Arquivos da categoria: 'Genética'
8 setembro, 2010 - 15:02h
A ciência será obrigada a deixar de utilizar na Europa os grandes símios em seus experimentos e terá que limitar ao máximo, de acordo com regras rígidas, o uso de outros animais, em uma decisão aprovada pelo Parlamento Europeu após dois anos de intensas negociações.
A nova regra proíbe o uso de chimpanzés, gorilas e orangotangos em experimentos científicos, enquanto o uso de outros primatas será objeto de uma "restrição estrita".
A Eurocâmara aprovou, em termos gerais, que as experiências com animais sejam substituídas, na medida do possível, por um método alternativo cientificamente satisfatório.
Os cientistas terão que trabalhar para que "a dor e o sofrimento infligidos sejam reduzidos ao mínimo", afirma o texto aprovado em sessão plenária pelo Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo (França).
O uso dos animais só pode acontecer nos experimentos que têm como objetivo fazer avançar a pesquisa sobre o homem, os animais ou doenças (câncer, esclerose múltipla, Alzheimer e Parkinson).
A norma, que tem prazo de dois anos para ser adotada pelos Estados europeus, completa uma lei aprovada em 2009 que proíbe os testes de produtos cosméticos em animais. Mas o texto desagradou tanto os defensores de uma abolição total como os favoráveis à causa científica.
"O progresso da medicina é crucial para a humanidade e, infelizmente, para avançar é necessára a experimentação animal", afirmou o eurodeputado conservador italiano Herbert Dorfmann.
Já a eurodeputada parlamentar belga Isabelle Durant, verde, afirmou que "é possível reduzir o número de animais utilizados com fins científicos sem prejudicar a pesquisa".
Quase 12 milhões de animais são utilizados a cada ano com fins experimentais na UE. Segundo os especialistas, o estado atual do conhecimento científico não permite a supressão total do uso.
Fonte: Portal Terra
4 agosto, 2010 - 15:44h
Orangotangos pulam de galho em galho no alto de árvores. Mesmo assim, eles gastam menos calorias por massa do que um humano sedentário médio. O único outro mamífero de placenta que gasta menos energia é o bicho preguiça.
Isso é o que diz a pesquisa liderada por Herman Pontzer, da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri (EUA), em artigo publicado na revista “PNAS”. O grupo analisou a urina dos animais.
A quantidade de energia usada diariamente por um animal cresce proporcionalmente à sua massa. Quanto mais pesado é o animal, mais energia ele precisa. Mas a equipe de Pontzer acha que a falta de regularidade na disponibilidade de comida no habitat do orangotango (sudeste da Ásia) levou a uma evolução de um tipo de metabolismo especialmente econômico.
O macaco, que é espécie ameaçada, depende de uma dieta de frutas maduras, mas a oferta de alimento na floresta tropical pode cair de repente, forçando o orangotango a sobreviver às vezes meses sem uma alimentação adequada.
Embora a economia metabólica seja útil em meio a ciclos frutas sensíveis, ela não ajuda a repor os números cada vez menores da espécie. Orangotangos levam 12 anos para atingir a idade adulta e procriam-se em intervalos de, no mínimo sete anos, o mais longo de qualquer primata.
O consolo é que florestas degradadas, antes consideradas pouco apropriadas para a espécie, podem ser um ambiente “habitável” para esses simpáticos primatas.
“Se causarmos a extinção dessa espécie”, diz Pontzer, “teríamos uma vergonha adicional, sabendo agora que se trata de um animal que evoluiu para ser um sobrevivente em condições naturais difíceis”.
Fonte: Folha.com
9 julho, 2010 - 13:45h
Um novo estudo do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados e Paleoantropologia da China e do museu Hayashibara, no Japão, indica que o mais temido dos dinossauros gostava de comer carniça. Segundo os pesquisadores, marcas em um esqueleto fossilizado de um herbívoro atacado por um tiranossauro indicam que o predador retirou habilmente a carne de um úmero (osso que no ser humano fica entre o ombro e o cotovelo). Por outro lado, o resto do esqueleto da presa não apresenta marcas de ataque, o que, segundo o cientista David Hone, do instituto chinês, é um claro sinal de um comedor de carniça. As informações são da New Scientist.
Segundo a reportagem, a dieta do Tyrannosaurus rex, o maior tiranossauro, foi muito debatida na comunidade científica no início dos anos 90. Já surgiram hipóteses de que ele seria um caçador lento e ineficaz, enquanto outros estudos indicavam que ele era um predador ativo, como no filme Parque dos Dinossauros.
Segundo Hone Watabe e Mahito Watabe, ambos do museu Hayashibara, três tipos de marcas encontradas no osso de 70 milhões de anos foram causadas por um tarbossauro, um tiranossauro asiático quase tão grande quanto o T. rex. As marcas indicam que o predador estava tentando retirar a carne do osso da presa morta, e não atacar o animal vivo.
Como o resto do corpo não apresentava marcas, os pesquisadores sugerem que uma enchente enterrou o corpo do animal nos depósitos da margem de algum rio, deixando apenas o membro atacado visível à fome do tarbossauro.
Thomas Holtz, especialista em tiranossauros da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, afirma à reportagem que comer carniça pode fazer tanto sentido para um grande predador, quanto para um pequeno. "Carne que não briga é muito mais fácil de conseguir", diz o pesquisador. Holtz, contudo, se diz intrigado sobre o porquê de o tiranossauro ter habilmente retirado a carne com seus dentes, em vez de simplesmente pulverizar o osso.
Fonte: Portal Terra
2 julho, 2010 - 15:12h
As longas horas passadas no campo a procura de um trevo de quatro folhas, considerado um amuleto da sorte, podem estar com seus dias contados. Cientistas identificaram um gene que controla o desenvolvimento do trevo para sua variante com quatro folhas.
Trevos de quatro folhas (Trifolium repens) surgem para cada dez mil espécimes de três folhas. E outras variedades possuem cores e padrões pouco comuns. O modo como essas características são transmitidas têm sido um mistério para geneticistas e criadores de plantas.
Trabalhos anteriores sugeriram que os ancestrais do trevo possuíam quatro ou mais folhas. Esses ancestrais teriam produzido um gene que bloqueia essa característica, gerando os trevos de três folhas atuais.
Agora uma equipe de pesquisadores da Universidade da Geórgia, em Atenas (EUA) e da Fundação Samuel Roberts Noble, em Ardmore (EUA), descobriu que mutantes de quatro folhas desenvolvem uma variante desse gene que remove o bloqueio, permitindo o desenvolvimento da quarta folha. Eles também identificaram genes para um padrão vermelho e para um padrão de osso de peixe.
O trabalho pode ajudar criadores de plantas a desenvolver novas variedades ornamentais ou a produzir trevos de quatro folhas sempre que quiserem.
Produtores de carne também poderiam lucrar com a descoberta. Eles normalmente adicionam trevo a pastagens porque ele fornece proteínas e fixa nitrogênio no solo. Os pesquisadores dizem que a habilidade de selecionar plantas com quatro folhas forneceria forragem mais nutritiva para os animais.
O estudo foi publicado no periódico "Crop Science".
Fonte: Folha.com
14 junho, 2010 - 16:06h
Logo depois da ciência ter apresentado uma célula com DNA sintético, que muitos chamaram de “vida artificial”, agora um outro grupo de cientistas anuncia a criação do primeiro anticorpo sintético.
Um grupo de pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos criou uma versão artificial, sintética, de proteínas produzidas pelo sistema imunológico humano capazes de reconhecer e lutar contra infecções e substâncias estranhas que entrem na corrente sanguínea.
Vírus, bactérias e alergias – A descoberta, sugerem eles em um artigo do jornal da American Chemical Society, é um avanço rumo ao uso médico de simples partículas de plástico que podem ser adaptadas para combater uma série de “antígenos problemáticos”.
Esses antígenos incluem qualquer coisa, de vírus e bactérias causadores de doenças, até as incômodas proteínas que causam reações alérgicas ao pólen, à poeira doméstica, a determinados alimentos, à hera venenosa ou a picadas de abelhas.
Nanopartículas – No artigo, Kenneth Shea, Yu Hosino e seus colegas da Universidade da Califórnia referem-se a uma pesquisa anterior, na qual eles desenvolveram um método para construir as nanopartículas de plástico que imitam os anticorpos naturais em sua capacidade de grudar em um antígeno.
Nanopartículas, atualmente o produto mais conhecido da nanotecnologia, são minúsculos aglomerados de matéria com dimensões 50.000 vezes menores do que a espessura de um fio de cabelo humano.
Melitina – O antígeno usado na pesquisa foi a melitina, a principal toxina do veneno das abelhas.
Os cientistas misturaram a melitina com pequenas moléculas chamadas monômeros e, em seguida, induziram uma reação química que liga esse blocos básicos em longas cadeias, e as solidificaram.
Quando as pequenas esferas plásticas endurecem, os pesquisadores eliminam quimicamente o veneno, deixando as nanopartículas com pequenas crateras com a forma exata da toxina, exatamente como se você colocar o pé em um cimento fresco e deixá-lo endurecer.
Anticorpos artificiais – Nesta nova pesquisa, juntamente com o grupo de Naoto Oku, da Universidade de Shizuoka, no Japão, o grupo comprovou que os anticorpos plásticos de melitina funcionam exatamente como os anticorpos naturais quando são inseridos na corrente sanguínea de animais vivos.
Os cientistas aplicaram injeções letais de melitina em camundongos – a melitina “rasga” e mata as células.
Os animais que receberam imediatamente uma injeção com os anticorpo artificiais apresentaram uma taxa de sobrevivência significativamente maior do que aqueles que não receberam as nanopartículas.
Alvos – Essas nanopartículas poderão ser fabricados para uma grande variedade de alvos, afirma Shea.
“Isso abre as portas para pensarmos seriamente em usar essas nanopartículas em todas as aplicações onde os anticorpos são utilizados,” conclui ele.
Os cientistas não preveem ainda o início dos testes dos anticorpos artificiais em humanos.
Fonte: Site Inovação Tecnológica
14 junho, 2010 - 16:02h
Uma pesquisa da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e de Nova York, nos Estados Unidos, afirma que um elemento chamado de pirofosfito pode ter sido a fonte de energia que possibilitou o aparecimento da vida na Terra. A diferença nesta forma de energia é que ela não precisaria de enzimas para ser transportada, como hoje é feito nas demais formas de vida. As informações são do Live Science.
Da menor bactéria ao complexo corpo humano, todos os seres vivos precisam de moléculas que transportam energia, chamadas de ATP. Ela é capaz de estocar energia de uma maneira que a matéria orgânica possa utilizar. "Você precisa de enzimas para fazer ATP, e você precisa de ATP para fazer enzimas", diz o pesquisador Terence Kee, da Universidade de Leeds.
"A questão é: de onde veio a energia antes de essas duas coisas existirem? Nós pensamos que a resposta está em moléculas simples, como o pirofosfito, que é quimicamente muito similar à ATP, mas tem potencial de transferir energia sem enzimas", diz o pesquisador.
Teorias anteriores acreditavam que o pirofosfato era um predecessor para o mais complexo porém mais eficiente ATP. O pirofosfito, por outro lado, é um elemento mais difícil de ser encontrado. "Até na minha busca no Google, eu recebo a pergunta: 'você não quis dizer pirofosfato?'", afirma o pesquisador Robert Shapiro, da Universidade de Nova York.
A molécula de fosfato é composta de quatro átomos de oxigênio com um átomo central de fósforo e está presente em todas as células vivas. Quando dois fosfatos se combinam e perdem uma molécula de água, eles formam pirofosfato, o que torna esse elemento mais abundante. Contudo, os pesquisadores afirmam que isso "não responde a algumas perguntas (sobre a fonte de energia da primeira forma de vida)". A diferença entre os dois é que o pirofosfito tem átomos de hidrogênio no lugar de alguns de oxigênio.
Segundo Kee, há dois problemas principais com o pirofosfato: ele não pode ser encontrado em grande quantidade em registros geológicos minerais e ele não funciona bem sem catalisadores (que não são encontrados ao seu redor). Ainda de acordo com a pesquisa, o pirofosfito é "relativamente simples de ser preparado a partir de minerais que se sabe existir em meteoritos". Apesar de sua fácil produção, o elemento é raro, existem apenas três tipos de minerais de pirofosfito, enquanto há diversos de pirofosfato.
O pesquisador diz ainda que as capacidades dos pirofosfitos são bem conhecidas, o que torna estranho não ter existido ainda uma teoria sobre seu envolvimento com o surgimento da vida. "Eu suspeito que isso tenha ocorrido porque ninguém considerou a necessidade disso (do pirofosfito) ou que ele seria acessível pré-bioticamente", diz o pesquisador. Shapiro afirma que, interessantemente, as máquinas que produzem DNA artificial para experimentos geralmente utilizam pirofosfito no processo.
Fonte: Redação Terra
2 fevereiro, 2010 - 15:37h
Pesquisadores estudaram doberman pinschers que se enroscavam e chupavam os flancos por horas. Eles descobriram que esses cachorros tinham um gene em comum.
Os cientistas descreveram suas descobertas –o primeiro gene identificado como tal em cães– num curto relatório publicado este mês no "Molecular Psychiatry".
Nicholas Dodman, diretor da clínica de comportamento animal da Cummings School of Veterinary Medicine, da Tufts University, no estado de Massachusetts, e principal autor do relatório, afirmou que as descobertas têm amplas implicações para transtornos compulsivos em pessoas e animais.
Estimativas calculam que o transtorno obsessivo-compulsivo atinja de 2,5% a 8% da população humana. Ele aparece em comportamentos como lavar as mãos excessivamente, verificar o forno, trancas e luzes várias vezes, além de ações prejudiciais, como arrancar cabelos pela raiz e automutilação.
O transtorno tem sido retratado em filmes de sucesso e programas de televisão para definir personagens, como o escritor recluso Melvin Udall, interpretado por Jack Nicholson no longa "Melhor Impossível" ("As Good as It Gets"), e Adrian Monk, interpretado por Tony Shaloub na série de televisão "Monk". Transtornos similares são conhecidos em cachorros, particularmente em certas raças, incluindo dobermans.
Dodman e seus colaboradores buscaram uma fonte genética para esse comportamento ao analisar e comparar os genomas de 94 doberman pinschers que chupavam seus flancos, cobertores, ou apresentavam ambos os comportamentos, com os de 73 dobermans "normais". Eles também estudaram os pedigrees de todos os cães para padrões complexos de hereditariedade. Os pesquisadores identificaram um ponto no cromossomo canino 7 contendo o gene CDH2 (Cadherin 2), que mostrou variação no código genético quando os comportamentos dos cães de chupar ou não seus flancos ou cobertores foram comparados.
A associação estatística levou a investigações mais profundas, a fim de determinar para qual proteína o gene continha instruções. Era para uma das proteínas chamadas cadherinas, encontradas por todo o reino animal e aparentemente envolvidas no alinhamento, adesão e sinalização celular.
Essas proteínas também foram recentemente associadas a transtornos no espectro do autismo, que inclui comportamentos repetidos e compulsivos, disse Dr. Edward I. Ginns, principal autor do relatório publicado no Molecular Psychiatry e diretor do Laboratório de Diagnóstico Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts.
Dennis Murphy, psiquiatra que não esteve envolvido no estudo, afirmou que os resultados tinham potencial para uma compreensão mais avançada sobre o transtorno obsessivo-compulsivo. Dr. Murphy, também chefe do Laboratório de Ciências Clínicas da Divisão do Programa de Pesquisa Intramural dos Institutos Nacionais de Saúde Mental, agora está trabalhando para encontrar e sequenciar o gene CDH2 em humanos, com o objetivo de verificar se ele está ligado ao comportamento obsessivo-compulsivo.
Pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo muitas vezes apresentam comportamentos normais que se tornam extremos, ritualizados, repetitivos e que consomem muito tempo, e sofrem de ansiedade e pensamento obsessivo.
Pelo fato de que o transtorno envolve pensamentos obsessivos e devido à dificuldade de entender a cognição animal, os mesmos tipos de comportamento em animais têm sido referidos simplesmente como transtorno compulsivo.
À medida que os cientistas aprendem mais sobre as causas moleculares por trás dessa condição, eles usam cada vez mais o termo "transtorno obsessivo-compulsivo" para se referir à condição em animais e pessoas.
Estimativas superficiais recentes realizadas por Karen L. Overall, veterinária especialista em comportamento animal da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, sugere que até 8% dos cães nos Estados Unidos –de 5 a 6 milhões de animais– apresentam comportamento compulsivo, como correr em cercas, marchar, girar, tentar pegar o próprio rabo, abocanhar moscas imaginárias, lamber, mastigar, latir e encarar. Três machos para cada fêmea apresentam esses problemas, ela descobriu, enquanto em gatos a proporção é reversa.
Overall afirmou que os cães desenvolvem comportamento compulsivo entre 1 e 4 anos de idade. Alguns cachorros do grupo de estudo de Dodman começaram mais cedo, chupando cobertores com cerca de 5 meses de idade, e seus flancos com 9 meses.
Os cães podem ser tratados, mas quando não são o comportamento compulsivo é uma das principais razões pelas quais os donos colocam os bichos para adoção ou eutanásia, segundo behavioristas veterinários.
Dra. Overall afirmou em artigo científico que causas ambientais podem ultrapassar fatores genéticos no desenvolvimento de comportamento compulsivo em alguns casos.
Ela disse que a prática de "enforcar" um cachorro pelo pescoço, uma forma de disciplina defendida por alguns treinadores, produz comportamentos compulsivos. Cães que vieram de canis ou abrigos, cães de resgate e aqueles que são confinados e ficam entediados ou ansiosos também parecem apresentar tendência maior ao comportamento compulsivo, disse ela.
Outros animais domésticos, especialmente gatos e cavalos, assim como alguns animais de zoológicos, apresentam comportamentos compulsivos, incluindo chupar lã no caso de gatos siameses, transtorno de locomoção em cavalos confinados, e marcha em ursos polares, tigres e outros carnívoros em cativeiro.
Embora antidepressivos, particularmente inibidores seletivos de recaptação de serotonina e clomipramina, um antidepressivo tricíclico, e modificação no comportamento tenham se mostrado eficazes em controlar comportamento compulsivo em cachorros e pessoas, eles parecem não corrigir patologias ocultas ou causas, disse Ginns. Essas causas provavelmente são tão variadas quanto os comportamentos compulsivos –e tão complexas quanto a interação de vários genes e o ambiente.
"O estresse e a ansiedade, assim como trauma físico e doença, podem deflagrar comportamentos repetitivos que depois assumem vida própria", disse Ginns.
Entretanto, ele acredita que em muitos casos há uma predisposição genética que responde aos estímulos ambientais de forma que um comportamento antes normal passa a ser patológico. Essas disposições genéticas podem diferir acentuadamente em comportamentos diferentes.
Alguns geneticistas afirmam que, devido ao seu pedigree detalhado e à similaridade de seus genes em relação aos humanos, os cachorros são um modelo ideal para estudo de comportamentos e patologias humanas, especialmente os que envolvem padrões complexos de hereditariedade. Poucos humanos têm registros genealógicos detalhados, mas são um exemplo quando se fala em registrar cada detalhe dos ancestrais de seus animais de raça pura.
"Nick e eu temos um interesse por pedigrees", contou Ginns, explicando como ele e Dodman se tornaram colaboradores de Kerstin Lindblad-Toh e seus sequenciadores genéticos do Broad Institute do MIT e Harvard –o mesmo grupo que sequenciou o genoma do cão, agora tão valioso para estudiosos dos genes caninos quanto para estudiosos dos genes humanos.
Fonte: Folha Online
14 janeiro, 2010 - 19:08h
A primeira leguminosa a ter seu genoma sequenciado é a soja, em pesquisa destacada na edição desta quinta-feira (14/1) da Nature. O sequenciamento da soja, destaca a revista, abre o caminho para melhorias no cultivo que poderão ter grande impacto na produção de alimentos e até mesmo na geração de energia.
Após mais de 15 anos de pesquisa, grupo internacional, em artigo naNature, descreve o sequenciamento de um dos vegetais mais cultivados no mundo ()divulgação)
A soja é hoje uma das mais importantes plantas cultivadas em todo o mundo para a produção de alimentos e de óleo e tem grande capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico por meio de simbiose com microrganismos presentes no solo.
Após mais de 15 anos de pesquisa, um grupo internacional de pesquisadores conseguiu sequenciar 85% dos 1,1 bilhão de pares de base da soja, por meio da técnica conhecida como “shotgun do genoma completo”, por meio da qual o genoma é “explodido” em fragmentos pequenos e sequenciado em larga escala.
No artigo, Scott Jackson, do Departamento de Agronomia da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, e colegas destacam que o trabalho será importante referência para decifrar a genética de mais de 20 mil outras espécies de leguminosas.
A Nature ressalta que o trabalho de sequenciamento ajudará a compreender a capacidade da soja em transformar dióxido de carbono, água, luz solar, nitrogênio e outros minerais em energia, proteína e nutrientes para uso tanto humano como animal.
“A soja e outras leguminosas têm papel fundamental na segurança alimentar global e na saúde humana, sendo usadas em uma ampla gama de produtos, como farinha, leite, substitutos da carne, tofu, óleo e biodiesel. Essas novas informações sobre a genética da soja poderão levar ao desenvolvimento de variedades que produzam mais proteína e mais óleo, que se adaptem melhor a condições climáticas adversas ou que sejam mais resistentes a pragas e a doenças”, destacou Molly Jahn, da divisão de pesquisa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Fonte: Agência FAPESP
7 janeiro, 2010 - 16:42h
Pesquisa da Clínica Mayo identifica mecanismo que ajusta metabolismo. Descoberta foi publicada na revista 'Cell Metabolism'.
Organismo de roedores de laboratório passou a gastar energia de modo menos eficiente (Foto: New York Times)
"Os mecanismos que preservam energia são naturalmente protetores em períodos de escassez de alimentos ou de stress ambiental, mas promovem obesidade em uma sociedade sedentária, como a moderna"
Cientistas da Clínica Mayo, um centro privado de pesquisa nos EUA, descobriram um mecanismo molecular que controla o gasto de energia em músculos e ajuda a determinar o peso corpóreo. Participaram do estudo especialistas da Universidade de Iowa, de Connecticut e de Nova York, todas americanas. A conclusão do grupo é que a descoberta, apresentada na revista “Cell Metabolism”, pode levar a uma nova abordagem médica no tratamento da obesidade.
O mecanismo de preservação de energia do organismo é controlado por canais de potássio sensível a ATP (trifosfato de adenosina, na sigla em inglês, uma substância que atua como “armazém” de energia). Os canais (KATP) regulam o desempenho do coração e dos músculos de acordo com o nível dos reservatórios de ATP. Sem este dispositivo "energy-saving", os animais queimam mais energia estocada, dissipando mais calorias mesmo em repouso.
A ideia dos cientistas foi bagunçar de propósito o sistema, eliminando canais KATP. Assim, o organismo dos roedores de laboratório passou a gastar energia de modo menos eficiente. Gastando mais energia, e guardando menos, não engordavam. “Os mecanismos que preservam energia são naturalmente protetores em períodos de escassez de alimentos ou de stress ambiental”, explica Alexey Alekseev, principal autor do estudo. “Mas promovem obesidade em uma sociedade sedentária, como a moderna.”
Ainda segundo Alekseev, as descobertas sugerem que mirar em novas terapias as funções dos canais KATP, “especificamente em músculos”, poderia oferecer uma nova opção para pacientes obesos com baixa capacidade de se exercitar.
Trecho do artigo 'Sarcolemmal ATP-Sensitive K+ Channels Control Energy Expenditure Determining Body Weight' (Foto: Cell Metabolism)
Fonte: G1.com
7 janeiro, 2010 - 05:39h
O método de classificação de DNA barcoding, para identificar espécies por trechos de seus genomas apresentados em forma de código de barras, está auxiliando cientistas a descobrir e a mapear peixes e aves em todo o planeta.
Iniciado em 2005, o All Birds Barcoding Initiative (ABBI) pretende montar um arquivo de 10 mil espécies de aves com seus respectivos códigos de barras de DNA. De acordo com o argentino Pablo Tubaro, líder da iniciativa, o método tem apresentado bons resultados e apenas duas espécies não puderam ser identificadas por meio da técnica no continente americano.
"Essa relativa facilidade em identificar aves faz do ABBL um centro gerador de procedimentos para sequenciamentos de outras espécies animais e vegetais", disse Tubaro, que em dezembro participou do Simpósio Internacional sobre DNA Barcoding do Programa Biota-FAPESP, na sede da Fundação.
O trabalho já permitiu descobertas que vão além da identificação de espécies. Ao fazer o levantamento de populações na América do Sul, os pesquisadores descobriram espécies que estão presentes tanto na região de Yungas, entre a Bolívia e a Argentina, como na vegetação atlântica brasileira, dois sistemas que não possuem ligação atualmente. "Desconfiamos que essas regiões eram ligadas por uma vegetação contínua no passado", apontou Tubaro.
Graças ao DNA barcoding, os cientistas descobriram, por exemplo, que 99% das espécies de aves presentes no Uruguai estão na Argentina. Das espécies do Sul do Brasil, 94% também estão presentes na Argentina, mas aquele país compartilha apenas 52% de suas aves com a Bolívia. "Isso indica a enorme diversidade de pássaros da Bolívia", afirmou.
O banco de dados da ABBI pretende ser uma fonte de referência para estudiosos e interessados em pássaros. Segundo Tubaro, a boa qualidade das identificações permite que os dados tenham aplicações que vão desde aplicações em investigações forenses até estudos de biologia evolucionista.
Barbatanas de tubarões - Aplicações inusitadas também ocorrem em outra iniciativa com DNA barcoding, o Fish Barcode of Live Initiative (Fish-BOL). Com auxílio da técnica, pesquisadores que participam do projeto analisaram, por exemplo, várias toxinas do peixe baiacu.
A técnica também permitiu mapear todas as espécies de tubarões que frequentam os mares da Austrália, que foram identificados por meio de características de suas barbatanas.
O canadense Robert Hanner, coordenador do Fish-BOL, conta que o necessita de sistemas robustos de identificação de espécies, o que significa critérios e metodologias padronizadas de coleta de informações e de produção de dados. A solução para essa demanda foi centralizar os trabalhos em uma instituição especialmente projetada para a tarefa.
O Canadian Centre for DNA Barcoding (CCDB), da Universidade de Guelph, em Ontário, foi concebido, segundo Hanner, para ser uma verdadeira "fábrica de barcoding". "Com ele, conseguimos aumentar a quantidade e a qualidade do sequenciamento", afirmou.
Os trabalhos do CCDB já garantiram o sequenciamento de 95% dos peixes de água doce do Canadá e 98% dos peixes ornamentais comercializados para aquários. Entre as contribuições desses estudos está a separação de populações que se imaginava serem formadas por uma só espécie. Também foram detectadas espécies idênticas que haviam recebido nomes diferentes quando foram registradas.
Segundo Hanner, o Brasil tem um enorme campo de trabalho em mapeamento de espécies de peixes. Ao mostrar um mapa do país, o pesquisador lembra que as principais espécies já catalogadas com DNA barcoding estão nas regiões Sul e Sudeste.
"Ainda há muito peixe para ser registrado nadando no resto do país", disse. Ao todo, foram codificados 904 tipos de peixe na América Latina, muito pouco diante de um universo estimado em mais de 8 mil espécies.
Fonte: Agência Fapesp
7 janeiro, 2010 - 05:18h
Uma equipe internacional de cientistas conseguiu mapear pela primeira vez todos os processos bioquímicos que mantêm um ser vivo (no caso, uma das bactérias mais simples do planeta) em funcionamento.
Os cientistas detalharam a receita toda: o conjunto de proteínas, os genes ativos e a cadeia de reações químicas que constroem a Mycoplasma pneumoniae, causadora, como indica seu nome, de um tipo de pneumonia em seres humanos.
O feito abre caminho para um plano acalentado há anos pelos biólogos moleculares: criar vida artificial –ou, ao menos, uma forma "customizada" dos micróbios atuais. E a análise de como a M. pneumoniae leva sua vidinha unicelular derruba de vez o velho preconceito de que bactérias funcionam de forma rudimentar quando comparadas com seres de células complexas, como plantas ou animais.
Fonte: Folha de S. Paulo
18 junho, 2009 - 14:08h
Relações homossexuais são quase universais no reino animal e podem ser agentes importantes de mudança evolutiva, afirma uma dupla de pesquisadores dos EUA. No entanto, eles alertam que os zoólogos podem estar rotulando de "homossexualismo" uma série de comportamentos diferentes.
O estudo, publicado hoje no periódico "Trends in Ecology and Evolution", é uma revisão das pesquisas já feitas sobre relações homossexuais animais.
Essa área ganhou grande atenção do público após 1999, quando o zoólogo Bruce Baghemil publicou o livro "Biological Exuberance", documentando homossexualismo em mais de 400 espécies. Há milhares de exemplos na literatura.
Que machos gostem de fazer sexo com machos e fêmeas com fêmeas é um enigma evolutivo. Afinal, um gene gay (ou vários genes) seria eliminado, pois à primeira vista ele não ajuda a espécie a se perpetuar.
"A grande questão é como explicar qual é o sentido evolutivo", diz César Ades, etólogo (especialista em comportamento animal) da USP (Universidade de São Paulo).
Qual é, então, a vantagem da homossexualidade para os animais? Os autores do novo estudo, Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, dão um exemplo. Veja as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí.
Essas aves se unem em casais lésbicos que às vezes duram a vida inteira para criar os filhotes, especialmente quando há escassez de machos. Até um terço dos casais da espécie são formados por fêmeas. O resultado é que elas têm mais sucesso do que fêmeas "solteiras" na criação dos filhotes. O comportamento homossexual, portanto, muda a dinâmica da população –e pode ter consequências evolutivas importantes.
A conclusão do estudo é que não existe apenas uma vantagem universal. Ao contrário, a homossexualidade ajudou as espécies de diferentes formas ao longo da evolução. O nome designa, então, vários fenômenos diferentes, com motivações distintas.
Humanos
Por isso, é complicado transpor essas conclusões para humanos. "Existe homossexualidade numa variedade grande de animais: moscas, lagartos, golfinhos. Qual animal tomar como medida para comparar conosco?", diz Ades.
Entre os animais, os mais próximos de nós são os bonobos. As fêmeas dessa espécie de chimpanzé são vistas frequentemente se relacionando sexualmente –e não raro atingem o orgasmo dessa maneira. Alguns machos se beijam e praticam sexo oral uns nos outros.
É mais difícil entender as causas do homossexualismo em primatas, especialmente em humanos. A quantidade de fatores envolvidos é muito maior. Ao contrário do que acontece com os peixes-mexerica, por exemplo, não se trata de algo simples como não saber diferenciar machos e fêmeas.
Algumas coisas, entretanto, se sabe. Estudos com gêmeos mostram que existe uma tendência hereditária a ser gay ou lésbica. Mas esses trabalhos não conseguem mostrar quais os mecanismos por trás disso.
Além disso, comportamento homossexual é diferente de orientação sexual. Foram encontradas boas explicações para o primeiro item no reino animal, mas ainda é complicado entender quais as vantagens evolutivas que se pode ter simplesmente nunca se relacionando com seres do outro sexo.
Fonte: FOLHA ONLINE
18 junho, 2009 - 14:05h
Como os dedos dos dinossauros foram parar nas asas das aves de hoje? Um fóssil descoberto na China de um dinossauro herbívoro primitivo com 155 milhões de anos pode ter dado a resposta. O achado apresenta um vestígio do que teria sido o primeiro dedo junto de três outros de tamanho normal, constituindo um estágio de transição evolutiva entre as patas e as asas.
O Limusaurus inextricabilis ("lagarto da lama que não pode ser retirado") pertenceu ao grupo dos terópodes, dinos bípedes entre os quais estão os grandes carnívoros, como o tiranossauro, e também os ancestrais das aves modernas.
Apesar do parentesco com grandes predadores, ele teria no máximo 1,5 metro de comprimento, do bico sem dentes até a cauda. Foi achado em um local da bacia Junggar, em Xinjiang, noroeste da China.
O dino agora revelado tem vários pontos originais. Ele é considerado o primeiro ceratossauro asiático, um grupo de dinos que inclui predadores bem maiores, com até oito metros de comprimento, em geral achados no hemisfério Sul. Mas, ao contrário dos outros ceratossauros, ele não tem um chifre na cabeça. E ele também é o único terópode herbívoro e com bico do período geológico conhecido como Jurássico.
A descrição do fóssil está publicada na edição de hoje da revista científica "Nature" por pesquisadores da China, EUA, Canadá e México.
Em terópodes como o Velociraptor, os membros superiores ajudam a segurar a presa. "No entanto, as mãos do Limusaurus e de outros ceratossauros provavelmente não são usadas para a predação. O relaxamento da função predatória pode causar a redução dos dígitos, e assim o primeiro dedo foi reduzido e perdido no Limusaurus e seus parentes próximos", disse à Folha o principal autor da pesquisa, Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados de Pequim.
O nome do bicho também poderia ser aplicado ao seu achado, enquistado em um bloco de rocha. "Levou muito tempo para preparar o manuscrito. Nós coletamos os fósseis em 2002 e 2004", diz Xu. Tão incrustado estava o fóssil na rocha que Xu e seus colegas de início nem perceberam a mão especial do animal.
Os dinos mais antigos do grupo dos terópodes costumavam ter cinco dígitos nas mãos. Os representantes posteriores do grupo passaram a ter três, assim como as asas das aves.
Mas a ordem dos dedos remanescentes não bate entre dinos e aves. Pela forma do esqueleto, os terópodes mantiveram os três dedos internos (1 –o equivalente ao polegar humano–, 2 e 3); já as aves teriam perdido um dedo de cada lado da mão (ficaram com os dígitos 2, 3 e 4).
O L. inextricabilis tem o primeiro dedo grandemente reduzido, além do 2, 3 e 4 de tamanho normal. Tal vestígio de polegar seria a prova de como se teria dado a transição dos antigos cinco dedos para os três que ficaram nas asas.
Fonte: FOLHA ONLINE
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