que pode prejudicar as negociações no âmbito da ONU - Organização das Nações Unidas.
"Esse consenso que os países mais ricos acham que podem construir aqui não leva em conta uma série de fatores relacionados aos países mais pobres e que só se tornam evidentes na ONU", avalia o diretor da ONG.
Até hoje, os EUA não ratificaram o Protocolo de Kyoto, que já foi assinado por mais de 170 países e estabelece aos países desenvolvidos metas de redução de emissão de gases poluentes a partir de 2008.
Fonte: Agência Brasil
30 setembro, 2007 - 07:49h
A Petrobras deverá aprovar nas próximas semanas participação em cinco novos projetos com capacidade de produção de até 1 bilhão de litros de álcool combustível destinados ao mercado externo.
Instalados nos estados de Goiás e Mato Grosso, esses projetos serão desenvolvidos em parceria com a empresa japonesa Mitsui.
A informação foi dada pelo diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, ao adiantar que o etanol deverá ser entregue ao mercado japonês a partir de 2010.
O controle dos empreendimentos ficará a cargo da iniciativa privada, cabendo à Petrobras e à Mitsui um percentual dividido que poderá chegar a 30%.
Na avaliação do executivo da Petrobras, as cinco usinas a serem construídas deverão absorver recursos de cerca de US$ 200 milhões.
No ano que vem, segundo Paulo Roberto Costa, a estatal pretende participar de outros 15 projetos semelhantes, todos voltados para a exportação, e que deverão adicionar outros 3 bilhões de litros de etanol destinados ao mercado externo, a partir de 2012.
Fonte: Agência Brasil
30 setembro, 2007 - 07:47h
A elite industrial e econômica do mundo acelera sua resposta aos desafios impostos pela mudança climática, uma reestruturação que está definindo seus resultados financeiros, segundo o último relatório do CDP - Carbon Disclosure Project.
O estudo, que será divulgado no início da semana, se baseia nos resultados de pesquisas feitas entre as 500 maiores empresas do mundo (FT500) e as 500 maiores dos Estados Unidos (S&P500) e revela "uma reestruturação mundial em nível econômico e industrial" motivada pela mudança climática.
Segundo o documento, a reestruturação "começou a redefinir a própria base da vantagem competitiva e os resultados financeiros tanto das companhias como dos seus investidores".
O CDP é uma organização sem fins lucrativos encarregada de divulgar informações sobre como a mudança climática afeta acionistas e as operações comerciais das principais empresas do mundo.
Este relatório foi realizado em representação de grupos de investidores que administram ativos avaliados em trilhões de dólares, segundo o executivo-chefe da organização, Paul Dickinson.
"A cada ano entramos em contato com as maiores companhias do mundo e pedimos que informem sobre suas emissões de gases do efeito estufa", explicou, destacando a participação empresarial cada vez maior na pesquisa, que este ano foi de 1.300.
Para Dickinson, "a novidade é o enorme aumento deste ano, o fato de que o projeto agora é respaldado por investidores que administram US$ 41 trilhões".
Europa e América do Norte - A pesquisa constatou as diferenças dos mundos empresariais da Europa e da América do Norte ao enfrentar a mudança climática.
A maior taxa de respostas veio da Europa, com 86%, enquanto apenas 74% das empresas com sede na América do Norte participaram da pesquisa, embora seu interesse também tenha aumentando com relação a 2006, quanto teve 64% de participação.
Enquanto 80% dos que responderam ao FT500 consideram a mudança climática como um risco, mas também uma oportunidade para seus negócios, nos Estados Unidos mais empresas encaram a situação como um risco antes de uma oportunidade.
Dickinson considerou importante fornecer esses dados aos investidores, para que eles "possam ver a quantidade de energia que a empresa utiliza e suas emissões. E assim começarem a considerar o que vai acontecer com essa companhia".
Protocolo de Kyoto - Outro assunto destacado foi o diferente compromisso das companhias de países comprometidos com o Protocolo de Kyoto, como as da União Européia (UE), e os que optaram por ficar de fora do acordo, como os Estados Unidos.
"As companhias européias passaram os últimos anos se preparando para um mundo com impostos e regulações sobre as emissões de gases estufa", afirmou.
O governo dos EUA, no entanto, ainda não dispôs regulações ou possíveis impostos sobre esse aspecto, o que terminará sendo "uma desvantagem" para suas firmas.
O estudo também comenta que, embora os investidores tenham mais informações sobre a mudança climática e as respostas das empresas ao desafio, isso ainda não se traduziu "em decisões de investimentos concretos em nenhuma escala". Fonte:Estadão Online
30 setembro, 2007 - 07:45h
Uma pesquisa realizada com 101 executivos das mil maiores empresas americanas revelou que, apesar de quase todas se precaverem contra riscos de catástrofes, metade deles não está se preparando para os efeitos que as mudanças climáticas podem ter em suas operações.
A pesquisa, realizada pelo Marsh Center for Risk Insights (Centro de Riscos da Marsh), pediu aos executivos que enumerassem os oito riscos mais prováveis em seus negócios, incluindo desastres naturais, ataques terroristas internacionais, aumento dramático do preço do petróleo, mudanças climáticas globais, pandemias, colapso do mercado imobiliário, emergência de saúde humana e riscos ambientais, associados com a nanotecnologia e a falta generalizada de água. A pesquisa foi realizada por telefone e os executivos entrevistados integram as mil maiores empresas americanas, listadas pela revista Fortune.
Dentro desta lista, 58% dos executivos dizem que esperam e estão preparados para desastres naturais, 55% estão antecipando o aumento acelerado do preço do petróleo e 38% já estão preparados para casos de ataques terroristas.
No entanto, somente 12% dos entrevistados afirmaram acreditar que o aquecimento global é "muito provável" de acontecer e 50% indicaram que não consideram isso uma ameaça imediata. Desastres relacionados com a nanotecnologia, pandemias e falta de água generalizada não geram preocupações, segundo a pesquisa.
Apesar das crenças de que calamidades como estas são improváveis, 40% dos executivos pesquisados disseram que, caso ocorressem, mesmo o mais improvável seria catastrófico para os negócios. E, apesar de 41% disserem que uma severa falta de água poderia causar o fechamento total ou parcial dos negócios, apenas 17% têm se preparado.
As razões por detrás deste pensamento, segundo os autores da pesquisa, é a crença entre a maioria dos executivos de que os riscos não seriam pertinentes a sua companhia, seriam muito grandes para serem gerenciados ou custariam muito para serem mitigados. No entanto, 14% afirmaram não enxergar muitas vantagens na mitigação dos riscos e outros 13% responderam que "ninguém nos está mandando agir".
Mesmo os resultados soando pessimistas, os autores notaram sinais de encorajamento na pesquisa. Apenas 10% dos questionados disseram que tomar alguma ação iria prejudicar os negócios, apenas 5% afirmaram que alguém poderia gerenciar os riscos em seu nome e apenas 4% sentem que estes desastres poderiam nunca acontecer "com ele ou com a própria companhia".
A Marsh, maior seguradora de corretoras e consultora de estratégias de riscos do mundo, criou o Centro de riscos no início de setembro com o intuito de fornecer informações privilegiadas e aumentar a atenção com relação a riscos globais. O Centro funciona como um guia para os negócios em resposta a mudanças globais.
Fonte: CarbonoBrasil
30 setembro, 2007 - 07:43h
O coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adario, afirmou que o governo federal é contraditório quando o assunto é o plantio de cana-de-açúcar na região da Amazônia. Ele lembrou que há diferenças entre o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a proposta do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que defende o plantio de cana em áreas de savana e de pastagens degradadas da região, inclusive com incentivos fiscais.
"Há dois meses, em Bruxelas, o presidente Lula disse que a Amazônia não se prestava à cana-de-açúcar e que se o plantio fosse possível os portugueses já teriam plantado", afirmou.Ele avaliou como "preocupante" a proposta do governo de ordenar o plantio na Amazônia, ou seja, de fazer um zoneamento agrícola para a cana.
O zoneamento deverá ser lançado em junho de 2008 e será feito a partir de quatro tipos de mapa, informou Stephanes. O primeiro vai trazer informações sobre a produção existente. O segundo trará indicações de áreas de plantio do ponto de vista agrícola (solo e clima) e onde haverá restrição para o plantio. Por fim, o governo apresentará mapas indicando onde gostaria que a cana fosse plantada. Como possíveis áreas restritivas, ele citou a Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Pantanal e terras indígenas.
Na Amazônia, disse Adario, o problema é que as terras da região foram ocupadas de forma irregular e que a maioria delas é explorada por grileiros. Outras áreas são exploradas por agricultores que não cumprem as regras do Código Florestal. "Ninguém sabe o que é plantado na região, quem desmatou e quanto", disse. Para ele, permitir o plantio de cana na Amazônia sem um sistema que permita o controle efetivo do cultivo é um "risco enorme". "Se falta governança, quem vai impedir o avanço da cana para as áreas de floresta?"
O representante do Greenpeace argumentou que o desmatamento da Amazônia caiu nos últimos três anos devido às ações do governo federal, mas, principalmente, por causa da redução dos preços da soja e da carne bovina no mercado externo. "Quando há pressão econômica negativa, o desmatamento cai. Quando muda o sinal, ou seja, quando os preços sobem, o desmatamento cresce", afirmou ele, acrescentando que o desmatamento aumentou nos últimos cincos meses devido à alta das cotações da soja nas bolsas internacionais de mercadorias agrícolas.
Para ele, a produção de etanol atrairá grande montante de investimentos estrangeiros, o que pode acelerar o ritmo de desmatamento. "Todos os faróis da economia estão apontando para uma expansão acelerada do plantio de cana para a produção de álcool", afirmou. Adario lembrou ainda que a "economia não funciona como o governo quer", ou seja, os produtores optarão pelo plantio de cana se as condições de mercado foram favoráveis.
Para Stephanes, porém, a autorização para o plantio de cana na Amazônia não representa riscos para a floresta. "O que é importante dizer é que não se derrubará uma árvore para plantar cana", disse ele na quinta-feira. Ele afirmou que até meados do ano que vem, quando o zoneamento estará pronto, não haverá instalação de novas usinas na Amazônia.
De acordo com o ministro, há usinas instaladas em Manaus (AM), Altamira (PA) e no Acre. Stephanes lembrou ainda que o governo lançará um selo socioambiental ainda neste ano para diferenciar as usinas que cumprem a legislação trabalhista, ambiental e que oferecem outros benefícios a seus funcionários.
Fonte: Estadão Online
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