Arquivos da categoria: 'Energia'
30 agosto, 2010 - 15:51h
Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) dizem ter encontrado um mecanismo para coletar energia elétrica do ar úmido. O coordenador do estudo, Fernando Galembeck, apresentou a descoberta em uma reunião da Sociedade Americana de Química, em Boston.
Segundo ele, a técnica explora um efeito atmosférico pouco conhecido. O cientista brasileiro diz que metais poderiam ser usados para captar a energia, abrindo caminho para uma potencial fonte de energia em climas úmidos. Outros cientistas, porém, discordam sobre o mecanismo e sobre a escala do efeito relatado por Galembeck.
Circuito
"A ideia básica é que quando você tem qualquer sólido ou líquido em um ambiente úmido, você tem a absorção de água na superfície", disse Galembeck à BBC.
"O trabalho que estou apresentando mostra como metais colocados sob um ambiente úmido se tornam carregados (de energia)", afirmou. Galembeck e seus colegas de pesquisa isolaram vários metais e pares de metais separados por um material não condutor de eletricidade e permitiram que nitrogêneo gasoso com diferentes quantidades de vapor de água passassem por eles.
O que a equipe descobriu é que os metais acumularam carga elétrica - em variadas quantidades, com carga positiva ou negativa. Os metais poderiam ser ligados periodicamente a um circuito para criar eletricidade que pudesse ser utilizada.
O efeito é muito pequeno - coletando uma quantidade de eletricidade equivalente a 0,000001% da produzida em uma mesma área por uma célula de energia solar -, mas parece representar uma forma de acumulação de carga que até agora era ignorada.
Galembeck sugere que com mais desenvolvimento, o princípio poderia ser estendido para se tornar uma fonte de energia renovável em áreas úmidas do planeta, como os trópicos.
Debate
Apesar de a ideia de tirar energia do ar ser tentadora, a perspectiva de se conseguir coletar uma quantidade suficiente para tornar o processo viável ainda é uma questão de debate.
Hywel Morgan, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, diz que um efeito semelhante já é conhecido há algum tempo. Ele aponta que o carregamento triboelétrico - a geração de carga elétrica pela fricção de gotas de água sobre gotas de água - é a origem das trovoadas.
"O que achamos que está acontecendo é que ele está jogando vapor de água através dos metais e, com isso, carregando triboeletricamente o vapor de água", afirma.
Segundo ele, isso resultaria numa carga, mas não seria o mesmo que simplesmente tirar eletricidade do ar úmido.
''Muito interessante''
O físico Marin Soljacic, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, criador de uma tecnologia de transmissão de energia sem fio conhecida como Witricity, discorda de Morgan. Ele classifica o estudo coordenado por Galembeck de "muito interessante" e "uma boa área de pesquisa".
Ele concorda, porém, que a quantidade de carga acumulada nos testes iniciais sugere que pode ser difícil fazer bom uso da técnica. "Neste ponto, ainda é difícil ver como isso poderia ser usado em aplicações do dia-a-dia", disse ele à BBC.
Segundo ele, são necessárias mais pesquisas para entender "todas as limitações e o quanto é possível avançar". "(Morgan) está certo que um efeito semelhante e relacionado já é conhecido, mas estamos pressionados a encontrar novas fontes de energia renováveis, então acho que ainda é cedo para descartar esta pesquisa", afirma Soljacic.
Galembeck se diz acostumado com a polêmica que este tipo de trabalho gera, afirmando que as discordâncias sobre o mecanismo por trás dele formam "o motivo principal para discussões acaloradas entre os cientistas".
"Já houve muitas tentativas de coletar eletricidade da atmosfera, e a maioria teve final infeliz", diz.
Fonte: Portal Terra
27 agosto, 2010 - 10:10h
O presidente do consórcio responsável pela usina de Belo Monte disse que ela será a única construída no rio Xingu e que nenhuma compensação, tanto ambiental quanto para as comunidades locais, será deixada de fora.
Concessão de Belo Monte é assinada hoje sob protestos de 56 entidades
Empresa quer começar obra de Belo Monte ainda neste ano
A declaração foi feita nesta quinta-feira (26), durante a assinatura de concessão da usina,por Carlos Nascimento, presidente da Sociedade de Propósito Específico do Consórcio Norte Energia, que venceu a licitação para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte,
"A população e as comunidades podem confiar nas palavras e ações da Norte Energia para evitar impactos. Ninguém deixará de ser ouvido e de participar do processo de escolha das formas de indenização", afirmou.
Segundo Nascimento, nunca um empreendimento foi tão estudado. Os possíveis impactos causados pela obra foram tema de teses sobre os reflexos físicos, bióticos (relativo à vida ou aos seres vivos) e socioeconômicos.
Segundo ele, a expectativa é de que a usina gere 18 mil empregos diretos, 23 mil agregados e beneficie pelo menos 54 mil pessoas, incluindo familiares.
O ministro de Minas e Energia, Marcio Zimermann, lembrou que a obra da Usina de Santo Antônio, no rio Madeira, formou cerca de 30 mil jovens da região para uma profissão.
"Isso para uma usina leiloada em 2007 e que ainda não está em operação", ressalta ele. A Hidrelétrica de Santo Antônio deve começar a gerar energia em um ano.
Fonte: Folha.com
9 agosto, 2010 - 14:44h
O evento de tecnologia automotiva Plug-in causou furor ao mostrar, na semana passada (26 a 29 de julho), um sistema sem fio para carregar carros elétricos. Ao estacionar o veículo sobre uma pequena plataforma, ele começa a ser carregado por indução magnética. O produto, que não sairá por menos de US$ 3.800 (nos EUA é possível ter um subsídio de até US$ 2 mil do governo para esse tipo de aparelho), mereceu atenção de centenas de blogs de sustentabilidade pelo mundo. Entre os que mostraram a novidade, estão o Eco friend, o Autoblog Green e até o blog da revista que é nossa concorrente (não vamos colocar o link, né), que pergunta: "Será que no Brasil teríamos o mesmo estímulo para optar pelos veículos elétricos não-poluentes?" . As expressões "não poluente" e "energia limpa", empregadas em diversos veículos para definir o sistema, são enganosas. Verdade Inconveniente consultou especialistas e ouviu que, na realidade, o equipamento acrescenta comodidade no carregamento de energia às custas de um dano maior ao meio ambiente.
Filósofo critica nova "ecochatice"
De maneira geral, tudo funciona da seguinte forma: quando o carro estaciona sobre o aparelho, o equipamento gera um campo magnético. Este é captado por um receptor instalado na parte inferior do veículo e usado para carregar a bateria do automóvel. Só que há um problema no processo: "Entre a base que está no chão e o veículo, existe o ar, cujas características físicas não são as mais apropriadas para o acoplamento magnético. Com isso, acaba havendo a necessidade de um maior consumo de energia para suprir a deficiência", afirma Rubens Alves Dias, especialista em energia da Unesp.
A própria companhia admite que a eficiência ainda é menor do que 80% (ou seja, mais de um quinto da energia é perdida, em comparação com um carro ligado na tomada). No blog da empresa, Rebecca Hough, fundadora e diretora de vendas da Evatran diz que a intenção é chegar a 90% de eficiência. "Se formos pensar numa frota do tamanho da dos EUA, essa perda estaria representando uma quantidade grande de dióxido de carbono a mais jogado na atmosfera pelas termoelétricas, de material radiotivo gerado nas termonucleares… É um sistema que traz comodidade para o motorista, mas em termos de eficiência e sustentabilidade, é muito discutível", diz Dias. O especialista lembra: para que a eletricidade chegue à tomada, há um impacto ambiental anterior, relacionado à produção e distribuição de energia.
Ou seja, dependendo da matriz energética do país, pode ser mais poluente usar um carro elétrico do que um a combustível fóssil. Com o sistema da Evatran, então, o automóvel à eletricidade pode tornar-se pior do que o a diesel. "[Nos EUA], a diferença entre os dois em termos de poluição já é bem pequena. Quando você compara o elétrico a um carro a diesel eficiente, esses 10% de perda energética podem fazer o elétrico se tornar pior para o meio ambiente", afirma Michael Kintner-Meyer, especialista do Pacific Nortwest Laboratory, à revista New Scientist.
"Benefício sustentável"
Embora não seja explícito, o discurso sustentável permeia toda a divulgação da Evatran, cujo site, inclusive, dá destaque aos tons de verde. No blog deles, não faltam referências sobre os benefícios ao meio ambiente dos carros elétricos em posts com títulos como "Um participante em uma iniciativa verde" e "Gasolina até você se sentir culpado". Esse discurso tem empolgado autoridades do Estado de Virginia, nos EUA. Uma das comissões do Estado destinou, em 2009, US$ 1,25 milhão para as pesquisas da empresa em "energia limpa".
Há um mês, o governador da Virginia, Bob Mcdonell, também louvou a iniciativa da empresa em expandir suas operações por lá, criando 84 empregos. "À luz da necessidade atual de aumentar a conservação de energia, eu cumprimento o envolvimento importantíssimo da companhia em soluções alternativas de energia", disse o governante, de acordo com documento oficial.
Conservação da energia? Energia limpa? Embora o aparelho da Evatran possa ajudar a popularizar o carro elétrico, por enquanto são os políticos - e não os cientistas - a fazer propaganda dos seus benefícios ambientais.
Fonte: Revista Galileu
9 agosto, 2010 - 14:27h
Os povos indígenas estão sofrendo "de forma desproporcional" o impacto negativo das usinas hidrelétricas construídas em suas terras de origem quase sem receber benefícios por isso.
É a conclusão de um relatório publicado hoje pela organização Survival International por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas, no qual se denunciam os efeitos devastadores da atual corrida para construir represas hidrelétricas, várias delas com fundos do Banco Mundial.
Segundo a entidade, há no mundo todo um forte aumento do ritmo de construção dessas usinas, que exigem o alagamento de extensas áreas para as represas e forçam a retirada das comunidades nativas.
A tribo amazônica Enawene Nawe será afetada pelos planos do Governo de construir 29 represas em seus rios, ressalta o relatório, segundo o qual, em toda a Amazônia, inúmeras comunidades serão afetadas pela expansão na energia hidrelétrica na região, entre as quais cinco isoladas.
Com fundos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as comunidades ribeirinhas do rio Xingu também sofrerão o impacto da polêmica usina de Belo Monte, acrescenta o relatório.
A Survival exemplifica também casos do Peru e da China para ilustrar o impacto negativo das hidrelétricas sobre comunidades nativas.
Fonte: Folha.com
6 agosto, 2010 - 10:11h
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, descobriram como usar simultaneamente a luz e o calor do Sol para gerar eletricidade.
A técnica tem o potencial para produzir energia solar com o dobro da eficiência dos métodos existentes, tornando-a barata o suficiente para competir com as termelétricas que queimam derivados de petróleo.
Emissão termiônica - Batizado de "emissão termiônica de fótons otimizada", ou PETE (Photon Enhanced Thermionic Emission), o processo promete superar a eficiência tanto das atuais tecnologias de conversão fotovoltaica - os conhecidos painéis solares - quando das usinas termossolares - que usam o calor do Sol para aquecer líquidos que giram turbinas para gerar a eletricidade.
Ao contrário das células solares atualmente usadas nos painéis solares - que perdem eficiência quando a temperatura aumenta - o novo dispositivo se destaca justamente pelo bom funcionamento em altas temperaturas, o que permite seu funcionamento simultâneo no processo termossolar.
"Este é realmente um avanço conceitual, um novo processo de conversão de energia, não apenas um novo material ou uma variação levemente diferente," disse Nick Melosh, que liderou o grupo de pesquisa. "É realmente algo fundamentalmente diferente de como você pode coletar energia."
A célula solar PETE junta em um único componente o mecanismo quântico das células solares - os fótons excitam os elétrons - com o mecanismo termal - que usa a luz do Sol concentrada como fonte de energia termal para produzir eletricidade indiretamente por meio de um motor de calor.
O componente é baseado na emissão termiônica de elétrons fotoexcitados em um catodo semicondutor funcionando em alta temperatura.
Recentemente, cientistas do MIT também anunciaram a descoberta de uma nova forma de produzir eletricidade, usando nanotubos de carbono.
Conversão térmica com conversão fotovoltaica - A maioria das células solares usa o silício para converter a energia dos fótons da luz do Sol em eletricidade - o inconveniente é que essas células coletam apenas uma parte do espectro da luz, com o restante gerando apenas calor.
Se esta energia desperdiçada na forma de calor pudesse ser capturada, as células solares poderiam ser muito mais eficientes. O problema é que são necessárias altas temperaturas para fazer funcionar os sistemas baseados na conversão de energia térmica, e a eficiência da célula solar diminui rapidamente em altas temperaturas.
O que os pesquisadores fizeram agora foi encontrar uma maneira de casar a tecnologia da conversão térmica com as células solares.
O grupo de Melosh descobriu que revestir um material semicondutor com uma fina camada do metal de césio torna o material capaz de usar tanto a luz e quanto o calor para gerar eletricidade.
"O que nós demonstramos é um novo processo físico que não é baseado nos mecanismos fotovoltaicos conhecidos, mas que é capaz de dar uma resposta fotovoltaica sob temperaturas muito altas," disse Melosh. "Na verdade, ele funciona melhor em temperaturas mais elevadas. Quanto mais alta a temperatura, melhor."
Coletor fototermossolar - Enquanto a maioria das células solares de silício deixa de funcionar quando a temperatura atinge 100 graus Celsius, o dispositivo PETE não atingiu sua eficiência máxima até que a temperatura estivesse bem acima de 200 ºC.
Isto significa que um coletor PETE deverá funcionar melhor em coletores solares parabólicos, que podem chegar aos 800 ºC.
Melosh calcula que o processo PETE pode chegar a 50 por cento de eficiência ou mais usando concentradores solares. Se combinado com um ciclo de conversão térmica, pode chegar a 55 ou mesmo 60 por cento - quase triplicando a eficiência dos sistemas atuais.
Os pesquisadores usaram o semicondutor nitreto de gálio no seu protótipo. A eficiência ficou abaixo do previsto teoricamente, mas eles escolheram o nitreto de gálio porque era o único material disponível que tinha mostrado sinais de ser capaz de resistir às temperaturas elevadas nas quais eles estavam interessados.
Com o material adequado - provavelmente o arseneto de gálio - a eficiência real do processo pode chegar até a 50 ou 60 por cento. O próximo passo é testar esse e outros materiais candidatos para seu novo coletor fototermossolar.
Fonte: Site Inovação Tecnológica
2 agosto, 2010 - 16:09h
Os elevados índices de casos de câncer na população jovem de Caetité, a 770 km de Salvador, e a possibilidade de a incidência da doença estar vinculada à exploração de urânio no município fazem parte do relatório produzido pela socióloga, doutora em ética e meio ambiente, Marijane Lisboa, que será entregue à Organização das Nações Unidas (ONU). Ela passou três dias no sudoeste da Bahia investigando os efeitos da atividade junto à população.
O relatório conterá avaliação socioambiental das atividades da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que, há 10 anos, extrai urânio no município para o funcionamento das usinas nucleares Angra I e Angra II.
Depois de retornar da visita à área, a socióloga afirmou que o estigma de "cidade do urânio" pesa sobre a vida dos moradores de Caetité, "que, além da falta d'água' enfrentam dificuldades para comercializarem seus produtos agrícolas. A vida econômica dessas comunidades rurais está morta", afirmou Lisboa.
Relatora do Direito Humano Ambiental, da ONG Direitos Humanos, Econômicos, Culturais e Ambientais (Dhesca), ela foi levada à região a partir da solicitação de outras duas organizações - a Associação Movimento Paulo Jackson e a Rede Brasileira de Justiça Ambiental, que estão preocupadas com ocorrências de vazamento, contaminação de poços artesianos e falta de informações para as comunidades. A relatora constatou que a população local não tem sido informada sobre os riscos que corre pela proximidade com a INB.
A promotora pública Luciana Khoury informou que, desde 2006, duas ações já foram ajuizadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e outra pelo Ministério Público Federal (MPF), para que o Estado, o município e a INB forneçam água e assistência médica à população.
O diretor de recursos minerais das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) afirmou que "a extração de urânio não traz problema algum". Ele disse não ter expectativas de que o relatório do Dhesca traga alguma novidade ou informação que comprometa as atividade da INB na região. Sob a acusação da falta de informações para a população, Bittencourt disse que na cidade há postos de informações que informam sobre todos os dados obtidos durante as fiscalizações feitas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), ligada à INB. No entanto, reconheceu erro quanto à fiscalização. "Já estamos tentando reparar e criar uma comissão só para a fiscalização", declarou o diretor.
Fonte: Agência A Tarde
26 julho, 2010 - 18:11h
Até sexta-feira, dia 30 de julho, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, realiza a 4ª Escola de Nanociência e Nanotecnologia. O evento teve início hoje, 26, com o tema "Da Nanoenergia ao Nanoencapsulamento".
Os estudantes vão ter a oportunidade de conhecer mais sobre o assunto, sob diversos aspectos, como a aplicação em pesquisas de geração de energia limpa e utilização na medicina, como o tratamento de câncer e em procedimentos odontológicos, por exemplo.
Professores de diferentes cursos da universidade vão ministrar palestras, como Química, Odontologia, Física e Farmácia, com objetivo de oferecer aos alunos uma visão mais ampla da área de Nanociência e Nanotecnologia. Serão oferecidas, ainda, aulas teóricas e experimentais.
O evento acontece no Centro Cultural Professor Horácio Macedo (CCMN), localizado na Avenida Athos da Silveira Ramos, 274, - Cidade Universitária. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (21) 2562-7595 ou (21) 2562-7595, ou ainda, pelo e-mail 4escolannUFRJ@eq.ufrj.br.
*Fonte: Portal Ambiental com informações da URJ.
26 julho, 2010 - 18:09h
Pesquisadores do Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recursos Hídricos, CPH, da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, estão desenvolvendo um veículo submersível para inspeção e manutenção de estruturas que se encontram debaixo d'água.
A propostas surgiu da demanda devido ao crescente número de usinas hidrelétricas no país. Hoje mais de 800 estão em operação, respondendo por 67% da produção nacional de energia. "A ideia é criar uma espécie de robô capaz de fazer a manutenção das usinas sem interromper o seu funcionamento, economizando tempo e dinheiro", explicou o coordenador do projeto, Paulo Henrique Vieira Magalhães.
Recentemente foi testado o primeiro protótipo avançado da pesquisa. Os resultados foram satisfatório. O veículo foi projetado para ser operado a distância, atingindo uma profundidade de até 100 metros, com transmissões de imagens a partir de um sistema de câmeras.
"O veículo conta ainda com um computador embarcado que recebe os sinais da câmera, dos sensores de ‘posicionamento' e de outros sensores para fazer o balanceamento do sistema e proporcionar estabilidade por meio dos sistemas de atuação (propulsores e flutuação)", afirmou o pesquisador.
As informações ficam disponíveis em painéis instalados em uma sala de controle, onde é possível operar o veículo.
Agora, a equipe prepara um novo veículo, mais aprimorado, capaz de fazer mais do que a simples visualização. "Ele deve vir equipado com braços manipuladores utilizados para realizar manutenção em estruturas submersas", explicou Magalhães.
*Fonte: Portal Ambiental com informações da UFMG.
26 julho, 2010 - 16:46h
Retomada das obras de Angra 3 e construção de novas usinas no Nordeste e no Sudeste até 2030 esquentam o debate sobre o uso da energia atômica no país. O governo diz que a iniciativa pode evitar apagões. Mas ONGs como o Greenpeace veem perigo na tecnologia.
O Brasil precisa investir em energia atômica? O governo federal acha que sim e retomou o programa nuclear do país, que se arrastava desde o acidente com a usina de Chernobyl, em 1986, na extinta União Soviética. Os planos incluem terminar as obras de Angra 3, paralisadas há 24 anos, e, depois, construir pelo menos mais quatro centrais termonucleares até 2030. Duas delas vão ficar no Nordeste, e, as outras duas, no Sudeste. A polêmica decisão tem recebido duras críticas de entidades ligadas à defesa do meio ambiente, e o debate vai se transformar em uma guerra nos próximos anos.
Entre os principais opositores da ideia estão ambientalistas e ONGs, que acham essa tecnologia perigosa e cara. Para o Greenpeace, faz mais sentido gastar com parques eólicos, vistos pelos ativistas como mais competitivos, ambientalmente corretos e seguros. Já os defensores da opção nuclear incluem o Palácio do Planalto, os Ministérios de Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia e organizações e empresas diretamente ligadas ao setor. O grupo afirma que os riscos são mínimos e que as usinas são necessárias para dar conta do crescimento da demanda por energia nos próximos 20 anos.
A disputa começou com uma vitória do governo. No dia 31 de maio, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) concedeu a licença definitiva para a construção de Angra 3. Com isso, a Eletronuclear, responsável pela operação das usinas nucleares no país, pôde retomar as obras. Serão necessários pelo menos mais 8,5 bilhões de reais para terminar o projeto. De acordo com dados fornecidos pela estatal, o custo da paralisação foi de 1,6 bilhão de reais, dos quais cerca de 650 milhões de reais se destinaram à manutenção dos equipamentos, adquiridos no início da década de 80. A conclusão das edificações está prevista para 2015. Depois disso serão feitas as quatro novas unidades.
PRESSÃO DO FUTURO
Por trás dos planos de construção de novos reatores está um estudo, o Plano Nacional de Energia 2030. A análise, feita em 2007 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, indica que a demanda por eletricidade no Brasil vai crescer entre 90% e 175% até 2030, em relação a 2010. Para lidar com a expansão do consumo nas próximas duas décadas e evitar apagões, a EPE indicou como deveria ser o aumento na produção de energia. Está prevista, por exemplo, a expansão de hidrelétricas e de parques eólicos. Mas a pesquisa também recomendou a geração de um mínimo de 4 gigawatts adicionais por meio de centrais termonucleares.
As discussões sobre os locais onde ficarão instaladas as novas usinas no Nordeste já começaram no Congresso Nacional. Quatro estados estão entre os possíveis escolhidos: Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Como precisam de um volume considerável de água - que, com o calor gerado a partir da fissão (separação) dos átomos de urânio no reator, é aquecida, vira vapor e movimenta turbinas, gerando energia -, as unidades terão de ficar na orla marítima ou ao lado de grandes rios, como o São Francisco e o Jequitinhonha. Pouco se falou sobre as futuras usinas do Sudeste, mas elas deverão ocupar algum ponto do litoral do Rio de Janeiro, de São Paulo ou do Espírito Santo, ou, ainda, a bacia do Rio Paraná.
Definidos os lugares, as novas termonucleares dependem da aprovação de uma lei federal para sair do papel. No momento em que deputados federais e senadores começarem a analisar o texto do projeto - o que ainda levará alguns anos -, o debate entre defensores e opositores vai se intensificar.
O número de adversários da ideia provavelmente crescerá bastante. O medo de um acidente grave, que poderia causar contaminação radioativa e matar milhares de pessoas, certamente vai provocar forte resistência dos moradores das cidades selecionadas para abrigar as novas centrais.
MEGATONS DE CRÍTICAS
Não são poucos os problemas apontados pelo Greenpeace no programa nuclear brasileiro. "A questão nuclear no Brasil é tratada com descaso pela segurança e com falta de transparência", diz André Amaral, coordenador da campanha nuclear da ONG no país. Ao mesmo tempo em que fiscaliza o setor, a CNEN é a maior acionista das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que atuam na produção de urânio, e da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), fabricante de componentes. Na sua estrutura também estão instituições de pesquisa. "Modelo igual, só no Irã e no Paquistão", afirma André. O problema também foi identificado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, num relatório de 2006. Na época, a CNEN informou que trabalha para se desfazer de suas ações da INB e da Nuclep, por meio de um projeto de lei. Mas até hoje nada mudou.
O Greenpeace também aponta falta de transparência. Segundo a ONG, relatórios de segurança são tratados como documentos sigilosos, sob alegação de que guardam segredos industriais e de que sua divulgação poderia afetar a soberania nacional. "Na França, as pessoas são estimuladas a ler esses documentos. A gente tem um setor nuclear estruturado como foi criado, no regime militar", diz o ativista. Segundo ele, pareceres técnicos contrários a algumas decisões, como a construção de Angra 3, costumam ser ignorados pelos diretores.
Há também a questão do lixo nuclear, hoje depositado em piscinas de resfriamento dentro de Angra 1 e 2. Um depósito definitivo para esse material só deverá ser construído em 2026. "Temos energia gerada a preços altíssimos. Só não é mais cara que a produzida por algumas térmicas e solares. A eólica já é mais barata", afirma André. "No ano passado, instalou-se uma capacidade eólica de 37 gigawatts, maior do que a nuclear instalada em 15 anos. Temos um potencial enorme para geração renovável no Brasil." Ele também critica os reatores PWR de Angra 1, 2 e 3, cujo design é da década de 70 e já está ultrapassado. "São bombas atômicas no nosso jardim."
O Greenpeace não está sozinho. Outras ONGs, como a Fundação Heinrich Böll, que tem sede na Alemanha e mantém um escritório no Brasil, se declararam opositoras da energia nuclear. Vários especialistas do meio acadêmico também engrossam o grupo. Entre eles está Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco. "O Brasil tem um potencial gigantesco de geração eólica e solar. Podemos nos beneficiar de investimentos feitos agora nessa área, em pesquisa e desenvolvimento, e ganhar com isso no futuro, exportando tecnologia", diz. Segundo ele, ainda que existam poucas chances de ocorrer um acidente numa central termonuclear, elas não são nulas. "Não podemos acreditar nos que dizem que a tecnologia nuclear amadureceu e é infalível."
DEFESA BLINDADA
Os defensores da energia nuclear rebatem os argumentos levantados pelos seus adversários. Segundo Leonam dos Santos Guimarães, assistente do diretor-presidente da Eletronuclear, não faz sentido dizer que a energia eólica custa menos. "É preciso levar em conta o fator de capacidade", diz.
O número indica a relação entre a quantidade de energia produzida por uma usina ao longo de um período e sua capacidade máxima no mesmo tempo. "Nas eólicas, fica entre 25% e 30%. Em Angra 2, é de 82%", afirma. Para ele, mesmo a questão do lixo nuclear é ideológica. "Não é lixo: 90% do material será reciclado um dia." Segundo o executivo, o Greenpeace critica a energia nuclear porque isso está no seu DNA. "Resistência sempre haverá." A possibilidade de ocorrer um acidente grave, com extensos danos ambientais, em Angra ou nas futuras usinas, também é considerada mínima pelo grupo. "A chance de um Boeing cair é muito pequena, mas eles caem. Nem por isso as pessoas deixam de voar", diz Guilherme Camargo, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben). Ele afirma que a produção de gases estufa por termonucleares é quase nula, o que as torna ambientalmente limpas. "O Brasil precisa de energia elétrica, e de todas as fontes disponíveis. O resto é o blá-blá-blá dos opositores de sempre." Pelo visto, de um lado e de outro, os bombardeios já começaram.
AS MINIUSINAS VÊM AÍ
Como grandes termonucleares são caras, empresas de diferentes países vêm desenvolvendo miniusinas. As unidades têm reatores capazes de gerar entre 30 e 300 megawatts. São instaladas geralmente no subsolo e podem ser refrigeradas a água, sódio líquido, hélio ou até sal fundido. Uma lista detalhada dos projetos está disponível no site.
CADÊ O SUBMARINO?
A ideia de criar um submarino brasileiro com propulsão nuclear surgiu em 1979. Nos anos 80, a iniciativa foi acusada de servir de fachada para a construção de uma bomba atômica. O governo negou. Recentemente, o projeto foi retomado. O reator está sendo desenvolvido pelo Centro Experimental de Aramar, em Iperó (SP). O submarino deve ficar pronto só em 2020.
OS QUATRO PIORES ACIDENTES NUCLEARES
Chernobyl
O reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu em 25 abril de 1986, depois de um teste de rotina, e espalhou radioatividade na atmosfera. Cientistas calculam que 4 000 pessoas vão morrer por causa da contaminação.
Mayak
A indústria química de Mayak, na Rússia, fabricava plutônio para armas nucleares. Em 29 de setembro de 1957, um tanque contendo lixo atômico explodiu. Ao todo, 272 000 pessoas foram expostas à nuvem de radiação.
Windscale
Os dois reatores de Windscale, no Reino Unido, também foram criados com fins militares. No dia 10 de outubro de 1957, um deles pegou fogo, liberando uma nuvem radioativa. Não se sabe quantos foram afetados.
Three Mile Island
Em 28 de março de 1979, um defeito seguido de falha humana causou o derretimento parcial de um reator na usina de Three Mile Island, nos Estados Unidos. A construção de novas unidades no país ficou paralisada por 31 anos.
Fotos Creative Commons/Tim Suess e Wikimedia Commons
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/energia/greenpeace
26 julho, 2010 - 16:34h
O Brasil possui mais de 1.700 hidrelétricas em operação, muitas das quais em Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que dão resposta à crescente demanda por produção de energia elétrica, as usinas provocam mudanças ambientais que afetam a dinâmica populacional de peixes, sobretudo daqueles de comportamento migratório, os mais importantes para o consumo humano.
As barragens e os maquinários das usinas causam mortandade e podem interferir, de modo irreversível, na dinâmica de reprodução dessas espécies. A busca por soluções para o problema envolve o esforço de uma rede de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento – das engenharias às ciências biológicas.
Com recursos do programa de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e empresas do setor, a UFMG desenvolve estudos em duas grandes linhas: métodos para afastar os peixes de áreas perigosas, como turbinas, e pesquisas sobre o comportamento de migração das espécies, com o objetivo de projetar mecanismos adequados de transposição, isto é, que ajudem as espécies a atravessar as barragens e a continuar seu caminho, seja rio acima ou rio abaixo.
“Nossas pesquisas têm gerado teses e dissertações, além de protótipos e experimentos em testes em algumas usinas”, explica o professor Carlos Barreira Martinez, do Departamento de Engenharia Hidráulica da Escola de Engenharia. Entre os estudos recentes do grupo coordenado por Martinez no Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recursos Hídricos (CPH) estão os que procuram impedir a entrada de peixes em regiões de riscos em usinas
hidrelétricas, através da instalação de mecanismos que utilizam campo elétrico, bolhas de ar ou luzes estroboscópicas – como as existentes em pistas de dança.
No mesmo departamento, a professora Edna Maria de Faria Viana coordena estudos sobre comportamento de canismos de transposição de peixes do tipo “escada”, além do desenvolvimento de tecnologia para avaliação de características natatórias da ictiofauna migradora brasileira.
Equipe coordenada pelo pesquisador Marco Túlio Correa de Faria, no Departamento de Engenharia Mecânica, também concentra esforços para desenvolver mecanismos que impeçam a entrada de peixes em turbinas hidráulicas. Já no Departamento de Zoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Alexandre Godinho estuda o comportamento migratório de importantes espécies para a culinária e a pesca amadora do país, como surubim, dourado, dourada, piau, mandi, curimba e curimbatá. “Todos os projetos são motivados pelo impacto ambiental de usinas hidrelétricas sobre a ictiofauna”, resume Marco Túlio Correa de Faria, ao lembrar que, embora a legislação ambiental brasileira determine a implantação de sistemas de transposição de peixes em hidrelétricas, a maioria das usinas em operação no país ainda não possui esse tipo de sistema.
De montante para jusante
“Muitos peixes já nascem migrando e mantêm esse comportamento em diferentes fases de sua vida e por motivos diversos. Assim, no mesmo ponto de um rio, na mesma época do ano, há espécies subindo e outras descendo”, explica o professor Alexandre Godinho.
A migração contínua e em direções opostas – rio acima (para montante) e rio abaixo (para jusante) – torna complexa a tarefa de elaborar e implantar mecanismos que evitem a entrada de peixes em turbinas e facilitem a transposição. Para Godinho, o maior desafio, no Brasil, é a transposição para jusante.
Seja para desenvolver técnicas que afastem os cardumes das turbinas, seja para ajudá-los a seguir seu caminho, é fundamental conhecer cada grupo e seus hábitos. O salmão, por exemplo, é um peixe de superfície. Quando se aproxima de um barramento e não acha passagem, desce a caminho das turbinas, mas encontra telas que direcionam o cardume para um canal, com passagem segura. Esse tipo de estratégia seria viável no Brasil? “Sim, se nossos peixes tiverem esse mesmo comportamento, o que ainda não sabemos”, comenta Godinho. Segundo ele, entender a migração de uma espécie “depende de anos de pesquisa e de muito investimento”.
Por sugestão da equipe de Alexandre Godinho, foi construído, em uma barragem recém-implantada no rio Madeira, na bacia amazônica, canal com 50 metros de comprimento, com o objetivo de facilitar esse tipo de pesquisa. “Os peixes são capturados, marcados e lançados de volta no canal, para que possamos seguir suas trajetórias”, explica. Uma forma comum de pesquisa é feita por meio de radiotransmissores instalados em peixes, o que permite rastrear seus movimentos nos rios por períodos que variam de dois a quatro anos. “Com isso, temos como saber quando aquele indivíduo sai de um lugar para o outro e onde estão os sítios de desova e de alimentação”, comenta Godinho, ao informar que cada transmissor custa em torno de 350 dólares. “Não fica barato, mas essas pesquisas trazem informações que não se obtém de outra forma”, diz.
Em outra linha de estudo, dissertação orientada por Godinho aperfeiçoou técnica de captura do som subaquático produzido durante a desova por peixes da família do curimbatá, o mais pescado em águas doces na América do Sul. “Com essa técnica, podemos ir a campo nos momentos certos para detectar locais de desova desse grupo
de peixes”, explica o professor.
Barreiras elétricas
Tese defendida por Rafael Emílio Lopes e orientada por Carlos Barreira Martinez estudou a influência de campos elétricos para conter a entrada de peixes nas máquinas hidráulicas. O pesquisador realizou levantamento de eletrossensibilidade de espécies brasileiras migratórias presentes nas bacias dos rios Grande e São Francisco. “Os estudos mostram que peixes reagem à aplicação de campo elétrico de forma diferenciada por espécie e tamanho. Obtivemos dados sobre reação à aplicação de campo elétrico e determinamos, por espécies, o nível de tensão necessário para repelir e paralisar indivíduos”, relata Lopes em sua tese.
Ele comenta que o uso de campo elétrico evitaria o inconveniente causado por telas e grades, já que a técnica não oferece obstáculo ao fluxo de água. Com o intuito de verificar a viabilidade do método, a pesquisa gerou modelo matemático que permitiu a simulação de diferentes configurações, em busca de uma solução segura para os peixes e eficiente para a usina.
Com os resultados obtidos a partir das simulações computacionais foi construído protótipo em escala reduzida, seguindo o perfil do tubo de sucção das usinas. “Os resultados são satisfatórios e mostram a viabilidade do seu uso para afastamento de peixes nas usinas hidrelétricas e em outras áreas de risco”, diz Rafael Emílio Lopes. O protótipo foi tema da dissertação de mestrado defendida por Flavio Nakamura Alves Silva.
“Temos outros trabalhos na linha de proteção ambiental, como o estudo de Luís Gustavo Martins da Silva, para repulsão de peixes utilizando barreiras de bolhas de ar. Também testamos outras técnicas, como barreira com luz estroboscópica e com substância de alarme”, comenta Martinez.
Segundo ele, em praticamente todos os sistemas testados o afastamento dos peixes de áreas de perigo foi bem-sucedido. Apesar dos bons resultados, Martinez acredita que ainda há um longo caminho a percorrer. “Está clara a necessidade de novos estudos sobre a utilização desses sistemas em usinas hidrelétricas”, conclui o professor da Escola de Engenharia.
Fonte: Boletim UFMG, edição 1703: http://www.ufmg.br/online/arquivos/016236.shtml
24 julho, 2010 - 16:09h
O superintendente da Ocepar, José Roberto Ricken, e o diretor geral brasileiro da hidrelétrica, Jorge Samek, abriram o evento. Na sequência, o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley, apresentou a proposta da entidade de aproveitamento do gás metano para a geração de energia. De acordo com ele, além da autossuficiência energética, a geração de biogás produz ganhos ambientais e financeiros.
Lar - Depois, o técnico da Cooperativa Lar, Ansberto do Passo Neto, discorreu sobre a experiência da cooperativa em co-geração de energia que está sendo aplicada nas unidades de produção de leitão e no frigorífico. Já o cooperado da Lar, José Carlos Colombari, apresentou o caso da Granja Colombari, onde os dejetos dos suínos são transformados em energia elétrica por meio de biodigestores. Essa energia é utilizada no funcionamento da fábrica de ração mantida na propriedade e o excedente é comercializado para a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Possibilidades - "Os participantes ficaram bastante empolgados com as possibilidades existentes nessa área, onde os problemas ambientais podem ser transformados em soluções com a produção de bionergia", afirma o coordenador do Fórum do Meio Ambiente da Ocepar, Silvio Krinski. Ainda segundo ele, no evento foram levantadas diversas sugestões para o desenvolvimento de outras ações, como a elaboração de um diagnóstico das potencialidades das cooperativas e cooperados na produção de bioenergia; a capacitação técnica dos profissionais de cooperativas no PTI e a formação de um grupo de estudo dentro do Fórum para discutir questões ligadas à energia renovável em parceria com a Itaipu. As propostas serão submetidas à apreciação da direção das cooperativas e do Sistema Ocepar.
Fonte: Portal do Agronegócio
24 julho, 2010 - 16:07h
Atualmente 26 usinas do país comercializam esses papéis no mercado internacional, o que representa um ganho aproximado de R$ 60 milhões até agora. Outras 27 aguardam a aprovação do Conselho Executivo da ONU, o órgão que regula esse mercado. A venda de créditos de carbono no setor sucroalcooleiro é possível graças à cogeração a partir do bagaço da cana. Através desse processo, a usina gera energia para consumo próprio e vende o excedente, contribuindo para tornar a matriz energética ainda menos poluente. É esse excedente que permite às usinas receber e vender créditos.
MDL - Os papéis fazem parte do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da ONU, pelo qual projetos limpos em países em desenvolvimento geram créditos para os países ricos, obrigados a reduzir suas emissões de gases-estufa sob o Protocolo de Kyoto. No mundo, há atualmente 80 projetos de cogeração de cana aptos a vender esses créditos. Por definição, cada tonelada de gás-estufa que deixa de ser jogado na atmosfera equivale a um crédito de carbono.
Emissões - Ao gerarem energia renovável, as 26 usinas brasileiras registradas na ONU deixarão de emitir 5 milhões de toneladas de carbono até 2012 - 2,4 milhões de toneladas já tiveram autorização da ONU para serem comercializadas. A projeção da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul no país, é que esse volume suba para 8,8 milhões de toneladas de carbono até 2020. Já os que aguardam aprovação devem gerar 3,8 milhões de toneladas até 2012, com projeção de 13,3 milhões de toneladas até 2020.
Receita média - "Se considerarmos o preço de €12 por tonelada, estamos falando de cerca de R$ 60 milhões até o momento para todos os 26 projetos", diz Flávio Pinheiro, diretor da consultoria Econergy Brasil, lembrando que o volume não deve contemplar parte dos créditos de 2009. "Se considerarmos que os projetos estejam operando há quatro anos, estaríamos falando de uma receita média de cerca de R$ 500 mil por projeto por ano". Em média, a receita gerada pela venda de energia das usinas é elevada entre 3% e 5% com a comercialização de créditos de carbono.
Taxa de retorno - A receita obtida com a venda internacional de carbono ajuda a encurtar a taxa de retorno de investimentos em cogeração. A ETH Bioenergia, empresa resultante da fusão da ETH (Grupo Odebrecht) com a Brenco (Companhia Brasileira de Energia Renovável), contratou uma consultoria para estruturar a operação desses créditos das nove usinas que farão parte dos ativos da companhia até 2012. "Um projeto de cogeração, normalmente se paga em cinco anos e meio, com a venda da energia. Com o crédito de carbono, a taxa cai para quatro anos e sete meses", diz Luiz Pereira de Araújo Filho, diretor de Sustentabilidade da ETH.
Pioneiros - Apesar de o setor sucroalcooleiro ser um dos pioneiros em crédito de carbono, há ainda uma larga fatia para ser inserida neste sistema. Só no Centro-Sul, são 337 usinas que geram energia com menor eficiência e para uso próprio. O gargalo, nesse caso, é que os preços pagos pela energia nos leilões do governo ainda não remuneram o investimento para substituição de caldeiras velhas por equipamentos de ponta, explica Zilmar José de Souza, assessor de bioeletricidade da Unica. "Muitas usinas não investem porque não têm recursos".
Entraves - Mas há outros entraves para o mercado de carbono. Um deles é a revisão periódica da metodologia aplicada nos projetos. Pinheiro, da Econergy, afirma que desde 2006 foram feitas dez atualizações de metodologia, o que implica perda de tempo e dinheiro. Ontem, nova audiência pública foi aberta para discussão de outra modificação.
Desistência - A demora para a aprovação - no Brasil e na ONU - também levou à desistência de 19 projetos de carbono com cogeração. Não é raro esses projetos levarem dois anos para receber o sinal verde para a comercialização de créditos. Além da burocracia - ou cautela, como alega a autoridade brasileira responsável pela aprovação interna desses projetos -, pesa a saturação dos órgãos de verificação e validação. "Há casos que aguardam validação desde 2008", diz Pinheiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
23 julho, 2010 - 09:30h
A Amazônia perdeu uma área de 109,6 quilômetros quadrados (km²) em maio de 2010, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A derrubada é 12% menor do que a registrada pelos satélites no mesmo mês do ano passado e, somada aos resultados dos últimos meses, pode sinalizar uma tendência de queda na taxa anual do desmatamento. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comentou os dados do Inpe.
Os números do desmatamento mês a mês são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para direcionar a fiscalização ambiental.
No acumulado de agosto de 2009 a maio de 2010 – primeiros dez meses do calendário oficial do desmatamento – o Deter registrou uma área de 1.567 km² a menos de florestas. O acumulado é 47% menor do que o registrado pelo Deter no período anterior (agosto de 2008 a maio de 2009), quando a soma atingiu 2.960 km².
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse dia 22/07/10, que a taxa anual de desmatamento na Amazônia deste ano é ainda menor do que a registrada em 2009. "Se no ano passado já tivemos o menor desmatamento da Amazônia, esse ano vai ser o menor do menor", disse a ministra, ao comentar os dados mais recentes do Inpe.
Izabella acredita que a tendência de queda pode antecipar o cumprimento da meta brasileira de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020, principal compromisso da meta nacional de redução de emissões de gases do efeito estufa.
"Nossa expectativa é bastante positiva e otimista frente aos compromissos que o Brasil assumiu internacionalmente. Estamos não só reduzindo o desmatamento, mas começando a mudar o patamar na questão das emissões".
O diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano Evaristo, atribui a redução do desmatamento à mudança na estratégia das operações de fiscalização na Amazônia Legal.
"O resultado demonstra que acertamos ao fazer um mapa com as áreas críticas. Chegamos nessas áreas e conseguimos neutralizar focos mais importantes, como a BR-163. Também apertamos o cerco na Transamazônica e em outras rodovias no Pará", avaliou.
De acordo com a ministra, o monitoramento da Amazônia vai ser aprimorado nos próximos meses, com a ampliação da utilização de um sistema japonês, que consegue observar o desmatamento mesmo quando há coberura de nuvens sobre uma região.
Fonte: http://www.agrosoft.org.br
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