Arquivos da categoria: 'Biotecnologia'
6 setembro, 2010 - 15:55h
As baratas, insetos considerados sujos por essência, poderiam contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra bactérias resistentes, segundo cientistas britânicos que descobriram substâncias com propriedades antibióticas inesperadas nestes insetos.
Uma equipe da Universidade de Nottingham identificou até nove moléculas diferentes no cérebro e nos tecidos nervosos de baratas e gafanhotos, substâncias tóxicas para as bactérias e que poderiam resultar em tratamentos para certas infecções frequentemente resistentes a antibióticos comuns.
Segundo os cientistas, estes tecidos seriam, ainda, capazes de matar mais de 90% dos Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA, na sigla em inglês) e de Eschirichia coli (E. coli), sem prejudicar as células humanas. Os pesquisadores estão, agora, estudando as propriedades específicas das substâncias descobertas em laboratório.
Para Simon Lee, da Escola de Medicina e de Ciência Veterinária da universidade britânica, esta descoberta aparentemente surpreendente é, na verdade, previsível.
"Os insetos costumam viver em meio a condições sanitárias e de higiene muito ruins, em ambientes onde estão expostos a um grande número de bactérias diferentes. Portanto, é lógico que eles tenham desenvolvido meios de se proteger dos microorganismos", explicou.
"Nós esperamos que estas moléculas possam conduzir a tratamentos contra as infecções causadas por E. Coli e MRSA, que se tornam cada vez mais resistentes aos medicamentos atuais", acrescentou Lee.
"Além disso, estes novos antibióticos poderiam constituir uma alternativa para os tratamentos já disponíveis, que podem ser eficazes, mas têm efeitos colaterais indesejáveis importantes", disse o pesquisador.
Fonte: Portal Terra
20 agosto, 2010 - 14:50h
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia inclui entre os seus métodos de conservação de recursos genéticos o manejo de um Banco de Germoplasma de Sementes ou Coleção de Base de Sementes (Colbase), que no âmbito nacional faz parte da Curadoria de Germoplasma da Embrapa, juntamente com os Bancos Ativos (BaGs).
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia inclui entre os seus métodos de conservação de recursos genéticos o manejo de um Banco de Germoplasma de Sementes ou Coleção de Base de Sementes (Colbase), que no âmbito nacional faz parte da Curadoria de Germoplasma da Embrapa, juntamente com os Bancos Ativos (BaGs).
O Banco foi criado em 1976, em consonância com as recomendações do International Plant Genetic Resources Institute (IPGRI), quais sejam, conservação em câmaras frias a -20ºC e sementes com conteúdo de umidade 7% e objetivando conservar fontes genéticas para uso futuro em programas de melhoramento e pesquisas, prevenir e evitar perdas de valiosos recursos genéticos. As atividades básicas relacionadas ao manejo, conservação e uso de germoplasma-semente são recebimento do germoplasma-semente, documentação, controle de qualidade e monitoramento da viabilidade das sementes durante o período de armazenamento.
Na Colbase são conservados acessos de germoplasma nacional e internacional de variedades e cultivares obsoletas, espécies silvestres, espécies afins, raças locais e indígenas. Atualmente, aproximadamente 87.000 acessos de diferentes espécies estão conservados a longo prazo. As principais espécies conservadas são Phaseolus vulgaris (feijão- 10393 acessos), Oryza sativa (arroz - 8776 acessos), Triticum aestivum (trigo- 5583 acessos), Glycine max (soja- 4436 acessos), Sorghum bicolor (sorgo - 3587 acessos) e Zea mays (milho - 2926 acessos).
O enriquecimento da coleção de germoplasma-semente é realizado por meio de intercâmbio e de coleta de sementes de espécies cultivadas e nativas.
O sistema de documentação e informação permite que cada uma destas atividades, seja registrada para cada amostra por produto, constituindo-se no banco de dados da Colbase.
O monitoramento das qualidades fisiológica e sanitária dos produtos que compõem a Colbase é de fundamental importância. Por meio do monitoramento tem sido identificados quais acessos devem ser regenerados e/ou multiplicados, assim como quais patógenos associados às sementes estão contribuindo para a deterioração ou perda de viabilidade dos acessos.
As condições ideais para a conservação a longo prazo de germoplasma- semente são igualmente ideais para a conservação de patógenos a ele associados. Verifica-se que um dos problemas em culturas agronômicas, em todo o mundo, tem sido causado por doenças de plantas. Em países desenvolvidos, estima-se que para algumas culturas, há um prejuízo médio de 15 a 20% do potencial da produção agrícola, devido às doenças. De modo geral, inúmeros danos podem ser provocados em plantas por fungos considerados patogênicos, quando associados às sementes, como redução da produção, má qualidade de sementes e grãos, perdas de poder germinativo e de vigor, ocorrência de plântulas anormais, podridão de raízes, deterioração de sementes, morte de pré e pós- emergência de plântulas.
Entre as principais doenças disseminadas por sementes citamos: brusone (Pyricularia oryzae), mancha parda (Drechslera oryzae) e escaldadura (Gerlachia oryzae) em arroz; antracnose (Colletotrichum lindemuthianum) em feijão, helminthosporiose (Drechslera sorokiniana) em trigo; queima da haste( Phomopsis sp.), antracnose (Colletotrichum dematium) e podridão branca (Sclerotinia sclerotiorum) em soja; helminthosporiose (Helminthosporium maydis) e podridão branca (Diplodia maydis) em milho; antracnose (Colletotrichum gossypii) e ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) em algodão; damping-off (Fusarium, Rhizoctonia e Cylindrocladium) e die-back (Cylindrocladium, Diplodia, Botryodiplodia e Fusarium) em sementes florestais.
A análise sanitária de 13.952 acessos da Colbase detectou a presença de fungos patogênicos e de armazenamento em suas sementes. Isto sugere que os Bancos Ativos podem servir como centro de diversidade para os patógenos. Tem sido recomendado a estes Bancos, a produção e o uso de sementes sadias, para evitar a perpetuação e disseminação de patógenos de plantas e salvaguardar o germoplasma a ser conservado.
A conservação de germoplasma-semente de espécies autóctones, na Colbase está condicionada ao conhecimento de suas características morfo-fisiológicas, de seu comportamento germinativo, de sua tolerância ao dessecamento e sensibilidade ao congelamento. Há mais de uma década, pesquisadoras da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia vêm se dedicando ao estudo de sementes de espécies autóctones (madeireiras, frutíferas, ornamentais e medicinais) para fins de conservação a longo prazo. Estes estudos visam determinar os padrões para testes de germinação e de conteúdo de umidade, caracterizar o tipo de dormência das sementes e avaliar sua tolerância ao dessecamento e sensibilidade ao congelamento a -20ºC e -196ºC. Tais parâmetros são utilizados para classificar as sementes quanto ao seu comportamento para fins de conservação em ortodoxas, intermediárias ou recalcitrantes e avaliar sua qualidade fisiológica antes e durante seu armazenamento na Colbase.
Sementes de 138 espécies nativas, coletadas em distintos locais dos estados de Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Área de Influência do Aproveitamento Hidrelétrico de Serra da Mesa - GO e Distrito Federal, já foram estudadas e classificadas para fins de conservação. As temperaturas de incubação indicadas para a germinação destas sementes são as alternadas de 20-30°C e as constantes de 20°C, 25°C e 30°C. Para a conservação destas sementes a -20ºC, tem sido adotado o conteúdo de umidade ? 8%. Sementes de 120 espécies foram classificadas como de comportamento ortodoxo, uma vez que mostraram-se tolerantes à desidratação e ao congelamento em temperaturas sub-zero. Atualmente, 542 amostras de 82 espécies nativas com sementes ortodoxas, estão conservadas a -20°C, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
Sementes de duas espécies foram classificadas como intermediárias, pois toleraram a redução parcial do conteúdo de umidade, contudo, apresentaram perda significativa de viabilidade quando expostas a -20°C. Sementes de 16 espécies foram classificadas como recalcitrantes, mostrando-se intolerantes à desidratação e ao armazenamento a curto prazo, em baixas temperaturas (5ºC, 10ºC e 15ºC).
Não existe um método disponível, na atualidade, para a conservação a longo prazo de sementes recalcitrantes, portanto técnicas de conservação alternativas precisam ser definidas. A conservação in vitro, seja em condições de crescimento lento ou criopreservação de eixos embrionários isolados, ou de suas partes, são os métodos mais promissores para a conservação a médio e longo prazo, respectivamente. Tem sido relatado que eixos embrionários podem tolerar teores de umidade por volta de 12% e subsequente congelamento em nitrogênio líquido. Eixos embrionários criopreservados são resgatados usando a cultura e tecidos, sendo que deles se originam plantas inteiras. Tanto a conservação em condições de crescimento lento quanto a criopreservação estão sendo pesquisadas na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Essas técnicas são muito promissoras para a conservação de germoplasma de espécies nativas que apresentam sementes recalcitrantes, como por exemplo, Araucaria angustifolia (pinheiro do Paraná) da Floresta Subtropical, Eugenia uniflora (pitanga), Myrciaria cauliflora (jabuticaba) da Floresta Semidecidual, Bertholletia excelsa (castanha-do-Pará) e Virola surinamensis (ucuuba) da região Amazônica, Campomanesia adamantius (gabiroba), Eugenia bimarginata (falsa-cagaita), Eugenia dysenterica (cagaita),Euterpe edulis (palmito), Hancornia speciosa (mangaba), Inga cylindrica (ingá), Inga ingoides (ingá), Salacia sp. (bacupari), Talisia esculenta (pitomba), Tapirira guianensis (tapirira), Virola sebifera (virola) do Cerrado. Embora se saiba que a propagação dessas espécies ocorra principalmente via sementes, apenas informações preliminares sobre sua germinação e seu crescimento estão disponíveis. Existem relatos de que a propagação vegetativa a partir de mudas pode ser realizada com sucesso em alguns casos.
Referências Bibliográficas
FAIAD, M.G.R.; SALOMÃO, A.N.; FERREIRA, F.R.P.; GONDIM, M.T.P; WETZEL, M.M.V.S.; MENDES, R.A .; GOES, M. de. Manual de procedimentos para conservação de germoplasma semente a longo prazo na Embrapa, Brasília: Embrapa, 1998. 21 p. ( Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Documento, 30).
International Plant Genetic Resources Institute. Genebank standarts. Rome, 1994. 13 p.
SALOMÃO, A. N.; EIRA, M.T.S.; CUNHA, R. da; SANTOS, I.R.I.; MUNDIM, R.C.; REIS, R.B. dos. 1997. Padrões de germinação e comportamento para fins de conservação de sementes de espécies autóctones: madeireiras, alimentícias, medicinais e ornamentais. (Embrapa - Cenargen. Comunicado técnico, 23) 12 p.
SANTOS, I.R.I. Criopreservação: potencial e perspectivas para a conservação de germoplasma vegetal. Rev. Bras. Fisiol. Veg., 12: 70-84, 2000.
Marta Gomes Rodrigues Faiad, Antonieta Nassif Salomão Izulmé, Rita Imaculada dos Santos
Fonte: Portal Ambiental
27 julho, 2010 - 10:59h
Foram 22 prêmios; melhor participação brasileira da história
Links da matéria:
Febrace
Mostratec
Aos 16 anos, Leonardo frequenta o Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantã, em Sâo Paulo, ao lado de gente grande. Pesquisadores de toda a América Latina trabalham aqui em busca de novas descobertas científicas. Ele ganhou espaço no Instituto graças à sua curiosidade. Observando aranhas no sítio do avô, percebeu uma característica no mínimo interessante.
“E uma primeira coisa que eu observei é que quando você está em um lugar onde tem muitas árvores, um parque ou coisa do tipo, em muitos lugares você pode ver sinais de fungos, mas na teia da aranha eu não encontrei nenhum desses sinais. Então, esse foi o fator inicial para eu começar toda essa pesquisa”, diz Leonardo de Oliveira Bodo, aluno do Dante Alighieri.
Com base nessa observação, ele ganhou a confiança de orientadores do Instituto. E assim, com a ajuda dos profissionais e dos equipamentos de ponta do Laboratório, começou a analisar quais eram os elementos presentes na teia, e qual deles possuía efeito antibiótico.
“Muita gente se pergunta, na realidade, por que eu estou fazendo essa pesquisa. Por que você chega lá na farmácia e tem um monte de antibiótico, você nem sabe qual comprar. O que acontece hoje em dia? Acontece que as bactérias estão criando resistência a esses antibióticos convencionais e é uma emergência mundial por que no futuro esses antibióticos não vão ter mais utilidade para essas bactérias, por que elas estão adquirido resistência. E se você for parar para pensar, 20 milhões de pessoas morrem por ano a partir de doenças infecciosas e esses números tem crescido muito nas últimas duas décadas. Então, é muito importante que hajam novas pesquisas antibacterianas, que hajam novos antibióticos que talvez impeçam que essas bactérias criem resistência, por que realmente é uma coisa que envolve o mundo inteiro, que envolve a raça humana e é uma coisa que tem todo esse potencial e social”, diz Leonardo.
Se você já está surpreso com a capacidade do Leonardo, veja o que a Tamara fez. Ela resolveu investigar de que modo a cultura de cada povo pode interferir no processo de aprendizagem. Estudante de uma escola judaica desde os 5 anos de idade, ela resolveu olhar pro próprio quintal na hora de desenvolver a teoria dela.
“Todas as culturas, todos os povos, eles explicaram os fenômenos naturais da sua maneira. Eles desenvolveram sua própria matemática, sua própria química, sua própria física e por ai vai. Só que hoje, só uma é usada. Da mesma forma que teve a cultura judaica, todas as outras culturas têm”, diz a estudante Tâmara Gedankien.
E o que estes projetos têm em comum? Os dois foram ganhadores do Intel Isef 2010. O evento, que acontece todos os anos nos Estados Unidos, reúne 1600 estudantes do mundo inteiro que se destacaram nas principais feiras de ciências de seus respectivos países. O Leonardo, com o projeto do antibiótico produzido com base na teia de aranha, levou o terceiro lugar na categoria. Já a Tamara levou o primeiro lugar na categoria de Ciências Humanas e Comportamento, e abocanhou, também, o reconhecimento de melhor estudo na categoria. De quebra, ainda ganhou uma bolsa de estudos no Illinois Institute of Technology e mais: o nome dela vai até batizar um asteróide!
“Os projetos brasileiros, também, eles estão bem focados em resolver problemas de comunidade, e os projetos americanos, os projetos chineses, eles não têm essa característica. Então, nós nos equiparamos com a metodologia cientifica, com o conhecimento, porém, nós olhamos para aquilo que nos está atrapalhando ali no nosso entorno e tentamos resolver. Acho que esse é um grande diferencial”, diz Rosângela Melatto, Gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Intel América Latina
Em 14 anos, esta foi a melhor participação do Brasil na Isef. Foram 22 prêmios, no total. No ranking geral, Brasil e China empataram no segundo lugar em número de medalhas, perdendo apenas para os Estados Unidos.
“Nós conseguimos, pela primeira vez, ganharmos dois primeiros prêmios nas duas melhores categorias. O que isso significa? Significa que dois jovens brasileiros ficaram entre os 14 melhores do mundo. È melhor que a seleção, né? É bem interessante”, brinca Rosângela
E você, se interessa por ciência e quer participar da próxima Isef? Então, fique de olho nas datas de inscrição para as principais feiras de Ciências do Brasil, a Febrace e a Mostratec. Os links para as páginas das duas estão acima desse texto.
Fonte: http://olhardigital.uol.com.br/jovem/central_de_videos/maior-feira-de-ciencias-do-mundo-premia-estudantes-brasileiros/12052/integra
26 julho, 2010 - 18:11h
Até sexta-feira, dia 30 de julho, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, realiza a 4ª Escola de Nanociência e Nanotecnologia. O evento teve início hoje, 26, com o tema "Da Nanoenergia ao Nanoencapsulamento".
Os estudantes vão ter a oportunidade de conhecer mais sobre o assunto, sob diversos aspectos, como a aplicação em pesquisas de geração de energia limpa e utilização na medicina, como o tratamento de câncer e em procedimentos odontológicos, por exemplo.
Professores de diferentes cursos da universidade vão ministrar palestras, como Química, Odontologia, Física e Farmácia, com objetivo de oferecer aos alunos uma visão mais ampla da área de Nanociência e Nanotecnologia. Serão oferecidas, ainda, aulas teóricas e experimentais.
O evento acontece no Centro Cultural Professor Horácio Macedo (CCMN), localizado na Avenida Athos da Silveira Ramos, 274, - Cidade Universitária. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (21) 2562-7595 ou (21) 2562-7595, ou ainda, pelo e-mail 4escolannUFRJ@eq.ufrj.br.
*Fonte: Portal Ambiental com informações da URJ.
26 julho, 2010 - 16:46h
Retomada das obras de Angra 3 e construção de novas usinas no Nordeste e no Sudeste até 2030 esquentam o debate sobre o uso da energia atômica no país. O governo diz que a iniciativa pode evitar apagões. Mas ONGs como o Greenpeace veem perigo na tecnologia.
O Brasil precisa investir em energia atômica? O governo federal acha que sim e retomou o programa nuclear do país, que se arrastava desde o acidente com a usina de Chernobyl, em 1986, na extinta União Soviética. Os planos incluem terminar as obras de Angra 3, paralisadas há 24 anos, e, depois, construir pelo menos mais quatro centrais termonucleares até 2030. Duas delas vão ficar no Nordeste, e, as outras duas, no Sudeste. A polêmica decisão tem recebido duras críticas de entidades ligadas à defesa do meio ambiente, e o debate vai se transformar em uma guerra nos próximos anos.
Entre os principais opositores da ideia estão ambientalistas e ONGs, que acham essa tecnologia perigosa e cara. Para o Greenpeace, faz mais sentido gastar com parques eólicos, vistos pelos ativistas como mais competitivos, ambientalmente corretos e seguros. Já os defensores da opção nuclear incluem o Palácio do Planalto, os Ministérios de Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia e organizações e empresas diretamente ligadas ao setor. O grupo afirma que os riscos são mínimos e que as usinas são necessárias para dar conta do crescimento da demanda por energia nos próximos 20 anos.
A disputa começou com uma vitória do governo. No dia 31 de maio, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) concedeu a licença definitiva para a construção de Angra 3. Com isso, a Eletronuclear, responsável pela operação das usinas nucleares no país, pôde retomar as obras. Serão necessários pelo menos mais 8,5 bilhões de reais para terminar o projeto. De acordo com dados fornecidos pela estatal, o custo da paralisação foi de 1,6 bilhão de reais, dos quais cerca de 650 milhões de reais se destinaram à manutenção dos equipamentos, adquiridos no início da década de 80. A conclusão das edificações está prevista para 2015. Depois disso serão feitas as quatro novas unidades.
PRESSÃO DO FUTURO
Por trás dos planos de construção de novos reatores está um estudo, o Plano Nacional de Energia 2030. A análise, feita em 2007 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, indica que a demanda por eletricidade no Brasil vai crescer entre 90% e 175% até 2030, em relação a 2010. Para lidar com a expansão do consumo nas próximas duas décadas e evitar apagões, a EPE indicou como deveria ser o aumento na produção de energia. Está prevista, por exemplo, a expansão de hidrelétricas e de parques eólicos. Mas a pesquisa também recomendou a geração de um mínimo de 4 gigawatts adicionais por meio de centrais termonucleares.
As discussões sobre os locais onde ficarão instaladas as novas usinas no Nordeste já começaram no Congresso Nacional. Quatro estados estão entre os possíveis escolhidos: Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Como precisam de um volume considerável de água - que, com o calor gerado a partir da fissão (separação) dos átomos de urânio no reator, é aquecida, vira vapor e movimenta turbinas, gerando energia -, as unidades terão de ficar na orla marítima ou ao lado de grandes rios, como o São Francisco e o Jequitinhonha. Pouco se falou sobre as futuras usinas do Sudeste, mas elas deverão ocupar algum ponto do litoral do Rio de Janeiro, de São Paulo ou do Espírito Santo, ou, ainda, a bacia do Rio Paraná.
Definidos os lugares, as novas termonucleares dependem da aprovação de uma lei federal para sair do papel. No momento em que deputados federais e senadores começarem a analisar o texto do projeto - o que ainda levará alguns anos -, o debate entre defensores e opositores vai se intensificar.
O número de adversários da ideia provavelmente crescerá bastante. O medo de um acidente grave, que poderia causar contaminação radioativa e matar milhares de pessoas, certamente vai provocar forte resistência dos moradores das cidades selecionadas para abrigar as novas centrais.
MEGATONS DE CRÍTICAS
Não são poucos os problemas apontados pelo Greenpeace no programa nuclear brasileiro. "A questão nuclear no Brasil é tratada com descaso pela segurança e com falta de transparência", diz André Amaral, coordenador da campanha nuclear da ONG no país. Ao mesmo tempo em que fiscaliza o setor, a CNEN é a maior acionista das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que atuam na produção de urânio, e da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), fabricante de componentes. Na sua estrutura também estão instituições de pesquisa. "Modelo igual, só no Irã e no Paquistão", afirma André. O problema também foi identificado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, num relatório de 2006. Na época, a CNEN informou que trabalha para se desfazer de suas ações da INB e da Nuclep, por meio de um projeto de lei. Mas até hoje nada mudou.
O Greenpeace também aponta falta de transparência. Segundo a ONG, relatórios de segurança são tratados como documentos sigilosos, sob alegação de que guardam segredos industriais e de que sua divulgação poderia afetar a soberania nacional. "Na França, as pessoas são estimuladas a ler esses documentos. A gente tem um setor nuclear estruturado como foi criado, no regime militar", diz o ativista. Segundo ele, pareceres técnicos contrários a algumas decisões, como a construção de Angra 3, costumam ser ignorados pelos diretores.
Há também a questão do lixo nuclear, hoje depositado em piscinas de resfriamento dentro de Angra 1 e 2. Um depósito definitivo para esse material só deverá ser construído em 2026. "Temos energia gerada a preços altíssimos. Só não é mais cara que a produzida por algumas térmicas e solares. A eólica já é mais barata", afirma André. "No ano passado, instalou-se uma capacidade eólica de 37 gigawatts, maior do que a nuclear instalada em 15 anos. Temos um potencial enorme para geração renovável no Brasil." Ele também critica os reatores PWR de Angra 1, 2 e 3, cujo design é da década de 70 e já está ultrapassado. "São bombas atômicas no nosso jardim."
O Greenpeace não está sozinho. Outras ONGs, como a Fundação Heinrich Böll, que tem sede na Alemanha e mantém um escritório no Brasil, se declararam opositoras da energia nuclear. Vários especialistas do meio acadêmico também engrossam o grupo. Entre eles está Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco. "O Brasil tem um potencial gigantesco de geração eólica e solar. Podemos nos beneficiar de investimentos feitos agora nessa área, em pesquisa e desenvolvimento, e ganhar com isso no futuro, exportando tecnologia", diz. Segundo ele, ainda que existam poucas chances de ocorrer um acidente numa central termonuclear, elas não são nulas. "Não podemos acreditar nos que dizem que a tecnologia nuclear amadureceu e é infalível."
DEFESA BLINDADA
Os defensores da energia nuclear rebatem os argumentos levantados pelos seus adversários. Segundo Leonam dos Santos Guimarães, assistente do diretor-presidente da Eletronuclear, não faz sentido dizer que a energia eólica custa menos. "É preciso levar em conta o fator de capacidade", diz.
O número indica a relação entre a quantidade de energia produzida por uma usina ao longo de um período e sua capacidade máxima no mesmo tempo. "Nas eólicas, fica entre 25% e 30%. Em Angra 2, é de 82%", afirma. Para ele, mesmo a questão do lixo nuclear é ideológica. "Não é lixo: 90% do material será reciclado um dia." Segundo o executivo, o Greenpeace critica a energia nuclear porque isso está no seu DNA. "Resistência sempre haverá." A possibilidade de ocorrer um acidente grave, com extensos danos ambientais, em Angra ou nas futuras usinas, também é considerada mínima pelo grupo. "A chance de um Boeing cair é muito pequena, mas eles caem. Nem por isso as pessoas deixam de voar", diz Guilherme Camargo, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben). Ele afirma que a produção de gases estufa por termonucleares é quase nula, o que as torna ambientalmente limpas. "O Brasil precisa de energia elétrica, e de todas as fontes disponíveis. O resto é o blá-blá-blá dos opositores de sempre." Pelo visto, de um lado e de outro, os bombardeios já começaram.
AS MINIUSINAS VÊM AÍ
Como grandes termonucleares são caras, empresas de diferentes países vêm desenvolvendo miniusinas. As unidades têm reatores capazes de gerar entre 30 e 300 megawatts. São instaladas geralmente no subsolo e podem ser refrigeradas a água, sódio líquido, hélio ou até sal fundido. Uma lista detalhada dos projetos está disponível no site.
CADÊ O SUBMARINO?
A ideia de criar um submarino brasileiro com propulsão nuclear surgiu em 1979. Nos anos 80, a iniciativa foi acusada de servir de fachada para a construção de uma bomba atômica. O governo negou. Recentemente, o projeto foi retomado. O reator está sendo desenvolvido pelo Centro Experimental de Aramar, em Iperó (SP). O submarino deve ficar pronto só em 2020.
OS QUATRO PIORES ACIDENTES NUCLEARES
Chernobyl
O reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu em 25 abril de 1986, depois de um teste de rotina, e espalhou radioatividade na atmosfera. Cientistas calculam que 4 000 pessoas vão morrer por causa da contaminação.
Mayak
A indústria química de Mayak, na Rússia, fabricava plutônio para armas nucleares. Em 29 de setembro de 1957, um tanque contendo lixo atômico explodiu. Ao todo, 272 000 pessoas foram expostas à nuvem de radiação.
Windscale
Os dois reatores de Windscale, no Reino Unido, também foram criados com fins militares. No dia 10 de outubro de 1957, um deles pegou fogo, liberando uma nuvem radioativa. Não se sabe quantos foram afetados.
Three Mile Island
Em 28 de março de 1979, um defeito seguido de falha humana causou o derretimento parcial de um reator na usina de Three Mile Island, nos Estados Unidos. A construção de novas unidades no país ficou paralisada por 31 anos.
Fotos Creative Commons/Tim Suess e Wikimedia Commons
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/energia/greenpeace
26 julho, 2010 - 16:37h
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas está com chamada de propostas para o seu Programa de Bolsa de Estudos. O prazo para candidatura vai até o dia 31 de julho.
Podem se candidatar estudantes com até 40 anos, de graduação ou pós-graduação, de países em desenvolvimento, comprometidos com a formação acadêmica e com o desenvolvimento de habilidades avançadas de pesquisa.
O programa priorizará pesquisas em temas como a ciência envolvida nas mudanças climáticas, impactos das mudanças climáticas em ecossistemas aquáticos, na saúde e na agricultura, potencial de adaptação e mitigação e desenvolvimento sustentável.
O programa foi estabelecido com os fundos recebidos do Prêmio Nobel da Paz concedido ao IPCC em 2007. Seus objetivos principais são desenvolver conhecimento e habilidades de novos acadêmicos de algumas das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas e fortalecer a capacidade de países em desenvolvimento de contribuir para a ciência e a pesquisa sobre o clima.
A duração da bolsa será de 12 a 18 meses, desde que se verifique progresso satisfatório durante o período de estudos. Relatórios deverão ser enviados pelos orientadores ao comitê científico a cada seis meses. Os valores da bolsa dependerão do período de estudo e da instituição na qual será conduzido. Mais informações no site do IPCC (página em inglês).
Fonte: http://www.ufmg.br/online/arquivos/016233.shtml
26 julho, 2010 - 16:34h
O Brasil possui mais de 1.700 hidrelétricas em operação, muitas das quais em Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que dão resposta à crescente demanda por produção de energia elétrica, as usinas provocam mudanças ambientais que afetam a dinâmica populacional de peixes, sobretudo daqueles de comportamento migratório, os mais importantes para o consumo humano.
As barragens e os maquinários das usinas causam mortandade e podem interferir, de modo irreversível, na dinâmica de reprodução dessas espécies. A busca por soluções para o problema envolve o esforço de uma rede de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento – das engenharias às ciências biológicas.
Com recursos do programa de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e empresas do setor, a UFMG desenvolve estudos em duas grandes linhas: métodos para afastar os peixes de áreas perigosas, como turbinas, e pesquisas sobre o comportamento de migração das espécies, com o objetivo de projetar mecanismos adequados de transposição, isto é, que ajudem as espécies a atravessar as barragens e a continuar seu caminho, seja rio acima ou rio abaixo.
“Nossas pesquisas têm gerado teses e dissertações, além de protótipos e experimentos em testes em algumas usinas”, explica o professor Carlos Barreira Martinez, do Departamento de Engenharia Hidráulica da Escola de Engenharia. Entre os estudos recentes do grupo coordenado por Martinez no Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recursos Hídricos (CPH) estão os que procuram impedir a entrada de peixes em regiões de riscos em usinas
hidrelétricas, através da instalação de mecanismos que utilizam campo elétrico, bolhas de ar ou luzes estroboscópicas – como as existentes em pistas de dança.
No mesmo departamento, a professora Edna Maria de Faria Viana coordena estudos sobre comportamento de canismos de transposição de peixes do tipo “escada”, além do desenvolvimento de tecnologia para avaliação de características natatórias da ictiofauna migradora brasileira.
Equipe coordenada pelo pesquisador Marco Túlio Correa de Faria, no Departamento de Engenharia Mecânica, também concentra esforços para desenvolver mecanismos que impeçam a entrada de peixes em turbinas hidráulicas. Já no Departamento de Zoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Alexandre Godinho estuda o comportamento migratório de importantes espécies para a culinária e a pesca amadora do país, como surubim, dourado, dourada, piau, mandi, curimba e curimbatá. “Todos os projetos são motivados pelo impacto ambiental de usinas hidrelétricas sobre a ictiofauna”, resume Marco Túlio Correa de Faria, ao lembrar que, embora a legislação ambiental brasileira determine a implantação de sistemas de transposição de peixes em hidrelétricas, a maioria das usinas em operação no país ainda não possui esse tipo de sistema.
De montante para jusante
“Muitos peixes já nascem migrando e mantêm esse comportamento em diferentes fases de sua vida e por motivos diversos. Assim, no mesmo ponto de um rio, na mesma época do ano, há espécies subindo e outras descendo”, explica o professor Alexandre Godinho.
A migração contínua e em direções opostas – rio acima (para montante) e rio abaixo (para jusante) – torna complexa a tarefa de elaborar e implantar mecanismos que evitem a entrada de peixes em turbinas e facilitem a transposição. Para Godinho, o maior desafio, no Brasil, é a transposição para jusante.
Seja para desenvolver técnicas que afastem os cardumes das turbinas, seja para ajudá-los a seguir seu caminho, é fundamental conhecer cada grupo e seus hábitos. O salmão, por exemplo, é um peixe de superfície. Quando se aproxima de um barramento e não acha passagem, desce a caminho das turbinas, mas encontra telas que direcionam o cardume para um canal, com passagem segura. Esse tipo de estratégia seria viável no Brasil? “Sim, se nossos peixes tiverem esse mesmo comportamento, o que ainda não sabemos”, comenta Godinho. Segundo ele, entender a migração de uma espécie “depende de anos de pesquisa e de muito investimento”.
Por sugestão da equipe de Alexandre Godinho, foi construído, em uma barragem recém-implantada no rio Madeira, na bacia amazônica, canal com 50 metros de comprimento, com o objetivo de facilitar esse tipo de pesquisa. “Os peixes são capturados, marcados e lançados de volta no canal, para que possamos seguir suas trajetórias”, explica. Uma forma comum de pesquisa é feita por meio de radiotransmissores instalados em peixes, o que permite rastrear seus movimentos nos rios por períodos que variam de dois a quatro anos. “Com isso, temos como saber quando aquele indivíduo sai de um lugar para o outro e onde estão os sítios de desova e de alimentação”, comenta Godinho, ao informar que cada transmissor custa em torno de 350 dólares. “Não fica barato, mas essas pesquisas trazem informações que não se obtém de outra forma”, diz.
Em outra linha de estudo, dissertação orientada por Godinho aperfeiçoou técnica de captura do som subaquático produzido durante a desova por peixes da família do curimbatá, o mais pescado em águas doces na América do Sul. “Com essa técnica, podemos ir a campo nos momentos certos para detectar locais de desova desse grupo
de peixes”, explica o professor.
Barreiras elétricas
Tese defendida por Rafael Emílio Lopes e orientada por Carlos Barreira Martinez estudou a influência de campos elétricos para conter a entrada de peixes nas máquinas hidráulicas. O pesquisador realizou levantamento de eletrossensibilidade de espécies brasileiras migratórias presentes nas bacias dos rios Grande e São Francisco. “Os estudos mostram que peixes reagem à aplicação de campo elétrico de forma diferenciada por espécie e tamanho. Obtivemos dados sobre reação à aplicação de campo elétrico e determinamos, por espécies, o nível de tensão necessário para repelir e paralisar indivíduos”, relata Lopes em sua tese.
Ele comenta que o uso de campo elétrico evitaria o inconveniente causado por telas e grades, já que a técnica não oferece obstáculo ao fluxo de água. Com o intuito de verificar a viabilidade do método, a pesquisa gerou modelo matemático que permitiu a simulação de diferentes configurações, em busca de uma solução segura para os peixes e eficiente para a usina.
Com os resultados obtidos a partir das simulações computacionais foi construído protótipo em escala reduzida, seguindo o perfil do tubo de sucção das usinas. “Os resultados são satisfatórios e mostram a viabilidade do seu uso para afastamento de peixes nas usinas hidrelétricas e em outras áreas de risco”, diz Rafael Emílio Lopes. O protótipo foi tema da dissertação de mestrado defendida por Flavio Nakamura Alves Silva.
“Temos outros trabalhos na linha de proteção ambiental, como o estudo de Luís Gustavo Martins da Silva, para repulsão de peixes utilizando barreiras de bolhas de ar. Também testamos outras técnicas, como barreira com luz estroboscópica e com substância de alarme”, comenta Martinez.
Segundo ele, em praticamente todos os sistemas testados o afastamento dos peixes de áreas de perigo foi bem-sucedido. Apesar dos bons resultados, Martinez acredita que ainda há um longo caminho a percorrer. “Está clara a necessidade de novos estudos sobre a utilização desses sistemas em usinas hidrelétricas”, conclui o professor da Escola de Engenharia.
Fonte: Boletim UFMG, edição 1703: http://www.ufmg.br/online/arquivos/016236.shtml
26 julho, 2010 - 16:31h
Pensar na figura de um cientista pode trazer à mente a ideia de um senhor de jaleco, trancado em uma sala, fazendo seus experimentos. Há quem pense que o cientista é aquele que desenvolve experimentos complexos e distantes dos problemas cotidianos. Na contramão disso, alunos do Colégio Técnico (Coltec) da UFMG provam que ciência também se faz no dia a dia; nesse caso, a ideia partiu de algo simples: como utilizar o bebedouro sem o contato das mãos?
Sob a orientação do professor Giovane Azevedo, os jovens Igor Alvim, Jorge Henrique Borges, Lorena Faria e Priscila Silva desenvolveram o Protótipo de adaptador mecânico para bebedouros. A observação de problemas reais, como o risco do contágio de doenças, entre elas a gripe suína, por meio de contato da pele com o bebedouro, motivou os alunos a criarem o mecanismo. “Os projetos quase sempre tem como idéia inicial o desenvolvimento de novas tecnologias ou de soluções para situações-problema”, revela Priscila Silva. O experimento será divulgado na SBPC, que acontece durante esta semana na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),

Uma idéia, muitos benefícios
Com a idéia em mente, o primeiro passo foi a pesquisa dos bebedouros existentes, de modo que o adaptador tivesse um encaixe perfeito. Foram escolhidos dois modelos básicos para que a fase de desenvolvimento tivesse início. O protótipo funciona por meio de um conjunto mecânico constituído por pedal, duas hastes (uma horizontal e outra vertical) ligadas à torneira e duas tiras de metal presas à estrutura do bebedouro por pressão. Esta estrutura simples e de fácil adaptação, permite que a torneira do bebedouro seja acionada toda vez que o pedal é pressionado.
Uma das preocupações do grupo foi em relação ao material utilizado. As opções encontradas foram o aço inox ou alumínio, pois além do baixo custo e da durabilidade, são resistentes a corrosão que poderia ser provocada pelo contato constante com a água.
Segundo o professor Giovane Azevedo, os estudantes se envolveram em todo o processo de elaboração do adaptador. “Os jovens, em sua maioria alunos do curso de Instrumentação, foram responsáveis pela pesquisa, levantamento de dados e construção dos modelos”, relata.
Integrante do projeto desde o início de 2010, Priscila Silva diz que se interessou pela idéia devido à possibilidade de desenvolver algo prático e barato que ajudasse a solucionar problemas cotidianos. A jovem, que já participou de outros dois projetos, conta que a produção do adaptador foi importante pela “oportunidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na sala de aula,” ressalta.
Para todos
Além dos benefícios à saúde, o protótipo tem também caráter inclusivo, “O adaptador proporciona melhor acesso dos bebedouros à população, principalmente aos deficientes físicos, que não tem mobilidade nos membros superiores”, observa Azevedo. Nesse aspecto, a tecnologia é considerada um avanço, pois permite que pessoas portadoras de diversas deficiências usem sozinhas bebedouros comuns.
Como o adaptador não causa grandes alterações no corpo do bebedouro, pode ser uma alternativa viável para o mercado, devido a sua facilidade de implantação e baixo custo. No entanto, o professor destaca que, apesar de possível, a inserção do protótipo no mercado depende de outros fatores e pessoas que possam assumir esta interface. “O processo de estudo, de viabilidade econômica e principalmente registro de patentes é demorado, trabalhoso e exige muito tempo”, pondera.
Nesta sexta, 30 de julho, os idealizadores do projeto participam da 62° SBPC Jovem, com a apresentação de pôster. Para Giovane Azevedo, a presença no evento além de garantir visibilidade e reconhecimento profissional, é uma forma de buscar validação e trocar experiências com futuros usuários e avaliadores.“A SBPC será uma oportunidade de divulgar nosso trabalho e de estar em contato com outros projetos”, confirma a aluna Priscila Silva.
fonte: Reportagem feita pela aluna de Comunicação Fabíola Souza, bolsista da Assessoria de Comunicação da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG, especialmente para a cobertura da SBPC: http://www.ufmg.br/online/arquivos/016227.shtml
23 julho, 2010 - 09:30h
A Amazônia perdeu uma área de 109,6 quilômetros quadrados (km²) em maio de 2010, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A derrubada é 12% menor do que a registrada pelos satélites no mesmo mês do ano passado e, somada aos resultados dos últimos meses, pode sinalizar uma tendência de queda na taxa anual do desmatamento. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comentou os dados do Inpe.
Os números do desmatamento mês a mês são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para direcionar a fiscalização ambiental.
No acumulado de agosto de 2009 a maio de 2010 – primeiros dez meses do calendário oficial do desmatamento – o Deter registrou uma área de 1.567 km² a menos de florestas. O acumulado é 47% menor do que o registrado pelo Deter no período anterior (agosto de 2008 a maio de 2009), quando a soma atingiu 2.960 km².
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse dia 22/07/10, que a taxa anual de desmatamento na Amazônia deste ano é ainda menor do que a registrada em 2009. "Se no ano passado já tivemos o menor desmatamento da Amazônia, esse ano vai ser o menor do menor", disse a ministra, ao comentar os dados mais recentes do Inpe.
Izabella acredita que a tendência de queda pode antecipar o cumprimento da meta brasileira de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020, principal compromisso da meta nacional de redução de emissões de gases do efeito estufa.
"Nossa expectativa é bastante positiva e otimista frente aos compromissos que o Brasil assumiu internacionalmente. Estamos não só reduzindo o desmatamento, mas começando a mudar o patamar na questão das emissões".
O diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano Evaristo, atribui a redução do desmatamento à mudança na estratégia das operações de fiscalização na Amazônia Legal.
"O resultado demonstra que acertamos ao fazer um mapa com as áreas críticas. Chegamos nessas áreas e conseguimos neutralizar focos mais importantes, como a BR-163. Também apertamos o cerco na Transamazônica e em outras rodovias no Pará", avaliou.
De acordo com a ministra, o monitoramento da Amazônia vai ser aprimorado nos próximos meses, com a ampliação da utilização de um sistema japonês, que consegue observar o desmatamento mesmo quando há coberura de nuvens sobre uma região.
Fonte: http://www.agrosoft.org.br
21 julho, 2010 - 15:18h
O superintendente de tecnologia e alternativas de energia da Cemig, Alexandre Bueno, não conhece o projeto de Matozinhos a fundo, mas não descarta a possibilidade de ser uma parceira. “Não há garantias de que vamos comprar, mas a Cemig é hoje uma das maiores comercializadores de energia no mercado livre e temos interesse em fontes alternativas, inclusive temos pesquisas em torno do uso de resíduos”, afirma Bueno.
O diretor da consultoria KeyAssociados, Munir Soares, calcula que a usina de Matozinhos, com capacidade para processar 70 mil toneladas de lixo/dia, deva evitar que 8,5 toneladas de gás metano sejam liberadas na atmosfera, o suficiente para dar a ela o direito de receber 179 toneladas de crédito de carbono, que podem ser comercializados na Europa. “Cada tonelada de metano que deixa de ir para a atmosfera dá direito a 21 toneladas de crédito de carbono”, explica o consultor.
Segundo Soares, o volume é pequeno, mas a iniciativa é louvável. “Incentiva a geração descentralizada de energia e o reaproveitamento de um recurso energético que iria literalmente para o lixo”.
Fonte: http://www.otempo.com.br
21 julho, 2010 - 15:15h
Parece coisa de desenho animado, onde o lixo é usado para mover carros e foguetes. Mas é a vida real: o que você joga fora hoje pode voltar para sua casa, conduzido por fios de eletricidade. No Brasil já existem alguns aterros com usinas que reaproveitam o lixo por meio da queima. Agora, os resíduos também poderão virar energia por meio de um reator de micro-ondas. E Matozinhos, no interior de Minas Gerais, será o primeiro no país a ter essa tecnologia. Para começar, a usina de tratamento de resíduos, que está sendo construída junto com o aterro, terá capacidade de 1,5 MW/h, o suficiente para abastecer 3.000 residências.
A tecnologia foi desenvolvida pelo brasileiro Luciano Prozillo, diretor da Micro Ambiental. "O lixo passa por um reator de micro-ondas que retira sua umidade, aumentando seu poder combustível. Depois, ele é compactado e se transforma em briquetes (tijolinhos), que são queimados, liberando o vapor que vai mover turbinas e gerar energia, que poderá ser usada pela prefeitura ou comercializada no mercado livre", explica.
O projeto de Matozinhos é feito em parceria com a Cavo Serviços & Meio Ambiente. De acordo com diretor comercial da empresa, João Carlos David, o aterro deve ficar pronto em agosto e a usina em outubro ou novembro deste ano. "Nós fazemos a instalação dos equipamentos, quando tudo estiver pronto, a Prefeitura de Matozinhos vai ter que realizar uma licitação para definir quem vai operar a usina".
Ganhos. A prefeitura pode fazer essa licitação ou vender briquetes diretamente para potenciais consumidores, como cimenteiras. A procuradora geral do município, Maria Sílvia Viana, explica que ainda isso não está definido. Entretanto, qualquer uma das opções trará impactos econômicos e ambientais muito positivos. "Com a comercialização de energia, teremos aumento na arrecadação de impostos sobre serviços, além disso, como a tecnologia vai reduzir a emissão de poluentes, vamos nos credenciar a receber ICMS ecológico", avalia.
O projeto recebeu investimentos de R$ 10 milhões. Os recursos vieram do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (Fhidro), pois, com a implantação da usina de tratamento de lixo, os afluentes do rio das Velhas estarão protegidos da contaminação por chorume - líquido tóxico gerado na decomposição do lixo.
Fonte: http://www.otempo.com.br
20 julho, 2010 - 15:24h
Uma pesquisa apresentada na manhã de hoje (20) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que o barbatimão, uma planta medicinal da biodiversidade brasileira, pode neutralizar o veneno da cobra surucucu. A descoberta dessa propriedade do barbatimão pode significar um antídoto quase 50% mais barato do que o soro antiofídico usado atualmente.
De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma serpente que, apesar de registrar número de acidentes no Brasil pequeno [2% do total de mais de 49 mil casos registrados entre 2001 a 2006 pelo Ministério da Saúde], quando comparada com jararaca, responsável por 90% dos ataques, o índice de letalidade dela é bastante expressivo, três vezes mais letal que o da jararaca”.
Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete a produção do soro para o veneno da surucucu. Para o biomédico, a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca por alternativas antiofídicas.
“O soro é produzido por três laboratórios públicos no Brasil [Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantan, em São Paulo, e Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte] e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento. A vantagem é que, apesar do índice elevado de acidentes [com cobras], o número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são importantes, como as reações alérgicas dos pacientes [de 30% a 40% dos casos], que podem evoluir para o óbito, o processo de produção e logística de transportes é caro e, ainda, o soro não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”, explicou Fuly.
A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob a orientação do biomédico, revelou ainda que o barbatimão, já reconhecido pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, foi eficiente também na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida ao aquecimento de 80 graus Celsius (°C).
“Dez gramas [da planta] podem ser compradas, na internet, por R$ 10. Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá e guardar, já que [o chá] não requer tantos cuidados como o soro para armazenamento. Isso já reduz muito o custo da logística e da produção”, explicou o orientador do estudo.
*Agência Brasil
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br
16 julho, 2010 - 14:53h
Químicos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos aperfeiçoaram o design de um tipo de cristal artificial, duplicando sua capacidade de absorção e armazenamento de dióxido de carbono.
As chamadas estruturas metal-orgânicas (MOF, na sigla em inglês) são cristais metálicos porosos e estáveis, capazes de absorver e comprimir gases em espaços ínfimos.
Os cientistas esperam que tais materiais levem à criação de energias mais limpas e a métodos para a captura das emissões de gases do efeito estufa.
Sob comando de Omar Yaghi, do Instituto de Nanossistemas da Califórnia, ligada à Universidade da Califórnia, Los Angeles, a equipe aperfeiçoou um cristal anterior chamado MOF-177, resultando em duas novas versões - MOF-200 e MOF-210 - capazes de armazenar o dobro do volume de gases.
"A porosidade é um caminho para fazer muito com pouco", disse Yaghi, professor de Química e Bioquímica, em nota.
"Em vez de ter apenas a superfície externa de uma partícula, vamos perfurar pequenos buracos para aumentar dramaticamente a área da superfície."
Os novos cristais foram descritos em um documento publicado no site da revista "Science".
Jaheon Kim, professor de Química da Universidade Soongsil, de Seul, ajudou a projetar o MOF-210. Ele contou que um grama de MOF tem mais ou menos o tamanho de quatro tabletes de açúcar - ou seja, é um material levíssimo. Se espalhado, cada grama dos novos cristais ocuparia mais de 5.000 metros quadrados, disse Yaghi.
"Se eu pego um grama de MOF-200 e o desenrolo, ele vai cobrir muitos campos de futebol, e esse é o espaço que você tem para os gases se concentrarem", disse Yaghi. "É como mágica. Quarenta toneladas de MOF são iguais a toda a superfície da Califórnia."
Fonte: Folha.com
Anteriores