Arquivos para maio, 2007
31 maio, 2007 - 10:08h
Desgraças são um grande negócio. Notícias de assassinatos na alta roda, quedas de aviões, atropelamentos em série e crimes brutais vendem revistas e aumentam os pontos de audiência de telejornais, deixando contentes os donos de veículos de comunicação e de empresas que investem em publicidade. Apesar destes fatos terem uma base real, são tratados como ficção. Como capítulos de uma novela, as tragédias vão sendo esquecidas e todo dia novas desgraças ou novos detalhes mórbidos que esquentem as antigas precisam alimentar a roda para que ela continue girando.
Com a divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), com previsões para o futuro relacionadas ao aquecimento do planeta, elaborados por cientistas de todo o mundo e divulgados nos últimos meses, não foi diferente. Todo mundo comentou, muitas reportagens e entrevistas foram veiculadas. Mas a coisa foi esfriando e hoje, poucas semanas após a divulgação da segunda parte, o assunto já perde a capacidade de atrair anunciantes e público, ávido por novas catástrofes.
Parece que o povo não entendeu muito bem a mensagem. Aquela não foi apenas mais uma notícia para consumo instantâneo, como a queda de um avião ou mais um escândalo de corrupção. A questão das mudanças climáticas é mais profunda. Não sei se daria para ser diferente na atual conjuntura, mas quase todo mundo continua defendendo com o mesmo fervor a necessidade de expansão da capacidade energética do Brasil para que a economia do país cresça, ignorando a problemática ecológica. "Corremos o risco de não ter energia para crescer como a China, nosso principal concorrente", protestam os críticos da atuação do Ibama, por exemplo.
Simultaneamente à divulgação dos relatórios das mudanças climáticas, o presidente Lula tem vindo com freqüência a público atacar os entraves do órgão ambiental para a construção de hidrelétricas em áreas de floresta na Amazônia, como se a função do Ibama fosse simplesmente dar a benção a qualquer barbaridade em nome do sucesso do PAC. Nem se considera a possibilidade de o órgão rejeitar alguma obra. Fala-se apenas nos "atrasos nas liberações", raciocínio que espertamente elimina a possibilidade de "proibição das obras", expediente que na teoria poderia (e deveria) ser utilizado pelo órgão em casos extremos.
Tentando olhar de fora, o momento que vivemos daria um bom filme ou livro de horror. No melhor estilo de George Orwell ou Aldous Huxley, seria a história de uma sociedade que, apesar de ter capacidade para detectar o fato de estar a caminho da autodestruição e de já ter de fato chegado a esta conclusão, não consegue fazer o que é necessário para parar a roda. Neste cenário nada hipotético, caminhamos como zumbis para o precipício que sabemos estar lá. É como um viciado em heroína que perde o controle sobre sua própria mão, que ganha vida própria e prepara a dose derradeira e fatal, como um tiro na sua própria cabeça.
Alguém duvida que precisamos transformar este modelo de vida em sociedade que exige, para sua sobrevivência, a destruição das últimas grandes áreas naturais do planeta? As hidrelétricas do Rio Madeira, obsessões do nosso presidente, resolverão o problema da demanda por energia por quanto tempo? É bom deixar claro que elas são obsessões não apenas do Lula; quando ele fala nos "bagres" no seu "colo", sua ansiedade pelo início das obras é reflexo da forma de pensamento das pessoas que detêm hoje o poder real no mundo.
Com a sede insaciável de crescimento da economia, claro está que em breve serão sacrificadas outras áreas da Amazônia e de outras partes do país e outra e outra e outra. Até quando? Até acabarmos com tudo? E depois, pergunto aos defensores do crescimento econômico *ad infinitum*? Para onde vamos correr? Para Marte?
Mais cedo ou mais tarde teremos que acordar deste pesadelo. O ser humano, apesar dos incríveis avanços na tecnologia e na ciência (ou talvez por causa deles) parece ter esquecido da principal lição: somos parte da Natureza, assim como o mico-leão, as baleias, o vírus da dengue e as rochas. A visão espiritualista de que a Terra (ou a terra, tanto faz) é nossa Mãe precisa ser compreendida e aceita pelas mentes que tomam as decisões sobre o futuro da sociedade. Dela retiramos tudo que precisamos para viver. Desde os alimentos até o petróleo e seus derivados. Virar as costas para esta realidade, além de pouco inteligente, equivale a matar quem te alimenta, é como um suicídio coletivo.
O caminho é reduzir a demanda por energia, não apenas encontrar formas alternativas de produzi-la. Será tão difícil ver isso? Esse sistema está fadado ao fracasso e não há quem possa provar o contrário. Apesar de parecer impossível, essa mudança de paradigma se dará por bem ou por mal, independentemente da nossa vontade. Quanto mais rapidamente aceitarmos o inevitável, mais fácil será a transição, antes que uma verdadeira tragédia nos force a mudar de estilo de vida, nem que este novo estilo tenha de ser adotado pelos poucos sobreviventes da catástrofe, envolvidos numa luta pela vida parecida com aquela que travamos há algumas dezenas de milhares de anos.
Por: Danilo Pretti Di Giorgi - Jornalista - E-mail digiorgi@gmail.com
Fonte: Correio e Cidadania
31 maio, 2007 - 09:49h
Estudos do Ministério do Meio Ambiente planejam acrescentar, aos trechos de Mata Atlântica sob proteção federal, uma área equivalente a quase duas vezes o Distrito Federal. O bioma, que abrange 17 Estados brasileiros, tem 1,2 milhão de quilômetros quadrados, dos quais 31 mil (pouco mais da metade da Paraíba) são recobertos por floresta preservada. Esse número pode aumentar 31% nos próximos anos, para 41 mil quilômetros quadrados (pouco menos que o tamanho do Estado do Rio de Janeiro), caso as propostas de criação de novas unidades de conservação, ou de ampliação das já existentes, sejam aprovadas.
A medida pretende diminuir a deficiência de unidades de conservação no bioma, de acordo com coordenador do Núcleo Mata Atlântica da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Wigold Schäffer. "Temos uma lacuna muito grande de áreas protegidas no bioma. Apenas 3% dele é composto por unidades de proteção integral [onde não se pode fazer uso dos recursos naturais], o ideal seria pelo menos 10%. Estamos trabalhando para atingir essa meta", diz. A ampliação de alguns trechos ainda está em fase inicial de estudos, outros já passaram por consulta pública.
Da formação original da Mata Atlântica resta apenas 27% - incluindo a vegetação primária e a em estado de recuperação -, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. Até o final de 2006, estimava-se que eram 7%, mas estudos com uso de imagens de satélites indicaram que a preservação era maior. "Houve um refinamento desses dados. A leitura pôde avançar em um tamanho menor de área e dar um olhar mais micro", comenta o técnico do Núcleo dos Biomas Mata Atlântica e Pampa do Ministério, José Henrique Barbosa.
O bioma abriga mananciais hídricos que abastecem cerca de 70% da população brasileira, segundo o Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Ele é um dos mais ricos do mundo em diversidade de plantas e animais: abriga 1,6 milhão de espécies de animais, entre elas 261 de mamíferos, 620 de aves, 200 de répteis e 280 de anfíbios, sendo que 567 delas só existem na Mata Atlântica. Na floresta são encontradas também cerca de 20 mil espécies de angiospermas (vegetais com sementes protegidas dentro dos frutos), o equivalente a 35% das que existem no Brasil.
A Mata Atlântica abriga 180 unidades de conservação federais. A maior parte (122) é de proteção integral; as outras 58 são de uso sustentável - que permitem que haja extração dos recursos naturais, desde que de forma controlada, sem prejudicar o meio ambiente. Essa distribuição, porém, não é equilibrada ao longo do país, destaca Schäffer. "Em algumas regiões, temos uma conservação maior do que em outras. A Bahia é um dos lugares em que há mais ameaças e poucas unidades. No Sul também existem poucas áreas".
Para reforçar a conservação da floresta nessas regiões, estão em processo de estudo ou de consulta pública a ampliação ou criação de 21 novas áreas na Bahia - em um total de 6.300 quilômetros quadrados (pouco mais que o Distrito Federal) - e de três áreas em Santa Catarina, uma delas na divisa com o Rio Grande do Sul, que totalizam 3.600 quilômetros quadrados. Isso elevaria a área protegida na Bahia em 693% e, nos dois Estados do Sul, em 176% - elas são, atualmente, de 909 quilômetros quadrados e de 3.600 quilômetros quadrados, respectivamente.
Esses valores ainda podem ser alterados até a assinatura do decreto presidencial que efetiva a criação das unidades de conservação, frisa Rogério Azevedo, assistente técnico do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente. "Para toda proposta de criação é feito um estudo para definir a área, que leva em conta tanto aspectos biológicos quanto socioeconômicos. Depois, isso vai para consulta pública e é possível que aumente ou diminua até que o documento legal que estabelece o limite seja assinado pelo presidente", diz. Mas ele pondera que a variação não costuma ser muito grande.
As propostas estão sendo debatidas durante a Semana Nacional da Mata Atlântica, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente com o apoio do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, realizado em parceria com o PNUD. Um dos pontos de maior atenção do evento, que começou na segunda e termina no sábado em Porto Alegre, será a Lei 11.428/2006 (Lei da Mata Atlântica), aprovada em dezembro no ano passado para regulamentar o uso e a conservação da vegetação remanescente do bioma.
Por: Talita Bedinelli/ PrimaPagina
31 maio, 2007 - 09:43h
Ministros das Relações Exteriores de países europeus e asiáticos estabeleceram 2009 como o prazo para o fim das negociações em torno de um novo pacto internacional de combate às mudanças climáticas, anunciaram diplomatas nesta terça-feira (29).
O acordo foi fechado depois de dois dias de reuniões na cidade alemã de Hamburgo. O objetivo do tratado será a redução dos gases causadores do efeito estufa, considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global.
Pelo acordo fechado nesta terça-feira, as nações asiáticas (o que inclui China e Índia) não terão de aderir a metas rígidas de redução das emissões de dióxido de carbono.
Em vez disso, os chanceleres definiram quais serão as responsabilidades dos países ricos e dos pobres no combate às mudanças climáticas, revelou um diplomata sob condição de anonimato.
O encontro contou com a presença dos ministros de Relações Exteriores dos 27 países da UE e os 10 da Asean, assim como os de China, Japão, Coréia do Sul, Índia e Paquistão.
O encontro também servirá de palco para uma reunião paralela em preparação para a Cúpula Econômica Mundial da próxima semana no balneário alemão de Heiligendamm.
Os países presentes na reunião reúnem 58% da população mundial, 60% do comércio do mundo e 50% do Produto Social Bruto de todo o planeta.
Fonte: Efe/Reuters/ Estadão Online
31 maio, 2007 - 09:41h
A greve dos servidores do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, iniciada no último dia 14, entrou hoje no 14º dia de paralisação. Segundo o Asibama - Associação Nacional dos Servidores do Ibama, a paralisação continua por tempo indeterminado.
Os grevistas protestam contra a divisão das atividades do Ibama com o recém-criado Instituto Chico Mendes - criado por meio da MP (medida provisória) 366.
A presidente do Asibama-DF, Lindalva Cavalcanti, disse que a categoria prepara uma série de protestos para esta terça-feira (29). Na quarta-feira (30), os grevistas participam de uma audiência pública na comissão da Amazônia, na Câmara dos Deputados.
Segundo ela, a categoria realizou uma assembléia na sexta-feira (25) passada que aprovou a continuidade da greve. "O movimento continua em todos os Estados e agora terá o reforço do interior do país", afirmou Cavalcanti.
Fonte: Folha Online
31 maio, 2007 - 09:40h
O estado de Mato Grosso deverá reduzir à metade a área de desmatamento, aponta o Imazon - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, em parceria com o ICV - Instituto Centro de Vida. Dos 6 mil quilômetros quadrados do ano passado, a projeção é de que neste ano sejam desmatados 3 mil quilômetros quadrados.
Para essa projeção de redução, segundo o pesquisador sênior do Imazon, Adalberto Verissimo, deverão contribuir as operações de fiscalização e também a desvalorização do dólar frente ao Real, o que tornaria desinteressante a abertura de novas áreas para o plantio de soja, em regiões mais afastadas.
"Isto porque o custo do transporte fica mais alto, enquanto cai a cotação do dólar, atuando como efeito inibidor", explicou, em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia. Os produtores, acrescentou, preferem reutilizar uma área já desmatada por causa da infra-estrutura, como as estradas, que ela possui.
O coordenador adjunto do ICV, Laurent Micol, disse ver mudanças no setor agropecuário na região, como a criação de gado integrada à lavoura: "Há cada vez mais pessoas falando em reflorestamento, em produzir mais quantidade em área menor. A integração da pecuária com a lavoura também gera economia de espaço, ao utilizar os produtos da lavoura para a ração animal".
Laurent Micol defendeu que não é necessário desmatar para acelerar o crescimento econômico, ao lembrar que mais de 30% das terras de Mato Grosso já foram desmatadas. Ele informou ainda que vários criadores de gado no estado já utilizam uma área de pasto reduzida e complementam a alimentação do rebanho com farelo de soja e caroço de algodão.
Por: Thayara Martins
Fonte: Rádio Nacional da Amazônia
31 maio, 2007 - 09:38h
Com a publicação de uma portaria e o início dos trabalhos de uma força-tarefa, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) do Rio Grande do Sul prometeu ontem destravar o licenciamento ambiental para projetos de florestamento.
Até o fim desta semana, os técnicos da Fepam devem dar resposta a 86 de 117 solicitações de licença prévia que tramitam no órgão, prometeu Ana Maria Pellini, diretora-presidente. As restantes, consideradas mais complexas, serão encaminhadas a uma consultoria interna para também serem analisadas.
- Não significa que eles obterão o licenciamento. Todos os pedidos serão analisados com critérios ecológicos rígidos - pondera Ana Maria, empossada dia 18 de maio, após crise gerada na análise dos processos.
Ana Maria esclarece que a portaria publicada ontem ratifica o acordo feito no dia 3 de maio. Na ocasião, o governo, depois de negociação com o Ministério Público Estadual, anunciou que a proposta de zoneamento para plantio de árvores elaborada no ano passado não seria utilizada como critério único para concessão de licenças, o que desde o início de 2007 vinha travando o licenciamento.
As conclusões de um grupo de trabalho que fez críticas a esse zoneamento também passariam a ser levadas em conta, ou seja, áreas de plantio não-recomendado no projeto original podem receber autorização da Fepam. Para Doadi Brena, assessor da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais e da Caixa RS, na prática, o zoneamento deixa de ser exigido com a nova portaria:
- Enquanto não for aprovado, passa a não ser reportado de nenhuma forma (na análise das licenças).
A portaria também permite que seja colocada em prática uma determinação legal do ano passado dispensando do licenciamento áreas de até 40 hectares de florestas (a declaração de regularidade ambiental será dada após a solicitação de cadastramento do produtor). Para áreas entre 40 hectares e mil hectares, será exigido um relatório ambiental simplificado. O estudo de impacto ambiental será obrigatório apenas em áreas superiores a mil hectares.
Fonte: Agrol Notícias
31 maio, 2007 - 09:35h
A Secretaria Nacional de Defesa Civil enviou, nesta segunda-feira (28), alertas de queda de temperatura e mar agitado aos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Há previsão de frio também em Mato Grosso do Sul. Deve nevar em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Entre a noite de segunda e quinta-feira (31), uma forte massa de ar polar se estabelece sobre o Sul do Brasil e manterá as temperaturas baixas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O frio na Região Sul, de acordo com a Defesa Civil, será maior na terça (29) e quarta-feira (30). No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as temperaturas mínimas oscilarão entre 3 graus negativos e zero grau, nas áreas mais altas. Nas demais regiões, as mínimas ficarão entre 1 grau e 5 graus.
No Paraná, os termômetros vão marcar de 2 graus negativos a zero grau nas áreas mais altas. Há previsão de neve na Serra Gaúcha e Planalto Sul de Santa Catarina. Nesses dois estados e no Paraná deve gear.
Entre terça e quinta, haverá queda de temperatura em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, os termômetros marcarão de 1 grau negativo a 3 graus, nas áreas mais altas. Nas demais regiões paulistas, as temperaturas ficarão entre 4 graus e 9 graus. Em Mato Grosso do Sul, as mínimas ficarão entre zero grau e 3 graus nas áreas mais altas. Os dois estados também serão atingidos por geada, de acordo com a Defesa Civil.
Mar agitado - De segunda até quinta, o mar ficará agitado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em alto-mar, as ondas podem chegar a cinco metros. Nos litorais de São Paulo e do Paraná, segundo a Sedec, o mar ficará agitado entre terça e quinta, com ondas de até quatro metros em alto-mar.
Fonte: Globo Online
31 maio, 2007 - 09:34h
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês) pediu nesta segunda-feira (28) que o Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia) promova a eficiência energética para combater o aquecimento global.
A organização ambientalista fez esse pedido em um relatório publicado nesta segunda, no qual analisa as políticas de economia energética dos países do G8 - Estados Unidos, Japão, Itália, França, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Rússia -, assim como do Brasil, México, Índia, China e África do Sul, as principais economias emergentes.
Esses últimos países foram convidados a participar da cúpula de líderes do G8 que acontecerá na próxima semana, na Alemanha, durante a qual o problema da mudança climática será um dos temas centrais.
O relatório sobre eficiência energética do WWF indica que a economia energética pode reduzir a emissão de gases do efeito estufa e contribuir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas no planeta.
"Não há uma fórmula mágica para conter a perigosa mudança climática, mas a eficiência energética é a maior e mais acessível solução capaz de atenuar a crise atual", disse o diretor do Programa Mundial contra a Mudança Climática do WWF, Hans Verolme, através de um comunicado.
O estudo afirma que a eficiência energética é técnica e economicamente viável e favorece o desenvolvimento econômico sustentável, ao criar novas oportunidades de negócio e postos de trabalho.
Verolme disse que "muitas das políticas e medidas para a eficiência energética do G8 são ineficazes" e, por isso, o relatório formula algumas recomendações para melhorá-las, especialmente nos setores da construção, do transporte e da energia.
O WWF sugere aumentar a economia energética em 20% em 2020, em comparação a 2005, mas afirma que, em alguns países, o aumento da eficiência energética poderia chegar a 50% no transporte e a 45% na construção e no setor elétrico.
As recomendações incluem também o estabelecimento de critérios e comprovantes de eficiência energética, além do uso de instrumentos fiscais como subvenções, créditos fiscais e impostos energéticos sobre as emissões de dióxido de carbono.
Além disso, o WWF pede que o G8 apóie tecnologicamente os países em desenvolvimento, e colabore com eles no desenvolvimento conjunto de critérios de eficiência energética.
Fonte: Efe/ Terra
31 maio, 2007 - 09:33h
Ministros das Relações Exteriores de países europeus e asiáticos estabeleceram 2009 como o prazo para o fim das negociações em torno de um novo pacto internacional de combate às mudanças climáticas, anunciaram diplomatas nesta terça-feira (29).
O acordo foi fechado depois de dois dias de reuniões na cidade alemã de Hamburgo. O objetivo do tratado será a redução dos gases causadores do efeito estufa, considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global.
Pelo acordo fechado nesta terça-feira, as nações asiáticas (o que inclui China e Índia) não terão de aderir a metas rígidas de redução das emissões de dióxido de carbono.
Em vez disso, os chanceleres definiram quais serão as responsabilidades dos países ricos e dos pobres no combate às mudanças climáticas, revelou um diplomata sob condição de anonimato.
O encontro contou com a presença dos ministros de Relações Exteriores dos 27 países da UE e os 10 da Asean, assim como os de China, Japão, Coréia do Sul, Índia e Paquistão.
O encontro também servirá de palco para uma reunião paralela em preparação para a Cúpula Econômica Mundial da próxima semana no balneário alemão de Heiligendamm.
Os países presentes na reunião reúnem 58% da população mundial, 60% do comércio do mundo e 50% do Produto Social Bruto de todo o planeta.
Fonte: Efe/Reuters/ Estadão Online
31 maio, 2007 - 09:31h
Os moradores e os turistas que visitaram São Joaquim, cidade serrana de Santa Catariana, presenciaram uma das noites mais frias do ano na noite de terça-feira (29), com queda de neve, num mês de maio que está sendo considerado o mais frio em 39 anos na região, segundo o Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia.
Durante a madrugada, foram registrados -5 graus, com uma sensação térmica de -22 graus; a máxima em São Joaquim chegou a 4 graus. O frio foi intenso também em todo o Sul do Brasil. Nos pontos mais altos, com um vento forte, a vegetação foi coberta por uma camada grossa de gelo.
Em Curitiba (PR), esta quarta-feira (30) foi o dia mais frio do mês de maio, pelo menos nos últimos dez anos, quando o Instituto Tecnológico Simepar iniciou o trabalho de medição diária da temperatura. Entre 6 e 7 horas da manhã, os termômetros marcaram 0 grau na capital paranaense, mas o vento fazia com que a sensação térmica fosse de 5 graus negativos.
O frio também foi intenso em outras regiões do Estado. A temperatura mínima no Paraná foi registrada em Inácio Martins, com -4,1 graus. A geada tomou conta de todo o Estado. Pelo levantamento do Simepar, na região metropolitana de Curitiba o município mais frio foi Pinhais, onde os termômetros marcaram -1,2 grau.
Outras localidades também registraram temperaturas abaixo de zero, como Palmas, que teve -3,4 graus, e Guarapuava, com -2,4 graus. Em Londrina, no norte do Estado, região normalmente mais quente, os termômetros marcaram 3,4 graus. Pela manhã, a temperatura mais alta no Paraná foi medida no litoral, com 7,5 graus. Para quinta-feira, 31, a previsão é de que se verifique uma elevação média entre 3 e 4 graus, em razão de a massa de ar frio já estar se afastando em direção ao mar.
São Paulo - O interior de São Paulo também registrou baixas temperaturas na madrugada desta quarta. Em Presidente Prudente, a mínima chegou a 6 graus. Em Bauru, a temperatura chegou a 9 graus e em Ribeirão Preto, a mínima foi de 13 graus.
A queda da temperatura causou a formação de geadas nas regiões sul e sudoeste de São Paulo. Em Itapetininga, a relva amanheceu coberta de orvalho congelado. Em Sorocaba, funcionários do zoológico usavam aquecedores para evitar a morte de animais.
Por: Solange Spigliatti
Fonte: Estadão Online
31 maio, 2007 - 09:30h
Evento do segundo dia da 50ª Reunião Extraordinária do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente, o painel "Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação às Mudanças Climáticas no Brasil" foi realizado nesta quarta-feira (30) com a participação de 15 especialistas no assunto. Eles apresentaram resultados de pesquisas e perspectivas de futuro sobre diversas causas e conseqüências do aquecimento global, informações consideradas fundamentais para orientar futuras decisões do Conama. As discussões centraram-se nos dados apresentados nos últimos três relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
A secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Thelma Krug, fez a primeira apresentação do dia. Integrante do IPCC, ela iniciou sua fala transmitindo a constatação de que a alteração do clima é irreversível. "Nenhum esforço de mitigação será suficiente para impedi-la", afirmou. No entanto, fez uma ressalva: "As sociedades, de forma geral, estão se adaptando aos impactos (das mudanças do clima)".
De acordo com Thelma Krug, o IPCC considera fundamental o papel dos governos no processo de mudanças climáticas. Contudo, alertou que, até o ano passado, apenas seis países já haviam produzido planos para as adaptações. Por isso, segundo ela, o governo brasileiro deu um importante passo ao criar a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental. "É uma oportunidade para desenvolver uma estratégia nacional", afirmou.
O consultor do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República, Alberto Fonseca, defendeu que é preciso conciliar desenvolvimento com preservação ambiental. Argumentou também em favor da necessidade de se criar "uma consciência coletiva" sobre o assunto. "E uma educação de qualidade é a base para formar essa consciência de preservação para as próximas gerações", disse.
Com dezenas de mapas e gráficos dos relatórios do IPCC, o meteorologista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentou aos conselheiros do Conama as diferentes conseqüências do aquecimento. Ele deu ênfase à questão das vulnerabilidades. "Não podemos desenvolver adaptações e mitigações sem conhecer as vulnerabilidades", disse. Ele lembrou que o aumento da temperatura causa impactos, sobretudo, nas regiões mais pobres.
Outro palestrante a abordar esse aspecto foi o médico Ulisses Confalonieri, da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz). Também integrante do IPCC, ele demonstrou como o aquecimento global poderá causar o aumento de algumas doenças. No Brasil, citou que isso ocorrerá, principalmente, no caso das doenças transmitidas pela água. "Além disso, a redução em 30% da produção agrícola irá favorecer a desnutrição", afirmou.
Negociador do governo brasileiro em conferências das Nações Unidas sobre mudanças do clima, o advogado Haroldo de Oliveira Machado Filho abordou as questões legais e fez um relato sobre o histórico da atuação do governo brasileiro nos últimos 12 anos. Como Marengo, também defendeu uma atenção maior sobre as vulnerabilidades.
Um segundo grupo de palestrantes deu destaque para os impactos das mudanças climáticas nas áreas costeiras e na agricultura. A professora Emília Arasaki, da Universidade de São Paulo, explicou como se dará elevação do nível do mares. Gerente do Projeto Integrado dos Ambientes Costeiros e Marinho do MMA, o oceanógrafo Ademilson Zamboni ampliou a discussão ao detalhar a erosão dos litorais por conta do aquecimento.
Os impactos na agricultura foram o principal tema do engenheiro agrícola Jurandir Zullo, da Unicamp, e da ecóloga Magda Aparecida de Lima, da Embrapa. Ele mostrou projeções sobre o aumento da temperatura para o cultivo de café em diferentes regiões brasileiras. Ela abordou os problemas e as adaptações necessárias para o milho e para soja.
O terceiro grupo de palestrantes concentrou-se nos impactos sobre Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Três dos seis participantes das discussões também integram o IPCC. Eles, mais uma vez, demonstraram os resultados dos relatórios do grupo.
"De acordo com o IPCC, se a temperatura do planeta aumentar em dois graus, 30% das espécies de plantas vão acabar. Até para mim, que sou pesquisador, foi um choque saber disso", disse o engenheiro eletrônico Carlos Nobre, do Cptec/Inpe.
A reunião extraordinária do Conama teve início na terça-feira (29) na cidade do Rio de Janeiro. No primeiro dia de trabalhos, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fizeram a abertura do evento e assinaram dois acordos de cooperação e um protocolo de compromissos. No período da tarde, durante reunião plenária, o Conama aprovou duas resoluções e apreciou 14 moções.
Por: Adriano Ceolin
Fonte: MMA
31 maio, 2007 - 09:28h
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados foi a Palmas, em Tocantins, fazer uma audiência pública nesta segunda-feira (28) sobre os possíveis impactos ambientais da construção da barragem de Estreito no Rio Tocantins. A audiência teve a participação de deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, do senador Paulo Paim. A advogada da CPT - Comissão Pastoral da Terra, Maria Trindade, explica que as comunidades reivindicam um novo estudo de impacto ambiental.
O estudo que existe foi feito pelo próprio consórcio que vai realizar a obra. Segundo Maria Trindade, o estudo não levou em consideração os impactos que a barragem pode causar em certas comunidades que vivem próximas do Rio Tocantins. "No primeiro momento, o estudo não considerou os indígenas como impactados. Os indígenas tanto Apinajé quanto Krahô não foram considerados atingidos pela barragem de estreito", afirma.
Segundo o líder indígena Antônio Apinajé, o estudo de impacto ambiental do consórcio levou em consideração apenas 6 mil indígenas enquanto estima-se que existam 20 mil indígenas e ribeirinhos vivendo na área afetada. Antônio acredita ainda que o governo precisa investir em outras fontes de energia e não deve construir mais barragens. "Tudo tem um limite. Por que o governo não investe em outras formas de energia limpa que não prejudiquem tanto o meio ambiente? Desse jeito o Rio Tocantins vai virar um lago", sugere.
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Luiz Couto, é preciso chegar a um consenso. Não se pode deixar de lado as reivindicações das comunidades, mas é preciso realizar as obras de infra-estrutura, previstas no PAC - Programa de Aceleração do Crescimento. "Queremos sim o progresso, queremos sim a barragem, mas ela não pode passar por cima dos direitos fundamentais", adianta.
A Comissão dos Direitos Humanos e Minorias pretende avaliar as reivindicações das comunidades e leva-lás às comissões competentes na Câmara, que estudam os projetos do PAC.
Por: João Porto
Fonte: Rádio Nacional da Amazônia
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